Transformadores, a sonoridade do núcleo

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macaco veio
Veterano
# abr/16
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Como consequência, o ponto de saturação em Gauss, da chapa GO, é essencialmente o mesmo da chapa GNO. O que muda é a quantidade de ampéres-espiras necessárias para se atingir o ponto de saturação.
Pode ser que seja mesmo como voce explicou, mas geralmente citam a GO como B max de 200000. Outro ponto que gostaria de destacar e' o que voce chama de fluxo disperso, nao seria isso outro nome para fulga de indutancia? As linhas magneticas correm no sentido da lamina saindo da perna central e contornando a perna lateral, algumas linhas fogem do centro passando por fora onde nao ha perna lateral (e' onde eu discordo do alfonso Martignoni que diz que um nucleo deve aproximar de um quadrado, um retangulo de maior empilhamento havera menos perda de linhas pois a perna lateral e' mais larga!). Estamos falando da mesma coisa ou fulga de indutancia e' outra coisa?

macaco veio
Veterano
# abr/16
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quiz dizer 20000 (errei e puz um zero a mais)

macaco veio
Veterano
# abr/16
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E o ronco ? O ronco é devido ao fluxo disperso, que é pequeno em transformadores GNO, onde o núcleo trabalha pouco saturado ( 11300 G )
Este e' um modo de dizer que eu acho que todo mundo usa mas eu nao acho certo, ou algo esta saturado ou nao esta, nao concordo com esse termo pouco saturado, meio saturado etc. Ha um momento em que se satura, chegou no limite, antes disso a meu ver seria preencher, ou quase saturado, mas isso nao importa. So acho que 11300 nao e' pouco para laminas GNO comuns, e' no maximo, mais do que isso o trafo nao presta nao (pelo menos pra trafo de forca pra equipamento de som) esquenta e vibra pra cassete.

A.Sim
Membro Novato
# abr/16 · Editado por: A.Sim
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Olá, colega "macaco veio" :

Boas perguntas. Eu vejo citados os valores de 17000...18000...até 20000 G para o ponto de saturação do GO. Pode ser; tudo depende de como o autor define "saturação". O que eu posso afirmar é que, após cerca de 12000 G, tanto no GO como no GNO, teremos poucos domínios ainda para orientar. Vejamos a imagem nesse link http://www.arnoldmagnetics.com/Portals/1/CatalogLiterature/Material%20 Specifications/6%20Mil%20Grain%20Oriented%20Silicon%20Steel%20Hysteres is%20Curve%20at%20400Hz.pdf?ver=2015-09-21-165209-260 observe ( curvas 4/5/6 ) que, após 12000 G, a curva de histerese "deita" bastante, mostrando uma evidente saturação do material. Sugiro observar o valor de H necessário para levar o material a 12000 G, 15000 G e 17000 G e tirar as próprias conclusões...

O fluxo disperso é aquele que não se desenvolve no núcleo, mas sim no ar. Note que estamos considerando, por enquanto, apenas o fluxo disperso da bobina primária. Essa é uma boa pergunta; o fluxo disperso é devido a linhas de campo que escapam do ferro, ou serão as linhas de campo da bobina primária, como se ela estivesse sem o núcleo, mas percorrida pela corrente que circula "com núcleo" ??? O fato do Martignoni recomendar seção quadrada é para reduzir o perímetro da bobina em relação à seção transversal, até onde me lembro, e diminuir o consumo de fio.

Com relação à indutância de fuga, ou de dispersão, ela é resultado do fluxo disperso, sim. A indutância de dispersão aparece por que parte do fluxo do primário não atravessa o secundário.

