A pegadinha do empreendedorismo

Autor Mensagem
Wanton
Veterano
# 19/jan/25 07:44 · Editado por: Wanton


Você quer consumir os produtos da livre iniciativa individual ou quer produtos industrializados, que demandam alta tecnologia? Quer produtos de baixa complexidade, improvisados por algum desesperado que não sabe o que fazer da vida, ou quer produtos complexos, desenvolvidos coletivamente, com base nas demandas reais de consumo? Quer bolo de pote ou chip de computador?

Todo mundo quer empreender, mas ninguém quer consumir a porcaria que o empreendedor vende. O produto do empreendedor não traz qualidade de vida, não traz soluções para problemas de saúde, não traz conforto material. Quem é o empreendedor na fila da cadeia produtiva?

Empreendedorismo é um sintoma da desindustrialização do País, da má alocação de recursos. Empreendedorismo é desperdício de energia e de vidas. Não precisamos de mais tatuadores, manicures, artesãs que fazem bonecas de crochê ou barraquinhas de churros gourmet. Não dá para trazer muito iPhone da China vendendo só soja e minério.

A porra do empreendedor fica chorando porque taxaram a Shopee, porque não se contenta em consumir a produção dos seus colegas empreendedores. O pior é que o verme jura que carrega o País nas costas! Que gera emprego! Que é o baluarte da economia, o modelo a ser seguido, o meritoso fodão, que só não é o próximo Zuckenberg porque o governo atrapalha a livre iniciativa.

Jonas Kahnwald
Membro Novato
# 19/jan/25 09:16
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Wanton
Você quer consumir os produtos da livre iniciativa individual ou quer produtos industrializados, que demandam alta tecnologia?

eu sou bem pão duro comigo msm, costumo procurar o melhor custo benefício, e as vezes o melhor custo com pouquíssimo benefício

Empreendedorismo é um sintoma da desindustrialização do País
Você acha que dá pra correr atrás do prejuízo? Tipo desenvolver a nossa marca de carro, melhorar a nossa marca de celular, criar o nosso sistema operacional, etc etc?

JJJ
Veterano
# 19/jan/25 10:50
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Wanton

Cara, a galera tem que correr atrás... Atualmente, o pessoal que tem esse lado "empreendedor" prefere arriscar e tentar faturar uma graninha melhor sem depender de patrão ou governo. É compreensível, porque as outras 2 opções não-ilegais para 95% do povo são trabalhar duro um mês inteiro pra ganhar um salário de bosta ou viver de bolsa família.

Tá foda...

Lelo Mig
Membro
# 19/jan/25 11:26 · Editado por: Lelo Mig
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Wanton

É preciso tomar algum cuidado para não cair em algumas armadilhas de Esquerda.

Existe uma categoria de pessoas, que têm sua casinha, seu carrinho... não precisa mais somente se preocupar em como vai comer amanhã. Muitos destes, querem prosperar um pouco mais. Essa gente quer empreender, não têm medo de trabalhar; ela teme é retroceder em sua condição. E o Estado brasileiro, não facilita para essa gente; pelo contrário, ele pune o pequeno empresário. As grandes empresas, os grande empresários, possuem lobby no congresso e um monte de vantagens e benefícios dados, inclusive pelos "governos de esquerda" do PT. No entanto o pequeno empresário, aquele que têm um salão de cabelo na periferia, por exemplo, e quer montar outro no bairro vizinho, tudo é muito caro, complicado.

No Brasil, fecha empresa toda hora, tudo é muito dificultado para quem quer empreender. E é aqui que entra a "armadilha de esquerda".

Existe uma quantidade enorme de pessoas, com muita energia, querendo crescer. E olhamos para elas e pensamos: "coitadinhas estão sendo enganadas, nunca vão conseguir". De fato, realmente, a estrutura do Estado Brasileiro é feita para massacrar estas pessoas. Mas em Países onde você não passa a vida devendo porque quebrou, onde os mecânismos são feitos para facilitar que essa massa de pequenas empresas cresça, se gera dinheiro com mais empregos e números expressivos do PIB.

