Artigo fo NY Times sobre o uso de compressão na música atual (em inglês, sorry)

    Autor Mensagem
    dallman
    Membro Novato
    # 10/fev/19 17:16


    https://www.nytimes.com/2019/02/07/opinion/what-these-grammy-songs-tel l-us-about-the-loudness-wars.html

    Ismah
    Veterano
    # 11/fev/19 05:44
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    Interessante, me deu vontade de rever os materiais sobre psico-acústica.

    Porém, é de notar que a importância da mídia física comprada decaiu. O que pode mostrar um grande furo na teoria do cara aí...

    Casper
    Veterano
    # 12/fev/19 07:17
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    Artigo tendencioso e equivocado.

    O exemplo usado como de compressão exagerada
    foi o This Is America (2018) Childish Gambino, que tem
    uma dinâmica entre o pico e a média de 7.4 dB.

    Essa dinâmica é perfeitamente aceitável para a maioria
    dos ambientes contemporâneos onde se ouve música.
    Para ouvir em um carro (que eu acredito que é um local
    onde a maioria dos ouvintes do Childish Gambino ouve,
    com aquele subwoofer de 18") essa dinâmica é até
    exagerada.

    Esse parâmetro entre a média e o pico é até algo
    a ser considerado, mas outros aspectos podem enganar.

    This Is America não poderia ser mixado de outra forma.
    O alvo (ouvintes) desse gênero esperam por algo com
    essa estética sonora.

    Penso que isso:



    é um bom exemplo de parede sonora desisteressante,
    onde macrodinâmica e microdinâmica foram estupradas
    sem nenhum critério lógico.

    Os exemplos do artigo estão comparando
    bananas com laranjas.

    The Man Who Sold The World
    Veterano
    # 12/fev/19 10:56
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    dallman
    Acho engraçado que eles querem justificar os meios e deixam o fim de lado
    São épocas diferentes na mixagem? Sim, a estrutura de ganho analógica é muito diferente da digital, o 0db digital, representa aproximadamente -20db analógico, porém....
    AS MIDIAS QUE UTILIZAMOS HOJE SÃO DIFERENTES
    O vinil não suporta a mixagem que depois foi feita pros cds, o vinil tinha limitações nos graves e com volume tbm, depois veio o CD e quebrou essa barreira, porém hoje, os principais programas de streaming de música, limitam o loudness entre -14 e -16 LUFS, se deixar "mais alto" que isso, ele comprime e deixa a música menos competitiva
    Então os engenheiros estão seguindo esse novo padrão de loudness e consequentemente de dinâmica, que é bem melhor que dos CDs

    Ismah
    Veterano
    # 12/fev/19 11:59
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    Na verdade, é feita uma análise da faixa e TODAS as faixas passam a ter um valor RMS contínuo.
    Por limitações das mídia, não mais que 30 dB de dinâmica é o habitual. Aliás, esse é um dos assuntos que estou estudando no momento.

    Casper
    Veterano
    # 13/fev/19 21:07
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    Caro Ismah:

    Fale mais sobre seus estudos atuais.
    Esse assunto muito me interessa.

    Ismah
    Veterano
    # 14/fev/19 17:59
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    Não tenho nada muito conclusivo ainda... Mas enfim...
    Se estamos no domínio digital, onde não existe nada acima de zero - ou seja, headroom zero. Tão bem, como não existe nada abaixo de determinado ponto, que é determinado pelo bit deepth...
    Na fita (rolo) e no disco, os limites são determinados por outras coisas, mas também existem. Não foco nisso, porque praticamente não se lida com isso. O que cabe dizer é que a distorção da fita, que é usada como matriz para os discos também, é algo tão marcante que até hoje é referência para timbre analógico...

    Como sabido, quando mais baixa a frequência, maior o comprimento de onda (λ). E também, maior a amplitude necessária para um mesmo volume.
    Isso é um ponto importante, pois quanto maior λ, por mais amostras terei um valor alto, o que vai limitar o volume e a frequência em alguns casos. Na soma de picos, pode-se ter um transiente ainda que breve, mais alto do que a mídia, e dali nasce a necessidade de um limiter, de preferência que imite bem a fita, que veio primeiro.