macaco veio
Veterano
# abr/16
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A.Sim
eu consigo ver no grafico que tem aumentar bastante o valor de H mas nao sou capaz de entender todos os paramentros ali contidos.
o fluxo disperso é devido a linhas de campo que escapam do ferro, ou serão as linhas de campo da bobina primária, como se ela estivesse sem o núcleo, mas percorrida pela corrente que circula "com núcleo"
Acho que podemos definir fluxo disperso como a causa e tal fuga de indutancia como sendo o efeito ou consequencia. Com o nucleo vazio o as linhas do fluxo se distribuiriam igualmente ao redor da bobina, imagino que ao introduzir o ferro (com pernas laterais) haveria a criacao de mais linhas, e o que aconteceria com as linhas que ficaram fora do percurso perna central / perna lateral? Nao acredito que o ferro puxaria essa linhas para o percursso, penso que elas ainda estariam la em muito menor intensidade ainda assim induzindo alguma coisa (pois nao tem como ter pernas laterais ali onde se faz as ligacoes dos fios). Supondo que as linhas de fluxo correm na chapa numa orbita (como a terra ao redor do sol) e' dificil crer que algumas escapariam do bloco ali nas laminas das beiradas de um lado e do outro do bloco do nucleo, (a menos que as linhas girassem de forma completamente aleatoria) mas elas escapam. Assim a perca de indutancia seria consequencia da dispersao do fluxo, somada a ma distribuicao entre o enrolamento primario e o secundario onde uma linha magnetica que corta determinadas espiras do primario pode nao ser a mesma linha que corta o secundario (ou pode ate nao cortar o secundario). Considerando que o perimetro de uma linha magnetica no inicio da janela e' mais curto do que o perimetro de uma linha mais distante (la na beirada exterior da perna lateral) isso sem considerar a velocidade das linhas para percorrer a orbita tendo diferentes perimetros, eu deixo a questao que gostaria de considerar: nao seria um trafo enrolado com carretel dividido mais eficaz do que um com enrolamentos um sobre os outros? Porque a mesma linha que corta o primario tambem corta o secundario. Gostaria da opiniao dos colegas se as minha consideracoes estao corretas ou nao.

macaco veio
Veterano
# abr/16
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Ainda seguindo a ideia do carretel dividido eu imagino um trafo de saida de audio com por exemplo 4 divisoes, seguindo logicamente a proporcionalidade de cobre entre primario e secundario para os espacos entre as divisoes do carretel. Tendo meio primario / meio secundario/ meio primario / meio secundario, ao inves de sanduiche uns enrolamentos sobre o outro pra fazer um entrelacamento. Um dia vou fazer um assim pra experimentar.

Ismah
Veterano
# abr/16
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Um OFF bem grande...

Alguém com tempo e conhecimento, poderia estimar o tamanho do trafo para uma válvula 3-500Z?

SergioTrindade
Veterano
# abr/16
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Ismah
Levando em consideração os dados desse datasheet, com impedância no primário de 8,6KΩ, em configuração PP, classe AB, com uma freqüência mínima de corte tipica de amps de guitarra, considerando uma potência de 890W , corrente máxima dissipada de uns 800 mA, considerando uma alimentação de 3kVDC, estimo, grosseiramente que o núcleo deveria ter mais de 38cm² , ou seja uma laminação com 18 cm de altura, numa pilha de 6,5 cm - um monstro. Isso tudo se a bobina couber no carretel, pois o enrolamento teria que ser de um fio 23 AWG ou mais grosso. Na prática, eu creio que a ideia não seja economicamente viável. Nos dias de hoje é melhor usar vários pares válvulas mais comuns no mercado, como KT88, 6L6CG, etc. Creio que seja uma válvula mais adequada para transmissores de rádio.

Ismah
Veterano
# abr/16
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É uma válvula de RF. E a mais potente válvula que eu encontrei até o momento.

Hipoteticamente estou dimensionando o amp, pra ver o peso e volume (físico) que chegaria...
A fonte me chama a atenção... 220-3kV deve ser um secundário bem grandinho kkk

A.Sim
Membro Novato
# abr/16
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Olá.

8,6 k ohms para 8 ohms, 1400 W, 40 Hz PP, cerca de 12 kg. Quantos o colega vai querer ?

Matec
Membro
# abr/16 · Editado por: Matec
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Ismah

Você já montou um amplificador de 15W?
Se já montou parabéns, monte agora um de 30W.
Depois alguns de 50W e 100W
Quando tiver montado vários de 200W, aí sim, pense em algo realmente grande.

Me parece que você está muito seguro de que terá um bom super amplificador logo de princípio. Eu não acharia isso nada fácil.

Mesmo hipoteticamente.

A fonte me chama a atenção... 220-3kV deve ser um secundário bem grandinho kkk
Para uma corrente de 400mA no secundário, a corrente do primário é de uns 5,5A, no mínimo, só para suprir o HT.
Não se esqueça da alimentação dos filamentos, duas válvulas 3-500z : 5v por 30A = 150w

Boa sorte!

