Archtops - história, desenvolvimento, marcas, conversas, sons e tudo mais

Autor Mensagem
MMI
Veterano
# mai/15


A pedidos dos amigos, este é um tópico sobre as mais refinadas guitarras que existem.

Para começar, um pouco de História.

As archtops foram uma invenção da Gibson, não tem como falar de história sem falar da história da empresa. Orville Gibson em 1890 começou a produzir instrumentos como hobby em sua casa. O instrumento mais popular dos EUA na época era o bandolim e esse era o foco principal. Em 1898 ele recebeu sua única patente, de um bandolim de topo e fundo arqueados e laterais feitas de uma peça sólida, não de lâminas dobradas. Era uma construção muito baseada na construção de violinos. Em 11 de outubro de 1902 Sylvo Reams, Lewis A. Williams, LeRoy Hornbeck, John W. Adams, Samuel K. VanHorn e Orville H. Gibson formaram uma “Partnership Limited Association” para criar a “Gibson Mandolin-Guitar Manufacturing Co., Limited”. Os dois primeiros eram do ramo de negócios da música e os outros 3 eram advogados de Kalamazoo. Orville Gibson nesta parceria cedeu seu nome e sua patente, recebendo US$ 2.500,00 por isso (não se iludam, isso era muito dinheiro!) e recebia apenas pelas horas trabalhadas na empresa, algo que não é claro até hoje se era um consultor, funcionário ou visitante esporádico.

Para promoção de seus instrumentos, a Gibson promovia músicos que se apresentavam com seus instrumentos, eram chamados de Gibsonians. Para acompanhar a cantora Fisher Shipp em 1906 foi chamado um músico habilidoso, Lloyd Loar, que mais tarde se casou com a cantora (na foto, o segundo da direita para esquerda, na frente, com um mandolim F4, mas é legal ver os instrumentos feitos naquela época, todos archtops como violinos). Apenas em 1911 Loar teve sua relação com a Gibson oficializada, como músico dos Gibsonians, conselheiro e compositor. Lloyd Loar é considerado um dos gênios dos instrumentos de cordas, junto com Antonius Stradivari, Orville Gibson, Leo Fender e Christian F. Martin. Em 1913 lançou inicialmente suas ideias para desenvolver a construção de bandolins e nisso começou sua fama e entrando para a história. Em 1918 Orville Gibson deixou a empresa com seu nome, após semear uma linha de instrumentos com suas ideias e criatividade. Suas ideias foram cultivadas e aprimoradas por grandes homens, mas o maior deles foi Lloyd Loar (deixando para trás até Ted McCarty, da época das criação da Les Paul). Foi no ano da saída de O. Gibson que Loar assinou como engenheiro acústico e gerente de negócios. Suas mais óbvias contribuições na Gibson foi o desenho e desevolvimento do H5 "Master Model" Mandola, F5 "Master Model" mandolim, K5 "Master Model" mando-cello, a lendária L5 "Master Model" guitar e os Mastertone Banjo, que o deixou conhecido como "Master Loar". Foi com Lloyd Loar que a Gibson desenvolveu os f-holes, graduou o soundboard e backboard, os "longitudinal tone bars" (bracing), o "tap tunning", a extensão elevada da escala, ângulos, ressonância, tudo essencial na construção das archtops e seu desenvolvimento. Loar deixou a empresa em 1924, deixando seu legado para história da empresa, indo trabalhar com pianos e amplificação. Depois foi um dos sócios da ViviTone Company, que fabricou instrumentos e usou a ideia do "coil-wound pickup" de Loar.

Não vou me alongar sobre mandolim, mandola, mando-cello etc. O fato é que a história deles se confunde com as guitarras (violões, na verdade, neste momento), basicamente diferiam no tamanho e alguns princípios acústicos de Lloyd Loar. Muita gente sabe, eu tenho um mandolim Gibson 1907, antes de Loar portanto, e nele tem princípios e soluções muito interessantes e bonitas. Mas não é o foco, certo? Então vamos falar das "guitar", modelo L.

