"Causos" estranhos ou engraçados de cantores ou instrumentistas

Autor Mensagem
Mauricio Luiz Bertola
Veterano
# 06/fev/20 00:45
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Não vou contar um caso ocorrido comigo (tem vários...).
Mas vou colocar aqui um link de um blog muito legal do produtor Antonio Celso Barbieri.
Trata-se de um caso envolvendo a banda Os Mutantes (já na sua fase progressiva), no final de 1974 (eu tinha 11 anos e morava em Natal, RN nessa época). É pra molecada de hoje ver como é que era a vida de um músico, mais especificamente de um "roqueiro" nesse período negro da História do Brasil (e ainda tem moleque que reclama...):
https://www.celsobarbieri.co.uk/memorias/index.php?option=com_content& view=article&id=64:caplo-iii-tenda-do-calvo&catid=28&Itemid=43
Leiam que vale à pena...

Tipo 8
Membro Novato
# 06/fev/20 00:48
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DIA DOS NAMORADOS

Uma vez fui contratado para cantar num shopping no dia dos namorados. A ideia deles era que eu cantasse músicas românticas pq achavam que o público se interessaria. Escolhido o repertório, fui fazer a apresentação. Deixei uma música da novela O CLONE (que estava no auge) para o final.
Maior engano do shopping achar que ia encher de gente mais velha naquele dia. O shopping tinha pouca gente e a maioria fedelhos chatos. Resultado: Passaram o tempo todo enchendo o saco e gritando no meio das músicas. Quando anunciei a ultima música (sem dizer o que ia cantar) eles comemoraram muito. Só que quando comecei a cantar a tal música, a expressão da pirralhada mudou. E fui cantando. Na metade a fedelhada já estava chorando. Aplaudiram a última pelo menos.
Repertório bom mas público errado e mal-educado, seguranças inúteis, mas pelo menos me vinguei dos fedelhos no final.

Tipo 8
Membro Novato
# 06/fev/20 01:24
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Programa de TV

Lá em mil novecentos e antigamente, fui convidado para cantar num programa de tv que apresentava músicas italianas na CNT. O combinado era cantar duas músicas. Primeira vez em São Paulo, na época fui de ônibus (avião era caro). Cheguei lá depois do almoço e fui avisado que o programa seria gravado as 19h, ou pelo menos eu entraria as 19h no palco. Parecia ter certa organização, vieram com aquele esquema de fazer maquiagem, blá, blá, blá. Eu estava com a roupa toda amassada e perguntei para a equipe se tinha uma camareira. Aí me vem uma guria e me dá um ferro de passar já falando para eu me virar. Pensei: Orra meu, TV e não tem ninguém cuidando disso? Esquisito, mas enfim, não era trabalho nenhum também, passei a roupa (por ciminha como dizia meu tio), mas isso estava resolvido.

Dá 18h e eu começo a fazer o aquecimento. Falei com o maestro para passarmos uma vez cada canção e ele disse que não fazia ensaio antes. Já deu um gelo. Putz, tem andamento pra acertar, fermatas, etc, mas ele não quis saber.

Aqueço a voz, e as 19h já tinindo só aguardando a entrada. Vou entrar, chega um famoso. Vem a equipe e diz que o fulano atrasou mas como era um famoso, eu tinha que ceder a vez. Ok, entendi até. Demorou, mas o cara finalmente saiu. Me chamam para entrar. Quase no palco...Olha, chegou outro famoso, vc vai ter que entrar depois. E nessas horas vc já fica puto. Espero uma porrada de tempo, vem outro famoso e lá se vai a minha entrada. Dia inteiro na tensão. Aquecimento começando e parando. Resultado: entrei somente as 23h e já falei para o maestro que ia cantar uma música só. Cansado, com fome e puto da cara. Voz desgastada.
Entrei, cantei mais ou menos. Fiquei esperando o final. Acabou e as pessoas se organizando para ir embora. Pedi pra equipe me chamar um táxi. Nada. Pedi acesso ao telefone. Nada. Pedi carona até a rodoviária. Nada. No fim das contas eu com uma mala com a roupa, os caras se mandaram, fecharam o teatro e me botaram pra fora em plena São Paulo, de madrugada.

