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      Guitarristas incompletos: solam muito mas não sabem fazer a parte rítmica!

      Autor Mensagem
      Curly
      Veterano
      # abr/12
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      Apenas para complementar o tópico, ritmo não é só levadas, temos que considerar o ritmo que o músico coloca nas suas frases e aí é que vemos a deficiência da turma do metal, que toca tudo em semicolcheias ou sextinas.

      um dos caras que têm o fraseado mais bonito é esse guitarrista da minha cidade e que já foi meu Prof.

      dois vídeos dele, o 1o com Hermeto Paschoal e o 2o como o Andy Summers do Police (coitado do Andy !):

      http://www.youtube.com/watch?v=M4TPjmK8vWc
      http://www.youtube.com/watch?v=6yXijwXNESo

      Bog
      Veterano
      # abr/12
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      nichendrix

      Eu nunca tinha visto este vídeo do Chimbinha, mas lembro que alguns anos atrás de tanto tirarem sarro dele eu procurei uns vídeos da tal da Banda Calypso e não tinha ouvido este tipo de levada dele. No geral, era um som "honesto", mas bem mais simples que esse negócio aí. Sinceramente, não consigo entender o por que detonam tanto o sujeito. Mesmo nos comentários do YouTube ali tem algum guri tirando onda.

      Um que assumidamente bebeu de uma fonte parecida foi o Herbert Vianna, que é um dos meus guitarristas prediletos, apesar de ser praticamente ignorado por aqui. Depois de se...er... "inspirar" no Police, ele começou a aprender uns ritmos latinos. Tem umas músicas dos Paralamas de 86~88 que lembram uma versão mais lenta deste negócio do vídeo do Chimbinha.

      buddy guy
      Veterano
      # abr/12 · Editado por: buddy guy
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      Curly
      buddy guy

      vlw velhão grande abç !


      Rapaz,sério mesmo,difícil tentar acompanhar tantos músicos bons,que vcs postam aqui.Tem hora que a gente fica meio perdidão,tentando acompanhar tantas coisas bacanas que vcs postam !! hehehe........


      EDIT F#d@ que quanto mais eu vejo estas feras aí,mais eu vejo que eu não sei é de nada ou quase nada,mesmo.Putz..........tem tanta coisa para aprender,que haja anos para pegar tudo.E para falar a verdade,se a gente for se aprofundar em música,mesmo,tinha que "utilizar mais vidas" para tanto !!

      nichendrix
      Veterano
      # abr/12
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      rasjr1305
      Eh necessario dominar o alternate e o sweep picking com precisao, tocar rapido e lento, arpeggios, dive bomb, harmonica, tap e por ai vai... Sao anos para tocar perfeitamente.

      Aí eu volto na idéia de uma escola de música de alto nível, a maioria dela considera esses tópicos como técnicas de nível básico/intermediário pra quem quer ser músico profissional. Se você não domina isso, não passa nem pela porta, quem dirá na seleção. É como tentar ser violinista de orquestra sinfônica e não ser capaz de tocar os 24 Caprichos do Paganini pelo menos a contento.

      E sinceramente, eu raramente vejo bons livros ou boas matérias de revistas de guitarra sobre técnica que citem os MAB da vida, as poucas vezes que vi citarem ele, é em matérias do tipo, como desenvolver velocidade e precisão em palhetada alternada e mesmo nisso ele anda longe de ser a referência mais citada ou mais influente.

      Diferentemente do Steve Morse que você vê sendo referenciado em N tópicos diferentes relacionados a técnica e fraseado.

      Aí que faz a diferença entre o ouvir e o pensar em música, você acha que o Chimbinha fez algo muito simplório porque não é nada extraordinário mecanicamente, mas que precisa de uma vida de treino "mental" pra se dominar esse tipo de técnica, de ser capaz de ouvir, perceber e executar com precisão esses entrelaçamentos de ritmos, é como se tu ouvisse uma coisa com uma orelha, ouvisse outra na outra e tentasse executar as duas ao mesmo tempo.

