Ed Motta "entre um show do Radiohead e do Belo, eu certamente vou no do Belo"

    Autor Mensagem
    Julia Hardy
    Veterano
    # dez/15


    O sujeito(assim como a música dele em muitos momentos)é chato e pretensioso. Mas, endosso isso aqui.

    "O funk carioca e o pagode ajudaram a destruir a música brasileira?

    Não acho que o funk carioca seja nocivo. Não toca na minha casa, mas é genuíno. Vem do povo, do cara da favela se expressando artisticamente com um microfone e uma bateria eletrônica. Só não acho digno o cara que nasceu num bairro nobre fazer isso. O sujeito cresceu no Itaim, com mamãe e papai, estudou no Sacre Coeur e vem com essa conversa que está se expressando com um microfone? Ah, cara, vai estudar música, carregar caixote! Já o pagode salva a música brasileira da mediocridade total. A primeira vez que vi o Exaltasamba me fez lembrar do Earth Wind & Fire, grupo de soul e funk americanos. Eu acho Belo bonzão, no nível de um cantor romântico de R&B. Ele tem qualidade musical, e não falo isso com aquele ar de deboche tipo "ai, gente, é divertido." Se eu tiver de escolher entre um show do Radiohead e do Belo, eu certamente vou no do Belo. Sei que vai ter música."

    Lelo Mig
    Membro
    # dez/15
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    Julia Hardy

    O Ed Motta costuma ter um jeitão de "dono da verdade" que me incomoda, por vezes. Mas não deixa de ser inteligente e fazer colocações pertinentes, por outra.

    Ed Motta à parte, temos preconceito com os pagodeiros em geral, como se todo mundo no ramo fosse Zé Mané, mas a coisa não é bem assim.

    Esse abaixo, por exemplo, como diria meu filho "manja dos paranauê":



    Calime
    Veterano
    # dez/15
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    De certa forma tbm concordo, mas não em sua totalidade. O que tem de músico bom nesse meio pagode...eu mesmo conheço um bass extremamente técnico que praticamente só toca em gigs de samba e pagode.

    Christhian
    Moderador
    Prêmio FCC 2007
    # dez/15 · Editado por: Christhian
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    Julia Hardy
    Concordo com algumas coisas.

    O maior problema do Ed Motta é que ele não conecta muito bem o que fala com a realidade dele mesmo. Ou tem o péssimo hábito de ser preconceituoso, algumas vezes, de maneira velada:

    Vem do povo, do cara da favela se expressando artisticamente com um microfone e uma bateria eletrônica. Só não acho digno o cara que nasceu num bairro nobre fazer isso.

    O jazz e o blues que ele tanto reverencia também tem suas origens na pobreza afro-americana do século 19. Isso tira a legitimidade do Gershwin ou, mais recentemente, do Eric Clapton, por exemplo? E o que dizer de um brasileiro tocando blues e jazz, seguindo essa linha de raciocínio?

    Em outra perspectiva, ele pode apenas estar querendo se classificar como alguém 'refinado', afinal "na minha casa isso não toca", mas "acho digno dos pobres".

    Coisas de Ed Motta...

    MMI
    Veterano
    # dez/15
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    Julia Hardy

    Vou resumir da seguinte forma... Mesmo sem ser fã do cara, reconheço que ele de boca fechada é um artista. Tem o tal do Tico também, outro que quer aparecer pagando de intelectual.

    cafe_com_leite
    Veterano
    # dez/15
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    Que absurdo!


    Bom, sério, sempre achei bonito o timbre do Belo, foda que essas músicas românticas são extremamente repetitivas.

    Ismah
    Veterano
    # dez/15
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    Lelo Mig

    Pra quem é do áudio é tiro certo... Fazer show de pagode alguma merda vai dar.

    Casper
    Veterano
    # dez/15
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    "Entre um show Belo e uma eutanásia, eu certamente vou na segunda opção."

    Véio Casper

    entamoeba
    Membro Novato
    # dez/15 · Editado por: entamoeba
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    Até que o Ed Motta tem razão quanto ao funk. Só que tem um porém...

    Você deixaria crianças entre 10 e 12 anos produzir conteúdo para elas mesmas, sem a supervisão de adultos? Num primeiro momento, pode parecer uma ideia bonitinha, mas com o tempo coisas temerosas deverão surgir (vide bullying e afins). A inserção na sociedade dá-se pela transmissão das experiências selecionadas ao longo de gerações e um dos papeis da educação é coibir crenças e práticas notoriamente ruins.

    No ambiente que o funk surge, o hedonismo sobrepõe o controle pela cultura. O desenvolvimento intelectual de jovens adultos nas favelas talvez se equipare ao de crianças de 10 a 12 anos das áreas mais desenvolvidas (posso estar exagerando - mas é uma impressão advinda da história efeitual cujo um dos indícios é o próprio funk). Eles têm a valorosa vivência da vida dura, mas falta instrumentalização para organizar isso intelectualmente. O mesmo não ocorre na cultura do RAP, que tem um grau louvável de consciência.