Vamos continuar com os transformadores e seus núcleos...

Ismah
Veterano
# abr/16
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Não tenho planos de (nem capital para) fazer ele. Perguntei mais como uma curiosidade de como seria o trafo, pois não não tenho capacidade de mensurar isso.

A.Sim e o SergioTrindade talvez pela experiência, responderam o que eu queria: peso e volume físico do trafo... O da fonte que deve ficar ainda maior, choke... Já tive ideia do trombolho que seria.

A.Sim

Não obrigado, já passou a vontade de carregar um desses. kk

A.Sim
Membro Novato
# abr/16 · Editado por: A.Sim
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Vamos entrar no assunto da sonoridade do núcleo ? Eu inicio afirmando que, se o núcleo influir na sonoridade de um transformador, será sempre para pior, por aumentar a distorção. E que transformador "bom" é aquele cujo núcleo não influencia em nada na sonoridade. O que os colegas acham ?

Matec
Membro
# abr/16
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A.Sim

A princípio, eu concordo com você.
O núcleo, que por si só apresenta uma distorção que pode ser comparada á um tipo de distorção de crossover, uma saturação cujo ponto pode coincidir com a saturação da válvula, e que além de tudo pode limitar a resposta de baixas frequências não deveria influenciar positivamente na qualidade do som reproduzido.

Mas aí está o problema; todos os amplificadores valvulados que utilizam transformadores na saída têem no mínimo um som interessante, seja "Hi-FI" ou para instrumentos musicais. Sendo que para estes não há nenhuma dúvida, mesmo com altas taxas de saturação o som ainda é muito agradável.

Eu já fiz testes trocando simplesmente o transformador de saída do amplificador e percebi uma diferença em vários parâmetros na resposta do equipamento.
Inclusive foi por esse motivo que este tópico foi aberto.

Eu acharia interessante que se pudesse quantificar esse tipo de diferença e classificar os tipos de núcleo, não só pela eficiência, mas também pelo som que se pode esperar deles.

Existe muita literatura sobre como fazer os enrolamentos para se ter um bom transformador, e torná-lo bastante eficaz em reprodução de graves e agudos, como reduzir perdas, e como diminuir a capacitância entre as camadas.
Mas até agora não vi nenhum estudo a respeito de como o núcleo pode modificar a Qualidade do som que um transformador pode reproduzir.

Abs

Ramsay
Veterano
# abr/16 · Editado por: Ramsay
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A.Sim
Qual seria a diferença na qualidade sonora entre os transformadores de saída normais feitos com chapas tipo "E" e os transformadores de saída feitos com núcleos toroidais, como os do link abaixo?
http://www.toroid.com.br/wp-content/uploads/transformadores-saida-de-a udio.pdf

macaco veio
Veterano
# abr/16
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Eu já fiz testes trocando simplesmente o transformador de saída do amplificador e percebi uma diferença em vários parâmetros na resposta do equipamento.
Nao estou criticando nao, mas acho que se compararmos laranja com bananas fica dificil de classificar sonoridade de nucleos.
Vou usar como exemplo o trafo AG4003 que o Matec colocou as caracteristicas la no inicio do Post, o do meu True Reverb II difere pequena coisa.
nucleo 7.5 cm quadrados geometrico ( + ou - 6,8 magneticos)
2,5 perna central x 3 cm de empilhamento, laminas GNO
1986 espiras (fio 30 AWG) (um pouquinho mais que o do Matec) com 20 camadas.
Resistencia de primario 44,1 + 51,8 = 95,9 (pode dar diferenca de multimetros true RMS ou untrue)
sec 63 espiras + 26 espiras (4 e 8 ohms) fio 23 AWG
F minimo 65 hz (-3dB) Zprimario entre 3800 a 4100 ohms (depende da tensao entre 430v a 450v + ou -) para 50W.
Agora, qualquer modificacao no nucleo que for feita (tipo de chapa, formato diferente com pernas centrais diferentes, etc) tem que levar em consideracao os parametros iguais principalmente a area igual do nucleo. Ai poderia se aplicar um gerador de sinal com diferentes frequencias e diferentes niveis de sinal aplicado e observar as diferencas sonoras, fora isso ficaria uma comparacao completamenta injusta (por exemplo botar um trafo de area 7,5 cm com um 12 cm quadrados, logico que o de 12 ganha).