Como já deu para sacar, a Gibson fazia desde 1911 a L4. Vale a pena, para quem estiver seguindo, assistir o vídeo da L4 1918 da coleção leiloada do ator Richard Gere. Era uma archtop com abertura oval no top, assim como a L1 e L3, que ganharam popularidade. A L4 tinha 20 trastes, diferentes das anteriores que tinham 19, e um músico marcante que tocou de L4 foi Eddie Lang, mas depois passou para a L5. Eddie Lang foi um dos pioneiros da guitarra, influenciou muita gente como Django Reinhardt e é reconhecido como um dos pioneiros da guitarra jazz. A L4 recebeu captadores na década de 50 (L4 CES), junto com um florentine cutway (aquele "pontudo") e em 49 fizeram a mesma guitarra, só que laminada e não escavada ("carved") com captadores, recebendo o nome de ES-175.

Com o desenvolvimento de Lloyd Loar, lançaram em 1922 a L5, a primeira com f-holes, inicialmente era com o corpo de 16" (em 1934 passou a ser 17"). Este é o modelo de guitarra jazz definitivo. As big bands despontavam na época e começavam a fazer sucesso, a guitarra começava a aparecer como instrumento de acompanhamento. Não tinham volume para se destacar frente aos outros instrumentos, especialmente os de sopro e a bateria. Freddie Green, um gênio que tocava na orquestra de Count Basie, usava uma pegada incomparável, atacando muito forte as cordas para dar volume, para isso em sua guitarra - normalmente uma Epiphone Emperor, mas eventualmente tocou de Stromberg, Gretsch e Gibson - dava para passar um dedo entre as cordas e a escala. Já mostrei este vídeo falando disso no fórum, mas vale mostrar de novo (em 1:38, para mostrar que não é exagero):



Tocar dessa maneira era sobre-humano, precisaram colocar captadores nesta guitarra para que os mortais pudessem acompanhar e principalmente solar. Aumentaram o tamanho da caixa da L5 e depois recebeu captadores (L5 CES) para que se tocasse com amplificadores. Foi nessa guitarra que nasceu a guitarra jazz, com possibilidade de solos, bases, fraseados próprios, junto com o maior pioneiro do instrumento: Charlie Christian. Ele foi o guitarrista da Benny Goodman Sextet and Orchestra. A primeira guitarra elétrica da Gibson, a ES-150, recebeu um captador com seu nome. Charlie Christian foi uma das principais influências de guitarristas como Wes Montgomery, Jim Hall, Hendrix, Santana, Les Paul, B. B. King, Barney Kessel, George Benson, Scotty Moore, Herb Ellis, Jimmy Raney, Tal Farlow...



O grande guitarrista que se fez famoso com uma L5 CES foi Wes Montgomery. Porém muitos já se apresentaram com uma, como Lee Ritenour, Pat Martino, John Mayer, Eric Clapton, Les Paul, Scotty Moore, Carl Perkins...

Então vou terminar esta primeira parte com o Wes Montgomery e sua Gibson L5. Vou continuar com a evolução desses guitarras, outras marcas, outras ideias.

Abç



Calime
Veterano
# mai/15
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MMI

Finalmente! Muito legal, lerei com mais calma amanhã, mas de antemão já te parabenizo pelo tópico, abç!

boblau
Veterano
# mai/15
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MMI

confesso que depois de 40 anos tocando guitarras e violões, parece que estou tendo minhas primeiras aulas.

Em 1985 fui em um show do Pat Metheny no ainda Palace em Moema e me encantei com a sonoridade e em 1989 fui no show gratuito no estacionamento do Shopping Eldorado do George Benson e surtei com o som da banda, mas principalmente com o som que saía de sua GB10.

Realmente estamos falando de algo que está acima em termos de técnica construtiva e materiais.

