"Ninguém deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa", diz psicanalista

Autor Mensagem
Die Kunst der Fuge
Veterano
# jan/14 · Editado por: Die Kunst der Fuge


Você sente calafrios só de pensar que não tem domínio sobre a vida sexual do seu parceiro ou parceira? Segundo a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, acreditar que é possível controlar o desejo de alguém é apenas uma das mentiras do amor romântico.

"É comum alimentar a fantasia de que só controlando o outro há a garantia de não ser abandonado", afirma ela, que lançou recentemente "O Livro do amor" (Ed. Best Seller). Dividida em dois volumes ("Da Pré-História à Renascença" e "Do Iluminismo à Atualidade"), a obra traz a trajetória do amor e do sexo no Ocidente da Pré-História ao século 21 e exigiu cinco anos de pesquisas.

Regina, que é consultora do programa "Amor & Sexo", apresentado por Fernanda Lima na Rede Globo, acredita que, na segunda metade deste século, muita coisa ainda vai mudar: "Ter vários parceiros será visto como natural. Penso que não haverá modelos para as pessoas se enquadrarem", diz ela. Leia a entrevista concedida pela psicanalista ao UOL Comportamento.

UOL Comportamento: Na sua pesquisa para escrever "O Livro do Amor", o que você encontrou de mais bonito e de mais feio sobre o amor?

Regina Navarro Lins: Embora "O Livro do Amor" não trate do amor pela humanidade, e sim do amor que pode existir entre um homem e uma mulher, ou entre dois homens ou duas mulheres, a primeira manifestação de amor humano é muito interessante. Ela ocorreu há aproximadamente 50 mil anos, quando passaram a enterrar os mortos –coisa que não ocorria até então– e a ornamentar os túmulos com flores. O que encontrei de mais feio no amor foi a opressão da mulher e a repressão da sexualidade.

UOL Comportamento: Como você imagina a humanidade na segunda metade deste século?

Regina: Os modelos tradicionais de amor e sexo não estão dando mais respostas satisfatórias e isso abre um espaço para cada um escolher sua forma de viver. Quem quiser ficar 40 anos com uma única pessoa, fazendo sexo só com ela, tudo bem. Mas ter vários parceiros também será visto como natural. Penso que não haverá modelos para as pessoas se enquadrarem. Na segunda metade do século 21, provavelmente, as pessoas viverão o amor e o sexo bem melhor do que vivem hoje.

UOL Comportamento: Você fala sobre as mentiras do amor romântico. Quais são elas?

Regina: O amor é uma construção social; em cada época se apresenta de uma forma. O amor romântico, que só entrou no casamento a partir do século 20, e pelo qual a maioria de homens e mulheres do Ocidente tanto anseia, não é construído na relação com a pessoa real, que está ao lado, e sim com a que se inventa de acordo com as próprias necessidades.

Esse tipo de amor é calcado na idealização do outro e prega a fusão total entre os amantes, com a ideia de que os dois se transformarão num só. Contém a ideia de que os amados se completam, nada mais lhes faltando; que o amado é a única fonte de interesse do outro (é por isso que muitos abandonam os amigos quando começam a namorar); que cada um terá todas as suas necessidades satisfeitas pelo amado, que não é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, que quem ama não sente desejo sexual por mais ninguém.

A questão é que ele não se sustenta na convivência cotidiana, porque você é obrigado a enxergar o outro com aspectos que lhe desagradam. Não dá mais para manter a idealização. Aí surge o desencanto, o ressentimento e a mágoa.

UOL Comportamento: Por que você diz que o amor romântico está dando sinais de sair de cena?

Regina: A busca da individualidade caracteriza a época em que vivemos; nunca homens e mulheres se aventuraram com tanta coragem em busca de novas descobertas, só que, desta vez, para dentro de si mesmos. Cada um quer saber quais são suas possibilidades, desenvolver seu potencial.

