A música, a sociedade e a insatisfação

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    vitaoma
    Veterano
    # out/09


    Olá.

    Estive refletindo com alguns amigos e cheguei às conclusões que apresento abaixo.

    Muitos dizem que está morto o bom e velho Rock n' Roll, junto com toda outra forma de protesto. Alguns alegam que desde o ano 2000 aconteceram diversos eventos contrários a opinião pública e ninguém se manifestou: ataque às torres gêmeas, Guerra do Golfo, mensalão, nepotismo no Senado; além das diversas desgraças que já estão se tornando normais: fome, superpopulação, preconceito, consumismo, exploração da força de trabalho.

    Porque nós estamos calados a tanto tempo? Porque não reagimos? Finalmente nos conformamos? Eu tenho uma teoria.

    Não vou levar muito tecnicamente, até porque não tenho o conhecimento necessário, então colocarei de forma simples, tal como penso. A satisfação não cabe ao indivíduo e sim ao coletivo. O indivíduo não pode tomar ações significativas para alterar a sociedade, mas o coletivo pode, através de revoluções sociais, de pensamento e outras.

    Tempos após essas revoluções, as coisas começam a voltar a ser como eram antes e as conquistas obtidas já não são satisfatórias. Tudo passa a estar fora de seu lugar e a nos incomodar. Então queremos mudar novamente. Acredito que isso tenha acontecido recentemente de 20 em 20 anos. É como se a sociedade tivesse uma bomba-relógio preparada para detonar - tomar atitudes - a cada duas décadas, quando já estivesse revoltada com todos os acontecimentos.

    Porque de vinte em vinte anos? Abaixo as décadas que considero de maior revolução e reflexão no coletivo (no ocidente):

    1950 - Queda do puritanismo, revolução sexual, os jovens tomando o poder. Foi o que começou a quebrar os padrões cristãos e mostrou que os jovens tem a força e tem condições para mudar. Os jovens ganharam voz. Veio junto com a criação do rock n roll.

    1970 - Hippies protestando contra a Guerra do Vietnã no início da década. Guerra Fria, constantes ameaças de uma guerra nuclear. No fim da década vem o movimento punk: faça você mesmo, faça como quiser.

    1990 - Queda do Muro de Berlim, fim da União Soviética. O grunge trazia de volta a agressividade do punk, embora não tivesse grandes ideais.

    2010 (?) - Provável nova revolução. O mundo está cheio de coisas para se inconformar. Uma mudança na forma de pensar e agir.

    Como podem notar, cada uma dessas décadas de reviravoltas históricas veio acompanhada de um estilo musical mais acelerado, agressivo. Entre essas décadas houveram estilos mais comerciais e pops:

    1960 - Os Beatles, os garotos de Liverpool. Embora a música seja sensacional, apresentava teor comercial com forte apelo para garotas adolescentes. Psicodelia no fim da década.

    1980 - New Wave, Pop, segunda onda do Hard Rock. Todos eles com fins mais comerciais.

    2000 - New Metal, Emo, não sei como chamam essa merda que tocam hoje em dia. Desnecessário dizer que é puramente comercial.

    A história, os protestos e a música não está morta. Apenas estamos passando por um momento morno desta. Provavelmente volta na próxima década. Pessoas protestando na rua, com bandeiras, febre por algumas bandas, pessoas repensando suas vidas, um ideal pro mundo dividir. Depende de nós.

    Agora no Brasil, o que pude notar foi Raul Seixas e Renato Russo. Cada qual representando sua geração (também com aproximadamente vinte anos de diferença, que coincidência).
    Raul buscava a liberdade de pensamento, de expressão, o fim da ditadura, a anarquia, a Sociedade Alternativa. Renato Russo era mais poético, mais romântico, mesmo assim contestador. Retomou os ideais de Raul com a Geração Coca-Cola, também buscava o fim da ditadura, protestou desde o Aborto Elétrico, sua fase de Trovador Solitário, a Legião Urbana. Um por geração. Já é hora da terceira geração se manifestar.

    Isso é de nosso interesse e depende de nós. Pensem sobre isso e ajam, a história é de vocês, e minha também.

    jacksonfive
    Veterano
    # out/09
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    vitaoma
    enquanto nois roqueiros vivermos o rock vivera , nois temos qui ir a luta !! mais até agora ninguem deu o passo inicial ...

    vitaoma
    Veterano
    # out/09
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    jacksonfive
    enquanto nois roqueiros vivermos o rock vivera , nois temos qui ir a luta !! mais até agora ninguem deu o passo inicial ...