Matec
Membro
# abr/16 · Editado por: Matec
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macaco veio
Nao estou criticando nao, mas acho que se compararmos laranja com bananas fica dificil de classificar sonoridade de nucleos.

Você não está errado!

Eu não quis estender a citação, mas o negócio foi mais sutil que isso. Não foi só trocar um transformador por outro, sem serem de modo algum parecidos ou coisa assim. Ambos eram Gêmeos, enrolados com as mesmas características, só tendo por diferença um núcleo original da Marshall, outro, um núcleo GO, 16000 Gauss. Um voltou a ser um transformador original, com as mesmas características sonoras de antes. O outro, é bem diferente.

Mas vc também está certo quanto aos cálculos do novo transformador. Provavelmente outro cálculo deveria ser feito para que o transformador, tendo um novo núcleo, tivesse também uma alteração que a resposta ficasse igual ao outro. (Só que não se sabe as características do núcleo original; GNO, GO, 8000G, 10000G, 14000G , 16000G, 20000G, ou algo nesse meio...)

Ai poderia se aplicar um gerador de sinal com diferentes frequencias e diferentes niveis de sinal aplicado e observar as diferencas sonoras, fora isso ficaria uma comparacao completamenta injusta .

A ideia de se classificar os núcleos é o que move este tópico. Mas não se engane, como eu disse antes a ideia é fazer uma classificação pelo timbre. O que é muito mais complicado do que parece.

(por exemplo botar um trafo de area 7,5 cm com um 12 cm quadrados, logico que o de 12 ganha)

Ganha em quê? Em timbre ou em graves? O timbre é um conjunto de características do som, pode incluir muitos graves ou não. Talvez o núcleo de 7,5cm² tinha um timbre muito mais interessante que o de 12cm²...

Abs

A.Sim
Membro Novato
# abr/16 · Editado por: A.Sim
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Olá.

Eu vou começar respondendo ao colega Ramsay. Ao contrário do que é vendido pelos fabricantes e acreditado pelo consumidor médio, o transformador toroidal não é uma maravilha tecnológica capaz de tornar obsoletos os transformadores com núcleo EI. Como transformador de força, o toroidal tem a vantagem de ter menor volume em relação ao EI. E é só. O que os fabricantes não dizem é que:

a) a corrente de ligamento ( inrush current ) é várias vezes maior do que a contraparte EI, pelo fato de que não há entreferro.
b) a fixação do toroidal é feita sobre o enrolamento, ao invés de sobre o núcleo. Muitas vezes, a fixação é feita comprimindo-se o enrolamento ( veja a primeira foto à direita, no documento indicado ) utilizando uma chapa circular e um parafuso central de aperto. Esse fato faz com que o toroidal seja campeão em fechar curto entre espiras..
c) como os enrolamentos são contínuos sobre o núcleo, o enrolamento mais "de cima " fecha completamente o "de baixo". As ligações do enrolamento "mais de baixo" precisa, então atravessas as espiras do enrolamento "mais de cima", criando a necessidade de uma cuidadosa isolação e, evidentemente, introduzindo um ponto fraco no transformador e fazendo-o "campeão" em fechar curto entre enrolamentos...
d) como o diâmetro interno do anel é menor do que o externo, as espiras se amontoam no perímetro do furo, deixando a superfície do enrolamento completamente irregular. Além de ser um prato cheio para fechar curto entre espiras ( com uma ajudinha da montagem por compressão, então, fica perfeito ...) o isolamento entre camadas fica complicado, pelo fato da camada enrolada não ser lisa.

A.Sim
Membro Novato
# abr/16 · Editado por: A.Sim
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Como transformador de saída, o toroidal poderia ser bom, mas:

a) o núcleo não tem entreferro e só isso já invalida a proposta do toroidal como transformador de saída. Sem entreferro, não é posível fazer transformador de saída SE de forma econômica. Na configuração PP, ele exige um equilíbrio praticamente perfeito das duas válvulas de saída, pois qualquer desbalanço DC, estático ou, pior, dinâmico , pode levar o núcleo à saturação e introduzir distorção. Quem já experimentou balancear um estágio PP estática e dinamicamente sabe como é difícil fazê-lo e, mais difícil ainda, mantê-lo...

b) os enrolamentos são longos, pois percorrem todo o perímetro do núcleo. A capacitância entre os enrolamentos resulta, assim, várias vezes maior do que aquela existente num transformador EI. E a resposta em alta frequência não depende apenas da indutância de dispersão...

