A música eletroacústica

    Autor Mensagem
    Dental Floss Tycoon
    Veterano
    # 24/mar/18 14:11 · Editado por: Dental Floss Tycoon


    Tenho ouvido mais música eletrônica/eletroacústica, e queria recomendações de compositores mais recentes nesse sentido, que não sejam os clássicos... Schaeffer, Henry, Varèse, Stockhausen etc. Outra coisa, alguém aqui compõe ou já compôs algo nesta linha? Tenho bastante curiosidade pra saber quais são as técnicas e os equipamentos/hardware/sotware que se utilizam hoje em dia.

    No momento, tô ouvindo sons nessa linha (improvisação eletrônica):





    fernando tecladista
    Veterano
    # 25/mar/18 22:52 · Editado por: fernando tecladista
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    o membro do grupo "mano a mano" postou um experimentos dele interessantes:

    playlist
    https://www.youtube.com/watch?v=Mf3yciKym1s&list=PLPiTr72YDHgH4dtV1F8J o-NCc_Se1KH8e



    Dental Floss Tycoon
    Veterano
    # 26/mar/18 00:34
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    fernando tecladista

    Curti esse "Estudo Eletrônico", reconheci alguns efeitos comuns de teclado (tem uma "risada" que costuma ter nos GM da Yamaha).

    Insufferable Bear
    Membro
    # 26/mar/18 09:34
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    Bernard Parmegiani: https://www.youtube.com/watch?v=c_JHjUFfOs
    Horacio Vaggione: https://www.youtube.com/watch?v=cFFvxSxacwA
    Curtis Roads: https://www.youtube.com/watch?v=70byQuA58fg
    Jean-Claude Risset: https://www.youtube.com/watch?v=Fhj2O4jToKI
    John Chowning: https://www.youtube.com/watch?v=988jPjs1gao
    Pauline Oliveros: https://www.youtube.com/watch?v=DMCTxkFwLHw

    Sobre software, o pessoal da música parece curtir Pure Data e Max/MSP por serem ambientes gráficos e porque não sabem programar, mas quem eu conheço que sabe esses e SuperCollider, o segundo acaba ganhando preferência.
    Pra entender as técnicas, esse livro é um ótimo começo pra quem tem paciência com matemática: http://msp.ucsd.edu/techniques.htm
    E esse livro sobre síntese granular é o meu preferido sobre música eletrônica: https://www.amazon.com/Microsound-MIT-Press-Curtis-Roads/dp/0262681544

    Dental Floss Tycoon
    Veterano
    # 26/mar/18 15:24
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    Insufferable Bear

    Bernard Parmegiani: https://www.youtube.com/watch?v=c_JHjUFfOs
    Horacio Vaggione: https://www.youtube.com/watch?v=cFFvxSxacwA
    Curtis Roads: https://www.youtube.com/watch?v=70byQuA58fg
    Jean-Claude Risset: https://www.youtube.com/watch?v=Fhj2O4jToKI
    John Chowning: https://www.youtube.com/watch?v=988jPjs1gao
    Pauline Oliveros: https://www.youtube.com/watch?v=DMCTxkFwLHw


    Desses, só conhecia o Vaggione. Vou ouvir os outros.


    Sobre software, o pessoal da música parece curtir Pure Data e Max/MSP por serem ambientes gráficos e porque não sabem programar, mas quem eu conheço que sabe esses e SuperCollider, o segundo acaba ganhando preferência.
    Pra entender as técnicas, esse livro é um ótimo começo pra quem tem paciência com matemática: http://msp.ucsd.edu/techniques.htm
    E esse livro sobre síntese granular é o meu preferido sobre música eletrônica: https://www.amazon.com/Microsound-MIT-Press-Curtis-Roads/dp/0262681544


    Obrigado pelas dicas!

    Dental Floss Tycoon
    Veterano
    # 28/mar/18 00:36
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    Descobri recentemente essa compositora francesa. Achei essa música especialmente bonita.