      Drinho
      Mas jamais diria que No boundaries não é avançado, é uma música bem complicada de executar também

      Uma coisa é ser fácil de fazer outra é ter usar técnicas avançadas, por exemplo, o video do Pizzarelli que o MMI postou, emprega muita técnica avançada, o estudo de harmonia, ritmo e molodia pra chegar ali é algo pra uma vida de estudo e conheço músicos que literalmente dedicam a vida pra dominar esses conceitos com essa fluência.

      O que o MAB faz em No Boundaries tecnicamente não é coisa do outro mundo, são técnicas comuns e básicas pra qualquer pessoa que se proponha a ser um guitarrista profissional de alto nível. Só que 90% da música é dependente apenas de exercícios de coordenação motora, qualquer pessoa que pegue essas frases e repita por algumas horas todos os dias, uma hora chega nesse nível.

      É diferente de fazer um chord melody ou um walking bass ou uma poliritmia, onde você vai ter que processar várias informações ao mesmo tempo pra sair, não é um treino pros dedos apenas, é um treino pra cabeça. No chord melody tu tem que treinar a cabeça pra identificar de cara acordes e inversões cujas notas mais agudas sejam as notas da melodia que tu quer.

      No walking bass, tu vai ter que pensar não só na melodia da nota mais aguda do acorde, mas criar uma melodia totalmente diferente com a nota mais grave e pensar nos acordes e inversões que caibam nessas duas melodias ao mesmo tempo.

      Na polirritmia tu tem que pensar em dois ou mais ritmos ao mesmo tempo e fazer as duas coisas duma vez, via de regra ainda tendo que encaixar uma melodia nisso.

      São coisas que não dependem tanto da coordenação motora quanto dependem de uma maneira de pensar que tanto é diferente, quanto não é natural pra maioria das pessoa e que exige muito mais tempo e treino pra ser desenvolvida, do que algo que praticamente só depende da coordenação motora, como sweep, tapping, pentatonicas e escalas se repetindo a 180bpm.

      rasjr1305
      Veterano
      # abr/12
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      nichendrix

      O que o MAB faz em No Boundaries tecnicamente não é coisa do outro mundo, são técnicas comuns e básicas pra qualquer pessoa que se proponha a ser um guitarrista profissional de alto nível. Só que 90% da música é dependente apenas de exercícios de coordenação motora, qualquer pessoa que pegue essas frases e repita por algumas horas todos os dias, uma hora chega nesse nível.

      Nao diga isso, mesmo os mestres que voce citou vao ralar muito para tocar a No Boundaries. Nao desdenhe do que talvez ainda nao tentou tocar. Experimente tocar a No Boundaries e vera, alias peça a seu professor da faculdade de musica para tocar... Cada um na sua praia, a galera do metal se garante.

      nichendrix
      Veterano
      # abr/12
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      Curly

      Pô nunca vi o Beto Lopes tocando por aqui, vi uma vez ele tocando em Teresina com o Sivuca que foi de cair o cu da bunda de tanta fodonice.

      E realmente é isso que penso, essas coisas que dependem muito da repetição em figuras estáticas, é essencial, é básico. Se o cara não domina nem isso, dificilmente vai entrar em técnicas mais avançadas e difíceis de dominar.

      Tocar em semi-colcheia a em andamento rápido é algo avançado pra nós, guitarristas de quarto, mas pra quem vai ser realmente profissional, viver de tocar como sideman, músico de estúdio, professor top de linha, isso é o feijão com arroz.

      Agora um que eu ando viajando é o Lionel Loueke, eu conheci ele no show do Herbie Hancock que na época tinha ele na formação da banda. O cara faz miséria com a guitarra, inclusive faz muita brincadeira com efeitos pra fazer a guitarra soar como vários instrumentos africanos.



      Aqui vai um show dele inteiro registrado pra biblioteca do congresso dos EUA.

      http://www.youtube.com/watch?v=0MJj6CVNbo0&feature=related

      Bog
      Eu nunca tinha visto este vídeo do Chimbinha, mas lembro que alguns anos atrás de tanto tirarem sarro dele eu procurei uns vídeos da tal da Banda Calypso e não tinha ouvido este tipo de levada dele.

