Como colocar densidade na mix sem saturar ?

    Autor Mensagem
    Mu_Cephei
    Veterano
    # mar/13


    Bem, após ouvir algumas músicas do Devin townsend project e ler na wikipedia (inglês) sobre uma técnica chamada Wall of Sound, realmente fiquei curioso (em aspectos práticos) sobre como eu poderia usar isso em alguma música que eu viesse a gravar. Todavia, ao pensar sobre o assunto, não consigo ter ideia de como eu poderia somar timbres de modo a deixar o meu som mais rico, porém sem saturá-lo. Pads? Reverb em excesso? Delay? Ouçam isso (para ilustrar o que eu disse) e me ajudem com essa questão:



    Casper
    Veterano
    # mar/13
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    Caro Mu_Cephei:

    Nesse seu exemplo tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo,
    muitas dobras, instrumentos cobrindo todo espectro de áudio.
    Não é fácil fazer isso sem saturar nada, penso eu.

    Mas acho que, como vc disse, reverb e delay aparecem bastante.
    E nesse grau de densidade, deve ter bastante uso de
    sidechain compression, para controlar as coisas.

    Tem gente aqui que vai te responder essas questões,
    não se preocupe.

    BJAofficial
    Veterano
    # mar/13
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    Mu_Cephei

    voz? guitarra? tudo?
    enfim, me parece que tem 2 formas de fazer isso.. que é gravando várias vezes a mesma coisa, e depois trabalhar essas várias pistas com o stereo e a equalização, pra não se misturarem..
    outra que já nao é a mesma coisa, mas tb é interessante, é o que seria um chorus, que é copiar a pista e colocar alguns ms na frente ou atrás da original...
    quanto à música que você deu como exemplo, uma coisa que ta bem clara é que tem bastaante reverb na voz..
    abç

    Mu_Cephei
    Veterano
    # mar/13 · Editado por: Mu_Cephei
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    BJAofficial
    Me referia a tudo mesmo, hehe.


    Parece-me que o chorus é uma boa pedida (em algumas faixas, claramente), e essa músicas parecem que têm uma ambientação própria, como o Casper disse, "muita coisa acontecendo ao mesmo tempo", o que dá uma sensação de muitos níveis na mesma música, muitas coisas que são indefiníveis porém que fazem 'presença" quando colocadas em união...a ideia do chorus, do sidechain compression, e da variedade de timbres parece ser bem interessante. Nesse outro vídeo o mesmo músico mostra o projeto de uma outra música, que me parece interessantíssimo por mostrar alguns detalhes quase imperceptíveis quando tudo é executado junto.



    A questão é que são tantos detalhes que eu não consigo pensar por onde começar...

    Adler3x3
    Veterano
    # mar/13
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    Olha para os meus ouvidos já esta tudo saturado.
    Sou sincero este som tá horrível, é um mau exemplo do uso excessivo de efeitos.
    Coisas dos dias de hoje onde tudo se pode... na questão de efeitos e de mix/masterizações extremas.
    Nada contra o estilo que até gosto.

    Mu_Cephei
    Veterano
    # mar/13 · Editado por: Mu_Cephei
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    Entendo. Humildemente, creio que algumas músicas recebem um tratamento deste tipo pois a proposta como um todo é possuir uma "espacialização", ou a criação de uma atmosfera mesmo, de uma textura mais complexa, que não pode ser percebida em uma música onde todos os intrumentos são "detectados" com perfeição e a interpretação subjetiva da música como um todo é restringida pela simplicidade do "arranjo". Mas é claro que alguns detalhes como esses são questões de opinião, e que alguns "conservadorismos metodológicos" acabam por descaracterizar uma possível manifestação alternativa da arte.

    makumbator
    Veterano
    # mar/13 · Editado por: makumbator
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    Mu_Cephei

    Acho que o Adler3x3 não se referia nem ao arranjo, e sim ao excesso de compressão, ganho e saturação da música (ou seja, não respira, e a dinâmica fica chapada no talo quase o tempo todo).

    creio que algumas músicas recebem um tratamento deste tipo pois a proposta como um todo é possuir uma "espacialização", ou a criação de uma atmosfera mesmo, de uma textura mais complexa, que não pode ser percebida em uma música onde todos os intrumentos são "detectados" com perfeição

    Qualquer boa peça orquestral consegue esse efeito sem os exageros. Em uma sinfonia (por exemplo) bem escrita, percebe-se massas sonoras, e em alguns momentos (de acordo com a intenção do arranjo do compositor) solos aqui e ali.