    Ken Himura
    Veterano
    # 01/abr/18 21:25
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    Dental Floss Tycoon
    Um campo bem em alta na eletroacústica é o da música chamada mista (mistura das estéticas e técnicas eletroacústicas com as da música "tradicional" acústica tonal e pós-tonal). Pra ficar só no Brasil e em medalhões dos últimos 30 anos, Jorge Antunes, Flo Menezes e Rodrigo Cicchelli têm boas obras nesse campo. Aliás, o programa do Cicchelli na Rádio MEC é ótimo para descobrir coisas novas.

    No youtube, você encontra bastante coisa, principalmente de gringos. Gosto do Eli Fieldesteel:


    Eu fiz mestrado pesquisando em eletroacústica e música interativa, mas não pude terminar por problemas de saúde que tive no último semestre que me forçaram a abandonar por quase 3 anos a vida acadêmica.

    Mas aprendi nesse tempo que a música eletroacústica, tanto "pura" quando mista, está mais forte que nunca. Boa parte dos compositores estudam sobre eletroacústica de forma até bem profunda em suas graduações e, como diz o Cicchelli, depois que você conhece a eletroacústica, sua forma de ouvir muda, e isso se reflete na sua música mesmo que inconscientemente.

    No fim das coisas, estudar música eletroacústica é aprender a ouvir melhor e a entender os sons em suas diferentes formais naturais (ou não) de ocorrerem, não apenas no contexto artificial das notas/alturas definidas em um timbre harmonioso.

    Ken Himura
    Veterano
    # 01/abr/18 21:56 · Editado por: Ken Himura
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    Achei uma versão de música com partitura também:


    Ismah
    Veterano
    # 02/abr/18 00:04
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    Bernard Parmegiani:

    Achei mais um parente...

    Dental Floss Tycoon
    Veterano
    # 02/abr/18 19:17 · Editado por: Dental Floss Tycoon
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    Ken Himura
    Legal! Onde você fez o seu mestrado? Também estou nessa agora, mas pesquiso livre improvisação. Tenho um amigo de graduação fazendo mestrado em música eletroacústica na República Tcheca, só conheço ele que mexa exclusivamente com isso daqui.

    Um campo bem em alta na eletroacústica é o da música chamada mista (mistura das estéticas e técnicas eletroacústicas com as da música "tradicional" acústica tonal e pós-tonal)

    Parece que essa é uma tendência geral no século XXI, não?

    Boa parte dos compositores estudam sobre eletroacústica de forma até bem profunda em suas graduações

    Aqui na UnB acho que não tem nenhuma matéria nesse sentido, mesmo com o Jorge Antunes sendo ex-professor.

    como diz o Cicchelli, depois que você conhece a eletroacústica, sua forma de ouvir muda, e isso se reflete na sua música mesmo que inconscientemente.

    Com certeza, não tenho dúvida disso. O ouvido fica mais aguçado. Percebo a diferença até mesmo nas minhas práticas de improvisação livre. Nesse tipo de performance já existe uma necessidade muito grande de se estar atento aos gestos do grupo, mas depois de ouvir a eletroacústica, a coisa realmente vai para um nível mais sutil.

    No fim das coisas, estudar música eletroacústica é aprender a ouvir melhor e a entender os sons em suas diferentes formais naturais (ou não) de ocorrerem, não apenas no contexto artificial das notas/alturas definidas em um timbre harmonioso.

    Percebi melhor isso quando li o tratado do Pierre Schaeffer. Acabei não me aprofundando porque não é minha área de pesquisa, mas em algum momento vou retomar a leitura.

    Achei uma versão de música com partitura também
    Muito interessante. Me pergunto como fazem pra sincronizar a flauta com o computador em uma performance ao vivo.

    Ken Himura
    Veterano
    # 15/abr/18 01:06
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    Dental Floss Tycoon
    Onde você fez o seu mestrado?
    Na UFRJ. Como disse antes, saí sem completar. Mas fiz outra seleção e entrei de novo - porém, agora em outra linha de composição. Agora, meu projeto é na área de métodos matemáticos de análise e composição, com foco maior em música popular. Mas nunca abandonei meus "hábitos" eletroacústicos.