      Foi por isso que disse que só comecei a levar a sério quando dei a cagada de ficar no mesmo hotel que ele e ver ele e alguns dos músicos da bada brincando na beira da piscina, essas brincadeiras polirritmicas não nem um tiquinho fáceis de pegar a manha de fazer.

      No geral, era um som "honesto", mas bem mais simples que esse negócio aí. Sinceramente, não consigo entender o por que detonam tanto o sujeito. Mesmo nos comentários do YouTube ali tem algum guri tirando onda.

      Realmente eu também não consigo entender. mesmo o feijão com arroz dele, já dá um belo estudo de mão direita pra fazer, as polirritmias dá pra ficar uns belos anos estudando pra pegar.

      Um que assumidamente bebeu de uma fonte parecida foi o Herbert Vianna, que é um dos meus guitarristas prediletos, apesar de ser praticamente ignorado por aqui. Depois de se...er... "inspirar" no Police, ele começou a aprender uns ritmos latinos. Tem umas músicas dos Paralamas de 86~88 que lembram uma versão mais lenta deste negócio do vídeo do Chimbinha.

      O Herbert realmente teve uma fase que brincava muito com ritmos latinos, vários dos quais (em especial os caribenhos) são polirrítmicos. Mesmo na música brasileira, existem várias vertentes do Samba, do Choro, do Baião que empregam esse tipo de recurso, e é algo que a primeira vista parece fácil de fazer, mas não só dá trabalho pra aprender a parte mecânica, mas dá muito trabalho mesmo é aprender o mindset de criar musica/improviso usando esse tipo de recurso.

      nichendrix
      Veterano
      # abr/12 · Editado por: nichendrix
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      rasjr1305
      Cada um na sua praia, a galera do metal se garante.

      Aqui é que entra o problema.

      Vocês começam a discussão querendo discutir técnica, alegando que contra argumentos técnicos não existe subjetividade, o que eu concordo. Só que quando se mostra que o que vocês acham que coisa do outro mundo não é tão coisa do outro mundo assim, vocês tentam vender a idéia de que é questão de gosto, que é cada macaco no seu galho, etc.

      Tecnicamente o que ele faz é feijão com arroz pra quem quer que se proponha a tocar profissionalmente metal, jazz, hard rock, fusion e o que for.

      Se tu pegar a partitura de No Bondaries você vai ver basicamente um monte de padrões de semi-colcheia, tercinas e sextinas sendo repetidas de diversas formas, na boa, é assim que se analisa técnica, você pega uma partitura transcreve e vê o que há de harmonia, melodia, ritmo e complexidade motora.

      Se tu analisar dessa forma, a maioria do que o MAB faz é muito simples, não to dizendo que é fácil tocar na mesma velocidade dele, mas não tem nada que você possa dizer que está empregando conceitos avançadíssimos de música ali.

      Na boa, se eu tivesse saco, eu não teria muita dificuldade pra transcrever No Boundaries, mas eu não transcreveria com muita facilidade polirritmias.

      Novamente não estou dizendo que é fácil, estou dizendo que é simples. Esses são dois conceitos bem diferentes.

      E na boa, a maioria dos estudantes de faculdade de música que conheço, conseguiria tocar No Boundaries em uma ou duas tardes, nem todos no mesmo andamento que o MAB toca, mas tocaria iguazinho ao que está na partitura.

      A mecânica classica do Newton é complicada, o cara praticamente teve que escrever alguns re-escapitulos da matemática pra fazer aquilo acontecer, mas no fim o resultado não é nada complicado, tanto que hoje em dia é coisa que está ao menos em parte na capacidade de um aluno de segundo grau, entender. Já a relatividade do Einstein é simples, mas dificilmente alguém fora da universidade de física ou matemática vai ter facilidade de entender o que ela tenta explicar.