    Grosso modo, o funk reforça a alienação enquanto o rap a ameniza.

    entamoeba
    Membro Novato
    # dez/15
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    Casper
    "Entre um show Belo e uma eutanásia, eu certamente vou na segunda opção."

    Não fui forçado a conhecer o som do Belo, portanto, não sei do que se trata. Mas algo me diz que, se conhecesse, também preferiria a eutanásia!

    renatocaster
    Moderador
    # dez/15
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    Belo é um bom cantor...romântico. Não acho que ele tem aquela veia "pagoderística" que muitos outros tem. Mas é bom cantor sim, tem bom alcance vocal, tem técnica, o timbre é bacana. A comparação com o Radiohead é válida, visto que o carinha lá nem canta...só mia.

    Mas mito, mito mesmo, é o Rodriguinho dos Travessos, hahahaha!



    nichendrix
    Veterano
    # dez/15 · Editado por: nichendrix
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    Julia Hardy

    Eu sinceramente não concordo com quase nada disso não. Eu acho que funk carioca e pagode tem sim seus méritos, como qualquer outro estilo musical são expressões de uma realidade, de uma cultura e tem seu valor por isso. Eu já tive alguns meses tocando em banda de pagode e já ouvi um bocado de funk, mas lá trás quando a coisa era um bocado diferente do que é hoje. Não são nem de longe o que em geral eu gosto, mas blz, pra ser algo válido enquanto arte eu não preciso gostar.

    Todo o resto que o cara falou é só mais um episódio dele sendo idiota, como ele sempre foi e só faz sentido na cabeça duma pessoa perturbada como ele. Nessa eu estou com o Lelo Mig, o Christhian e o MMI.

    renatocaster
    Eu não sei banda de pagode pra cá, mas lá em cima, pra tocar em Banda de forró o minimo necessário pra entrar nas bandas boas é saber tudo do Steve Vai, do Satriani, do Metallica, do Megadeth, do Randy Rhoads e do Iron Maiden. Passagem de som de banda de forró boa em geral só rola metal.

    Julia Hardy
    Veterano
    # dez/15 · Editado por: Julia Hardy
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    Lelo Mig

    Dono da verdade é o que não falta por aqui. A diferença é que ele, pelo menos, entende do que está falando.

    Christhian

    Entendo o que você quer dizer. Só acho que não dá pra ser o que você não é.



    nichendrix

    Se você ficou revoltado com isso, nem queira ler a entrevista completa.

    Eu não sei banda de pagode pra cá, mas lá em cima, pra tocar em Banda de forró o minimo necessário pra entrar nas bandas boas é saber tudo do Steve Vai, do Satriani, do Metallica, do Megadeth, do Randy Rhoads e do Iron Maiden. Passagem de som de banda de forró boa em geral só rola metal.

    Isso me lembrou disto:



    nichendrix
    Veterano
    # dez/15
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    Julia Hardy

    Eu não fiquei revoltado não, como meu pai diz quem esquenta cabeça é palito de fósforo.

    Sobre metal e bandas de forró, existe uma diferença do mercado de Forró para o mercado de música que existe pra cá. Aqui as bandas tendem a ser grupos de pessoas que querem tocar juntas. Eventualmente o pessoal de sertanejo tem uns cantores que pagam músicos pra acompanhar.

    A maioria das bandas de forró não opera dessa forma, em geral existe o dono, que é ou um empresário ou um compositor (e empresário) que registra diversos nomes de bandas e diversas músicas, depois o cara vai atrás de músicos e cantores para compor essas bandas, muitas vezes sem ele nem mesmo aparecer. Se o cara vai atrás de músico profissional, uma hora ele vai bater na negada que toca ou hard rock e metal ou que toca jazz, que estão lá sendo pagos pra tocar o que o cara mandar.

    Nesse esquema não é incomum pro "dono" da banda ter 10-15 bandas de forró e também não é raro o cara ser dono da banda, do estúdio que grava e da gravadora que lança.

    Lelo Mig
    Membro
    # dez/15 · Editado por: Lelo Mig
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    Julia Hardy

    "Dono da verdade é o que não falta por aqui. A diferença é que ele, pelo menos, entende do que está falando."

    Julia, existe uma grande diferença entre colocar e defender uma opinião pessoal e/ou cagar regras. Têm muita gente aqui que defende suas colocações, o que é válido e aceitável, sem necessariamente desrespeitar a opinião dos demais.

    Quanto a "entender o que fala", também. Ed Motta é bom músico, tem bom conhecimento e um grande acervo musical para se embasar. Até aí, alguns aqui possuem igual, talvez até maior capacidade.

    Ser famoso, ter maior projeção é o grande diferencial, um mérito, mas que não justifica a ser um cagador de regras.

    MMI
    Veterano
    # dez/15
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    Lelo Mig

    Quanto a "entender o que fala", também. Ed Motta é bom músico, tem bom conhecimento e um grande acervo musical para se embasar. Até aí, alguns aqui possuem igual, talvez até maior capacidade.
    Ser famoso, ter maior projeção é o grande diferencial, um mérito, mas que não justifica a ser um cagador de regras.


    É isso...

