Até que ponto "limpar" os efeitos para gravar?

    Autor Mensagem
    Zwipek
    Membro Novato
    # 16/dez/20 17:30 · Editado por: Zwipek


    Olá pessoal do CifraClub.

    Estive pesquisando várias questões de produção musical. Li um tópico fixo aqui mesmo do fórum que reunia informações sobre pré-produção. Além de ser uma leitura interessante, me despertou a atenção para algumas coisas.

    Até que ponto devemos gravar as guitarras de forma limpa e sem efeitos? Não tanto na questão de guitarras base. Até aí, tudo bem, não vejo problema em processar efeitos depois.

    Mas fiquei pensando como que poderemos atingir o timbre apropriado para as lead guitars, até mesmo por questões de tocabilidade. Algumas técnicas funcionam melhor com determinados tipos de efeitos.

    Ou seja, guitarra base não precisa de efeito para gravar, mas lead guitar é melhor timbrar e colocar os efeitos antes de registrar?

    Sinceramente ficou confuso isso.

    Segundo informações na internet todo mundo fala isso de tocar cru e colocar efeito depois e eu penso no cara plugando a guita num amp e gravando tudo pra colocar efeito depois.

    Está meio vago conectar esse tipo de informação com as timbreiras que temos o privilégio de acompanhar em discos clássicos de lendas da guitarra. Pode soar óbvio para alguns, mas para mim é o tipo de informação bem vaga.

    Surge a dúvida do quanto compromete a qualidade gravar com ou sem efeitos antes de registrar tudo em áudio. Que tipos de efeitos podem ser prejudiciais?

    Ou, por exemplo, o Tom Morello não colocava o efeito Whammy depois de gravar com a guita limpinha sem nada, editando depois da gravação. Tem efeitos indispensáveis para dar a sonoridade, não tem como gravar sem, sim ou não?

    makumbator
    Moderador
    # 16/dez/20 18:54
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    Zwipek


    Mas é perfeitamente possível juntar as duas coisas. Pode-se com uma DI separar o sinal da guitarra logo que sai do instrumento, e com isso mandar uma via para gravar tudo cru e outra ir para amps, efeitos e o que mais se desejar. Nesse caso, o músico inclusive grava ouvindo os efeitos (o que é benéfico para uma melhor atuação na execução).

    O sinal da DI depois pode ser enviado para amps (para se fazer o famoso reamp), testar caixas diferentes, usar efeitos de plugins ou de hardware à vontade...etc.

    Zwipek
    Membro Novato
    # 16/dez/20 19:19
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    Ou seja, não é proibido gravar sem efeitos, nem é considerado algo mal visto para os padrões de produção musica?

    Gostei da sua dica. Foi um insight precioso que certamente adotarei. ;)

    ejames
    Membro Novato
    # 16/dez/20 20:11
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    Zwipek
    Ou seja, não é proibido gravar sem efeitos

    Cara, não tem nada de "proibido". Nem nisso nem em qualquer outro aspecto de produção/gravação.

    Ningen
    Veterano
    # 16/dez/20 20:22 · Editado por: Ningen
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    Zwipek

    Cara, primeiro veja para onde você quer ir. Depois pense na melhor maneira de ir. Se é de carro, avião, jegue...

    Que som você quer tirar?

    entamoeba
    Membro Novato
    # 16/dez/20 20:23
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    Dá para simular o DI na própria DAW.

    Você coloca os efeitos na faixa e toca normalmente. O sinal gravado será o limpo, mas você escutará o retorno com efeito.

    Lelo Mig
    Membro
    # 17/dez/20 03:17 · Editado por: Lelo Mig
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    Zwipek

    Resumindo: muitas vezes, num efeito com Whammy, um Delay não só como efeito mas fazendo parte da canção (estilo U2), ou mesmo uma distorção, fica bastante complicado o músico gravar sem efeito, porque o efeito é fundamental para ele atingir seus objetivos. Mas, ao mesmo tempo, é legal ter a guitarra limpa (sinal virgem), para se adicionar efeitos à parte e/ou buscar novas possibilidades e experimentos. Principalmente antigamente quando se gravava analógico e não haviam possibilidade de mexer muito no que gravou.

    Para isso, se usava (usa) os DIs, como nosso amigo makumbator mencionou. Assim, você toca com efeito(s), facilitando a performance, e ao mesmo tempo preserva um sinal clean, puro.

    Filippo14
    Veterano
    # 17/dez/20 07:38
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    Cara, eu já gravei das duas formas e ambas funcionam muito bem. Cada caso é um caso e a experimentação é o que vale.

    Lembre-se somente que a forma como o computador gera os efeitos não é a mesma que no âmbito analógico/físico.

    Por exemplo, um Eq dentro de um computador, pela forma como ele faz o processo de equalização, ele sempre gera phase shifting, que na maioria das vezes não é prejudicial de forma estrutural, contudo, dependendo do caso, isso pode fuder com a fase do instrumento ou música. Dito isso, eu em geral prefiro gravar tudo equalizado o mais próximo do som que eu imagino.

    Atualmente eu tenho tentado gravar bem próximo mesmo, inclusive usando as distorções, delays, chorus e afins que eu gosto. Inclusive já coloquei depois delay em guitarra que já tinha um delay anterior e funcionou. Mas um tempo atrás eu gravava tudo seco e com menos distorção as vezes do que o necessário para não "ferrar".

    O lance do reamp é fantástico e dica. Pensem em reamp para pedais, isso para mim é o mais legal, uso direto pedal de guitarra em track de qualquer coisa. Pedal de guitarra tem muito som e muitas vezes soa mais interessante do que plugins muito bons. O lance é ter característica no teu som e usar coisas diferentes pode ajudar vc a chegar em sonoridades menos exploradas pelo mainstream de produção/mixagem.

    Abs,

    Zwipek
    Membro Novato
    # 17/dez/20 16:55 · Editado por: Zwipek
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    Pessoal, vocês são excelentes. Nem vejo necessidade de responder individualmente pois todos os posts agregaram valor. Acredito que a essência da coisa é realmente onde se quer chegar.

    A ideia do sinal virgem ali foi ótima, para um principiante em produção como sou foi algo revelador e que pode ajudar muito.

    Reitero aqui, uma vez mais, minha satisfação com suas respostas e a gentileza de todos que participaram.

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