      É essa a diferença que eu estou tentando mostrar aqui, uma coisa pode ser básica, como são vários dos conceitos de mecânica e dinâmica clássicas, mas ainda assim exigirem muito esforço para serem executados. Outras coisas podem parecer muito simples, como a Relatividade Geral, mas exigirem um entendimento muito profundo pra você conseguir executar, mesmo que o resultado seja tão simples como E=mC^2.

      rasjr1305
      Veterano
      # abr/12
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      nichendrix

      E na boa, a maioria dos estudantes de faculdade de música que conheço, conseguiria tocar No Boundaries em uma ou duas tardes, nem todos no mesmo andamento que o MAB toca, mas tocaria iguazinho ao que está na partitura.

      Infelizmente, nao. Realmente gostaria que fosse verdade, assim o brasil teria mais musicos bons... 1 mes para sair engasgando isso se voce pegar o metido a "virtuoso"...

      Mas entendo seu ponto vista, entendo o tipo de musica que voce escuta. Mas estamos presos ao nosso corpo, a dificuldade motora, as horas de treinamento necessarias para tocar a No Boundaries a colocam em alto nivel.

      nichendrix
      Veterano
      # abr/12 · Editado por: nichendrix
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      rasjr1305
      Mas entendo seu ponto vista, entendo o tipo de musica que voce escuta. Mas estamos presos ao nosso corpo, a dificuldade motora, as horas de treinamento necessarias para tocar a No Boundaries a colocam em alto nivel.

      Cara, tu não faz nem idéia do que eu ouço, na boa, se vacilar eu ouço mais metal que tu.

      Novamente eu não estou dizendo que tocar na velocidade que o MAB toca é fácil. Só que numa partitura isso é irrelevante, uma vez que tu faz a transcrição tu pode escolher um andamento arbitrário pra tocar ela. Pode ser 180 bpm, pode ser 60, a transcrição não muda.

      Por isso digo, a maioria dos alunos de universidade tocaria uma transcrição do MAB sem muita dificuldade, nem todos tocariam no mesmo andamento, mas isso não muda o fato de que se pega a transcrição e toca igual ao que está escrito, sem tirar e nem por, mesmo que o andamento esteja abaixo ou mesmo acima.

      Volto ao violino, qualquer violinista a nível de concerto toca os 24 Caprichos do Paganini, que é um dos queridinhos dos guitarristas mega-rápidos de metal neo-classico. Se tu pegar quantos tocam os 24 Caprichos a 180-210bpm, esse número cai bastante. Só que não se analisa se um instrumentista erudito é de alto nível ou não pela velocidade que ele toca e sim se ele consegue pegar uma peça e consegue executar ela do jeito que está escrito e se a interpretação é condizente com a intenção da peça. A velocidade é mais um plus muito interessante do que um item essencial.

      Mas estamos presos ao nosso corpo, a dificuldade motora, as horas de treinamento necessarias para tocar a No Boundaries a colocam em alto nivel.

      Enfim, é por isso que eu (e qualquer livro de teoria musical) vamos morrer dizendo que tocar poliritmia é mais difícil que tocar rápido, pra fazer isso não se trabalha só com horas pra treinar o corpo para executar, mas de também ter que romper limitações da mente e dos sentidos, você vai ter que reaprender a ouvir e a pensar de forma que processe dois ritmos simultaneamente não apenas um.

      EDIT:

      A ultima que dou sobre o tema polirritmias, polímetros e metal e MAB.

      Esses conceitos são usados em menor extensão em praticamente todo tipo de música, no metal é relativamente comum em riff de progressive metal e extreme ou experimental metal. Rush, Meshuggah, Steve Vai, Steve Morse Band, Drean Theater, Dr. Sin, são só algumas bandas que constantemente usam esse tipo de técnica nas suas músicas, embora eles tendam a usar isso pra fazer riffs, e em menor grau para solos.

      Embora eu tenha usado o Chimbinha pra mostrar essa capacidade de usar divisões ritmicas complexas para incrementar melodias simples. Falei isso por ser algo feito de uma forma que realmente faz parecer muito simples a primeira vista, mas sabendo que ele está tocando em compasso 4/4 é um desafio conseguir fazer a contagem da divisão rítmica desses solos dele.

