Curso de guitarra à distância: Porque esse mercado não se desenvolveu ainda?

Autor Mensagem
nichendrix
Veterano
# abr/12 · Editado por: nichendrix
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maxbqi
Eu sou bioquímico e trabalho com genética molecular de plantas. Na minha área, a formação é pesada e muito prática. Um EAD seria impossível.

Engraçado tua área é a mesma da esposa desse meu tio, que é biologa e estuda genética molecular de plantas e melhoramento genético de plantas de cultivo.

Ele professor de cursos de graduação, mestrado e doutorado em Biologia na UNESP. No caso dele, ele é Zoologo e uma das linhas de pesquisa dele é mapeamento e sequenciamento genético de animais.

Um exemplo prático é a formação de Biólogos por EAD. Vc pode ter todos os argumentos do mundo a respeito de formar um curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, mas eu sou contra pois é um curso amplo, que demanda interações práticas para o bom entendimento da parte teórica.

Eu não posso falar da área de ciências biológicas, não me minha área, embora ache difícil que o curso, ao menos na graduação, tenha mais de 1/3 da carga horária de atividades práticas, essa é a porção que o MEC obriga que seja feito de forma presencial, nos cursos de graduação, mestrado e doutorado por EAD.

EDIT: Não entenda isso como uma afirmação de que qualquer curso deva ser ministrado por EAD ou que os cursos da sua área devam ser ministrados por EAD. O que tento mostrar é que a tecnologia disponível para esse tipo de curso é muito ampla e muito eficaz para a maioria dos casos, e que não só por questões de bom senso, como também por questões legais, na maior parte do mundo existe uma boa dose de aulas presenciais nos cursos ministrados nesta modalidade (em geral em torno de 1/3 da carga horária do curso deve ser presencial).

No Brasil essa área ainda é muito pouco desenvolvida e a tecnologia utilizada, na maioria das vezes ainda é muito básica, não raro até inadequada ao tipo de assunto que ministrado. Por exemplo, algumas universidades influentes, como a University of New Castle e a Johns Hopkins University tem programas de mestrado na área de Genética e Biotecnologia ministrados em sistema EAD. Assim como o MIT tem vários mestrados e doutorados em engenharia e administração e várias outras áreas ministrados no formato.

Não dá pra achar que essas universidades, que estão entre as melhores do mundo, criaram esses programas sem antes pensar bastante nas formas de fazê-los e de obter resultados similares aos programas presenciais.

Enfim, não dá pra resumir a tecnologia possível de ser usada para cursos via EAD a vídeo-aulas e slideshows de PPTs animados. Existe muito, mas muito mais coisa do que isso e que pode ser utilizado e que aqui no Brasil ainda nem se sonha em ter. Por isso meu posicionamento de que na maioria das vezes o problema não é o formato em si, mas a forma como ele é implementado, que pode não ser a mais adequada para o curso em questão.

Eu não conheço a UNESP então prefiro não comentar. Posso falar da minha jornada acadêmica, onde passei por 6,5 anos por uma federal e tive professores ruins/bons/excelentes, mas nenhum professor chegou a facilitar as coisas como vc comentou. O sistema era rigoroso e cada professor era como um Deus em sua disciplina. Nem se vc apelasse ao reitor vc conseguiria algo se não passasse nas provas. De 4,5 anos para cá estou em uma estatal de SP, e posso te dizer que o sistema de ensino é muito fraco (para a minha área), cheio de falhas, no entanto, o nível de cobrança é muito alto. Como o processo de seleção é pesado, a universidade tem alunos bem selecionados e a cobrança elevada cobre a fraca estrutura de ensino. Isto é um problema? Claro. Mas funciona e a universidade é muito conceituada.

A UNESP, junto com a USP e a UNICAMP foram os 3 braços da estadual em São Paulo. A seleção da UNESP também é rigorosa, também é feita para selecionar os alunos. Esse tio que é da sua área antes de ser professor da UNESP foi professor da UFPB e da UNITINS.

Uma coisa que ele sempre reclama é que a cada dia os alunos estão entrando com pior qualidade no curso de biologia, e os professores estão cada vez menos motivados a cobrar deles como cobravam antes, cada vez mais estão cobrando só o necessário pra dizerem que fizeram o seu trabalho.

Eu realmente não posso elaborar muito em cima disso, já que não é minha área de formação, embora essa seja uma reclamação que já ouvi também de professores da minha área, e de diversas outras áreas.

Agora o EAD não tem uma grande seleção e a cobrança não é assim tão pesada.

Eu não sei na tua universidade, meu contato com o EAD fora de cursos de extensão é mínimo, mas ao menos aqui nas principais universidades de Minas, a UFMG e a PUC, o processo seletivo para cursos de EAD é o mesmo processo seletivo para os cursos presenciais. Logo para graduação o vestibular é o mesmo e para pós, são exigidas o cumprimento das mesmas etapas.

Tá, vc comentou da disciplina do estudo, mas pelas duas especializações que fiz, quem não estudava se virava tão bem quanto quem estava estudando, logo ali existia uma falha. As provas eram frases copiadas do livro e o tempo para realização da prova tempo suficiente para vc colar respostas. Os trabalhos eram simples demais para desenvolver o conhecimento crítico do aluno. Após esta minha experiência, a sensação que tive foi que ler a apostila resolveria meus problemas.

Bom, eu tenho essa mesma reclamação dos 3 cursos de especialização presenciais que fiz. Mesmo tendo sido em instituições consideradas "top de linha" eu achei o nível muito baixo, na boa a maior parte do conteúdo eu já tinha estudado sozinho, logo não me acrescentou muito, a cobrança nas provas não era algo que fosse desafiador, era só pegar o material da disciplina ou livro e texto e parafrasear, quando não copiar literalmente.

Isso me faz crer que não seja um problema da modalidade em que o curso foi oferecido, mas do formato do curso em si. Cursos de pós-graduação lato sensu não são avaliados pelo MEC e nem dependem de aprovação dele para serem oferecidos, basta que a instituição seja credenciada pelo MEC (via de regra por meio dos cursos de graduação).

Ao menos pra mim essa isenção de de ter que prestar contas dos cursos é que faz com que o nível das especializações seja baixo, independente da modalidade em que ela é oferecida.

Uma coisa que eu acho também engraçado é que esse tipo de pós-graduação a nível de especialização (lato sensu) não é aceito fora do Brasil, Só existindo no Brasil e em alguns outros países que o copiaram do sistema brasileiro.

Agora voltando ao assunto do tópico...

Eu acho que aulas de música nesse tipo de sistema são muito interessantes, fiz algumas aulas tanto com professores nacionais, quanto estrangeiros e foi muito proveitoso. Em alguns casos foi possível sanar dúvidas que me acompanhavam já faziam alguns anos.

Todavia, tem uma coisa que eu senti falta, que é o tocar junto, em geral eu gosto de combinar com o professor (quando as aulas são individuais), para ao menos uma das aulas do mês ser voltada pra prática em conjunto (com o professor ou outros alunos), assim pode-se treinar esse tipo de habilidade que é extremamente importante para quem toca e é algo que é muito difícil de acontecer nesse formato, pois embora até existam softwares que permitam esse tipo de interação, ainda não vi professores que a ofereçam.

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