O amor romântico propõe o oposto disso, pois prega a fusão de duas pessoas. Ele então começa a deixar de ser atraente. Ao sair de cena está levando sua principal característica: a exigência de exclusividade. Sem a ideia de encontrar alguém que te complete, abre-se um espaço para outros tipos de relacionamento, com a possibilidade de amar mais de uma pessoa de cada vez.

UOL Comportamento: E como fica o casamento?

Regina: É provável que o modelo de casamento que conhecemos seja radicalmente modificado. A cobrança de exclusividade sexual deve deixar de existir. Acredito que, daqui a algumas décadas, menos pessoas estarão dispostas a se fechar numa relação a dois e se tornará comum ter relações estáveis com várias pessoas ao mesmo tempo, escolhendo-as pelas afinidades. A ideia de que um parceiro único deva satisfazer todos os aspectos da vida pode vir a se tornar coisa do passado.

UOL Comportamento: Só de pensar na possibilidade de ter um relacionamento em que a monogamia não é uma regra, muitos casais têm calafrios. Por que?

Regina: Reprimir os verdadeiros desejos não significa eliminá-los. W.Reich [psicanalista austríaco] afirma que todos deveriam saber que o desejo sexual por outras pessoas constitui parte natural da pulsão sexual.

Pesquisando o que estudiosos do tema pensam sobre as motivações que levam a uma relação extraconjugal na nossa cultura, fiquei bastante surpresa. As mais diversas justificativas apontam sempre para problemas emocionais, insatisfação ou infelicidade na vida a dois. Não li em quase nenhum lugar o que me parece mais óbvio: embora haja insatisfação na maioria dos casamentos, as relações extraconjugais ocorrem principalmente porque as pessoas gostam de variar. As pessoas podem ter relações extraconjugais e, mesmo assim, ter um casamento satisfatório do ponto de vista afetivo e sexual.

A exclusividade sexual é a grande preocupação de homens e mulheres. Mas ninguém deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa. Homens e mulheres só deveriam se preocupar em responder a duas perguntas: Sinto-me amado(a)? Sinto-me desejado(a)? Se a resposta for "sim" para as duas, o que o outro faz quando não está comigo não me diz respeito. Sem dúvida as pessoas viveriam bem mais satisfeitas.

UOL Comportamento: Como as pessoas poderiam viver melhor no amor e no sexo?

Regina: Para haver chance de se viver a dois sem tantas limitações, homens e mulheres precisam efetuar grandes mudanças na maneira de pensar e de viver.

Acredito que para uma relação a dois valer a pena, alguns fatores são primordiais: total respeito ao outro e ao seu jeito de ser, suas ideias e suas escolhas; nenhuma possessividade ou manifestação de ciúme que possa limitar a vida do parceiro; poder ter amigos e programas em separado; nenhum controle da vida sexual do parceiro, mesmo porque é um assunto que só diz respeito à própria pessoa.

Poucos concordam com essas ideias, pois é comum se alimentar a fantasia de que só controlando o outro há a garantia de não ser abandonado. A questão é que não é tão simples. Para viver bem é preciso ter coragem.

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Dissertem.

Die Kunst der Fuge
Veterano
# jan/14 · Editado por: Die Kunst der Fuge
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Existe dignidade neste mundo?

/multi do Gourmet Erótico

brunohardrocker
Veterano
# jan/14
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Regina Navarro Lins

Parei aqui.

sallqantay
Veterano
# jan/14
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Na segunda metade do século 21, provavelmente, as pessoas viverão o amor e o sexo bem melhor do que vivem hoje.

não sei de onde esse pessoal tira tanto otimismo. Também não sei como eles conseguem derrubar as regras e cagar umas trocentas depois

alguns fatores são primordiais
só deveriam se preocupar
todos deveriam saber
A cobrança de exclusividade sexual deve deixar de existir

nego não para de legislar por um momento se quer, caga regra 24/7 e se acha o libertário. HAHAHA