      Um dos motivos pela qual ele faz parecer tão fácil e que não é algo que precisa de uma precisão de palhetada bastante desafiadora é o fato de que ele faz isso numa forma que é muito comum na música da região norte e que também é muito comum na música nordestina e na música de violas da região do Mato Grosso do Sul.

      Se você pegar ritmos aparentemente simples, como o baião, que a formação tradicional só tem sanfona, zabumba e triangulo, tu vai ver que a Sanfona em geral toca em 4/4 ou 3/4, o Zabumba em geral toca variações de 5/8 e 7/8, e o triangulo de 6/8 e 12/8.

      É muito raro tu ver os 3 instrumentos tocando na mesma divisão rítmica, tu tem que ouvir 2 ou 3 ritmos diferentes e tocar em outro, faz parte desse tipo de música a capacidade de ouvir mais de uma contagem de tempo e tocar em uma variação dessas contagens ou mesmo numa divisão totalmente diferente.

      Casar essas métricas diferentes exige um senso de ritmo que já passou há muito tempo da capacidade de marcar precisamente semi-colcheias e sextinas num compasso 4/4, isso já é o pré-requisito.

      Isso não tem nada a ver com velocidade, mas com a precisão rítmica que você obtém na palheta. Quem é preciso, vai ser preciso a 40bpm ou a 300bpm. A velocidade em que vai usar essa precisão ritmica só depende da quantidade de tempo que se dedica à exercícios de coordenação motora, que raramente exigem algum tipo de pensamento complexo. Ao contrário da capacidade de contar as divisões de um compasso ao mesmo tempo que acompanha uma divisão rítmica ou compasso diferente.

      g.wilhelms
      Veterano
      # abr/12 · Editado por: g.wilhelms
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      Mas entendo seu ponto vista, entendo o tipo de musica que voce escuta. Mas estamos presos ao nosso corpo, a dificuldade motora, as horas de treinamento necessarias para tocar a No Boundaries a colocam em alto nivel


      Se você estiver falando de alto nível de dificuldade, até faz sentido, embora existam coisas na música, que são muito mais complexas do que tocar rápido, como você improvisar numa harmonia de bossa-nova, com dois ou mais acordes por compasso, ou você fazer algo polirritímico, como o nichendrix falou. Agora se você fala em alto nível, se referindo a qualidade musical, então eu discordo em número, grau e gênero. A dificuldade motora não quer dizer nada, se for ela por ela mesma, ela pode até ser um meio, mas nunca um fim.

      Bog
      Veterano
      # abr/12
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      nichendrix
      rasjr1305

      Eu acho que vocês estão comparando maçãs com laranjas. O rasjr1305 talvez esteja confundindo "simples", "básico" com "fácil". O que leva a uma discussão mais profunda sobre o que vem a ser técnica. É a habilidade mecânica de repetir padrões "básicos" (que não é o mesmo que "fácil") em alta velocidade? É tocar - mesmo que não tão rápido - coisas que dão nó no cérebro? Ou é compor essas coisas?

      g.wilhelms
      Veterano
      # abr/12 · Editado por: g.wilhelms
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      O que leva a uma discussão mais profunda sobre o que vem a ser técnica. É a habilidade mecânica de repetir padrões "básicos" (que não é o mesmo que "fácil") em alta velocidade? É tocar - mesmo que não tão rápido - coisas que dão nó no cérebro? Ou é compor essas coisas?