Parabéns MMI pelas informações e obrigado.

sds


Roberto

Ismah
Veterano
# mai/15
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Muito bem MMI o Bandolim, tem sua origem aonde?

EduJazz
Veterano
# mai/15
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MMI

Show! Realmente o vídeo do Freddie Green é impressionante. Seres humanos não conseguem fazer acordes com aquela ação de cordas.

Hammer
Veterano
# mai/15
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Curti o texto.. depois se vc puder falar sobre os construtores atuais de archtops como o benedetto seria legal tb..conheço muito pouco sobre o assunto

Filippo14
Veterano
# mai/15
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Boa MMI, interessante demais essa parte da história da Gibson, de fato eu não conhecia. Uma dúvida, as L's (L3, L4...) são archtops?


abraço

JJJ
Veterano
# mai/15
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marcando

MMI
Veterano
# mai/15
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Hammer
boblau

Realmente estamos falando de algo que está acima em termos de técnica construtiva e materiais.

Vou chegar nisso aí. Aos poucos vou escrevendo e publicando senão fica grande demais.

Ismah

Bandolim tem origens na Europa, mas por lá eram comuns os flatop, como os brasileiros. Tem o bandolim português bastante antigo e tradicional, mas pelos outros países também existiam instrumentos semelhantes.

Filippo14

Todos ali eram archtops, seguindo a patente de Orville Gibson. O L1 a partir de 1926 virou flatop. Mas talvez este texto te auxilie.

Para todos, obrigado por acompanharem. Vou postando aos poucos mais coisas.

Obrigado.

Ismah
Veterano
# mai/15
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Pois é me vieram algumas perguntas, nunca tinha encontrado nada da origem da Gibson... E agora fiquei mais intrigado ainda... Até porque achei que a Epipoca era uma marca criada pela Gibson, mas vim a pesquisar e eles foram um dos maiores rivais...

Como o mundo tem treta ahuahauahua

MMI
Veterano
# mai/15
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Ismah

Não. A Epiphone era uma fábrica de NYC, principal concorrente da Gibson. É de 1873, portanto, mais velha que a Gibson, começou também focada em bandolins. Começaram com guitarras somente em 1928, sendo que algumas eram tão boas quanto ou melhores que as Gibson, como a Emperor, Deluxe, Broadway e Triumph. Eu ia chegar nisso, mas já que perguntou, vamos de Epi...

Quando as guitarras elétricas se estabeleceram no mercado, a Gibson passou a se focar em guitarras laminadas porque para o som amplificado não viam tanta diferença em relação às sólidas (esse assunto vou falar mais tarde). Em 1949 a Gibson lançou a ES-5, basicamente a versão eletrificada da L5, com 3 captadores e laminada, mas a Epiphone Zephyr Emperor fez mais sucesso, mesmo porque era melhor - já pude tocar numa vintage dessas, gostei muito e só não comprei porque já tinha que viajar com outra guitarra. Um pouco mais tarde a Gibson acabou comprando a Epiphone, eliminando uma concorrente, mas o intuito foi para dominar os segredos das guitarras laminadas da Epi.

Quando Les Paul estava desenvolvendo o projeto da guitarra sólida, foi na fábrica da Epiphone de NYC. E foi para esta fábrica que primeiro ofereceu seu projeto e ideias para construção de uma guitarra sólida, recusada pela Epiphone e recusada depois pela Gibson também. Depois de uns anos, com o sucesso das guitarras Fender, a Gibson o chamou para fechar um contrato.

Delson
Veterano
# mai/15
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Marcando pra acompanhar.

Assuntos como esse me fazem sentir orgulho de ser do FCC

MMI
Veterano
# mai/15
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Delson

uau! \o/

Ismah
Veterano
# mai/15 · Editado por: Ismah
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MMI

Epiphone era uma fábrica de NYC

Segundo minha pesquisa ela começa na região da atual Smirna, atual Turquia, mas na época se chamava Império Ottomano, pelo grego Anastasios Stathopoulos, em 1873. Este então se mudou para NY. Falecendo, seu filho, Epaminondas, continuou o trabalhos. Vindo a se mudar para a Filadélfia, devido a uma greve geral em NY.