Se existem pessoas dispostas e com energia para trabalhar 10, 12, 14 hs por dia, que querem ter outro estilo de vida, sem patrão, por sua conta, o Sistema, o Estado não deveria inibir isso.

Imagine o número de pessoas criativas dispostas a empreender, ter seus próprios negócios que estão sendo tratadas como "pessoas enganadas pelo capitalismo".

Eu vejo por outro lado. É por não ter essa grana, por não engrossar o P.I.B com o dinheiro que poderia vir desse setor, que o governo tenta toda hora meter taxas e mais taxas na comprinha da Shopee e acaba fudendo, ainda mais, o pobre.

E, inconscientemente também (não digo que é seu caso) o classe média, em sua boa casa, em seu bom bairro, no fundo, não quer ver pobre crescer, há uma certa inveja de que o pobre prospere, então se disfarça com "pobre sendo enganado", como se não houvesse pobre esperto suficiente para cuidar de si mesmo.

Sabe Wanton, um dos motivos de eu não ser marxista é a luta de classes, como se trabalhador fosse, em termos humanos, superior aos demais. Ela sempre me soou (em certo nível, e dada as devidas proporções), muito semelhante a supremacia racial.

Wanton
Veterano
# 19/jan/25 11:34 · Editado por: Wanton
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Jonas Kahnwald
Você acha que dá pra correr atrás do prejuízo? Tipo desenvolver a nossa marca de carro, melhorar a nossa marca de celular, criar o nosso sistema operacional, etc etc?

Não faço ideia. Talvez, devêssemos nos especializar em alguns setores. São escolhas estratégicas que dependem da interação com o resto do mundo. Mas a intenção do tópico não é tratar da economia do País, e sim do empreendedorismo como fenômeno cultural.

JJJ
Cara, a galera tem que correr atrás...

Dá para correr atrás sem desenvolver a autoestima de quem acha que sustenta o País. As pessoas têm embarcado em crenças muito burras após descobrir o empreendedorismo, se tornando alvos fáceis para o discurso liberal – e coisas piores.

Lelo Mig
No Brasil, fecha empresa toda hora, tudo é muito dificultado para quem quer empreender.

Na boa, acho que isso é mentira. Não acho que essa dificuldade seja impedimento, ela só serve para reforçar a desculpa daqueles que fracassariam de qualquer jeito.

comprinha da Shopee

Um país que não produz nada não deveria comprar na Shopee.

Lelo Mig
Membro
# 19/jan/25 11:40 · Editado por: Lelo Mig
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Wanton

"Na boa, acho que isso é mentira."

Não, não é.

"só serve para reforçar a desculpa daqueles que fracassariam de qualquer jeito."

É, amigo, aqui discordamos totalmente. Reforça o campo que escrevi posteriormente "pobre sendo enganado", ao final, complementando minha forma de pensar.

Wanton
Veterano
# 19/jan/25 11:50 · Editado por: Wanton
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Lelo Mig
É, amigo, aqui discordamos totalmente.

Você acha que há espaço para todas as empresas irem para frente, só não vão por culpa do governo?Se não é a burocracia que irá matá-las, será a concorrência. O espaço para as "empresas de empreendedor" está todo tomado. Falta gente ($$$) para consumir.

Estou chamando de "empresa de empreendedor" a empresa que presta serviço de baixa complexidade. Que tipo de serviço dessa natureza está faltando no País? Cita uns aí! Com todas as "dificuldades" impostas pelo governo, o mercado está saturado em todos os setores dessa economia da porcaria.

Wanton
Veterano
# 19/jan/25 11:52
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Uma das máximas da cultura do empreendedorismo é essa: o Brasil só não é rico porque o governo atrapalha. Suas variações são: o Brasil só não é rico porque político rouba; o Brasil só não é rico porque o povo vota mal; o Brasil só não é rico porque o povo é desonesto (ou coisa pior).