Julia Hardy
Veterano
# jan/14 · Editado por: Julia Hardy
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"Ninguém deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa", diz a dama do lotação

brunohardrocker
Veterano
# jan/14
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Regina Navarro Lins

Lola

E L James

Antoine Roquentin
Membro
# jan/14
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ainda bem que não existem doenças sexualmente transmissíveis.

sallqantay
Veterano
# jan/14
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Antoine Roquentin

DST é uma construção social

renatocaster
Moderador
# jan/14
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Como já dizia os Tribalistas: "Não sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também"

brunohardrocker

E L James

= Mãe do Beiçola.

brunohardrocker
Veterano
# jan/14
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"Ninguém deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa"

Pseudonimum
Veterano
# jan/14
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Parece correto, mas mais prafrentex do que eu dou conta.

makumbator
Veterano
# jan/14
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Die Kunst der Fuge
Você sente calafrios só de pensar que não tem domínio sobre a vida sexual do seu parceiro ou parceira?

Tem sempre um maluco por aí que constrói uma masmorra secreta em casa e prende uma ou várias mulheres com o intuito de transformá-las em escrevas sexuais. Acho essa a única forma realmente garantida de se ter o controle absoluto do regime sexual da outra pessoa...

BJKGUITAR
Veterano
# jan/14
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Ele está certo, só não soube se expressar, mas relaxa, isso é mal dos psicanalistas. É igual vegan, enquanto o cara esta agindo de determinada forma para seu bem estar, tudo vai bem, a partir do momento que ele decide defender uma causa vira isso tudo ai...

fernando tecladista
Veterano
# jan/14 · Editado por: fernando tecladista
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"Ninguém deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa"

ai deixa de ser parceiro
deixa de ser parceiro(a) pra virar amiga(o) de trepação

como o terno "sócio" se você tem um empresa e seu sócio resolve trabalhar em outras e aparecer uma vez por mês pra dar um oi, entendo que o terno sócio não se encaixa mais nele

landlord
Veterano
# jan/14
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Cara, eu sou homem e devo agir como o esteriótipo manda... Não vou mais pensar nesse assunto.

A gente nasce, pelado, careca e sozinho... morre do mesmo jeito.
Achar que vai ter uma companhia pro resto da vida, não nesse mundo.

Black Fire
Gato OT 2011
# jan/14
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Ninguém deveria prestar atenção em psicanalista brasileiro, mas cá estamos.

landlord
Veterano
# jan/14
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Na boa, comecei a ler isso agora e me arrependi.

Pqp, qual o problema das pessoas... ninguém mais acredita no casal?

Sabe o que me parece, um monte de vadi@s e vadios querendo desculpas por serem promíscuos, mas não admitir que são tal coisa.
A mina hoje quer dar, sem parecer galinha... já que para o homem era normal (mas não certo).

Eu admiro a mina que fala que é vagaba e estufa o peito, essa não é hipócrita,

Pseudonimum
Veterano
# jan/14
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Ninguém deveria prestar atenção em psicanalista brasileiro, mas cá estamos.

A mulher é fraca, mas essa tendência é cada vez mais comum.

brunohardrocker
Veterano
# jan/14
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Pseudonimum

O que é mais comum não é o que poligamicos entendem como poliamor, mas sim o que monogamicos entendem como traição.

Pseudonimum
Veterano
# jan/14
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brunohardrocker

Só de você usar a palavra poliamor significa que tem ideia do que eu falei. 10 anos atrás, soaria uma aberração.

sallqantay
Veterano
# jan/14
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brunohardrocker
Pseudonimum
O que é mais comum não é o que poligamicos entendem como poliamor, mas sim o que monogamicos entendem como traição.

no final dá no mesmo, pessoas transando fora da relação. A opção é assumir isso ou continuar escondendo o que sempre ocorreu

brunohardrocker
Veterano
# jan/14
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Pseudonimum

Tendencia é o que meia duzia de estudantes apresentou numa manifestação e algum diretor de novela se solidarizou introduzindo o tema numa novela que ninguém lembra mais que foi ao ar?

