Notação para cifras com capotraste

    Autor Mensagem
    GPONTESFM
    Membro
    # out/16


    Tenho dificuldade de entender a lógica que o Cifraclub utiliza para cifrar músicas quando sugere a utilização do capotraste.

    Por exemplo, quando se utiliza o capotraste na terceira casa, e o acorde a ser tocado é um C, é colocado na cifra A. Acho que a notação desse forma fica confusa, pois o acorde, embora tenha "forma de A" como citado nas cifras, é um C.

    Não sei se esse notação é "universal" ou se é utilizada apenas no Cifraclub, mas acho que deveria ser utilizada a simbologia padrão, indicando qual som aquele acorde emitirá, independente de você estar utilizando um capostraste ou não.

    Alguém mais pensa assim? Não sei se consegui explicar direito a meu raciocínio.

    BrotherCrow
    Membro Novato
    # out/16
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    Que eu saiba, essa notação é generalizada. Pelo menos no Ultimate Guitar e no 911 Tabs (que são os que eu normalmente uso), a notação é essa. E acredito que seja a mais prática. Se for tocar sem capo é só mudar o tom da cifra (a maioria dos sites tem essa funcionalidade).

    Gabriel Medeiros
    Membro Novato
    # out/16
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    GPONTESFM

    Isso não interessa , o objetivo são as notas necessárias para a formação do acorde temos "n" possibilidades diferentes para a formação de C no braço da guitarra, o acorde maior e formado pela tônica(I), III grau e IV grau, no exemplo de C: C,E,G, onde achar isso no braço da guitarra de modo que foque confortável é um acorde de C maior.

    makumbator
    Veterano
    # out/16 · Editado por: makumbator
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    GPONTESFM

    O costumeiro na nomenclatura é escrever não da forma que ele soa, e sim da forma técnica que o músico executa. Na escrita de partitura funciona da seguinte maneira no caso dos instrumentos transpositores: Por exemplo, um trompete em si bemol quando tem um ré escrito na parte soa na verdade dó, mas o importante é informar ao músico para executar a digitação do ré e não que o resultado sonoro será um dó.

    Iversonfr
    Veterano
    # out/16
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    makumbator
    Por exemplo, um trompete em si bemol quando tem um ré escrito na parte soa na verdade dó, mas o importante é informar ao músico para executar a digitação do ré e não que o resultado sonoro será um dó.

    Perfeito. No exemplo do colega que o capo ta na terceira casa e a cifra mostra um A, é legal aprender desse jeito porque dependendo do cantor, você só movimenta o capo meio pra cima ou meio pra baixo e toca a mesma coisa. Se fosse fazer uma cifra pra cada possibilidade seria sem sentido.

    Lelo Mig
    Membro
    # out/16
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    GPONTESFM

    Exatamente como nossos amigos makumbator e Iversonfr citaram. Apenas, mais uma consideração em relação ao nome em "função da digitação"...

    Lembre-se, que em teoria, você não toca após o capotraste, então ao colocar um capo, é como se você "arrasta-se/desloca-se" a escala em direção ao corpo do instrumento. Sendo a afinação algo "relativo" e "mutável" mantém-se a nomenclatura em função da digitação.

    Ismah
    Veterano
    # out/16
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    GPONTESFM

    Dando uma de grupo de pagode, eu entendi o que tu quer dizer... Pra mim também é muito estranho isso, falam nota X, mas soa Z porque tem um capo na 3ª casa...

    Falando de guitarra, acho isso um atraso pro músico, fazer um G com capo na 3ª casa, e que soa Bb... Fica tipo o suco do Chaves do Oito: suco de tamarindo com gosto de limão que parece de uva...
    Já prestei assistência pra músico que não sabe as notas que soam com capo... E é um pé no saco...

    Iversonfr
    Veterano
    # out/16 · Editado por: Iversonfr
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    Ismah
    Pra mim também é muito estranho isso, falam nota X, mas soa Z porque tem um capo na 3ª casa...