Confere com o que sabe?

MMI
Veterano
# mai/15
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A construção das archtop derivou dos mandolins e estes vieram dos violinos. Dessa forma, assim como nos violinos, a construção é cheia de detalhes e segredos. Vários começaram a produzir o modelo, em especial com o sucesso das big bands. Charlie Christian teve papel fundamental quando começaram a aparecer as primeiras guitarras elétricas. Inicialmente a Gibson criou modelos específicos para receberem captadores, que inicialmente eram em barras, diferentes dos atuais, chamados de captadores Charlie Christian (na foto, com seu suporte). A ES-150 foi a primeira guitarra da Gibson com captadores, apesar que 150 denotava o preço dela, ela era vendida por 155 para o conjunto guitarra mais amplificador. Com o sucesso do modelo, logo lançaram uma inferior, a ES-100, e uma superior, a ES-250. Apesar de algumas experimentações mal sucedidas, como o enorme Charlie Christian em alguns modelos (pior que dizem que soam bem), visualmente já dá para perceber que tinham um caminho e o descendente direto seria o P-90, lançado em 1946. Logo a L4 e L5 ganharam os novos captadores P-90, assim como outros modelos ES.

O que vale a pena falar é que o sucesso era das big bands, talvez um som mais associado ao jazz atualmente. Isso que levou ao sucesso as guitarras elétricas. Obviamente, junto da evolução das guitarras e captadores foi necessário uma evolução dos amplificadores. Inicialmente eram pequenos e foram crescendo. De forma geral, nossos queridos amplificadores valvulados eram desenhados para som limpo, para o som dessas guitarras archtops sólidas ou laminadas. Os guitarristas queriam solar, se destacar no som das bandas, o público crescia nas apresentações. O desenvolvimento, puxado pela demanda grande, foi muito rápido - a potência subiu rapidamente, a retificação foi aprimorada, os alto falantes e gabinetes cresceram. Várias empresas faziam amplificadores, a Gibson inclusive fez modelos famosos, mas aqui vale a pena falar do aparecimento de um sujeito na California que começou consertando amplificadores e acabou lançando sua linha: Leo Fender.

Não vou desvirtuar falando de Fender, vou continuar devendo para alguns amigos isso, rs. De toda forma, em 1946 lançou a linha de amplificadores (em 45-46 produziu os K&F amplifiers, iniciais de Leo Fender e Doc Kauffman), a Princeton para estudantes, a Deluxe para pequenos palcos e a Professional para os tops. Em 47 começou a produzir com o cover em tweed e 48 lançou os pequenos Champ (notem, bem antes de lançarem as guitarras sólidas). Não vou me alongar, apenas dizer que mesmo os posteriores, como o Bassman, Tweed, Vibroverb, Showman, Vibrasonic etc. eram feitos para este som limpo. Até mesmo os modelos de guitarras como Les Paul, Telecaster e Stratocaster foram lançados para este tipo de som, sem distorção. O problema foi que uns jovens rebeldes resolveram transgredir usando esses amplificadores além da capacidade deles, distorcendo. Isso é outra história...

Surgiu aí um impasse: as archtops sólidas, escavadas, tinham um belo som desplugado, algumas ganharam captadores e serviam para tocar desplugado ou em amplificadores. Mas a crescente necessidade de mais volume dos amplificadores chegou ao limite dessas guitarras, que produziam microfonia quando estavam em altos volumes.

A Gibson e outras empresas perceberam que para tocar amplificado, reduzir o desempenho acústico não só era aceitável como ajudava na microfonia e barateava a produção. Começaram então com as guitarras laminadas, como a ES-175. Essa foi a semente para desenvolverem as semi-sólidas e sólidas posteriormente. Como disse antes, a Epiphone se destacava na construção de guitarras laminadas, algumas até melhores que a concorrente Gibson, e por conta dessa concorrência acirrada e tecnologia de laminação, acabou sendo comprada pela Gibson.