A.Sim
Membro Novato
# abr/16 · Editado por: A.Sim
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Agora, com relaçao ao Matec : "troquei o núcleo e o transformador ficou outro..."

Como eu já afirmei antes, transformador "bom" é aquele no qual o núcleo não influencia na sonoridade. E por que isso ? Por que o ferro, mesmo GO, é fortemente não linear e introduz distorção. E não basta ser não-linear simplesmente, ter uma só curvatura na relação B-H, como uma válvula tem...ele tem duas curvaturas ( a curva B-H é em forma de S ). Isso faz com que qualquer projetista sério tente sempre se livrar da influência do núcleo o máximo possível ao projetar um transformador de saída, utilizando uma secão magnética adequada para a resposta pretendida. Em palavras simples, se ao trocar o núcleo de GNO para GO o som "melhorou" nos graves ( a distorção ficou menor ) então o núcleo está pequeno demais para a resposta de baixa frequência pretendida. Isso acontece por que o núcleo GO tem uma permeabilidade maior do que o GNO, o que aumenta a indutância primária e melhora a resposta de graves. E tem amplificador de guitarra que usa transformador de saída pequeno!

Com relação à afirmação "troquei o núcleo Marshall original ( era ferro GNO comum ) por um GO 16000 G..." isso não procede. A indução magnética depende do enrolamento, não do núcleo. Ao trocar de material a indução permaneceu a mesma, apenas a indutância primária mudou.

Matec
Membro
# abr/16
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A.Sim
Com relação à afirmação "troquei o núcleo Marshall original ( era ferro GNO comum ) por um GO 16000 G..." isso não procede.

Opa! Eu disse isso?

Eu mandei enrolar dois transformadores:
Um era um Marshall (que havia queimado)
Outro foi um clone da primeira montagem.

O núcleo da Marshall não foi medido, para se saber que tipo era.
O núcleo do outro foi informado GO 16000G.

Só isso! rsrs

Agora:

Como eu já afirmei antes, transformador "bom" é aquele no qual o núcleo não influencia na sonoridade.

Aí volto a questionar "Bom para quê?".

Se um HI-FI tem uma resposta planíssima talvez o núcleo tenha pouca influência. Provavelmente o construtor, sabendo de possíveis problemas gerados pelo núcleo, fez um dimensionamento para que isso não ocorresse. Neste caso a máxima do A.Sim é uma lei.

Porém se for verificado que a influência do núcleo é de algum modo vantajosa para um músico, porquê evitá-la? É sabido que grande parte da música contemporânea foi influenciada por um gênero que valoriza o som que apresente distorções.
Nesse caso o transformador "Bom" não é o mais indicado. (É claro que estou pressupondo que a influência do núcleo seja realmente um parâmetro desejável, é para isso que estamos aqui)

Abs

A.Sim
Membro Novato
# abr/16
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Olá, Matec:

Sim, eu entendi que eram dois transformadores gêmeos entre si. Se a lâmina do Marshall era grossa ( 0,5 mm de espessura ) então era ferro GNO. Mas, explica, qual foi a diferença que notaste no som ?

Transformador "bom " é aquele que responde bem. Tanto para os graves, como para os agudos. O núcleo vai influenciar os graves. Não vejo nenhuma vantagem que o núcleo possa trazer com a sua dupla não-linearidade além de encher o som com distorção de 3a harmônica, extremamente irritante.

macaco veio
Veterano
# abr/16
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então o núcleo está pequeno demais para a resposta de baixa frequência pretendida. Mas ai e' que ta o ponto da questao, alguns trafos de guitarra sao calculados pequenos justamente para ter menos volume sonoro nos graves, foi onde eu disse no meu post, que um de nucleo maior sempre ganha de um de nucleo menor pois tera mais indutancia e aumentara os graves ate o limite no calculo onde os volumes (graves e agudos) tendem a se igualar. Se no caso dele menor no momento em que ha a distorcao dos graves, se esta distorcao e' bem vinda penso ser este o ponto que o Matec quer dizer. Embora eu acho que nao e' esta distorcao que os guitarristas querem ou pensam que a que eles querem e' a que vem do nucleo. Tem-se entao dois paramentros a observar, um e' o timbre e outro a distorcao nos graves, o problema e' qual e' o exato som dessa distorcao?