    Isso chama-se praticidade e simplicidade. Mas, pra que simplificar se pode complicar né? rs

    Vejamos um exemplo simples: Música Be Yourself do Audioslave. O refrão tem Am, C, F e Dm, porém o capo está na segunda casa, então o Am é um Bm. Porém na minha banda tocamos meio tom abaixo Eb pra ajudar o vocal, então seria um Bbm e o C é na verdade um Db. Porém se considerar o capo como sendo o novo "nut" da guitarra, tenho o shape famosíssimo de C, além dos clássicos Am e Dm. É extremamente mais simples pensar Am, C, F e Dm até pelos próprios shapes do que Bbm, Db, etc. Se eu tivesse que pensar em todas as músicas que toco que as notas estão meio tom atrás e quando coloco o capo muda de novo, meu cérebro daria um nó. É pura questão de facilidade, sendo que o mais importante acontece: independente de como eu penso, a música que é o principal de tudo sai bonita.

    Ismah
    Veterano
    # out/16
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    Mas tu não estuda CAGED, não? rsrs

    Db eu posso fazer no shape que eu quiser... Afinando em E, existem essas opções só sobre o shape de C...


    e-1---1---x---4---4---x---
    B-2---2---2---2---2---2---
    G-1---1---1---1---1---x---
    D-3---3---3---x---3---x---
    A-4---4---4---x---x---x---
    E-1---1---1---x---x---1---


    Me forcei mais a ver isso quando passei a usar duas guitarras, e duas afinações... Pra transpor uma música de uma para outra, não posso ver shapes rsrs

    Eu acho legal pra caramba as passadas de "walking chords" que o sertanejo e música regional aqui do sul usa...

    Tu estás tocando D A G D, e passeando pelo braço do instrumento, cada vez com uma sonoridade diferente...

    GPONTESFM
    Membro
    # out/16
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    Valeu pessoal, analisando os vários pontos de vista dos colegas, passei a enxergar melhor a proposta da notação, que é se basear nos shapes e não na sonoridade em si do acorde.
    O que causou nó no meu cerébro foi o meu foco em tentar melhorar minha percepção quanto a sonoridade dos acordes, mas vejo que realmente é mais prático, no caso do capotraste, se pensar em formas de acorde.

    Iversonfr
    Veterano
    # out/16
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    Ismah
    Mas tu não estuda CAGED, não? rsrs

    Rsrsrs sim, mas a praticidade no caso específico do tópico é maior...

    Ismah
    Veterano
    # out/16
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    Ainda assim, me é estranho escrever um G onde, soa B... Nas minhas cifras eu sempre escrevo o grau, e deixo indicação se é usado capo ou não... Realmente mesmo, fica estranho pra mim...

    Ismah
    Veterano
    # out/16
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    Outro exemplo que eu acho bizarro: afinação em Eb, e grafia como se fosse em E... Cara isso é muito estranho pra minha cabeça. Tudo bem, é mais fácil para quem toca em E pensar em E. Mas está pensando errado, ao meu ver, pois se nota as notas que se toca, não o "endereço" delas nas teclas, cordas/casas etc...

    https://www.youtube.com/watch?v=c-6tu03hq2Q

    makumbator
    Veterano
    # out/16 · Editado por: makumbator
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    Ismah
    Outro exemplo que eu acho bizarro: afinação em Eb, e grafia como se fosse em E... Cara isso é muito estranho pra minha cabeça.

    Pra mim o bizarro seria escrever da maneira oposta. Muitas vezes eu toco lendo a primeira vista em ensaios rápidos e até gravações. O importante pra mim é informar qual a nota devo acionar e não a nota que vai soar.

    Outro ponto para defender essa forma de escrita é justamente permitir que o mesmo músico toque instrumentos diferentes usando a mesma digitação. Coisa comum nos sopros.