Sai andando pra lugar nenhum tentando achar um táxi no meio do nada. Uns sujeitos mal-encarados já começaram a me cuidar do outro lado da rua. Pensei: Vai dar merda. Andei mais rápido e quando virei a esquina, do nada vem um táxi e pára bem na minha frente, soltando uma passageira. Já pulei ali mesmo e me mandei, jurando pra mim mesmo que nunca mais me meteria numa fria daquelas.

Na outra semana a produção do programa me liga dizendo que um monte de gente havia ligado pedindo para ver aquele cantor de Curitiba de novo e queriam que eu voltasse. Falei: Meu amigo, mas nem amarrado. Valeu aí pela oportunidade mas tô fora.

Se eu fosse muito a fim de fazer carreira, teria voltado, mas com aquele tratamento, nem pensar.

Tipo 8
Membro Novato
# 06/fev/20 11:03
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Não vou contar um caso ocorrido comigo (tem vários...).
Mas vou colocar aqui um link de um blog muito legal do produtor Antonio Celso Barbieri.
Trata-se de um caso envolvendo a banda Os Mutantes (já na sua fase progressiva), no final de 1974 (eu tinha 11 anos e morava em Natal, RN nessa época). É pra molecada de hoje ver como é que era a vida de um músico, mais especificamente de um "roqueiro" nesse período negro da História do Brasil (e ainda tem moleque que reclama...):
https://www.celsobarbieri.co.uk/memorias/index.php?option=com_content& view=article&id=64:caplo-iii-tenda-do-calvo&catid=28&Itemid=43
Leiam que vale à pena...


Mario Lago dizia que se vc fosse preso deveria ao sair sempre dizer que foi torturado.

K2_Loureiro
Veterano
# 06/fev/20 11:43
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Mauricio Luiz Bertola
Impressionante! Época obscura de um país que nunca valorizou as artes.

sandroguiraldo
Veterano
# 06/fev/20 12:23
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Tipo 8
Eu que sou quase um monge budista, no mesmo embalo que aquele frango caiu na minha frente, dei uma bicuda na penosa em direção ao cara. Pegou na perna dele e caiu bem ao lado do pé. Aí tem aquela pausa dramática.

Digno de filme. Acho que o cara nunca imaginou que você ia "devolver a oferenda" kkkkkkkk

Lelo Mig
Ele entrou de peruca e costeletas do Elvis, de macacão branco, apertado, enfiado naquele rabão gordo e dando aqueles “golpes de karatê” costumeiros do Elvis original.

Você quase nem é gozador... se o makumba estivesse no baixo, vocês tinham infartado.

Sempre tive prá mim (coisa que nunca procurei confirmar) que ele não recebeu o cachê deste primeiro show. Mas ele nos pagou o combinado.

Digno, moral e belo!

Sai andando pra lugar nenhum tentando achar um táxi no meio do nada.

Querem o que você tem, sem pagar o que você merece. Tenso.

Tipo 8
Membro Novato
# 06/fev/20 13:01
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sandroguiraldo

É reação. Você está trabalhando, já não está ganhando muita coisa. Quem canta ou toca pro aí sabe que tem gente que gosta de sacanear os músicos ou simplesmente encher o saco.

Tipo 8
Membro Novato
# 10/fev/20 08:56 · Editado por: Tipo 8
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Maestro Lazaro Wenger

Isto já contei no meu livro, mas vou colocar aqui resumidamente:

Nos anos 90 eu estava bem perdido na técnica e sem professor. Estudar era mais um martírio que outra coisa. Quando fiz um ano de casado escolhemos aleatoriamente um restaurante para comemorar. Estava legal mas ao mesmo tempo eu comuniquei que ia parar de cantar, porque não encontrava uma saída e já estava cansado. Ficou aquele clima, ela me perguntando se eu tinha certeza mesmo que ia parar e eu decidido dizendo que sim.

Estava na parte de cima do restaurante que estava vazio quando cheguei. Um pouco longe da minha mesa havia um piano vertical, mas ninguém tocando. De repente sobe um sujeito meio grande e gordo com óculos de lentes grossas e uma pasta na mão. Sentou-se ao piano e começou a tocar umas coisas lá. Não prestei muita atenção.

Enquanto a conversa girava sobre minha decisão de parar, o tal sujeito começou a tocar músicas italianas que eu conhecia. Aí a coisa já foi ficando difícil. Até reclamei, pensando no azar de justamente ter que ouvir aquele repertório. Ele tocava sem partitura mas seguia à risca o original.