Lelo Mig
Membro
# 19/jan/25 12:07 · Editado por: Lelo Mig
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Wanton

Você esta colocando empreendedores de verdade e "empreendedorismo de necessidade", (aquele onde as pessoas abrem negócios devido à falta de empregos formais), no mesmo balaio, ou estou entendendo errado seu tópico. O pobre jogado a informalidade pela falta de emprego formal, em minha opinião não é empreendedor, ainda que ganhe mais dinheiro lavando vidro de automóvel no farol do que engrossando as taxas de emprego formal (empregos de merda) que o governo adora exibir.

Pequenas e microempresas (PMEs) no Brasil representam cerca de 99% do total de empresas no país e são responsáveis por 30% do PIB e empregam aproximadamente 55% da força de trabalho formal, segundo dados do SEBRAE.

Comparado à Alemanha, por exemplo, a taxa de empreendedorismo no Brasil é maior (30% da população contra 10% da população), mas a qualidade e os resultados desse empreendedorismo diferem. No Brasil é responsável por 30% do PIB e na Alemanha por 52% e lá empregam 60% da força de trabalho.

Não sei se estamos falando a mesma língua ou apenas divergimos nesse assunto.

megiddo
Membro
# 19/jan/25 12:26
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Lelo Mig
Pequenas e microempresas (PMEs) no Brasil representam cerca de 99% do total de empresas no país e são responsáveis por 30% do PIB e empregam aproximadamente 55% da força de trabalho formal, segundo dados do SEBRAE.

PME = Pequenas e Médias Empresas (e não Microempresas, como você colocou). Não é uma correção boba, porque enquanto uma microempresa fatura até 360 mil ao ano, o faturamento de uma empresa de médio porte vai de 4.8 a 300 milhões ao ano, respondendo em grande medida pelos números que você colocou em seguida.

Lelo Mig
Membro
# 19/jan/25 12:46 · Editado por: Lelo Mig
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megiddo

"(e não Microempresas, como você colocou)"

Você esta certo, de fato, faz muita diferença em termos numéricos ($). Eu confundi, as micros seriam qualquer tipo de empresa que fature menos e até 360 mil, bruto, anual.

Mas, partindo do pressuposto que um pobre não irá montar uma empresa pequena (10 à 100 mil de investimento em média) e ela virá em decorrência de um sucesso como micro, meu raciocínio, a princípio, pode continuar lógico. Me corrija se eu estiver equivocado, por favor.

Wanton
Veterano
# 19/jan/25 12:59
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Lelo Mig
Você esta colocando empreendedores de verdade e "empreendedorismo de necessidade", (aquele onde as pessoas abrem negócios devido à falta de empregos formais), no mesmo balaio

Na cultura, não há essa distinção. O cara que tem um pequeno comércio, com dois funcionários, acha que está na mesma categoria do Velho da Havan. Ele acha que banca os funcionários públicos e o bolsa família.

Não sei se estamos falando a mesma língua ou apenas divergimos nesse assunto.

Eu quero falar de cultura, a economia é um assunto secundário no tópico.

Comparado à Alemanha

Difícil fazer essa comparação usando números gerais. Meu ponto é que o empreendedorismo no Brasil não serve para suprir as necessidades de consumo do povo brasileiro, e também não serve para exportação. Há uma demanda reprimida de produtos da China, e só. É por isso que o povo está surtando com taxações. Não sei como é a cultura do empreendedorismo na Alemanha.

Lelo Mig
Membro
# 19/jan/25 13:25 · Editado por: Lelo Mig
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Wanton

Você acha que as grandes empresas suprem as necessidades de consumo do povo brasileiro? Elas empregam e pagam salários adequados? O que você chama de demanda reprimida de produtos da China não seria algo que as pessoas querem ter e não podem pagar o mesmo que você pode nos produtos "originais" que você consome?

O que sugere? Que o Estado continue privilegiando os grandes empresários, os lobbistas, que o BNDES continue dando dinheiro a crédito barato e sem compromissos aos grandes empresários e ficamos rezando para que eles deem empregos decentes ao populacho?

Eu sinceramente não entendi sua questão e nem como desconectar da economia. Não devemos incentivar o pobre a empreender porque ele é incapaz? Deixe isso com os "adultos"? É isso?