    Por exemplo, um oboísta está apto a tocar corne inglês sem precisar estudar uma nova digitação, pois a parte é feita levando-se em conta a digitação do oboé para gerar a nota que se deseja no corne inglês. Caso contrário o camarada teria que aprender uma nova digitação para um instrumento que muitas vezes ele toca apenas de maneira eventual (o mais comum em orquestras é que o corne inglês seja tocado por um dos oboístas quando a música pede o instrumento, pois não há nos grupos um músico exclusivo de corne inglês).

    Vale o mesmo raciocínio para inúmeros instrumentos de sopro.

    Ismah
    Veterano
    # out/16
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    Estás pensando em partitura para instrumentos transpostos, ao que entendi. Confere?

    makumbator
    Veterano
    # out/16 · Editado por: makumbator
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    Ismah

    Isso, e no caso em específico ele só é transpositor justamente para tornar a digitação a mesma com a do oboé (pois na verdade praticamente não existem instrumentistas que toquem apenas corne inglês). Com isso temos dois instrumentos de embocadura muito semelhante e que com a transposição permitiu que sua digitação fosse igualada a de seu "irmão" mais usado.

    Um caso diferente acontece no flautim, violão, guitarra e contrabaixo. Nesses instrumentos a transposição é de oitava para permitir se usar as mesmas claves comuns de outros. Caso contrário o flautim teria linhas superiores em toda sua partitura (pois sua extensão é fora do pentagrama da clave de sol) e nos casos de contrabaixo, violão e guitarra teríamos muitas linhas inferiores (pois a música deles está quase o tempo todo abaixo da região da clave de fá no baixo e na de sol nos outros dois).

    Então a transposição na partitura na verdade mostra a nota na "oitava errada" para esses instrumentos (mostra oitava abaixo do que soa no flautim e oitava acima no que soa no violão, guitarra e contrabaixo). Justamente para que eles fiquem graficamente em uma região mais usual de suas claves.

    Ismah
    Veterano
    # out/16 · Editado por: Ismah
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    Entendo. Mas não te parece que a música popular é exceção a regra de partituras?
    Quero dizer, se eu for tirar uma música qualquer em Eb, e quiser transportar ela para um instrumento em E, mas sem subir meio tom, tu concorda que é um pé no saco eu ter escrito C G Am F, invés de B Gb Abm e Eb?

    Eu sempre encarei partitura e cifra como a notação da música, transposição é indicada e particular de cada instrumento, quero dizer, se escrevo uma partitura para trompete, ela é transposta, mas se escrever uma partitura genérica, ela não é transposta.

    makumbator
    Veterano
    # out/16
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    Ismah

    Não acho. Partitura não é exclusivo de música erudita. Os mesmos instrumentos que se usam em uma orquestra podem ser usados na música pop, então não vejo sentido em sair do esquema que funciona há séculos.

    se você escreve uma parte para trompete em sib (ou seja, dó soando sib) o ideal é transpor ela tom acima (de forma a soar na tonalidade que você pensou, uma vez que o músico vai digitar a nota escrita e sem a transposição tudo soaria tom abaixo do ideal). Claro que se escrever uma partitura sem identificação de instrumento ela deve ser feita em dó (ou seja, dó soando dó). Mas esse fato não tem nenhuma relação com ser erudito ou popular, é uma questão de técnica do instrumento.

    Nada impede é claro que escreva em dó a parte do trompete em sib e avise o músico para transpor (trompistas, mais ainda que os trompetistas, por exemplo são os músicos mais acostumados a transpor de primeira vista, pois as partes deles ao longo da história toda hora estavam em uma transposição diferente). Mas pra que dar um trabalho extra para o músico se é possível facilitar?

    Ismah
    Veterano
    # out/16
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    É uma questão do tipo de coisa... Não vejo sentido em uma música de notação simples (não simplista) como a cifra, se indicar notas transpostas...

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