Analise Harmonica da Música Atrás da Porta - Chico Buarque

Autor Mensagem
makumbator
Moderador
# fev/15
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Lelo Mig
Repito, só atentei, para alguns perigos que conhecemos (vc é experiente, sabe bem ao que me refiro), de quem se prende somente a isso.

Ah sim. Uma coisa que ás vezes as pessoas se ressentem é não terem mais uma certa "inocência" ao compor, tocar e até em ouvir música quando o estudo teórico/analítico fica muito intenso.

É uma espécie de banzo de quando se sabia menos e eventualmente se conseguia fazer música aparentemente de maneira mais espontânea (o que pode acontecer em algumas pessoas).

Outra coisa que pode acontecer (que já vi ocorrer com amigos) é a partir de um certo ponto dos estudos o cara eleva tanto o nível de exigência de suas criações que passa a não compor mais nada (ou quase nada), pois nunca está tão bom/complexo/profundo quanto deveria, ou está sempre esperando ter um nível altíssimo de proficiência para então recomeçar a compor.

Jabijirous
Veterano
# fev/15
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Lelo Mig

Entendo o teu ponto. Não discordo, mas chega um ponto que a criatividade fica limitada aos conhecimentos. Isso me lembrou aquele filme August Rush. O garoto tinha o dom, a criatividade, mas não tinha um direcionamento, e aí que o estudo teórico ajuda, tá tudo misturado!

Lelo Mig
Membro
# fev/15 · Editado por: Lelo Mig
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makumbator

Sim...sim...matou à pau!

Jabijirous

Entendi, você não esta errado...

Ambos

Quando falo nisso, muitas vezes as pessoas não entendem, acham que eu sou contra o estudo, e não é isso, na verdade longe disso.

Mas (não quero culpar professor, nem método), mas tenho uma experiência pessoal terrível neste sentido.

Explico:
Comecei de ouvido, depois aprendi nome de notas e acordes sozinho, mais à frente um pouco de teoria, tudo como autodidata... nesta época, tocava relativamente bem e resolvi estudar.

Peguei a geração "guitarra 80"... onde a aplicação de escalas eram usadas à exaustão e apregoava-se que guitarrista que domina as escalas toca tudo e bem, fato que é verdade em "teoria".

Até então, escalas prá mim, eram "teóricas".....nunca fiz um solo pensando no tom, em grau, ou em escala a ser usada. O som em minha cabeça me levava a tocar o que eu estava pensando, e só depois eu me preocupava no que estava fazendo....eu era criativo e soava diferente dos demais.

Quando da insistência em meu aprendizado de "pensar as escalas a serem usadas", isso prá mim, funcionou negativamente. Criou uma barreira, me limitou. Eu me preocupava em usar as "escalas certas ou adequadas" e não era mais criativo e perdi meu diferencial. Prá mim, foi frustrante e limitador.

Essa frustração me levou a criar um método para "desaprender", que já expliquei aqui como foi... (é, porque ainda estudo no método que inventei)...rs.

Funcionou, hoje, se eu souber a escala de Dó Maior é muito....kkkk.

(exageros à parte, o método para "desaprender" é real e utilizo), deixando claro, que o que não funcionou para mim, não significa regra geral.

Jabijirous
Veterano
# fev/15 · Editado por: Jabijirous
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Lelo Mig

kkkkk tive um pensamento como o teu, no final das contas eu resumi tudo em pentatônica kkkkk 5 notas resolvem a parada. Bolei estudos e mais estudos pra escalas na guitarra e percebi que quando eu me perdia, usava a penta e tava safo kkkkkkkk Não aconselho, pois fica limitado, mas... cada um tem sua carta na manga kkkkkk

Lelo Mig
Membro
# fev/15
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Jabijirous

Meu método de "desaprendizagem" é fácil e eficaz.....querendo eu explico...kkkkkkk

Cres
Membro Novato
# fev/15
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Lelo Mig
Muitos, até deixam de "ouvir" música, em prol da ambição técnico/teórica ou não se "permitem" ao lúdico de se aventurar sem regras prévias.
Fazendo um off aqui: vi uma entrevista do Heraldo do Monte(nem o conhecia) que postaram no tópico da linguagem do jazz americano, e ele falou que fazia isso na época que tinha o seu quarteto(esqueci o nome), juntamente com os seus colegas de banda. Isso me surpreendeu, nunca tinha ouvido falar em alguém que tinha feito isso.

gabrielbragah
Membro Novato
# fev/15
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Lelo Mig

Quando se trata de solos, eu acredito que seja válido a espontaniedade, também em harmonia, mas penso que quando se trata de harmonia o erro me parece bem mais notável, em solos acho mais facil escolher qual nota acompanhar qual, em harmonia eu acho dificil ser espontâneo na sequencia de acordes, pois é mais facil de sair da harmonia mesmo (é o que eu penso, me corrijam caso esteja errado)

gabrielbragah
Membro Novato
# fev/15
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Cres

Pode passar essa entrevista, por favor?