Obs: Note que só há interrogações... nitidamente não entendi bem o seu ponto.

Wanton
Veterano
# 19/jan/25 13:44
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Lelo Mig
Você acha que as grandes empresas suprem as necessidades de consumo do povo brasileiro?

As chinesas, sim.

Elas empregam e pagam salários adequados?

Não, em canto nenhum do mundo. Não é assim que o capitalismo funciona.

não podem pagar o mesmo que você pode nos produtos "originais" que você consome?

A provocação não foi nesse sentido. Produtos originais também são feitos na China.

Que o Estado continue privilegiando os grandes empresários, os lobbistas, que o BNDES continue dando dinheiro a crédito barato e sem compromissos aos grandes empresários e ficamos rezando para que eles deem empregos decentes ao populacho?

O Estado poderia ser mais chinês, dando crédito e mantendo o empresariado nas rédeas. Mas é delírio, né? Nosso povo não banca um Estado forte, prefere culpar os políticos, enfraquecendo nossa parca democracia. Não é comunista que gosta de Estado forte, é democrata.

Não devemos incentivar o pobre a empreender porque ele é incapaz?

Não é o pobre, é o indivíduo, é o livre mercado. A cultura do empreendedorismo empurra o pobre para se virar em um mercado saturado, tornando a luta pela sobrevivência uma questão moral, enquanto o rico tá de boas, investindo seu dinheiro no mercado financeiro.

A cultura do empreendedorismo afeta a percepção do indivíduo empreendedor. Qualquer ascensão social obtida é acompanhada de um sentimento de autorrealização desproporcional, próprio do individualismo em que estamos nos afundando. O cara tem uma pequena ascensão social, financia um Civic e acha que os impostos pagos, que deixaram o carro mais caro, são suficientes para bancar todo o funcionalismo público do País e todos os programas sociais. Ele sustenta o País!

Wanton
Veterano
# 19/jan/25 13:48
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Desse tipo!

Retirado de: 1/4 dos brasileiros trabalham para sustentar os outros 2/3

Jonas Kahnwald
Membro Novato
# 19/jan/25 13:56
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sei que isso é meio que um outro assunto, mas acredito que se os impostos no Brasil estivessem menos no consumo e mais na renda, ja se "resolveria" bem boa parte dos problemas...

mas do jeito que está, é bem facil entender pq aquele que está na parte debaixo da pirâmide começa a se sentir tão responsável por "carregar" o país, já que paga muito imposto mesmo ganhando muito pouco comparado aos peixes grandes, que como o Lelo falou, além de terem acesso a crédito muito mais barato, têm acesso a isenções e se aproveitam mais de elisão fiscal

Lelo Mig
Membro
# 19/jan/25 14:08 · Editado por: Lelo Mig
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Wanton

Acho que eu entendi seu ponto, de certa forma sua revolta e, em partes, compartilho com você. Mas minha questão é o que você sugere? Empurrar goela abaixo do pobre que ele esta sendo enganado e precisa arranjar um fuzil e se juntar a Internacional?

"Ele sustenta o País!"

É esse discurso que faz com que a Direita se comunique tão bem com boa parte da população, incluindo os pobres, na atualidade. Porque, mesmo não sendo verdade, ele explica muita coisa. Wanton existe uma população que não têm o que comer amanhã, para estes o Bolsa Família é muita coisa e vira voto pró. Existe uma população que têm o que comer, mas se fode prá equalizar as contas no final do mês. Este esta sendo cooptado de que o Bolsa Família é despesa e vira voto contra. Eu sei que é uma questão de narrativa, mas onde chegaremos, eu e você, esclarecidos, se o "pobre" caiu nessa e vota na direita?

Mano, você precisa ter alguma empatia com o pobre que quer prosperar. Precisa perder o preconceito de que pobre não deve deixar de ser pobre e ter ambições. É neste aspecto que a luta de classes me soa mal e parecido com alguma supremacia. Marx e Engels não eram da classe trabalhista mas acharam que deveriam dizer o que os trabalhadores deveriam fazer. Estamos fazendo o mesmo com o pobre.