Claro que complicou conforme ele foi tocando mais e mais o meu repertório de canção napolitana, até que chegou no bendito O Sole Mio. Aí lascou. Com o restaurante já cheio, na hora que ele entrou no refrão eu taquei voz lá da mesa e só foi cabeça virando para trás. Ele ficou surpreso e me mandou seguir, perguntando se eu sabia a próxima. Cantei mais uma, aí foi aquela coisa do pessoal aplaudir, etc.

Ele me chama, me olha fixo e pergunta quem eu era e com quem estudava. Me apresentei, disse que não tinha professor e que na verdade naquela noite havia decidido parar de cantar. Então a reação do homem (já nos seus 64 anos de idade) me surpreendeu. Ele vira e com a cara vermelha me dá uma sonora bronca, dizendo que quem tinha uma voz como a minha não tinha o direito de parar de cantar. Tira um cartão do bolso, coloca um endereço atrás e me intima a estar lá no outro dia as 14h para estudar com ele e com o Ivo Lessa, e fala:
- Agora volte pra sua mesa que eu tenho que trabalhar.

Voltei para a mesa com o cartão na mão e meio sem entender o que tinha acontecido. Perguntei à minha mulher o que ela achava e ela falou:
- Vai ué.

Voltei para casa e fiquei pensando que tipo de coincidência era aquela? Quais as chances de exatamente naquela noite, num restaurante desconhecido, encontrar um maestro (uma enciclopédia ambulante) que era pianista co-repetidor, e que trabalhava papéis de ópera com cantores líricos?

A partir dali que comecei a estudar realmente. Um agradecimento ao maestro que chegou na hora certa.

Nem em filme acontece uma coisa dessa.

(uma citação sobre esse contato com o maestro está no livro La partida de Wenger (pag. 109) da jornalista Argentina Maria Mónica Abdala - Editora Tres Más uno)

acabaramosnicks
Membro Novato
# 10/fev/20 10:26
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continuem com as histórias, estou adorando

me lembra de quando eu visitava meu avô e ele ficava contando os causos dele

Mauricio Luiz Bertola
Veterano
# 10/fev/20 10:55
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K2_Loureiro
Pois é... Aquela foi uma época dura...
Abç

gabrissk
Veterano
# 10/fev/20 11:42
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Tipo 8

Professor, estou adorando suas histórias. Por favor continue!

Abç

Lelo Mig
Membro
# 10/fev/20 14:21 · Editado por: Lelo Mig
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Um rapaz latino americano legal!

Acho que foi em meados dos anos 80, não lembro direito. Por intermédio de alguém fiquei sabendo de um pessoal, um escritório, que empresariava e produzia bandas novas.

Conversei, por telefone, com uma cara lá (não lembro nome dele, vou chamá-lo de João) e marcamos um dia para eu levar uma fita da minha banda. Não lembro porque, mas um teve um imprevisto aqui, outro um inesperado lá e acabei indo sozinho.

O escritório era em um sobrado, no bairro do Brooklin em São Paulo. O João me atendeu, colocou a fita para tocar e ficamos conversando enquanto ele olhava o release da banda que eu havia levado junto.
Papo meio sem graça, sem muito assunto, e além do mais, já tava querendo ir embora porque tinha a impressão que o João não estava ouvindo a fita com atenção, não tava nem aí. Tudo bem posso entender talvez minha música não tenha chamado sua atenção, faz parte. Melhor ir embora, não deu.

De repente, da sala ao lado, ouço uma voz anasalada dizer:

- Legal esse som hein? Quem é?
João retruca
- É uma banda que estou negociando... Tá gostando?
- Prá caralho!
(Fico com a sensação que conheço aquela voz)
João não fala mais nada...

O cara sai da sala, alinhado, com um blazer bem cortado.

Estica a mão em minha direção e diz:

- Prazer! Belchior.
- Eu conheço você... (Respondo meio gaguejando).
- Pois é mais eu não te conheço! (ele retruca rindo)
- Desculpe, sou o Lelo.
- Faz parte dessa banda?
- Sim!
- Me fale sobre vocês...

João pede uma licença, diz que vai fazer “não sei o que” e vai para outro lugar... (nem liguei).