Cres
Membro Novato
# fev/15
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gabrielbragah


Lelo Mig
Membro
# fev/15 · Editado por: Lelo Mig
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gabrielbragah

Toquei muitos anos em bares, cansei de acompanhar cantores que subiam no palco e diziam: Lá Menor!.......e eu nem sabia que música, que ritmo, nada do que viria pela frente.

A lógica musical é a mesma. Seja conhecendo a teoria e aplicando-a, seja aplicando-a porque a "sente intuitivamente". Eu, sabia os acordes, sabia seus nomes, mas os colocava "sentindo o que a música ia pedindo".

No início é difícil, para muitos parece impossível, mas é mais simples do que parece.

A lógica "matemática" do que a melodia pede e o que pode ser colocado existe, mesmo que o sujeito não saiba esta fórmula de cor (meu caso na época).

Essa sim foi prá mim uma escola dukapeta em harmônia...porque nessa época, não era arrocha nem sertanejo que rolava nos bares, era Djavan, Gilberto Gil, João Bosco... só acorde "nó nos dedos"...e onde "progressãozinhas" usuais básicas tipo 1,6,4,5, não costumam funcionar, melhor "entender" o que a linha melódica pede, ainda que existam vários "macetes" prá ajudar a não sair errando tudo....hehehe.

rcorts
Veterano
# fev/15
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Cres
que resolve no Em7M(9), o primeiro grau. Não sei exatamente o porquê dessa sétima maior no último acorde, mas acredito eu que seja pela qualidade desse tipo de acorde mesmo, que tem um som "misterioso".

Boa análise. Esse Em com sétima maior resulta do I grau da menor harmônica.

gabrielbragah
Mas uma só duvida, esse V7/V -> bIII é possivel por qual motivo

Pense nas notas semelhantes entre os acordes. Entre o G7M e um Bm a única nota que difere é a própria tônica, já que as demais são as próprias notas da tríade de Bm. Assim, no meu entender foi feita uma substituição de acorde, com mesma função, porém mais fraca. Fica como se fosse um Bm/G, mas como o G7M é um acorde diatônico, opta-se por notá-lo dessa forma. Se eu estiver errado me corrijam.

Aandreep
Membro Novato
# fev/15
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EI Lelo Mig se possível explica esse seu método de "desaprendizagem".

gpeddino
Veterano
# fev/15
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Um contraponto. O Tom Waits já disse uma vez que gosta de compor no piano, porque... ele não sabe tocar piano. Segundo ele, quando você está descobrindo um instrumento, tentando entendê-lo e deixando a imaginação fluir em vez de se preocupar com a teoria por trás da coisa, e aí que você está realmente se expressando.

Suponho que muita gente vá discordar, mas é um ponto de vista interessante, eu acho.

entamoeba
Membro Novato
# fev/15 · Editado por: entamoeba
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gpeddino
Quanto mais variarmos nosso ambiente, mais variados serão os resultados. Criatividade é saber gerar resultados variados e saber selecionar o melhor deles.

Por isso já se recorreu tanto às drogas, penso eu!

Jabijirous
Veterano
# fev/15
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gpeddino
Um contraponto. O Tom Waits já disse uma vez que gosta de compor no piano, porque... ele não sabe tocar piano. Segundo ele, quando você está descobrindo um instrumento, tentando entendê-lo e deixando a imaginação fluir em vez de se preocupar com a teoria por trás da coisa, e aí que você está realmente se expressando.

Suponho que muita gente vá discordar, mas é um ponto de vista interessante, eu acho.


Cara, até quando o eu troco a corda do violão nasce uma descoberta nova, o timbre. Aquele timbre de corda nova, ou timbre de uma guitarra diferente, isso já basta para eu ter novas ideias.

Lelo Mig
Membro
# fev/15 · Editado por: Lelo Mig
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Aandreep

Meu grande problema (meu, pessoal, o que foi ruim para mim não significa que é para os outros), foi me tornar prisioneiro dos desenhos (que vocês chamam de shapes). Escravo das escalas, como descrevi acima.