    Acho que a restrição dele não é quanto a ter muita coisa acontecendo e nem a quantidade de pistas, e sim o que se fez com elas no resultado final.

    Mas voltando o assunto para a "parede sonora", boa parte desse efeito se consegue dobrando as partes de guitarra (e não é dobrar de copiar e colar, e sim gravar "n" vezes a mesma parte), e distribuindo todas elas ao longo do pan.

    As pequenas diferenças naturais da execução (ataques variando em escala microscópica, pequenas diferenças de afinação e fase dão um aspecto muito diferente do mero copiar e colar de pistas)

    Com isso pode-se criar um timbre diferenciado colocando partes com diferenças "sônicas" (algumas pistas mais fechadas, outras mais brilhantes, umas com mais ganho, outras com menos, etc...).

    Um exemplo é ter apenas uma parte de guitarra base na música, e então fazer por exemplo 8 pistas dessa parte, cada uma delas uma tomada de gravação diferente. Depois formar pares (por exemplo) e jogar cada um deles em posições opostas do pan.

    Adler3x3
    Veterano
    # mar/13
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    A densidade pode ser alcançada mesmo com o volume baixo, com a combinação dos instrumentos.
    O que sou contra é o excesso.
    É muito fácil fazer um som deste.
    É só exagerar em tudo, e depois colocar limiters e compressores a vontade para parecer que o som não clipou, mas clipou.
    Ou seja usar um software que engana o software.
    A maioria destes efeitos foi feita para a música eletrônica, onde tudo é possível para criar novos timbres, ou seja para instrumentos eletrônicos.
    Não deixa de ser válida a mistura para se tentar obter novos sons.

    Textura e espacialização é outra coisa.

    Gosto de música com som pesado.
    E em arte tudo é possível.
    O que ocorre é que nenhum dos instrumentos soa natural, é tudo artificial.
    E assim sendo tudo artificial tudo é válido.
    Pode ser arte?
    Pode!
    Mas aí caímos na questão do gosto pessoal.
    Mas para mim é a mesma coisa que exagerar na comida colocando sal demais.
    Depois não adianta querer consertar colocando um neutralizador, para depois adicionar mais sal ainda, num ciclo repetitivo, onde um erro justifica o outro.

    Se você escutar as músicas gravadas desta forma em menos de 20 minutos já vai ficar com fadiga auditiva, pois a música esta sem dinâmica.
    E não estou falando de som alto mas sim do abuso do uso de efeitos em detrimento da boa técnica musical.
    Pois fica tudo achatado tipo tijolo.
    Uma coisa é o Wall of Sound, outra coisa é o som que ficou registrado nestes vídeos.
    Não dá para comparar este Devin com os outros músicos que usam o Wall of Sound.
    Uma coisa é Wall of Sound, outra coisa é a destruição da dinâmica.

    E a dinâmica faz parte da música.
    Mas relembro, pode ser questão de puro gosto musical.
    E temos que respeitar todos os gostos.
    Tem gente que come comida com superpimentas.

    Mu_Cephei
    Veterano
    # mar/13
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    interessante a ideia de gravar múltiplas guitarras. Testei isso em um projeto que fiz há algum tempo, porém apenas gravei duas faixas e me limitei a manter as duas iguais no que se refere ao timbre...

    -Variados timbres que possam abranger todo o espectro
    -Sidechain compression (pesquisarei mais sobre)
    -Gravar multiplas faixas para alguns instrumentos, criando assim uma "massividade"
    -Ambiência em alguns instrumentos (Reverb e delay)
    -Algo que eu percebi no segundo vídeo postado: existem algumas faixas "imperceptíveis", como synths (diversos, inclusive), coros e riffs de guitarra.