Belchior senta-se a meu lado e começamos a conversar. Falo de minha música, meus sonhos, minhas influências... Aproveito para deixar claro que conhecia o trabalho dele, suas composições (queria agradá-lo, ser simpático, não vou mentir, mas era verdade, o admirava como compositor).

Belchior ainda era famoso nessa época. Canções suas ainda rolavam nas rádios e, se não me engano, tinha música dele em novela na época.
Com o som da minha banda de trilha sonora, ele conta causos, fala de sua vida, sua juventude, suas influências... Não sei quanto tempo ficamos conversando, mais eu fiquei feliz prá caralho.

O papo super legal e ele estava ouvindo minha música; toda hora interrompia para dizer que “este arranjo é bacana”, “gostei dessa harmonia”, “que verso bonito” e mesmo sugerindo pequenas mudanças, alterações e sugestões de rimas e palavras.

Mano, era o Belchior, compositor que eu respeitava, ouvindo minha música e me dando atenção!

Por fim ele olhou no relógio, comentou que precisava ir e me disse:

- Essa produtora não é prá vocês. Os caras são legais, mas é outra pegada.

Fiz sinal com a cabeça tipo “captei vossa mensagem inenarrável guru”.

Ele tirou a fita do aparelho e me disse se podia ficar com ela. Claro que disse sim.

João se despede de mim, com a mentira mais falada no mundo “eu entro em contato”. Belchior estava no telefone.

Despedi-me do Belchior com um aperto de mão e um sorriso largo, retribuído. Belchior entrou num táxi, atravessei à rua, parei num boteco prá tomar um refri e pegar meu busão.

Eu estava feliz.

Não deu em nada, nunca mais vi o Belchior. Não posso julgar alguém por um dia, uma tarde, mas a lembrança que tenho dele é muito boa. Era o Belchior, ouvindo minha música e me dando atenção em um momento de minha vida em que atenção era tudo que eu precisava.

Obs.: Não sei exatamente qual a relação daquela empresa com o Belchior, mas pelo que lembro, eles não eram “produtores” dele, se não me engano, apenas vendiam alguns shows dele em São Paulo.

Mauricio Luiz Bertola
Veterano
# 10/fev/20 16:45
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Lelo Mig
Que tremenda história Lelo!!!!
Abç

Beto Guitar Player
Veterano
# 10/fev/20 17:13
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Lelo Mig

Puts, cara, que demais.
Lendo aqui, fiquei torcendo para que você tivesse visto o cara de novo. É uma pena nunca ter visto novamente. O que será que ele fez com a fita? Talvez tenha mostrado a alguém?

acabaramosnicks
Membro Novato
# 10/fev/20 17:22
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Beto Guitar Player
Ele não disse que gostou de várias coisas da música? Então... roubou tudo kkkk

Tipo 8
Membro Novato
# 11/fev/20 11:01
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Mata o véio

De vez em quando uns amigos de um quarteto italiano me chamavam para cantar em alguma homenagem, um restaurante, etc. Numa dessas vezes fomos contratados para cantar para um casal de velhinhos (ele já nos seus 90 anos) como uma surpresa. Era na própria casa deles onde fizeram a festa, não me lembro se era Bodas de Ouro ou algo assim.

Então, de surpresa ficamos esperando o casal na copa onde tinha uma mesa grande, e a música a ser tocada era MUSICA PROIBITA. Esta:



E essa música, claro, tinha um significado todo especial para a história deles, etc. Me avisaram que seria bastante emociante para os dois, portanto tinha uma responsa ali.
Eles chegaram e ficaram muito surpresos em ver aqueles músicos ali e nem sonhavam que iriam ouvir aquela música específica.
Bem, comecei a cantar e realmente eles ficaram bastante comovidos e tudo correu bem até o meio da música. Eu contente ali cantando, tentando fazer o melhor possível, quando de repente o velhinho que estava sentado na cadeira, foi para o chão, sumiu da minha frente e foi aquela correria para juntar o homem. Eu mesmo no susto,não parei de cantar. Eles colocaram o senhor na cadeira de novo e terminei a canção.

Bom, até hoje eu não sei se ele caiu de emocionado ou se ele caiu só porque caiu mesmo.

Tipo 8
Membro Novato
# 11/fev/20 11:01
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gabrissk
Falo meu, :0)

Lelo Mig
Membro
# 11/fev/20 11:16
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Tipo 8

"o velhinho que estava sentado na cadeira, foi para o chão,"

Pensei que você tinha matado ele....kkkk!