Me determinei a, primeiramente esquecer os shapes na afinação padrão, e em segunda etapa desaprender as escalas pelo método visual (que é como se aprende e eu acho um erro, mas isso é discussão para outro tópico) e reconhecer uma escala apenas pelo som. E por último, apesar que isso não era um problema mas eu aproveitei para incluir no meu método de "desaprendizagem formal", fazer o mesmo com a harmonia, ou seja, não fazer acordes pelo desenho, e sim pelo som.

O método é simples:

Afine o instrumento no padrão. Depois, aleatoriamente, em cada corda, faça algo do tipo:

Mi bordão: 1/2 volta de tarraxa acima.
Lá bordão: 1/4 volta de tarraxa abaixo.
Ré bordão: 1/2 volta de tarraxa acima... e assim sucessivamente com todas as cordas até a Mi prima. No dia seguinte, inverta a ordem, altere as folgas apertos de tarraxas, 1/4, 1/2, 3/4, volta inteira, etc...isso têm de ser livre e aleatório, não pode acostumar com o som.

Não esta na afinação padrão e em nenhuma outra afinação alternativa. Você terá um instrumento, belamente desafinado e sem padrão lógico.

Agora, com BT ou sem, comece a "tirar", acompanhar, solar, criar licks e frases de músicas que você goste.

Resultado: Sua "visão", sua lógica cerebral de onde colocar os dedos, os desenhos, os shapes, foram todos para o espaço! Ou você toca somente por percepção auditiva, buscando e achando os sons que você imagina e descobrindo onde estão, ou esqueça, só vai dar nota fora.

Obs: Quando eu digo acima... 1/4 de volta de tarraxa, é isso mesmo e sem precisão. Não é 1/4 de tom ou 1/2 tom, porque se você sabe que o Lá virou Si, já começa a buscar lógica teórica na bagaça, e não é esta a ideia. O lance é enganar o cérebro e ele ter somente a percepção auditiva para lhe orientar.

Se fizer esse treinamento no escuro ou de olhos vendados, melhor ainda!

Melodia não é tão difícil. Mas a harmonia é. Montar os acordes, de forma totalmente inusitada, apenas na "orelha", leva tempo.

Mas, tenha uma coisa em mente: Se você busca destreza técnica, velocidade, técnicas difíceis e sofisticadas no instrumento, NÃO FAÇA isso. Porque você irá forçar os ouvidos e o raciocínio musical mas perderá por completo a destreza técnica que só se consegue por exercícios de repetição. Você nunca será veloz, por exemplo, se cada dia o desenho de uma escala mudou aleatoriamente... entende?

Não é meu caso. Não quero tocar prá cacilda tecnicamente. Minha pretensão é a criação, a composição... Se imaginar algo que esta além de minhas possibilidades técnicas, faço virtual (já que hoje temos esta facilidade) e depois passo prá alguém que possa executar.

Importante: Método pessoal, por necessidade pessoal, por motivos pessoais. Não me responsabilizo por danos e/ou deficiências decorrentes de tal prática!

Abraço!

gpeddino

Coincidentemente, não tenho mais composto com violão ou guitarra há um tempo.

Jabijirous
Veterano
# fev/15
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Importante: Método pessoal, por necessidade pessoal, por motivos pessoais. Não me responsabilizo por danos e/ou deficiências decorrentes de tal prática!

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Teu nickname vai entrar pra lista negra do reclame aqui kkkk

Aandreep
Membro Novato
# fev/15
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Lelo Mig
Bem interessante esse seu método, vou tentar faze-lo, já que eu me sinto preso as escalas e talz. E como eu não ligo mt pra velocidade creio que não vai haver prejuízos kkk
Valeu.

daimon blackfire
Membro Novato
# fev/15
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Lelo Mig Basicamente tocar com o violão desafinado, certo?

Lelo Mig
Membro
# fev/15
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daimon blackfire

Sim, é isso.. só com um certo cuidado em não fugir demais da frequência/afinação ideal, porque senão, nenhuma nota acaba encaixando, ou os intervalos entre cordas diferentes ficam inviáveis e aí fica tenso...rs.

Filippo14
Veterano
# fev/15
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Lelo Mig

Isso que eu ia falar, as vezes pode acabar ficando desafinado demais e fungindo das notas aceitas na música "ocidental"

Interessante seu método, realmente fazer isso com acordes deve ser complicado, mas deve render bons frutos.

Falaram de gente que trava quando vai compor e ouvir música por terem muita noção de teoria e tal e na minha opinião acho que a pessoa tem é pouco conhecimento.

Falo por mim, cheguei uma época em um ponto de estudo que não me contentava com coisas simples, acordes tradicionais. A questão é que estudando um pouco mais, ouvindo músicos como Larry Carlton, que abusa de cromatismos ou mesmo estudando a nossa magnifica música brasileira ( choro, baião, samba...) você começa a perceber que vale tudo, aproximações são ideias interessantíssimas e que te abrem um leque de 12 notas, mais precisamente "todas" (do ocidente) por acorde.