    Mu_Cephei
    Veterano
    # mar/13
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    Tem gente que come comida com superpimentas.
    Pois é, gosto muito do tipo de som que o DT produz, embora a sua fala a respeito da dinâmica, do uso dos limiters e do exagero seja muito coerente e pertinente. Mas já fiquei ouvindo algumas músicas dele por um período prolongado sem sofrer fadiga auditiva... Muito obrigado pela contribuição

    .omni
    Veterano
    # mar/13 · Editado por: .omni
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    Mu_Cephei
    Então, sinceramente, não gostei muito dos exemplos, achei um clássico exemplo de compressão demais e muita sujeira.
    Porém, eu não sou contra compressão extrema, inclusive acho que tem uns caras que fazem isso muito bem por aí. Um exemplo que me surpreende sempre é a Lady Gaga, gostos musicais à parte, é uma puta parede sonora com uma masterização surreal de alta, e isso não depende só da master, desde o processo de gravação que tem que ir pensando nisso, pra o som soar grande porém sem virar uma lama achatada.

    Deixa eu tentar te ajudar com o negócio de conseguir isso na mix. Não tem bem uma receita de bolo, e tudo o que eu vou te falar é uma questão de opinião, é o que eu costumo fazer.
    Pra ter um som bem na cara, uma das coisas mais importantes é filtrar freqüências que você não precise. Muitas vezes elas nem aparecem sozinhas, mas a soma de vários canais com essa "lama" vai continuar batendo nas agulhas dos compressores e vão se somar, se cancelar e gerar muita sujeira que ocupa um espaço na mix. Subgraves são frequências que você provavelmente vai acabar eliminando de todos os canais que não precisem de nada nessa região, pra abrir espaço pro bumbo, baixo, violão, etc.
    Uma dica que eu acho legal é fazer muita EQ corretiva e cortar freqüências ANTES de timbrar o canal. Muitas vezes é mais legal cortar coisas do que acrescentar. Ainda mais querendo um som na cara (que você provavelmente vai comprimir), o ideal é retirar tudo que você não precisa antes de comprimir, pra "agradar" o compressor e fazer só as freqüências que você quer baterem na agulha dele, pra ele não precisar comprimir um milhão de dBs por causa de freqüências que você nao quer na mix.

    Aí inclui a velha história da ordem dos inserts. Use como se sentir mais confortável, mas eu gosto de fazer assim. EQ corretivo primeiro, compressor e talvez até outro EQ pra ressaltar coisas e colorir mais.
    E lembre-se que se você botar um EQ antes de um compressor você terá que resetar o compressor toda vez que mexer nesse EQ.

    Aí tem a questão do tipo dos plugins, são ferramentas e cada um é diferente do outro. Eu separo os plugins mais limpos e transparentes dos mais coloridos. Aí costumo usar os mais limpos, como os Renaissance da Waves, QX, EQ7, etc pra correções, cortar freqüências com o Q bem fechadinho e fazer operações mais cirúrgicas em qualquer canal, independente do instrumento, voz ou seja o que for. Pra acrescentar cor, gerar harmônicos e etc eu uso os mais coloridos, geralmente os que tentam emular algum hardware, aí esses sim cada um é legal pra certos tipos de coisa, a gosto do freguês.

    Vi ali que você vai pesquisar sobre sidechain, então te adianto:
    Faça um canal auxiliar, ponha um compressor nele e mande o que você quiser via send pro canal original pra misturar os dois.

    Você pode dar uma exagerada no paralelo (e até distorcer as coisas, ou usar aqueles modos de "all ratios") pra gerar mais harmônicos e fazer o canal crescer na mix sem necessariamente achatar os transientes dele. Tem que tomar cuidado pra o canal do sidechain não engolir o canal original, eles tem que jogar juntos! Eu muitas vezes ponho algum distorcedor ou simulador de fita nos canais de sidechain depois do compressor (esse próprio quase sempre distorce alguma coisa) só pra trazer alguma cor a mais, muitas vezes isso traz mais a coisa na mix do que a compressão em si, nos inserts.

    E sobre compressão paralela, se seu DAW não tem delay compensation, tome cuidado pra não acabar tirando as coisas de fase.

    Last but not least, o reverb é uma das coisas mais importantes pra colar a mix toda junta. O reverb ainda faz tudo crescer de tamanho. Eu sempre começo uma mix com dois reverbs, geralmente um "room" e uma plate. Muitas vezes eles mudam mas eu geralmente mantenho a mix inteira dentro desses dois reverbs. Muitas vezes, outros efeitos entram como delays e modulações e eu gosto de mandar a soma de todos eles pra um auxiliar "all fx". Esse canal é o verniz da mix, ele cola todo mundo junto. Assim dá pra mexer no volume geral dele pra aumentar ou diminuir a densidade do "tapete" da mix.