      O nichendrix deu uma definição muitoa boa de técnica, num post anterior (página 6). Na verdade não é algo tão difícil de ser definido, o que ocorre é que o termo foi deturpado. Acho que todo guitarrista já ouviu alguém dizer que caras como David Gilmour, Jeff Beck, Mark Knopfler não tem muita técnica mas que compensam por terem sentimento, o que é um grande absurdo é claro. Jeff Beck é um dos guitarristas mais técnicos que eu já escutei. Passaram a acreditar que técnica é sinônimo de dificuldade e que dificuldade é sinônimo de velocidade, e as duas coisas estão erradas. Na música existem coisas muito mais complexas do que tocar rápido... Ouçam Frank Zappa, o cara nunca fez solos velozes como o seu pupilo Steve Vai, mas analisem a estrutura e complexidade de sua obra, se ele não foi o que chamam de um "guitarrista virtuoso", foi um "músico virtuoso". Sua música é muito mais complexa do que a do MAB por exemplo, e isto é uma afirmação.

      MMI
      Veterano
      # abr/12
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      Bog

      De fato, boa parte do que é brilhante chega a ser simples até, por exemplo o E=m.Cˆ2 do Einstein que o Nic citou. Para passar para o campo musical, eu acho "Wish you were here" do Pink Floyd uma música que se encaixa nesse parâmetro de simples e brilhante. Só que cantar e tocar começa a complicar, tocar junto com os scats que o Gilmour complica mais ainda.

      É a habilidade mecânica de repetir padrões "básicos" (que não é o mesmo que "fácil") em alta velocidade? É tocar - mesmo que não tão rápido - coisas que dão nó no cérebro? Ou é compor essas coisas?


      Aí você complicou. Posso dizer de coisas que me impressionam e considero bastante técnicas, mas definir... Como falei agora, tocar bem e cantar eu acho complicado, é para poucos. Mais ainda ainda no meio da música enfiar uns scats, aquilo precisa de uma boa afinação, me impressiona quem consegue isso, como o Gilmour ou o Pizzarelli, talvez pela minha incompetência na voz também.

      Por exemplo, já vi o MAB discutido aqui, ao vivo. Para mim aquilo é uma apresentação circense, pode ser tudo, mas não é música. Mas é incrível como o cara toca aquela enxurrrada de notas, corre o braço da guitarra, depois vira a guitarra e faz a mesma coisa com a mão esquerda. Muita técnica.

      Já vi o Tony MacAlpine. Incrível como ele toca rápido aquela guitarra, depois senta no teclado e toca a mesma coisa tão bem quanto. Muita técnica.

      Já fui num show do Malmsteen. Escalas, escalas, escalas. Posso enumerar vários... Todos são técnicos, mas deixam um pouco de lado a questão musical, parecem que querem impressionar pela técnica e velocidade, talvez precisão também, mas passar um sentimento, emocionar através da música... E isso não é gosto apenas, mas é um terreno fértil para discussões de fãs acalorados, mas não tiro valor e não digo que é fácil aquilo.

      A polirritmia que o Chimbinha mostra naquele video eu acho bastante complicado. É difícil aquilo! Então a questão de dominar o quesito "ritmo" também é difícil. Tocar bem bases funkeadas também não acho extremamente simples não, assim como dominar bossa, samba, choro, baião.

      Quanto a dominar harmonia... Me impressiona quem manda um chord melody bem feito, especialmente de improviso. Conheço vários caras que me espantam na questão harmônica. Um deles, foi dono de um bar de karaokê ao vivo e tocava. O cliente subia no palco e pedia para cantar uma música para a banda, seja lá qual fosse. Pediam de tudo, de popzinho de 2 acordes até samba e bossa nova enroscadas e na hora tinha que transpor para o tom da voz do cidadão. Isso para mim soa como quase mágica, pegar um "Desafinado", por exemplo, com mais de 20 acordes (os caras tocavam com uns 50) e na hora transpor para qualquer tom, muitas vezes até re-harmonizando, tudo de bate-pronto, sem ensaio. Esse cara tem a harmonia tão incosciente que ele conta que certa vez um figurão famoso da música subiu no palco dele de sopetão, começou a cantar "à capela" (sem avisar o que era ou que tom seria) e logo fez sinal para a banda entrar. Ele começou a tocar no mesmo instante, o baixista encostou para perguntar que tom era, mas ele mesmo nem sabia que tom estava tocando (ouviu um sonoro "não sei"), mas estava correto e acompanhando num chord melody. O baixista soltou um "FDP", fez um glisando bem rápido, localizou o tom e entrou na música. Isso eu chamo de dominar harmonia fodasticamente.