Com o perdão de grandes artistas que me contrariam, eu ainda acho que o som desplugado de uma archtop é sensacional. Muitos famosos até tocam em público com as guitarras amplificadas, mas gravam em estúdio com elas desplugadas. Ou pelo menos mantém as duas opções. E esse é o meu ideal para este tipo de guitarra, uma guitarra archtop sólida, com excelente desempenho acústico, com um captador flutuante que permita tocá-la plugada. Em algumas guitarras da Benedetto (da Bob`s Boutique) o presidente Howard Paul demonstra as guitarras com o som plugado e desplugado.

Depois continuo esse papo... Abç

MMI
Veterano
# mai/15
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Ismah

É isso aí.

WendellMP
Veterano
# mai/15
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MMI
Aprendendo muito aqui, é bom conhecer um pouco mais da história do instrumento. Dá pra entender melhor a razão de estes instrumentos serem tão valorizados.

Uma pergunta se me permite, sei que você tem uma archtop e já tocou em muitas outras, com relação à captação, qual se apresenta mais "fiel" digamos assim ao timbre desplugado? Digo entre o Piezo e o magnético e tentando na medida do possível minimizar a influência do amp...

Obrigado por compartilhar esse conhecimento conosco...

Abraço.

MMI
Veterano
# mai/15
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WendellMP

Depende muito do gosto. Uma archtop desplugada pode soar de várias formas, dependendo de suas especificações. Algumas, especialmente se estiver com cordas mais brilhantes, roundwound (as normais de guitarra ou de violão), vão se aproximar do som de violão. Para o meu gosto, prefiro cordas de pouco brilho, flatwound, chego a ir mais longe ainda porque as que mais gosto são as Black Nylon Flatwound, ou seja, cordas de níquel revestidas com nylon, flat.

Dessa forma, quem gosta de um som mais próximo de violão, vai gostar de captação piezo, que deixa o som mais próximo de violão. Os captadores Benedetto são humbuckers de 4 fios, "splitáveis". Alguns preferem um som mais estalado de singles, outros mais gordos de humbuckers ou mini-humbuckers.

Minha opinião, para meu gosto aqui... Acho que archtop tem que mostrar para que veio, não é para confundir com violão, já que se é para soar como violão (ou bem parecido), que se use violão. Então minha preferência, sem dúvidas, são para os captadores magnéticos. Dá para ter um timbre relativamente "fiel" com piezo e magnético, depende do que se quer, mas eu prefiro o magnético. Uma vez que se usa um captador para transformar o som um pulsos elétricos, o amplificador é fundamental e a influência vai ser grande, até se for para buscar o som transparente da guitarra. Mas a minha preferência sempre é pelo captador magnético. Nem saberia dizer se a ideia de plugar uma archtop seria ter o som fiel da guitarra desplugada, talvez não. Isso é meio que se discutir se Strato é melhor que Les Paul ou se ambas são melhores que violão, dá muita discussão.

fiz meus testes com a archtop plugada e desplugada, mas sem nenhum esforço para soar igual, muito pelo contrário. Talvez essa seja a graça, né? rs

Melhor deixar 2 mestres mostrando os sons de violão e archtop...



EduJazz
Veterano
# mai/15
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MMI

Tommy Emmanuel me impressiona demais...

Hammer
Veterano
# mai/15
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EduJazz
O guitar boogie do Tommy é fantastico..não vou colocar aqui pra não desvirtuar o topico

WendellMP
Veterano
# mai/15
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MMI
Deu pra notar bem clara a diferença pelo vídeo.

Agora desvirtuando um pouco, que vídeo hein, realmente fantástico o Tommy Emmanuel, não conhecia, vou procurar conhecer mais agora. Aliás, quero me enveredar mais por esta vertente, da qual conheço muito pouco...