    Boa sorte!

    Mu_Cephei
    Veterano
    # mar/13
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    .omni

    Nossa, cara! seu texto ficou muito show, terei que reler cada parágrafo várias vezes para absorver tudo o que você disse! Reouvindo aqui algumas músicas da lady gaga consegui perceber (ao menos parcialmente) o que você disse. A EQ corretiva que foi citada no seu texto é realmente importante, principalmente quando somar, somar e somar se torna tentador em um primeiro moment. A ideia do canal "all fx" também é muito boa, não havia pensado sobre isso. Muito obrigado!

    .omni
    Veterano
    # mar/13 · Editado por: .omni
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    Mu_Cephei
    Show, espero ter ajudado! O lance de filtrar é muito importante, principalmente quando você vai lidar com vários canais da "mesma coisa", o negócio é fazer cada um ocupar só o espaço que deve. Muitas vezes ao invés de ressaltar uma certa frequência puxando ela num EQ, vale mais a pena procurar por frequências vizinhas que podem sujar aquela região, pra você tirar um pouco de evidência.
    Outra coisa, não tem problema uma coisa soar estranha solada, as coisas só precisam funcionar no contexto da mix.

    Esse lance do all fx eu faço com tudo, minhas mixes são sempre inteiras stemizadas, geralmente em all drums (bateria, percussões, etc), all bass, harmonia (piano, violão, pads, synths, etc), all fx. Aí esses canais eu mando pra o meu master, que eu transcrevo em um canal de áudio no final.
    Quando você mixa numa mesa é mais simples lidar com automações no DAW e volumes gerais (pós DAW) na mesa. Mas na tela do computador, se você não tiver esse controle mais geral dos grupos fica um saco de fazer ajustes simples, cada vez que você faz uma mudança vai encher de bolinhas de automação, dessa maneira as sessões ficam mais organizadas.

    Ah, acho que a coisa mais importante sobre mixar in the box (ou não) é o wow factor. Às vezes você põe um monte de plugins fazendo coisas diferentes, vai acrescentando e acrescentando coisas e o canal parece soar melhor com os plugins, mas se você levantar apenas o volume do canal limpo vai ver que pode ter perdido várias coisas com isso.

    waltercruz
    Veterano
    # mar/13
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    .omni
    verdadeira aula mesmo, mais outro aqui, quietinho, aprendendo. :)

    .omni
    Veterano
    # mar/13
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    waltercruz
    Valeu! Mas de novo, o que funciona pra mim pode funcionar diferente pra você, a boa é experimentar sem parar!
    E uma coisa muito importante também é que cada vez que você põe um plugin em um canal, você perde alguma coisa. O negócio é cada plugin ter uma função muito bem definida a ponto de realmente acrescentar alguma coisa importante na mix, e usar a menor quantidade de plugins possível.
    Espero ter ajudado em alguma coisa!

    waltercruz
    Veterano
    # abr/13
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    Taí um cara que atocha as coisas: Michael Brauer, ele até criou um processo que chama de 'Brauerizar' a mix, que pelo que eu entendi, é mandar a mix pra 5 compressores diferentes e tentar pegar meio que a soma de todos eles.

    http://www.soundonsound.com/sos/nov08/articles/itbrauer.htm

    makumbator
    Veterano
    # abr/13 · Editado por: makumbator
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    Aqui uma brincadeira de primeiro de Abril da Slate Digital, para ajudar a todos a terem melhores mixes:

    http://www.youtube.com/watch?v=oeXTTOQ7OSo&feature=youtu.be

    http://www.slatedigital.com/pensado/

    waltercruz
    Veterano
    # abr/13
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    makumbator
    muito bom o phrank.

    Adler3x3
    Veterano
    # abr/13
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    Pessoal.
    Tá rolando um tópico especial sobre mixagem criado pelo "omni".
    Muita embora não trate de densidade assunto tratado neste tópico, trata de técnicas especiais de mixagem.
    E temos um bom material de excelente qualidade para trabalhar.
    Mais detalhes no tópico:

    http://forum.cifraclub.com.br/forum/16/302818/#8677146

    Eu mesmo já postei uma mixagem.

    Mu_Cephei
    Veterano
    # abr/13
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    Muito show tudo o que foi postado aqui!

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