"Causos" estranhos ou engraçados de cantores ou instrumentistas

Autor Mensagem
Tipo 8
Membro Novato
# 09/mar/20 15:42
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Lelo Mig

Verdade. Pena que esses talentos vão ficando pelo caminho.

Lelo Mig
Membro
# 09/mar/20 15:54
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undefined

Ningen
Veterano
# 09/mar/20 16:01
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Lelo Mig

O ser humano é complexo... alguns foram "desregulados" e a gente não consegue entender.

True.

Tipo 8
Membro Novato
# quinta às 01:11 · Editado por: Tipo 8
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Música Japonesa derruba

Este episódio tem a ver bem pouco com cantar, apenas está ambientado num local onde estávamos cantando.

Eu e mais duas pessoas fomos contratados para cantar num restaurante, acompanhados pelo maestro Lázaro Wenger, que já citei aqui em uma postagem anterior. Isto tem a ver com o que apenas uma música é capaz de fazer, e como pode desestruturar uma pessoa por completo.

Havíamos cantado na festa, que não me lembro mais o que era, se um casamento, reunião, etc. Terminamos a parte cantada, mas o maestro tinha que ficar mais tempo tocando, fazendo um fundo musical praticamente, então sentei e fiquei esperando, enquanto observava Lázaro tocar.
Como estávamos no meio das pessoas, era mais do que natural que um ou outro viesse pedir alguma música específica. Como o maestro Lázaro parecia conhecer todas as músicas da Terra, ele dificilmente dava uma negativa neste sentido e tocava despreocupadamente.

Tudo ia bem até que um senhor muito bem vestido, japonês, aparentando uns 50 anos e bem marrento, se achegou fazendo cara de desdém pelo que estava sendo tocado, deu algumas voltas ao redor do maestro, alguns fizeram comentários e ele sempre com ar de superioridade, rodeou mais um pouco até finalmente conversar com Lázaro. Eu estava há alguns metros deles e ouvi quando ele perguntou se o maestro conhecia muitas músicas, ao que Lázaro respondeu sorrindo maliciosamente: Sim, algumas.
Então o sujeito, incomodou mais um pouco e disse que entenderia se ele não soubesse nenhuma música japonesa. Lázaro olhou bem pra ele, deu mais um sorriso maroto e começou a tocar.

Aí que o milagre aconteceu. Eu nunca tinha visto alguém perder a força nas pernas daquele modo. O homem bambeou de um jeito, que trouxeram rápido uma cadeira e ele ficou ali sentado, ouvindo aquela melodia simples enquanto ficava vermelho igual um peru. Sinceramente pensei que aquele homem ia infartar. Não sei a quanto foi a pressão dele.

Quando acabou, eu que nunca tinha visto uma reação daquela, fiquei curioso pra saber a razão da reação do homem e ouvi ele perguntando ao maestro, COMO era possível que ele conhecesse aquela canção. Ele não se conformava e dizia que era impossível que ele conhecesse a música. Ele só perguntava seguidamente: Como, como? Enquanto passava o lenço no rosto.

Ele então contou que a mãe cantava essa canção para ele quando bem pequeno, e que moravam numa região muito afastada com músicas e cantigas que já estavam praticamente mortas. Não havia como o maestro conhecer aquilo, segundo ele. O homem não se conformava e desmoronou completamente.

Eu só esperei a poeira baixar e fui perguntar ao Lázaro como afinal ele conhecia aquilo. Ele só me olhou e deu outra risada, soltando um: É...

E nunca fiquei sabendo como ele conhecia a tal canção.

Ismah
Veterano
# quinta às 14:09
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Isso é bastante normal, no meu entender...
Se chama lógica do umbigo: se pra mim algo é remoto, para outro pro outro também tem que ser.
Já me apareceu gente querendo mostrar uma banda da década de 80, como algo extremamente novo. E já aconteceu também de saber contar TODA a história da banda, e a pessoa não acreditar em mim... Inclusive achar que estou inventando.
Posso estender isso também para empresas. Recentemente vieram me falar da Acit (principal gravadora do RS, nos anos 80/90, vindo a decair nos meados dos anos 00), e disse que conhecia todos eles... Contei a história do fundador Campanha, e como surgiu o nome ACIT, quem trabalhou, comentei de já ter gravado nos estúdios de Caxias do Sul e Porto Alegre... A pessoa ficou brava... Como se fosse algo impossível, sendo que estou nesse meio a tantos anos, converso até com assombração, e sou vidrado na história das coisas... Vai entender...