Alguém aí em cima falou que pensa em pentas para tocar, e na minha opinião está certíssimo. Cada acorde em geral aceita muito bem o repouso em mais ou menos 4 ou 5 notas. Sabendo então tocar essa penta e saber de fato utilizar outside (forma de tocar que por curiosidade muita gente aprende cedo demais e faz errado) ou aproximações tanto em escalas e arpejos te dão uma gama de sonoridades absurdas, muito grande as suas opções. A questão para mim é que precisamos conhecer a teoria para depois podermos quebrá-la, com notas fora utilizadas de diversas formas.

Quanto a música em sí, ela aparentemente tem um centro tonal em Em ou Bm, mas tem tantos acordes fora de um tom padrão que eu pensaria em tratá-la como atonal e encontrar grupos menores de acordes ( de 2 até 4) que possam estar em um tom único para facilitar o uso das escalas (para mim pentas com notas fora).

Minha opinião sobre teoria é que fica uma confusão tentar pensar em III7, IVm6, V7M, tentar encontrar uma lógica em acordes apenas por terem um baixo que estaria em determinado tom. Pensa nele de forma isolada, fora de um tom padrão e veja o que pode ser tocado para dar intenções das mudanças, escalas ou notas próximas das que estavam sendo utilizadas anteriormente, pensar em graus da escala com tríades sobrepostas (formação dos acordes) diferentes é pensar demais e não chegar em grandes resultados.

Abração

PS: Essa opinião é minha, não funciona para mim, mas tem gente que consegue pensar muito bem esse tipo de coisa.

Lelo Mig
Membro
# fev/15
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Filippo14

"Falaram de gente que trava quando vai compor e ouvir música por terem muita noção de teoria e tal e na minha opinião acho que a pessoa tem é pouco conhecimento."

Cara, o problema aqui (e não para todos) é a guitarra! Outros instrumentistas não sofrem deste problema.

O que acontece, é que se desandou a formar shredder que tocam escalas na velocidade da luz, mas não sabem poha nenhuma de música (tô generalizando, ok?).

Sabem os shapes de cor e de forma visual. Não conhecem construção harmonica, aprendem escalas para fazê-las e não compreende-las.

Um tecladista, não costuma ter este tipo de problema.

Na maioria dos músicos a formação teórica é apartada da técnica, e é preciso entender a teoria para saber aplica-la. Neste momento se unem as duas coisas.

Este método de guitarra "anos 80", não ensina música! Ensina a fazer exercícios de digitação e técnicas de palhetadas para se aplicar em shapes decorados visualmente. É mais fácil, mais efetivo e dá resultado rápido.

O cara pode até tocar, mas não sabe música!


(repito, tô generalizando)

Filippo14
Veterano
# fev/15
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Lelo Mig
Exato, concordo. Comecei tendo aulas de guitarra com um professor que me passou os 7 desenhos dos Modos Gregos e disse que aquilo eram os modos e ponto!

Modos são muito maiores que isso, na minha compreensão, os modos começam e tem como base para serem aplicados os acordes.

As notas de um II grau dórico e de um IV grau lídio são as mesmas 7, e pegando as 5 mais importantes ainda tem notas iguais, por isso que os acordes por trás que vão nos dizer qual a sonoridade desejada e necessária em cada caso.

Muita gente que frita, aprende apenas os desenhos dos modos e os modelos dos arpejos e estão satisfeitos. Depois de um tempo aprender apenas isso para a Menor Harmônica e acabou o estudo da vida do cara.

Pouca gente entende que estudar escalas vai muito além desse básico e que a grande questão é chegar na sonoridade, saber aplicar e dar as características sonoras desejadas. Você pelo jeito conseguiu isso de uma forma totalmente intuitiva baseada em muito treino de desaprender as escalas...rs o que é um puta mérito seu e no fim você entendeu o real sentido das escalas e da teoria sem precisar dela. Teoria é só um caminho para entender as sonoridades que compoe o universo chamado musica.


Abração

Jabijirous
Veterano
# fev/15
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Depende do seu objetivo no estudo da escala. Tem a parte técnica e a teórica. Técnica é simples, é só praticá-las. Teórica é saber qual a sonoridade desejada, harmonia que certas escalas de proporcionam e etc.

Junior Van Halen
Membro Novato
# abr/15
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Aproveitando o tópico Recente.
Alguém teria como disponibilizar a tablatura da introdução de Yolanda?

Já revirei a net toda e não acho.

Help!

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