    Trazendo isso para o mundo do show real, existe a questão de atenuação em função de distância. Não adianta eu querer um show altamente dinâmico, se meu sistema de som é incapaz de reproduzir os picos máximos, e sustentar um valor médio eficaz... E ouvinte da última fileira corre o risco de não ouvir essas nuances. Tão bem como um sinal muito baixo, pode nem chegar a ele, devido ao decaimento natural de 6dB a cada dobro da distância...
    Evidentemente, para espaços pequenos, não é tão influente como para grandes locais, mas já dá uma noção da complexidade que é fazer um Rock in Rio da vida. E também, da importância da posição da mix house.

    Para sinais inconstantes, cabe a compressão controlando os picos, o que permite elevar o sinal médio a um nível aceitável. Ainda há a necessidade de dosar o quanto que o gate ou expander vão afetar o sinal...
    E para as nuances, cabe pesar o quanto de cada é necessário ou não, e como os controles de dinâmica vão atuar sobre vazamentos - falo mais abaixo.
    NOTE-SE que estou falando do emprego TÉCNICO de periféricos, e não do emprego artístico.

    O maior fator aqui, é que fica difícil dimensionar um sistema para violão e voz. Veja bem, uma guitarra com 100 W já produz um som ensurdecedor, e a compressão, que aumenta a constância do sinal, é um fator muito influente. Se processar direitinho, tranquilamente 100 W dá e sobra pra violão e voz. O problema fica por conta do "processar direitinho"...
    Outro ponto, é que as coisas podem sumir na mix...

    Ainda existe a relação de signal e noise (s/n, sinal/ruído). E cabe um adendo: ruído, não necessariamente é apenas ruído, mas pode ser interpretado como vazamentos também!
    Os diversos formatos de mídia, tem problema quanto a isso, por questões diversas.

    Alguns artigos

    http://www.realhd-audio.com/?p=6234
    https://www.presonus.com/learn/technical-articles/Sample-Rate-and-Bit- Depth
    https://advance.mb.ca/collections/what-is-high-resolution-audio-hra

    E um blog inteiro sobre

    https://israelsaepblog.wordpress.com/

    Casper
    Veterano
    # 15/fev/19 09:01
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    Caro Ismah:

    Vamulá.

    Um áudio digital de 16 bits tem 96 dB de faixa dinâmica.
    Um áudio digital de 24 bits tem 144 dB de faixa dinâmica.
    Um vinil estado-da-arte tem 70dB de faixa dinâmica. (OBS 1)
    Um vinil de consumo tem 55dB de faixa dinâmica. (OBS 1)
    Gravação magnética estado-da-arte tem 90dB de faixa dinâmica.
    Gravação magnética de consumo tem 55dB de faixa dinâmica.

    OBS1) No vinil a faixa dinâmica depende da frequência,
    os valores acima são medidos na melhor faixa de frequência

    Um microfone dinâmico típico tem 125dB de faixa dinâmica.


    De cara temos duas conclusões imediatas:

    1) Áudio digital tem muito mais faixa dinâmica que áudio analógico.
    2) Mesmo áudio digital (de consumo) tem menos faixa dinâmica
    que um microfone.

    Prosseguindo.

    O ouvido humano médio tem uma faixa dinâmica
    de 70dB. Isso é mais que um vinil ou cassete, e
    menos que um CD. O áudio analógico de consumo
    não tinha capacidade de explorar toda a capacidade
    auditiva humana.

    Por outro lado, um excesso de faixa dinâmica (144dB)
    não é prático, porque os extremos disso são, em uma
    ponta sons inaudíveis, e na outra ponta danos permanentes.


    Por esses motivos que o compressor sempre
    foi e sempre será fundamental. Quem defende
    muita faixa dinâmica em música está equivocado.

    Ismah
    Veterano
    # 15/fev/19 17:11
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    Sim, basicamente isso. Dinâmica é uma ferramenta importante, mas como qualquer extremo, é um problema.
    E tu está considerando uma situação ideal, onde o sistema é capaz de amplificar com capacidade suficiente o sinal mais fraco e o transiente mais forte... Como disse, o decaimento acústico natural é impossível de contornar, dali que surge a questão de torre de delay e tudo mais...

    Isso também justifica o preço mais alto da primeira fila... hehehehe

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