Simplesmente se cria uma imagem de algo imaculado, do artista ser algo intocável e inalcançável. E pela lógica do umbigo, nunca que seria possível um mero mortal, aqui "do fundo da grota", sentar com um Marcelo Nova, um Nei Van Sória, um Nightwish, ou um quem sabe agora depois dessa fase ruim, um Powerwolf...
São pessoas, e como todo músico e artista, gosta de ser reconhecido, gosta de dialogar sobre música... Alguns, são sim mais reservados, mas guitarrista (p.e.) só muda o endereço...

fernando tecladista
Veterano
# quinta às 15:35
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talvez o maestro tenha aqueles livros do mascarenhas 120 músicas para piano, ou 100 Musicas dos 5 Continentes e deve passar algumas músicas para alunos iniciantes dele

talvez o maestro deu sorte de lembrar de alguma de lá

Tipo 8
Membro Novato
# quinta às 17:45
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talvez o maestro deu sorte de lembrar de alguma de lá

E o homem deu azar de ser exatamente aquela.

Tipo 8
Membro Novato
# quinta às 17:47
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talvez o maestro tenha aqueles livros do mascarenhas 120 músicas para piano

Kkk, ah sim dever bem isso, kkk.

acabaramosnicks
Membro Novato
# ontem às 14:52
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de vez em vez eu visito o tópico na expetativa de mais histórias
por favor, não parem

kapusho
Veterano
# ontem às 21:00
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bah, eu tenho tantas estórias e causos do tempo que tocava em banda de bailão kkk muitos impublicáveis para não causar problemas aos parceiros de banda com as esposas hehehh

mas todo mundo que anda na estrada tocando sabe das gororobas que as vezes servem pros músicos - isso qnd não esquecem q precisar dar comida pros músicos, tipo o dono da banda ir perguntar "que hora será a janta" e o dono do salão dizer "janta? mas nós não tratamos janta..."; ou tu sentar a mesa, pular uma galinha encima, e o dono do salão tocar a galinha e largar panela de arroz de carreteiro com carne moida nervosa no lugar que ela estava sentada; ou ainda, te servirem uma galinhada (como gostam de dar galinhada e carreteiro pra músico aqui no Sul, PQP), e ao mastigar tu achar um balim de chumbo, eis que a galinha fora caçada a tiro kkkkkkkk e por aí vai

por outro lado, existem os lugares que o músico é tão bem tratado, que a banda sempre quer voltar. lembro que havia um salão de baile q fazia churrasco pros musicos. tu rodava o Estado inteiro, e se encontrasse com outra banda e perguntasse "conhece o salão M", se o cara tivesse tocado lá ele respondia "bah, que churrasco os caras dão pra gente lá".

em suma, músico de baile acaba sendo bem morto de fome kkkk lembra dos locais pela comida que recebeu.

Ismah
Veterano
# há 2 minutos · Editado por: Ismah
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Pô, caguetou TODOS os parceiros de uma só vez... Sacanagem!
Também venho dessa escola, e tem sempre causos bons, ruins, muito ruins e péssimos...
Lembro que tinha um colega que viaja com um chuveiro, só de raiva... Outra vez que acendemos uma fogueira, pra conseguir esperar a vez de tomar banho...

Nós criamos um apelido pra essas gororobas: ração de músico!
Dizem que músico é chinelo, mas isso é consequência da realidade. No meio dos bailes, aparece cada coisa que é de se apavorar. Alguma vez saímos na pernada, cagando pro baile, pra ver se achava algum lugar aberto.
Felizmente, só passei mal uma única vez. Deixei minha marca, pois vomitei bem no meio do banheiro, e numa quantidade absurda...