Abraços...

nichendrix
Veterano
# mai/15
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MMI

Bah eu gosto do som delas desplugados, que é algo entre um violão e um violoncelo estranho.

Lelo Mig
Membro
# mai/15
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Só marcando presença...

Depois faço comments. Texto para apreciar com calma!

MMI
Veterano
# mai/15
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EduJazz
WendellMP

O cara é muito fera... Mas aí os 2 estão no mesmo nível na minha opinião.

nichendrix

eu gosto do som delas desplugados, que é algo entre um violão e um violoncelo estranho.

Esse é o ponto que eu quero chegar. O legal delas é esse som desplugado. Mesmo se for para tocar plugado, a sensação de tocar, ouvir seu som misturado do elétrico com o acústico, é sensacional.

Lelo Mig

Vou continuar... Ainda tem bastante.
Valeu

JJJ
Veterano
# mai/15 · Editado por: JJJ
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Bom... agora li com calma.

Primeiro, parabéns ao MMI. Tópicos como este, são sempre interessantes. Claro que qualquer um pode ir na Wiki e ver a história das archtops (ou de qualquer outra coisa), mas o conhecimento de um especialista e a possibilidade de interação no fórum, são insubstituíveis.

Quanto ao assunto em si, uma dúvida mais "mundana": o termo "archtop" se refere ao topo arqueado, correto? As "semi", que não são da família "L", tipo as 335, por exemplo, são "archtop" também, correto?

Nesse caso, extrapolando um bocado, qualquer guitarra com tampo abaulado poderia ser considerada "archtop"? Ou tem que ter, obrigatoriamente, câmaras acústicas?

Quanto a meu gosto pessoal (irrelevante, mas coloco assim mesmo... rs), entre as totalmente "ocas" e as "semis" com madeira no meio, prefiro as últimas... Entre uma 335 e uma L5, fico com a magrinha!

MMI
Veterano
# mai/15
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JJJ

Quanto ao assunto em si, uma dúvida mais "mundana": o termo "archtop" se refere ao topo arqueado, correto? As "semi", que não são da família "L", tipo as 335, por exemplo, são "archtop" também, correto?

Nesse caso, extrapolando um bocado, qualquer guitarra com tampo abaulado poderia ser considerada "archtop"? Ou tem que ter, obrigatoriamente, câmaras acústicas?


Literalmente falando, archtop significa tampo arqueado. Assim, você vai achar esse termo em Les Paul, PRS, sólidas ou não. Os termos são meio imprecisos mesmo, muita gente se refere como semi-acústicas as guitarras com bloco sólido e cavidades. Uns chamam de acústicas as totalmente ocas. Outros falam que é errado, porque acústica qualquer guitarra é. Mas o termo guitarra archtop é comumente associado a este tipo de guitarra.

JJJ
Veterano
# mai/15 · Editado por: JJJ
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MMI

Eu sempre entendi "eletro-acústicas" como as totalmente vazadas (tipo L5) e "semi-acústicas" as com o bloco sólido no meio (tipo 335) ou até mesmo as Tele Thinline (que tem na verdade, cerca de meio corpo sólido).

Nesse tópico, você está se restringindo às do primeiro tipo ou vai enveredar pelas outras? (bom... a Tele não tem tampo arqueado... rs)

nichendrix
Veterano
# mai/15 · Editado por: nichendrix
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JJJ
335 e qualquer guitarra com bloco central são semi-sólidas o termo correto pra isso é semi-sólida. Não é semi-acústica, não é nada, as camaras não tem função acústica nela, mas tem o efeito de aumentar o sustain (e a microfonia quando se descontrola), que pra mim é altamente importante, pra outros não.

Semi-Acustica é o nome que dão pra guitarras como as ES-175 e todas as outras so tipo que são basicamente archtops em construção, mas por serem usadas primariamente plugadas em um amplificador, elas tem mudanças de projeto por conta disso.