Eu (o que não significa que estou certo) acho que a esquerda precisa entrar no governo e não fazer tudo que era contra antes de governar. Não se vê a aplicação e o resultado do discurso antes da posse, o povo não é tão otário.

A direita vai na favela de Ferrari e ensina que "se você trabalhar muito e merecer" você pode ter uma. A esquerda vai de Gol e ensina que "você nunca vai ter uma Ferrari". Se ambos são mentiras (ainda que a primeira mais que a segunda) qual mentira é melhor acreditar? Será que não é hora de a esquerda ir, também de Ferrari, e ensinar: "Sabem porque vocês não podem ter uma Ferrari?" (este exemplo das Ferraris acho que foi o Santinelli quem deu, mas exemplifica bem o que quero dizer).

Se seu post é só um desabafo, uma expressão de revolta, ok. Mas se é um propositivo a buscar soluções realizáveis a coisa muda um pouco de figura. Percebe onde quero chegar?

JJJ
Veterano
# 19/jan/25 17:38
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Wanton
Dá para correr atrás sem desenvolver a autoestima de quem acha que sustenta o País. As pessoas têm embarcado em crenças muito burras após descobrir o empreendedorismo, se tornando alvos fáceis para o discurso liberal – e coisas piores.

Sim, tem um pouco disso, mas acho (tirado do rabo, admito) que a maioria tá pouco se lixando pra esse discurso. Galera só quer um jeito de sobreviver.

Quanto ao assunto com o Lelo, sobre o governo atrapalhar... Em alguma medida, sim, atrapalha. Não é exatamente o "governo" e não especificamente este. É mais a burocracia mesmo. A quantidade de regulamentação estúpida; a superposição de papelada municipal, estadual e federal; a quantidade de impostos, etc.

O Lelo teve um negócio e eu também. Sabemos do que estamos falando. E não somos "alvos fáceis para o discurso liberal".

Só para ilustrar (já contei aqui, acho): na década de 90, quando eu tinha essa micro-empresa (que levou alguns meses pra abrir de forma "completa"), um dos sócios resolveu tentar a vida nos EUA. Como ele estava lá, pensou em abrir uma "filial" da empresa (com o mesmo nome, só pra gente tirar onda que tinha uma filial em NY...). Em um dia, o cara foi no cartório e a PJ passou a existir!

Acho que hoje a coisa está um pouco mais fácil, mas naquela época era foda. Ah, e sabe quem levava mais grana todo mês do que qualquer um dos sócios? Sim, o governo...

Eu não sei você, mas eu poderia chamar isso de "atrapalhar", sim...

Lelo Mig
Membro
# 19/jan/25 18:28 · Editado por: Lelo Mig
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JJJ

"O Lelo teve um negócio e eu também. Sabemos do que estamos falando. E não somos "alvos fáceis para o discurso liberal".

Quando tive lojas fui aconselhado por um amigo a "abrir tudo micro empresas" e foda-se. Eu quis fazer tudo certinho, dentro das regras da época, virei Ltda.

Me fodi! As regras mudavam toda hora, contador nenhum dava conta de manter as coisas nos "conformes", vira e mexe algo estava errado, e mesmo que não estivesse o fiscal achava um erro, porque é tanta burocracia feita para impossibilitar que você obtenha 100% de legalidade, que não têm jeito.

Quando fechei as lojas, sem exagero, foram TRÊS anos para conseguir fechar 100% e não deixar nenhum rabicho que pudesse me fuder no futuro. O custo do fechamento é alto, só não foi maior porque muita coisa eu mesmo fiz e não paguei contador (a parte prática, de ir em Prefeitura, Junta Comercial, Cartórios).

A grande maioria não "fecha direito" e quando fica velho têm problemas, multas e etc. de empresas de 20, 30 anos atrás.