      Por isso que eu não me impressiono com quem só toca rápido. Tem mais coisas além da velocidade. Compor já é outra praia, ainda diferente disso tudo.

      vintagentleman
      Veterano
      # abr/12
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      Também sou fã de caras como o Gilmour e o Knopler que dominam totalmente os fundamentos da guitarra e obviamente bases e solos. Mas falar desses dois caras ou do Malmsteen (fritador sem coração) é clichê total.
      Recomendo dois grandes guitarristas, completos e originais, que empolgam no ritmo ou com fraseados muito harmônicos, o Julian Coriel (de Berklee e que já tocou com a cantora folk Aimee Mann) e o Ross Godfrey da Morcheeba. Gênios totais que sabem tudo de guitarra e que não tiveram o devido reconhecimento popular, isso porque a crítica já os percebeu há tempos.
      Procurem por vídeos dos dois no YouTube.
      Como estudante de guitarra ainda iniciante, com cerca de um ano e meio de "peleja", comecei com as bases de rocks clássicos, na média músicas de quatro a sete acordes, e venho tentando melhorar as interpretações com dedilhados, ainda um pouco "embolados". Solos só saem os básicos de algumas músicas do Cult ou Kiss, por exemplo. Acho que esse é o caminho natural. Não gostaria de ser um guitarrista que só faz base ou solo. Acho que é preciso dominar o instrumento, no plano ideal. Espero chegar lá um dia, através de estudos.
      Acho muito chatos em geral os guitarristas super rápidos, porque a boa música, na minha opinião tem cadência e nuances que devem ser digeridas pelo cérebro da mesma forma que uma boa refeição, como um prato muito especial que deve ser curtido sem pressa. Curto harmônicos, dissonâncias... tudo o que é prejudicado pela fritação. Mas respeito muito o ritmo de um Jorge Benjor que consegue fazer música praticamente sozinho, ele e a guitarra, sem ser enfadonho. A maioria dos guitarristas, sem banda, não faz nada que possa ser curtido por mais de cinco minutos.

      g.wilhelms
      Veterano
      # abr/12
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      Malmsteen (fritador sem coração)

      Se o Urubu ler isso...

      Drive30
      Veterano
      # abr/12
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      na boa , acho no boundaries chato pra cacete, e olha que eu curto shred. Pra mim é um amontoado de licks jogados, falta criatividade.

      rasjr1305

      voce deve ter o MAB como referencia, se você tá falando em velocidade procura sobre um cara chamado Shawn Lane, o MAB é feelento perto dele.

      Alan_Domingues
      Veterano
      # abr/12
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      rasjr1305

      Já que você curte tanto MAB.

      http://www.acidplanet.com/artist.asp?songs=576569&T=9598

      Escutei meu No Boundaries de 10 anos atrás.

      Abraços

      Its Fucking Boring To Death
      Veterano
      # abr/12
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      Se você não tolera que alguém critique um artista que você gosta

      intolerante é quem marcou meu post como inapropriado.

      Curly
      só pra botar mais fogo na discussão, MAB mandando um jazz, hehe...

      po, mas isso não é jazz. Soa como um smooth jazz pra mim. Mandou bem. Mostra que ele conhece essa linguagem. Ao contrário de muita gente por aí. Claro, ele não tem a desenvoltura de um George Benson, mas a questão não é essa.

      Outro video que exemplifica melhor oq eu quero dizer:


      g.wilhelms
      Veterano
      # abr/12
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      intolerante é quem marcou meu post como inapropriado.