Ainda bem que ele aguentou a emoção....rs

Tipo 8
Membro Novato
# 11/fev/20 13:42
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Não deu em nada, nunca mais vi o Belchior.

Mas essa vez já valeu hein? rs

sandroguiraldo
Veterano
# 11/fev/20 14:05
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Tenho uma que não é minha, é do meu irmão. Meu irmão tem quase 50 anos, então cresceu nessa geração aí do Lelo, do Bertola e Cia...

Ele fez sonorização ambiente muito tempo e um dia estava fazendo som num barzinho, não sabia ao certo quem iria tocar, e de repente chega o Kid Vinil.
Passou som, tal tal tal... aí meu irmão sentou no bar e o Kid sentou do lado dele.
Começaram a trocar ideia, disse que o cara além de um enciclopédia ambulante era um gentleman...

Lelo Mig
Membro
# 11/fev/20 15:33
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sandroguiraldo

"Começaram a trocar ideia, disse que o cara além de um enciclopédia ambulante era um gentleman..."

Já conversei com o Kid, é isso mesmo, além de educado e bem humorado ele sabia tudo e mais um pouco de rock. Fico pensando quem ficou com a coleção de vinis dele, ele tinha mais de 20 mil álbuns, entre Vinis e CDs.

makumbator
Veterano
# 11/fev/20 15:53
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Lelo Mig

Pensei que você tinha matado ele....kkkk!

Ainda bem que ele aguentou a emoção....rs


Os pés da cadeira eram de cristal, e quando o Tipo 8 fez uma determinada nota (que entrou em ressonância com o material) os pés quebraram e o velho caiu no chão. Esse é o poder da música.

True story.

Tipo 8
Membro Novato
# 11/fev/20 17:02
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Os pés da cadeira eram de cristal, e quando o Tipo 8 fez uma determinada nota (que entrou em ressonância com o material) os pés quebraram e o velho caiu no chão. Esse é o poder da música.

Sim, o universo conspirou para que ele caísse.

Ismah
Veterano
# 11/fev/20 18:53
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sandroguiraldo
Você quase nem é gozador... se o makumba estivesse no baixo, vocês tinham infartado.

Na real, ele tem é o perfil de um profissional do show business... Não conheço um sideman que não seja assim, e a grande maioria dos artistas é assim. Isso é algo intrínseco a pessoa, e a personalidade.
Nós, chalacentos, e quem entra mudo e sai calado é que se dá bem nesse meio... Não sei explicar, mas o próprio sistema acaba "ejetando pela tangente" quem foge desse perfil...

Tipo 8
Membro Novato
# ontem às 09:24 · Editado por: Tipo 8
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BARZINHO

A maioria daqui não imagina, mas já toquei em barzinho. Voz e guitarra. Isso lá no início, quando cantava música popular. Não mandava bem, mas nada muito fora do que se via nos bares em geral.

O barzinho que eu tocava era uma porcaria, tava mais para lanchonete que outra coisa. Me lembro que eu ficava até umas horas depois entrava um cara bem mais velho com um teclado. Nos outros dias tinha grupo de pagode. Era uma maravilha o lugar. Mas eu fazia a minha parte e em plenos anos 80, o repertório era vasto, porém mais focado no rock nacional.

Em uma das noites, o lugar estava vazio. Era cedo e não havia ninguém. Então chegaram 2 casais, sei lá, na faixa de 25 anos. Eu ali, comecei a fazer o meu trabalho e toquei Legião se não me engano. Eles nem piscaram. Acho que foi Capital Inicial depois. Nada. Já imaginei que não era a praia deles. Talvez um rock mais antigo. Mandei uma. Só cara feia. Pensei comigo.. U2 não tem quem não goste. Nada. Mais cara feia.

Em resumo, toquei de tudo que eu sabia. Não se mexeram. Aí estava na minha hora de sair, o cara do teclado já tinha chegado, peguei minha guitarra já pensando como eu era ruim.
O véio do teclado, apronta suas coisas, eu já estou quase na porta e ele começa a tocar...Roberto Carlos. Quando termina, o pessoal da mesa começa a aplaudir efusivamente.

Eu que estava meio cabisbaixo, pensei:

- Ah,ah, ah, eu não era o problema.

E saí sossegado.

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