A.Sim
Membro Novato
# abr/16 · Editado por: A.Sim
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Olá. Do ponto de vista harmônico, nenhum som musical pode advir de um transformador saturado. Mas pode haver quem goste. É ruim mas é queijo, dizia a velhinha...

Não vejo como se pode tirar vantagem em reduzir os graves via redução da seção magnética, com piora na resposta de graves e introdução de distorção por saturação do núcleo. 3a harmônica direto. A redução na amplitude de graves deve ser feita através do ajuste da curva de resposta do amplificador.

macaco veio
Veterano
# abr/16
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É ruim mas é queijo, dizia a velhinha comendo sabão...
kkkk
pois e' mas ta na formula L min = Z / 2 x pi x F com o pi dobrado vai ter menos volume nos graves e esta e' a sugestao para amplificadores de guitarra. Talves pra diminuir peso, economia, etc visto que guitarra nao precisa tanto de graves.

Matec
Membro
# abr/16
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A.Sim

Pelo que me lembro, o transformador Marshall manteve as características do amplificador. Som brilhante, com boa definição nos médios, graves não tão fortes, mas presentes, com um subgrave baixo, mas profundo, que aparece quase como se estivesse comprimido.

O transformador com núcleo GO tem um som mais "plano" sem brilho. Os médios não parecem tão bons, e os graves aparecem bastante , o que resulta num som embolado, causando mais distorção em baixas frequências,"bufando".


macaco veio

Também fico me perguntando se é a distorção de saturação que pode ajudar o som ou não. Existe num transformador além da saturação, a histerese, que também gera outro tipo de distorção. Combinado a isso existem os defasamentos de frequência que levam a distorção da crista de onda para a lateral dela, o que também influenciam de forma diferenciada nossa percepção.

Abs
.

macaco veio
Veterano
# mai/16
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A histerese foi muito bem explicada pelo colega A.sim. Na minha visao resumida e simplista a histerese e' um certo tempo de atraso que o material mantem magnetizado e demora a desmagnetizar quando o ciclo se inverte, ou seja a coisa inverteu mas o nucleo insisti em continuar magnetizado e ai envolve uma energia extra pra fazer ele desmagnetizar e magnetizar de novo no ciclo invertido, mais ou menos isso. Mas no caso de trafo de audio onde a forma de onda e' o sinal da guitarra sem forma definida e a frequencia muda conforme a nota tocada essa inversao do ciclo positivo/negativo vai ser algo completamente digamos aleatorio. Se a histerese realmente causa alguma forma de distorcao (o que devera ser bem pequena), ela e' uma distorcao boa que melhora o som, pois histerese acontece em todos os trafos sem condicao de eliminar, entao num trafo de Hifi ela estaria la ajudando a soar mais bonito. Em cima de tudo que foi dito eu ainda somo a magnetostricao num trafo de audio, se as laminas vibram com senoidal certamente irao vibrar com uma onda qualquer, suponhamos que pusessemos um microfone de contado nas laminas e realimentasse na entrada do ampli, teriamos uma especie de reverber so com as laminas do trafo. Acho que daqui pra frente nao tem muito aonde chegar sobre sonoridade do nucleo so em teoria, teria que haver teste praticos. Desviando um pouco o topico eu deixaria uma questao, porque um trafo de audio queima sem carga e como e quando e se isso acontece? e o um de forca nao. talves merecesse um topico separado.

A.Sim
Membro Novato
# mai/16 · Editado por: A.Sim
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Olá, Matec:

Mas a lâmina original do Marshall era grossa ou fina ? Eu aposto que era grossa ( GNO ) para que, ao usar GO, a diferença na indutância primária pudesse fazer uma diferença assim tão "audível". O problema de se usar conceitos subjetivos ( brilho, definição, compressão, planura, etc ) é que fica difícil quantificar o que mudou, onde mudou e por que mudou. Melhor teria sido usar um gerador de áudio e varrer o espectro, anotando as respostas em determinadas frequências de interesse. Depois, com essas informações, tentar associar as sensações "subjetivas". Eu continuo achando que houve um incremento nos graves, já que o núcleo não influencia médio e agudos ( a não ser que o núcleo seja muito pequeno para a potência...), razão pela qual o som ficou mais "plano "...