E observação: Absolutamente NADA é as claras. Pedem X e Y, você faz, quando volta faltou Z, que ninguém avisou, você volta faz e faltou W. Uma fez após voltar 4 vezes na Caixa Econômica trazendo algo que faltou antes e recebendo nova "falta", tive um chilique e gritei e dei um murro na mesa do funcionário. Recebi voz de prisão por desacato à funcionário publico e cheguei a ser imobilizado pelo segurança do local. Só não fui preso, porque um outro gerente que me conhecia há anos, estava lá e aliviou a barra. (vantagem de morar em Cidade pequena).

JJJ
Veterano
# 19/jan/25 22:43 · Editado por: JJJ
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Lelo Mig
Quando fechei as lojas, sem exagero, foram TRÊS anos para conseguir fechar 100%

Pois é! Não é exagero, não! É muito foda fazer essas coisas aqui...

Nós nunca conseguimos fechar 100%! O contador disse que ia providenciar. Pagamos e deixamos na mão dele. Anos depois, viemos a saber que ele não tinha feito a porra direito. No meio tempo, o cara morreu... Ficou na mão do sócio gerente (eu era "só" sócio cotista), que acho que não conseguiu ir muito longe com o processo. A última vez que vi, faz tempo, a empresa estava com CNPJ desabilitado ou algum termo assim. Mas nunca deu nada; até porque não deixamos nenhuma ponta solta com banco, clientes, aluguel, impostos devidos, funcionários e tal. Ou seja: ninguém teria motivo pra nos acionar por qualquer coisa. Isso a gente fez direito. Só parte da burocracia é que ficou faltando.

É tanta empresa nessa situação e faz tanto tempo, que eu acho que acaba indo pra algum arquivo morto e ninguém olha essa merda.

Lucmac
Veterano
# 20/jan/25 01:35 · Editado por: Lucmac
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Wanton

Empreendedorismo é um sintoma da desindustrialização do País, da má alocação de recursos.

Não apenas um sintoma, mas também um elemento de manutenção, pois contribui para perpetuar a estrutura econômica atual, que prioriza setores de baixa complexidade e reduz a relevância da indústria de transformação.

É um fenômeno que capta volumosos recursos que poderiam ser alocados em setores industriais mais robustos e tecnologicamente avançados.

O problema é que a alternância de poder, dita democrática, interrompe progressos de fortalecimento da indústria nacional para enfiar uber, barbeiro e hamburgueria gourmet em todas as esquinas.

Lelo Mig
Membro
# 20/jan/25 02:45
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Lucmac

"interrompe progressos de fortalecimento da indústria nacional para enfiar uber, barbeiro e hamburgueria gourmet em todas as esquinas."

Acho que a visão de vocês do que leva a maioria das pessoas optarem por este tipo de "empreendimento" é bastante equivocada e me parece um tanto preconceituosa também... mas, enfim, já disse o que penso sobre o assunto.

Wanton
Veterano
# 20/jan/25 02:53
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Lelo Mig
parece um tanto preconceituosa também

Pode até ser equivocada, mas não é preconceituosa. Dia cheio, amanhã eu respondo melhor.

Lucmac
Veterano
# 20/jan/25 09:01
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Lelo Mig

Não quis atribuir responsabilidade às pessoas. Para deixar claro, considero que elas fazem escolhas lógicas dentro de um sistema premeditado.

Wild Bill Hickok
Membro Novato
# 20/jan/25 10:35
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JJJ
Lelo Mig

O empreendedores precisam de pessoas para passar a papelada, mas elas preferem prestar concurso público (menor risco)

Wanton
cultura

Existem atividades de maior ou menor risco na divisão social do trabalho. O risco no BR é bem alto, medido pela taxa de juros alta (a não ser que vc acredite na tese PTralha de sabotagem do BACEN)

Alguém vai ter que assumir a pic4

chinês

China de verdade (Taiwan) ou aquele país infestado de comunista?

Lucmac
dita democrática

Ainda bem que não é democrático. Infelizmente não é meritocrático.

Lelo Mig
Sabe Wanton, um dos motivos de eu não ser marxista é a luta de classes, como se trabalhador fosse, em termos humanos, superior aos demais. Ela sempre me soou (em certo nível, e dada as devidas proporções), muito semelhante a supremacia racial.