A real é que já é dificil uma relação a 2, imagina uma a 3 ou mais.

Ou que uma a 2 irá fazer sentido se você envolve outras pessoas sexualmente. (Claro, com a gente é bom, ruim é quando é com a namorada /Mr Catra)

O que você vê disso que dá certo, na verdade é solteirice enrustida. Assume logo que é solteiro e se relaciona com solteiros que gostam de variar.

brunohardrocker
Veterano
# jan/14
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sallqantay
no final dá no mesmo,

Não, pois o processo envolve hipocrisia.

Tanto do monogâmico que se relaciona por fora, quando do poligamico que não admite que é solteiro.

Pseudonimum
Veterano
# jan/14
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brunohardrocker

O que você vê disso que dá certo, na verdade é solteirice enrustida.

Obrigado por me elucidar, sabendo mais daquilo que eu vejo do que eu mesmo.

brunohardrocker
Veterano
# jan/14
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Pseudonimum

Não sei você, mas o que eu vejo são casados que pegam as minas por fora sem a mulher saber.
Se você quer chamar isso de poliafetividade, então primeiro espere cair do céu esposas que fiquem sabendo disso e achem uma maravilha. E vice-versa.

Pseudonimum
Veterano
# jan/14
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brunohardrocker

Existe uma moral por trás do poliamor, não é um oba oba onde um sacaneia o outro gratuitamente. Qualquer tipo de traição é traição, se as partes de um relacionamento concordam que o relacionamento será monogâmico e há uma infidelidade, isso é traição. Uma relação poliamor demanda muito diálogo e abertura para que haja relação com outras pessoas, não é como se fosse uma desculpa pra putaria, como alguns babacas comentaram. Trair alguém que confiou em você, independentemente do tipo de relação, é uma putaria escrota.

brunohardrocker
Veterano
# jan/14
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Pseudonimum

Então, qual é a estatística que classifica essa coisa complexa que você descreveu (muito mais complexa que monogamia) como tendência, e não a tendência como a solteirice (ausencia de relacionamentos serios)?
Ou então a tendencia como relacionamentos monogamicos de curta duração?

sallqantay
Veterano
# jan/14 · Editado por: sallqantay
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brunohardrocker

cara, você daria um ótimo fiscal de foda.

coisa complexa que você descreveu (muito mais complexa que monogamia)

não é necessariamente mais complexa, a base é a mesma. Nao precisa de estatística nenhuma, ou provar alguma tendência A ou B. Foda-se o mundo, o que importa são as relações que você faz (e nelas você faz as regras)

eu realmente nem sei de onde você tirou esse papo de ''solteirice enrustida", na boa, parece que você quer reduzir a proposta aos seus termos para depois falsear ela

Insufferable Bear
Membro
# jan/14
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Ninguém deveria ligar para as opiniões do brunohardrocker, mas aqui estão pessoas espertas que não se deram conta disso. É a vida, e vida é dor.

brunohardrocker
Veterano
# jan/14
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sallqantay
cara, você daria um ótimo fiscal de foda.

Obrigado pelo "ótimo".
Mas você tá misturando as coisas aqui.

Nao precisa de estatística nenhuma, ou provar alguma tendência A ou B. Foda-se o mundo,

Leia o que o Pseudonimum afirmou para que eu questionasse isso.
Não sou eu que fiz a alegação de tendência.

eu realmente nem sei de onde você tirou esse papo de ''solteirice enrustida", na boa, parece que você quer reduzir a proposta aos seus termos para depois falsear ela

Não é óbvio?


Insufferable Bear

mimimi naum ligo pra tua opiniaum

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