      Só a título de curiosidade, fui em quem denunciou seu post, e recebi um email do cifraclub, dizendo que os "moderadores haviam avaliado a minha denúncia, e que ela tinha fundamento, por tanto iriam tomar providências", e tomaram. Não é a primeira vez que você responde um post meu com arrogância e antipatia, você já fez isso em outro tópico, foi por isso que te denunciei, e denunciarei de novo, se você voltar a fazer esse tipo de coisa, as regras do fórum existem para serem respeitadas.
      A propósito, não desvirtue o significado da palavra intolerante na minha frase, a seu favor. Você citou o MAB, e eu respondi o que achava dele, e em nenhum momento fui arrogante contigo na minha resposta, mas você foi ao me responder, subestimando meus conhecimentos musicais.

      LeandroP
      Moderador
      # abr/12
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      nichendrix
      http://forum.cifraclub.com.br/forum/3/250216/p5#8239515

      Falou tudo!!!

      Piro nessas coisas:


      http://www.youtube.com/watch?v=1HIGCUMEJcg


      http://www.youtube.com/watch?v=0WKjU3fwPoE

      Acabei encontrando isso por causa do Gil. A guitarra das músicas do Gilberto Gil é fantástica. Tem um pessoal que tira um sarro dele, mas o cara é um gênio.

      LeandroP
      Moderador
      # abr/12
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      Gilberto Gil - Sandra (disco Refavela - 1977)


      http://www.youtube.com/watch?v=HhgSSPZ6Lh0

      Perfeita! Sem contar a letra que é muito doida, mesmo! As mulheres são as enfermeiras que cuidaram dele quando ele foi preso num hospício, por porte de maria-joana, outra mulher que fez parte da vida do Gil. A história é mais ou menos assim.

      Sandra era a esposa do Gil, a mesma Sandra da música Drão, que também é outra música maravilhosa.

      ZoSo.
      Veterano
      # abr/12
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      Eu conheço um cara que sabe fazer os 2 mt bem, tanto solo quanto parte ritmica, ele se chama John Frusciante.

      MMI
      Veterano
      # abr/12
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      LeandroP

      Gil é um monstro, gênio.

      renatocaster
      Moderador
      # abr/12 · Editado por: renatocaster
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      MMI
      LeandroP

      Também gosto muito do Gil. Ele é muito musical e muito criativo, cada música dele tem uma surpresa diferente. Curto demais!

      Abs

      MMI
      Veterano
      # abr/12 · Editado por: MMI
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      renatocaster

      Andei mexendo para fazer uma versão dessa aqui que gosto muito, acho uma baita letra e harmona certa (você sabe que a minha versão não tem nada a ver com a harmona dele, né? kkkk).





      Edit: o mestre diz que o negócio é pegar mulher, seja fazer música para pegar mulher e pegar mulher para fazer música!!!

      LeandroP
      Moderador
      # abr/12
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      renatocaster
      cada música dele tem uma supresa diferente.

      Então se liga no que ele fala aos 4:35min
      http://www.youtube.com/watch?v=sRPYV6vLKdM

      Você escuta a música e nem nota a mensagem subliminar. O lance não é a frase em sim, mas a forma como ele "embutiu" isso na música.

      nichendrix
      Veterano
      # abr/12
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      LeandroP
      Acabei encontrando isso por causa do Gil. A guitarra das músicas do Gilberto Gil é fantástica. Tem um pessoal que tira um sarro dele, mas o cara é um gênio.

      Engraçado que eu descobri isso de uma forma inusitada, um dia comprei um método americano e na parte avançada de ritmos o cara não só fez uma referência a ele, como fez um resumo da vida e obra dele. Só aí que parei pra ver com mais atenção, porque pra mim o que ele fazia parecia tudo tão normal na época.

      LeandroP
      Moderador
      # abr/12
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      nichendrix

      Aí que está. A genialidade está em fazer parecer simples.

      MMI
      Veterano
      # abr/12
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      nichendrix

      Não só as guitarras. Tem muita coisa que chama atenção nas músicas dele, como o baixo do Arthur Maia, alguns violões que o Calasans já tocou com ele (toca muito, conheci o cara), uns arranjos do Morelembaum... E umas letras que impressionam

      LeandroP
      Moderador
      # abr/12
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      "Até que nem tanto esotérico assim. Se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais" [Gilberto Gil]

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