Veja, pela sua descrição, o uso de GO piorou a resposta do amplificador...e quantos me pedem para fabricar os transformadores de saída de Marshall e Fender com GO, para ser "melhor "...o que faz o marketing !

Mais adiante eu gostaria de introduzir o assunto "quero GO por que...quero !". ..algo que deve tirar o sono dos montadores.

Matec
Membro
# mai/16
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A.Sim

Mas a lâmina original do Marshall era grossa ou fina ? Eu aposto que era grossa ( GNO ) para que, ao usar GO, a diferença na indutância primária pudesse fazer uma diferença assim tão "audível".

Infelizmente não cheguei a medir a espessura da lâmina na ocasião. Na época eu "ia na onda" do meu fornecedor de transformadores, e achava que se o transformador funciona, tá ótimo. Foi à partir desse evento que comecei a tentar me informar melhor sobre o assunto.

Felizmente o equipamento funciona até hoje, e é de um amigo, de modo que ainda poderei um dia fazer essa medição.

Quanto às medições, eu gostaria de saber em quais condições que seria útil medir. Isso para poder ter um parâmetro que possa ser reproduzido por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, a fim de ter um parâmetro de medidas que sirva como base para se comparar as medições com precisão.

Lembro que em outro fórum eu pedi ajuda para fazer as medições de B e H e também de como fazer um gráfico . Vou ver o que posso fazer com isso.

Tenho um induímetro com escala até 200H. Porém nessa escala creio que há um problema de aferição. Suponho também que ele não deva funcionar à contento medindo indutores com núcleo de ferro.

Mesmo assim, tentarei fazer o que for necessário para se ter alguma luz sobre o assunto "NÚCLEOS".

Veja, pela sua descrição, o uso de GO piorou a resposta do amplificador...e quantos me pedem para fabricar os transformadores de saída de Marshall e Fender com GO, para ser "melhor "...o que faz o marketing !

Sim. Lembro inclusive de discussões suas com outro fabricante. Onde o principal argumento do concorrente, era que os núcleos GO seriam imbatíveis. Discussões desse tipo à parte, creio que deva ter um tipo de núcleo para cada aplicação e que todos podem ter seu nicho.
Só não conheço nenhum estudo sobre isso.

Abs

A.Sim
Membro Novato
# mai/16 · Editado por: A.Sim
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Olá, Matec:

Desejando efetuar medições que possam ser comparadas e refeitas em "qualquer lugar do mundo", o primeiro passo é estabelecer condições de medida que sejam reprodutíveis com o mínimo de dificuldade. Eu poderia começar dizendo que a carga do amplificador precisa ser resistiva; não pode ser um alto-falante, por exemplo. E por que? Porque o alto-falante é uma carga cuja impedância é fortemente dependente da frequência, e mesmo alto-falantes de mesma marca e modelo são diferentes entre si. Usando-se um simples resistor resolve-se o problema. Use um resistor com o valor da impedância de saída do amplificador; para os casos de maior potência, use uma associação e, nos casos mais extremos, mergulhe-os em água para refrigerar...com a vantagem que dá para aproveitar a água quente depois. Muito chimarrão eu fiz durante testes de amplificadores de alta potência...

Utilize um gerador de áudio de baixa distorção ( aqueles com saída somente senoidal e quadrada ) para forncer o sinal de teste, evitando usar geradores de função que entregam senóides com muita distorção. Normalmente o sinal entregue pelos geradores de áudio tem amplitude constante, mas sempre é conveniente monitorar o sinal entregue ao amplificador.

O nível de potência de saída deve ser especificado, geralmente medido com os controles na posição plana e a 1 kHz. É interessante monitorar o sinal de saída com um osciloscópio, a fim de observar se há alguma irregularidade na forma de onda. A mais básica medida de saída é a amplitude em dB ou V, mas pode-se também medir potência, distorção, etc, conforme a medida que se deseja efetuar.

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