Isso acontece, porque o mercado é diferente. Existe uma penca de músicos, e bandas que estão no meio do caminho: não tem sucesso nacional, mas conseguiram um bom mercado regional.
Aí se tu não aceitar tocar dessa maneira, tem umas 15 bandas querendo tocar. Isso não existe fora do eixo RS-SC... Mesmo Paraná, que ainda tem muita banda, músico já vira artista. Se arranhar um violãozinho, já se garante.

O nordeste é razoavelmente parecido no formato. Não tem a mesma quantia de bandas, e nem os salões de baile e as sociedades, que são herança da imigração alemã (principalmente, pois a música é ponto forte dessa cultura) e italiana. Os CTG's vem da forma que a música nativista se conceituou, de certo modo, também influenciada pelos imigrantes.

Pra quem é de fora, fica difícil dimensionar. É algo muito nosso. Na minha cidade, os prédios mais antigos são prédios comerciais ("vendas" ou cooperativas). E geralmente também serviam de sociedade (para eventos formais), centro de reuniões da comunidade, e salão de festas - essencialmente Kerb (festa do padroeiro da comunidade), Oktoberfest e algum bailinho ou outro, pra arranjar casório...
E mesmo assim, teve pelo menos 6 salões, com bailes periódicos - curiosamente, o nome dos locais é quase sempre "Salão...".

-> Flach (6 km de casa, fechado), Bela Vista (9 km, fechado)
-> Persch (chuto uns 3 km, ainda em atividade, mas tremendo na base)
-> Jet Set Bar e Danceteria / Akustica Music Bar (esse é do outro lado da rua, só funcionou meia dúzia de vezes, tanto na primeira como na segunda, pois os ÚNICOS vizinhos imediatos, entraram com ação e blá blá blá - detalhe que o prédio é feito pra isso, tem isolamento e tratamento acústico de primeira linha pra época)
-> Amizade, mas todos conheciam pelo sobrenome dos proprietários, Liell
-> Acho que Luft, fica do outro lado do arroio Forromeco, que passa (se é que não secou essa estiagem...) atrás do Jet Set. Parece que era clandestino, teve rolo com vizinho, e não durou muito.
-> Kayser, praticamente em frente ao Bela Vista, ainda na atividade. Tem uma outra unidade em Nova Santa Rita / RS, que faz bailes aos sábados. Esse da cidade, é famoso por ser o único que faz matiné (ninguém chama assim) aos domingos, ou como dizemos aqui as "domingueiras", com o baile indo de 20 até as 0 h. .

Esse último, está com mais de 150 anos (!!!), algo memorável. Continua como na época, todo em madeira nobre e cercado por plantações de milho. Pegou má fama, porque está no bairro mais pobre da cidade. A região tem muita criminalidade, tráfico e prostituição (hétero e homo) Estes todos, obviamente frequentam lá, afinal é a única opção de entretenimento no bairro...
Conheço bem lá, fiz incontáveis tapa furos. Os proprietários são gente muito querida. Está na 4ª (e última) geração da família Kayser. Os próximos a assumir, não carregam o sobrenome nobre, em alemão.
Só de sociedades, deve ter umas 10 a 12 "ativas" (em geral, são usadas poucas vezes ao ano), e umas 8 desativadas... E isso tudo, num município que agora tem 15 mil habitantes...

Ainda tem o Dragons Paintball e o Balneário Bom Princípio que fazem eventos pontuais. E o Camping do Vô Rasmo, que é um conjunto de coisas: pesque-e-pague, eco-turismo, camping, pousada, rodeio, etc... Esse faz eventos periódicos, e tem conseguido se manter. Confesso que já passei em frente várias vezes, e nunca entrei...

Ainda tem umas botecagens, mas isso é cada músico com seu equipamento, eu (técnico) nunca entrarei...

Eu sinto saudade da loucura, dormir no ônibus, viajar as vezes horas... Mas termina aí também! Só por ser 4 horas (ao menos), já enjoa... Aí ter que descarregar, montar, operar, desmontar e carregar toda estrutura... Passar perrengue por aí, frio, fome, receio de assalto - todo mundo sabe que banda recebe em espécie... E a pior parte, pra receber 100 pila de cachê, ou ainda pior receber um salário mínimo, e tocar 45 baile por mês... Passo e bem longe... Só vou pela parceria que ficou com alguns artistas...

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