É identitarismo de merda mesmo. Minha identidade é mais importante que a sua e blablabla (nazismo, feminismo, etc)

Wild Bill Hickok
Membro Novato
# 20/jan/25 10:36
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Wanton e Lucmac são deuses que vieram esclarecer as pessoas, a vanguarda do proletáriado iluminada que vai trazer o reino dos céus na terra

Wanton
Veterano
# 20/jan/25 10:37
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Wild Bill Hickok

Some desse tópico, retardado!

Wild Bill Hickok
Membro Novato
# 20/jan/25 10:38
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Wanton

Chora mais

Wanton
Veterano
# 20/jan/25 11:16 · Editado por: Wanton
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Lelo Mig
Mas minha questão é o que você sugere? Empurrar goela abaixo do pobre que ele esta sendo enganado e precisa arranjar um fuzil e se juntar a Internacional?

Já pensei bastante sobre isso nos últimos tempos. As crenças verdadeiras estão longe de ser as mais funcionais. O indivíduo vive melhor acreditando em mentiras. Sei que sua menção ao comunismo foi retórica, mas acho oportuno mencionar que essa turma dá um show de incompetência estratégica. Os leitores de Marx tomam um cacete de qualquer publicitário ultrapassado da década de 60.

Existe uma população que têm o que comer, mas se fode prá equalizar as contas no final do mês. Este esta sendo cooptado de que o Bolsa Família é despesa e vira voto contra.

Pois é. Além disso, essa faixa da população não tem nenhuma disposição para tentar enxergar o mundo de outra forma. São pessoas presas às contingências do dia a dia. Vão levando, sem pensar muito. A massa alienada é o túmulo da democracia.

Mano, você precisa ter alguma empatia com o pobre que quer prosperar.

É o que eu sempre digo aqui: eu NUNCA responsabilizo as pessoas individualmente. Não acho que o indivíduo tenha poder para virar a chave da própria vida. Por isso proponho que a análise precisa ser do fenômeno cultural. Não me falta empatia com os fodidos, até porque também sou um fodido.

Não se vê a aplicação e o resultado do discurso antes da posse, o povo não é tão otário.

A linguagem da ação é mais poderosa do que a alienação. O governo teria poder para promover a democracia, mas, como você disse, não tem sido capaz de concretizar um projeto sólido que privilegie o interesse do povo. Na ausência de resultados práticos, prevalece o discurso retardado da direita, que é muito mais palatável para o cidadão simplório – independentemente da classe social a qual pertence. O sumido Pedro vive confortavelmente, tem um belo pé-de-meia, e é um puta dum simplório.

Se seu post é só um desabafo, uma expressão de revolta, ok. Mas se é um propositivo a buscar soluções realizáveis

Não é propositivo, é uma tentativa de descrever as contradições de um fenômeno cultural.

JJJ
É mais a burocracia mesmo. A quantidade de regulamentação estúpida; a superposição de papelada municipal, estadual e federal

Nem me fale! Passei o fim de semana lidando com burocracia.

Acho que hoje a coisa está um pouco mais fácil, mas naquela época era foda.

Mas quem queria dava um jeito, né? O empresário paga pouco e diz para o empregado: tem quem queira a tua vaga. Me apropriei da mesma lógica para acusar o empreendedor: acha difícil empreender no Brasil? Tem quem queira! Não há demanda suprimida para produtos nacionais. Todos os setores estão muito bem servidos.

Lelo Mig
JJJ
Nós nunca conseguimos fechar 100%!

Guardo a papelada de uma empresa da qual fui sócio até hoje. Ela fechou há 17 anos.

JJJ
Veterano
# 20/jan/25 14:33 · Editado por: JJJ
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Wanton
empresa da qual fui sócio

Olha só! O nosso querido amoeba também foi um porco capitalista um dia! kkkkkkkk

Wanton
acha difícil empreender no Brasil? Tem quem queira! Não há demanda suprimida para produtos nacionais. Todos os setores estão muito bem servidos.

Mas poderia ser bem mais fácil, mais ágil e tal. De novo: não sei como as coisas estão hoje; pode ser que tenha melhorado...

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