    Você se engana, eu e mais algumas pessoas temos discutido intensamente esse assunto em nossa escola e comércio próximos. Os jovens estão quase sempre abertos a novas ideias e opiniões, enquanto os mais velhos parecem menos dispostos a mudar, tudo o que eles querem é que lhes deixem quietos e sozinhos para que eles possam desfrutar de seu fast food na solidão e conformismo.

    brunohardrocker
    Veterano
    # out/09
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    Se o mundo depende de um circulo vicioso de mudanças, então nunca será bom, nunca estaremos satisfeitos.

    TerraSkilll
    Veterano
    # out/09
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    Tenho muitas dúvidas quanto à maioria das observações e levantamentos, mas tudo bem. Vamos lá.

    Muitos dizem que está morto o bom e velho Rock n' Roll, junto com toda outra forma de protesto. Alguns alegam que desde o ano 2000 aconteceram diversos eventos contrários a opinião pública e ninguém se manifestou: ataque às torres gêmeas, Guerra do Golfo, mensalão, nepotismo no Senado; além das diversas desgraças que já estão se tornando normais: fome, superpopulação, preconceito, consumismo, exploração da força de trabalho.
    Em tempo: a guerra do Golfo foi em 1990. A guerra atual (se é que chega a ser uma guerra) é a guerra do Iraque. E naquela época, muitas vozes sim se levantaram contra o conflito. Corrupção nos altos escalões do poder sempre houve, o que vemos é que hoje ela está mais "visível". Todos os jornais não falam em outra coisa (ok, vez ou outra destacam uma tragédia ou assassinato - tenho uma teoria sobre isso mas fica para outra encarnação).
    O velho rock n roll é de outra época. A maioria das coisas muda, e com o rock não foi diferente. Ele mudou. Nostalgia há, mas não vai trazê-lo de volta sozinha. Já as formas de protesto continuam as mesmas. O que não há é vontade de protestar.


    Porque nós estamos calados a tanto tempo? Porque não reagimos? Finalmente nos conformamos? Eu tenho uma teoria.


    Nós quem? Os brasileiros? Os Ocidentais? Eu chamo isso de comodismo. Uma política interna (interna no sentido pessoal, de cada pessoa) de "se estou bem, que importa o resto?". Penso assim às vezes. Não é bonito, eu sei, mas minha consciência ainda não me matou por isso. Verei o que fazer quanto a isso algum dia.

    1950 - Queda do puritanismo, revolução sexual, os jovens tomando o poder. Foi o que começou a quebrar os padrões cristãos e mostrou que os jovens tem a força e tem condições para mudar. Os jovens ganharam voz. Veio junto com a criação do rock n roll.

    Bem, parece que os jovens daquela época estão no poder até hoje, não. George Bush, Al Gore, Clinton... Quanto à revolução sexual, diria que está mais para revolução de comportamento (no geral, não só no âmbito sexual).

    1970 - Hippies protestando contra a Guerra do Vietnã no início da década. Guerra Fria, constantes ameaças de uma guerra nuclear. No fim da década vem o movimento punk: faça você mesmo, faça como quiser.

    1990 - Queda do Muro de Berlim, fim da União Soviética. O grunge trazia de volta a agressividade do punk, embora não tivesse grandes ideais.


    Sem comentários... por enquanto.

    2010 (?) - Provável nova revolução. O mundo está cheio de coisas para se inconformar. Uma mudança na forma de pensar e agir.

    Sempre há e sempre houve coisas para se revoltar. Por volta de 1939, Hitler se revoltou. Deu no que deu...
    As formas de pensar sempre mudam. É besteira imaginar uma forma de pensar "uniforme", que mude obrigatoriamente de tempos em tempos. O que temos vivido até então (desde os anos 90) é uma espécie de "situação comoda". Não está exatamente excelente, mas nem ruim.

    1960 - Os Beatles, os garotos de Liverpool. Embora a música seja sensacional, apresentava teor comercial com forte apelo para garotas adolescentes. Psicodelia no fim da década.

    Sem comentários, mas acho que algumas pessoas vão discordar...

    1980 - New Wave, Pop, segunda onda do Hard Rock. Todos eles com fins mais comerciais.
    E o heavy metal dessa época?