    O problema é o seguinte. Existe uma necessidade de estar na mídia, de chamar a atenção, de não ser esquecido. De certa forma o sucesso de um músico hoje não é medido pela conta bancária somente, os caras querem cliques, seguidores no Twitter, Facebook, Instagram, curtidas, page views. E de certa forma acaba tendo uma legião de gente atrás, querendo saber de tudo do cara, inclusive os acertos e erros. Nisso o cara que é músico, se destaca pela sua música (sem entrar no mérito de gosto ou se é música boa ou não), descobre que vira assunto da semana se grava um vídeo mandando o público se f#### se não entender inglês, porque não vai falar português nos shows - melhor, o cara que estava no esquecimento é lembrado pela mídia. E vai, neguinho perde o foco da música que é sua especialidade e vai pagar de pensador, de formador de opinião e intelectual, que de forma nenhuma é nem deveria ser - muito menos está preparado para o papel. O pior é que funciona, o cara fala qualquer abobrinha e as redes sociais fervem, dando os cliques que o cara quer, levanta o nome do sujeito nas mídias.

    No fundo o cara devia seguir a regra do fórum em sua vida. É proibido tópicos dizendo que Belo é melhor que Radiohead. Seria tão bom simplesmente chamar o renatocaster para dar um ban no infeliz... hahahahahahaha

    gpeddino
    Veterano
    # dez/15 · Editado por: gpeddino
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    Ed Motta é o Noel Gallagher brasileiro. Se faz de desbocado pra ganhar mídia. Pra mim é irrelevante, tanto musical quanto artisticamente.

    Sem contar que, pra um cara que supostamente falou que "o Thom Yorke não deve saber nem achar o dó no piano", eu não espero nada muito diferente disso.

    Quanto ao pagode prefiro não opinar, até porque, como no meio sertanejo, imagino que haja muita gente que manja muito.

    Calime
    Veterano
    # dez/15
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    gpeddino

    Quanto ao pagode prefiro não opinar, até porque, como no meio sertanejo, imagino que haja muita gente que manja muito.

    Bem verdade, ao menos aqui por essas bandas.

    Ismah
    Veterano
    # dez/15
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    nichendrix
    A maioria das bandas de forró não opera dessa forma, em geral existe o dono, que é ou um empresário ou um compositor (e empresário) que registra diversos nomes de bandas e diversas músicas, depois o cara vai atrás de músicos e cantores para compor essas bandas, muitas vezes sem ele nem mesmo aparecer. Se o cara vai atrás de músico profissional, uma hora ele vai bater na negada que toca ou hard rock e metal ou que toca jazz, que estão lá sendo pagos pra tocar o que o cara mandar.

    Nesse esquema não é incomum pro "dono" da banda ter 10-15 bandas de forró e também não é raro o cara ser dono da banda, do estúdio que grava e da gravadora que lança.


    Aqui no sul também é assim... As bandas de baile e gaúchas, raramente se formam de um grupo de amigos, onde todos mandam. E geralmente por isso que o som é uma merda: tem muita briga interna, muita treta, e tá todo mundo se fu***** se o companheiro se escuta.

    É uma das razões de eu compor a técnica da minha banda hoje, todos sabem ceder, e se eu abaixar o volume de um, isso tem seu motivo e ninguém vai me peitar ou fazer cara feia...

    Também vale pro sertanejo hoje... F&S tem mais nomes no cast que cabelos na cabeça... Quem manda é o Sorocaba (Fernando Fakri de Assis), e o primeiro Fernando (Humberto Santiago), é apenas reconhecido como co-autor recebe royalities possivelmente, no fim é apenas um peão.

    FELIZ NATAL
    Veterano
    # dez/15
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    Ed Motta musico é excelente.

    Ed Motta pensador é um Ivan Lessa tryhard.

    Casper
    Veterano
    # dez/15
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    Caro Ismah:

    Sorocaba é um cara esperto. Colocou o
    funcionário na frente do nome da dupla,
    e todos sabem que o primeiro é sempre
    o que vai antes:

    João Mineiro & Marciano
    Leandro & Leonardo
    João Paulo & Daniel

    Chitãozinho e Zezé Di Camargo vivem em pânico.

    nichendrix
    Veterano
    # dez/15
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    Ismah
    Cara, mas aí é que está, no caso do Forró não é banda de baile, não é banda de cover, a gigantesca maioria só toca musicas autorais (que em geral são autorais do dono da banda ou de algum outro funcionário dele). Mesmo bandas gigantescas, como Aviões do Forró, não são bandas formadas com a intenção de ser banda, tem um dono por trás.

    Julia Hardy
    Veterano
    # dez/15
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    nichendrix

    Sim. Entendo. Postei o vídeo mais por você ter falado que músicos desse tipo tocam muito rock/metal nos ensaios e passagens de som. Daí lembrei desse caso com o Angra.

    Lelo Mig

    Entendo e concordo. Só que o fator fama nem entrou em questão.

    Ismah
    Veterano
    # dez/15
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    nichendrix

    Não é tão diferente aqui no sul, apenas o autoral se dissolve nas 4~5horas de baile rs

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