O Semi vem por conta de em teoria serem archtops, mas a construção laminada é usada justamente para que elas possam ser usadas plugadas a maior parte do tempo gerando menos microfonia, então o desempenho delas puramente acústico é baixo. Na boa pra quem vai tocar plugado o tempo inteiro, esse é o caminho pra se tomar, tanto que praticamente todos os grandes construtores de archtop tem uma linha laminada pra quem só toca elétrico.

As archtops mesmo são basicamente violões, eles tem o tampo e fundos arqueado e escavado como um violino ou violoncelo, a ideia surgiu quando o Orville Gibson começou a usar essa construção pra aumentar o volume dos bandolins, ele fez alguns projetos, mas só construiu alguns violão-harpa, como na imagem abaixo (um dos poucos que ainda condições pra tocar desses pertence a um colecionador brasileiro). 20 anos depois o Loyd Loar que era luthier-chefe e presidente da Gibson, decidiu pegar os projetos e construir violões com tampo arqueado pra ver se eles conseguiam tomar o espaço dos banjos nas novas big bands que estavam surgindo, aí que surgiu o Gibson L-5, o L que eu saiba é de Loyd, já que ele modificou bastante os projetos originais do Orville Gibson que tinham boca oval.

https://larryharwin.files.wordpress.com/2010/02/gibson-harp.jpg

O tampo arqueado dá uma caracterísitica diferente ao som, indo pro rumo de um violoncelo, mas ao mesmo tempo dá muito mais volume que um violão de tampo plano comum, o que possibilita o uso em bandas que tenham naipe de metais.

Como as bandas cresceram, começou a busca pela eletrificação, que gerou a ES-150, a primeira guitarra elétrica de série e que ficou famosa como Charlie Christian. Só que as archtops ainda são primariamente acústicas, mesmo quando tem captador, na boa, se pegar uma guitarra como uma ES-175 e uma Benedetto 16-B como a do MMI, a 16-B vai tender a dar muito mais microfonia porque o tampo vai vibrar muito mais, consequentemente gerar mais feedback negativo do que o tampo muito mais rígido da 175.

MMI
Veterano
# mai/15 · Editado por: MMI
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Seguindo...

Com o sucesso do lançamento da ES-150 e posteriormente da L5, elétricas, outros fabricantes seguiram a ideia. A Gretsch lançou em 1951 sua primeira guitarra com cutway, além de 2 captadores. Logo a Epiphone também entrou no mercado, especialmente com guitarras laminadas.

Um dos grandes problemas é que uma archtop sólida é bem complicada de se fabricar e mais dificil (impossível até) ainda de se produzir em escala industrial. Para falar só do tampo, ele tem que ser escavado de forma que o centro tenha maior rigidez que as bordas até que chegue a uma determinada flexibilidade. Mais ainda, o ponto certo é feito com o ouvido do luthier, quando se faz o "tap tunning", ou seja, ele acerta o som de forma que tenha determinada característica vibratória. Em se falando de sitka spruce , uma madeira comum de tampo de archtop, pode variar de 5mm até 2mm, dependendo da qualidade, dos veios, da densidade, da rigidez e flexibilidade. Ou seja é um trabalho obrigatoriamente artesanal e que requer talento e experiência, não dá para programar uma CNC e produzir 500 guitarra por dia. Até pouco tempo atrás, as L5 da Gibson, assim como as L7, eram produzidas na fábrica de Montana sob supervisão direta do Master Luthier Ren Ferguson. Mas as laminadas podem ser produzidas mais facilmente e em série, só que não tem o mesmo som...

Entram aí os maiores luthiers da história, John D'Angelico de New York e seu aprendiz Jimmy D'Aquisto.