    2000 - New Metal, Emo, não sei como chamam essa merda que tocam hoje em dia. Desnecessário dizer que é puramente comercial.
    "Puramente comercial" é uma generalização perigosa. Se há alguém que goste, de verdade, não acho que seja 100% comércio.

    A história, os protestos e a música não está morta. Apenas estamos passando por um momento morno desta. Provavelmente volta na próxima década. Pessoas protestando na rua, com bandeiras, febre por algumas bandas, pessoas repensando suas vidas, um ideal pro mundo dividir. Depende de nós.

    "Volta na próxima década", bem, ainda há insatisfação por toda parte. Teve uma guerra na Geórgia esses dias. O povo lá deve estar bem insatisfeito. E a Palestina está em guerra há quanto tempo? Uns mil anos? Nem sei. Ah, tem Honduras também, e a Venezuela. Lembre-se sempre: o Ocidente não acaba depois do Atlântico nem é eito de Brasil e Estados Unidos.

    "Um ideal pro mundo dividir". Bonito. Poético. Daria um bom verso de música. Fico feliz que ainda haja gente tão idealista no mundo. Continue assim.

    Isso é de nosso interesse e depende de nós. Pensem sobre isso e ajam, a história é de vocês, e minha também.

    Pergunta de fim de post: o que você já fez? Eu? Eu não fiz nada, antes que você pergunte.

    Grande abraço.

    jimmy vandrake
    Veterano
    # out/09
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    vitaoma

    Acho que o Rock quebrou velhos paradigmas e conquistou definitivamente a liberdade além da expressão. Ao meu ver o que ocorre é que os artistas atuais do gênero rock não sabem o que fazer com a liberdade.
    Há outra hipótese, talvez o rock deva ter existido somente por razão da repressão, não existe mais repressão e o rock perdeu sua excência.
    É bem provavel que produtores usem o rock como para choques de uma farra lucrativa em cima de alguns garotos que só conhecem sua própria rebeldia. Ou seja, de rock não tem nada, e essa rebeldia é puramente doméstica.

    LucasGuitarMaster
    Veterano
    # out/09
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    Bem, hoje em dia temos uma vida melhor que antigamente, concerteza, porque todos (ou praticamente) deixaram os ideais conservadores de lado.

    Temos mais liberdade para nos expressarmos artisticamente (embora a OMB tente nos ferrar)..
    o problema mesmo é que hoje em dia não se tem nada pra expressar praticamente, agora começou uma onda de bandas indie/emo insuportável.

    leo gunner
    Veterano
    # out/09
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    1990 - Queda do Muro de Berlim, fim da União Soviética. O grunge trazia de volta a agressividade do punk, embora não tivesse grandes ideais.

    division bell - pink floyd

    brunohardrocker
    Veterano
    # out/09
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    Acho que acontece aquela coisa, tudo tem seu tempo, e esse tempo passa. Assim aconteceu com o rock'n'roll, que, não necessariamente sumiu, mas o seu auge já se foi, o que restam são lembranças e influências. Assim certamente aconteceu com varias outras formas de se pensar.

    As vezes o revolucionário de hoje é o conservador de amanhã, e isso aconteceu várias vezes na história.
    Ex: Revolucionários burgueses se tornaram conservadores ao conflitar com movimentos revolucionários populares.

    vitaoma
    Veterano
    # out/09
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    Muito bons os comentários de vocês. Cada um é permitido sua própria opinião, só peço que não respondam com sarcasmo.

    Eu sei que o rock teve sua época e já passou. O velho rock n roll acabou. Mas tenho quase certeza que algum movimento revolucionário com raízes e influências na música ainda irá surgir. A minha parte estou fazendo, acreditem no que quiserem, mas ajam.

    Essa história do conformismo, sim, eu também passo por isso às vezes. Mas quero que eu e minha geração sejam lembrados como "aqueles que fazem", "aqueles que agiram", não "aqueles que deixaram um mundo de desgraças para seus filhos e netos".

    Os jovens tem o poder, sim. É claro que não ocupam cargos essenciais como presidente e vice-presidente dos Estados Unidos, secretário-geral da ONU e semelhantes por não terem passado por diversos cargos políticos antes dele e consequentemente, não terem experiência. Mas já reconhecemos que os jovens são os senhores do mundo de amanhã. Os caras-pintadas seriam um bom exemplo. Outras ações coletivas conduzidas como, por exemplo, ONGs de proteção ambiental, auxílio social contam com grande participação de jovens e elas fazem, sim, a diferença.

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