    Parece que essa é uma tendência geral no século XXI, não?

    Pelo que andei vendo, é sim. Ainda mais com a revolução que a informática pessoal trouxe. Com um iPad air hoje (modelo de 4 anos atrás), você tem uma ferramenta mais poderosa que os estúdios de composição eletroacústica das últimas décadas. É muito fácil e acessível hoje editar e manipular sons (e vídeos, e desenhos, e projeções etc), isso com certeza tem (e ainda terá mais) impacto sobre o fazer musical do nosso tempo.

    Mas isso também não quer dizer que a música eletrônica e/ou concreta pura vá morrer. Ou que a música acústica também tá fadada ao fim. Meu portfólio mesmo, seguramente mais de 90% das músicas que eu escrevo (mesmo pra samples sobre programação midi) são para instrumentos "acústicos" (incluo os instrumentos elétricos nesse bolo, com exceção do sintetizador). Pelo que vejo entre meus colegas de geração, a proporção é por aí também. Os únicos que acabam fazendo mais peças eletroacústicas/concretas/eletrônicas são aqueles que vão se especializar nessa área.

    Aqui na UnB acho que não tem nenhuma matéria nesse sentido
    Sério? Pensei que o pessoal do departamento ia investir um pouco mais nisso também, aproveitando o Jorge Antunes. A Unesp fez isso com o Flô Menezes (o Studio PANaroma é lá), olha como estão agora. Outras Brasil afora também deram uma atenção legal ao pessoal da eletroacústica e da sonologia.

    mas em algum momento vou retomar a leitura
    Retoma sim, que vale à pena. Se estiver muito pesada, pega a "tradução" do Michel Chion sobre este tratado: Guide des Objets Sonores. É bem mais palatável a leitura. É tipo comparar o livro do Allen Forte (The Structure of Atonal Music) com a "versão facilitada" do Joseph Straus (Introduction to Post-Tonal Theory).

    Me pergunto como fazem pra sincronizar a flauta com o computador em uma performance ao vivo
    Acho que não tem bem um padrão pra isso. Pode colocar as partes gravadas com o instrumentista ouvindo o metrônomo, pode fazer com que o instrumentista solte os samples na ordem certa (pedais midi ajudam nisso), pode colocar alguém para "tocar" o patch do MaxMSP/SuperCollider/pureData ou fazer live coding etc. Tem um mundo de possibilidades.

    Insufferable Bear
    Membro
    # 23/abr/18 06:38
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    Meu professor de piano me emprestou um cd de piano de compositores da UFMG com peças eletroacusticas e percebi que existe a cadência perfeita eletroacustica, que é aquele crescendo que termina com um som percussivo.
    shhhhhTAH é o novo iv-v-i.

    Dental Floss Tycoon
    Veterano
    # 24/abr/18 20:16
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    Insufferable Bear
    Tem um exemplo?

    Insufferable Bear
    Membro
    # 25/abr/18 13:09
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    Dental Floss Tycoon
    Olha Mosaic do João Pedro Oliveira.
    Foi a peça que me fez pensar nisso.

    Dental Floss Tycoon
    Veterano
    # 26/abr/18 17:45
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    Insufferable Bear
    Curti essa interpretação:



    Foda. E deu pra sacar o que você disse. Sou suspeito pra falar, mas essa música soa quase como uma improvisação.

    Ken Himura
    Veterano
    # 29/abr/18 17:36
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    Insufferable Bear
    Tem muito disso sim, é tipo o pessoal usando clichês de Bach sobre alguma tonalidade menor pra soar barroco, cerebral e deus da harmonia.

    É foda, mas vai sempre ter uma boa maioria assim. Na escola estadunidense de Espectralismo, então, você vai encontrar dezenas de obras parecidas em forma e/ou procedimentos de transformação.

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