John D`Angelico nasceu em NYC em 1905, era de uma família napolitana. Foi aprendiz de um luthier (Ciani e Mario Frosali) que fabricava violinos, mandolins e violões (flatop) dos 9 até os 27 anos, quando se cansou e abriu sua loja. Ele ainda estudava com Frosali quando abriu sua loja e começou a fazer violinos, mandolins e archtop com f-hole, inspiradas na Gibson L5. As primeiras foram "Gibson" feitas por D`Angelico. Mas logo ele começou a incorporar o conhecimento de construção de violinos e algumas experimentações. mesmo quando aumentou a demanda e encomendas por seus instrumentos, ele optou por continuar fazendo-os a mão. Nos anos 40 teve convite de Fred Gretsch para fechar a loja e trabalhar na fábrica Gretsch, mas ele não estava interessando em dinheiro e fama, queria fazer seus próprios instrumentos, da melhor forma possível. Ele aprendeu violino, mas não era guitarrista, apesar de achar que a guitarra era o mais perfeito instrumento. D`Angelico nunca se casou nem teve filhos, mas quando D`Aquisto chegou para ser seu aprendiz, acabou adotando-o quase como um filho. Seus instrumentos foram ficando cada vez mais refinados musicalmente e visualmente. Nunca ganhou muito dinheiro com suas guitarras, produziu 1.164 delas, mas cobrava o que o músico podia pagar ou mesmo dava para um músico que realmente apreciasse sua obra. Muitos conhecedores dizem que nenhum luthier criou instrumentos que suplantassem as D`Angelico e D`Aquisto em balanço, equilíbrio, projeção, sustain e características tonais. Quase todas guitarras de D`Angelico foram de spruce no top, maple nas laterais, fundo e braço, ébano na escala - este virou o padrão deste tipo de guitarra. Os tops e os fundos eram graduados e testados quanto ao som (tapping) e flexibilidade, escavados de acordo a escola de violinos de Cremona, a fim de obter balanço, sustain e ressonância. Este processo era (e é) bastante complexo, pois se busca a rigidez correta (e isso varia de peça para peça), o arqueamento, a espessura em cada parte, o tipo de bracing que será usado (X-bracing ou parallel), as dimensões e os timbres que o músico procura. Uma de suas inovações foi o Stairstep Tailpiece, conceito para igualar a tensão das cordas (que D`Aquisto não concordava plenamente).

James D`Aquisto também era natural de NYC e logo cedo ficou fascinado em tocar guitarra, mas nunca gostou de tocar em bares e clubes, apesar de ter tocado guitarra e baixo por necessidade financeira. Se tornou aprendiz aos 17 anos. D`Angelico nunca foi ditatorial, a forma de ensinar era: "isto é o que eu quero que seja feito, eu faço desta maneira. Faça da maneira que quiser, mas tem que ficar igual ou melhor do que eu fiz". Ele superou de fato o mestre e ficou conhecido como o maior de todos e suas guitarras são das mais caras que existem hoje no mercado de usados, foi dele a primeira guitarra a ser vendida por 1 milhão de dólares. Produziu guitarras até sua morte em 1995, quando a epilepsia já o atrapalhava no trabalho.

D`Aquisto sendo o maior de todos, é referência nas archtops. Sua "Centura Deluxe" foi a inspiração para o projeto Blue Guitar, que vou contar em seguida. Outro nome importante, Linda Manzer, foi completar seus estudos em luthieria com D`Aquisto em 1984, depois de trabalhar com Jean Larrivée.

JJJ
Veterano
# mai/15 · Editado por: JJJ
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nichendrix

Tá parecendo a história do copo meio cheio ou meio vazio... Se é semi-sólida... é semi-acústica também, né? hehehe... Só brincando. Você deve estar certo quanto à nomenclatura...

Quanto a essas semi-violão, semi-harpa... tá, vou parar de zoar... vi umas assim no Metropolitan, até postei aqui foto um dia desses. São obras de arte dignas de estarem em museus! Mas eu não teria nem coragem de meter a mão num treco desses... Não faço nem ideia de como tocar!

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