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      Vale a pena fazer faculdade de Composição e Regência?

      Autor Mensagem
      Breno A.
      Membro Novato
      # 30/jul/18 23:48


      Atualmente faço faculdade de Sistemas de Informação, um curso que estou gostando muito e pretendo ir até o fim. Gostaria de trabalhar com engenharia de software mas desde sempre sou apaixonado por música, estudo piano e teoria musical desde os seis anos de idade e tenho interesse em aprender música de verdade, aprender a compor como Rachmaninoff, John Williams, Prokofiev e todos esses caras de um conhecimento técnico incomparável. Pretendo trabalhar imediatamente após o término da faculdade e, por sorte achei uma escola de música que oferece o curso de Composição e Regência no período da noite, tornando possível, mas não muito agradável, que eu trabalhe e estude ao mesmo tempo.

      Enfim, minha pergunta é se realmente vale a pena passar por todo esse esforço para aprender música. Sou apaixonado por composição mas não sei se gostaria de trabalhar integralmente com isso, faria faculdade mais por satisfação própria e entrarei de cabeça na área só se acabar me encontrando lá dentro mais do que no curso atual. Vale a pena fazer faculdade na minha situação? Posso aprender a compor música erudita sozinho? Um graduando no curso é capaz de compor qualquer tipo de música, independente do gênero, com maestria?

      Desculpe se soei ingênuo, mal comecei uma faculdade e não tenho certeza do que irei enfrentar.

      Obrigado.

      je_lais
      Membro Novato
      # 13/ago/18 11:47
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      Também queria saber ...

      singinglife
      Membro Novato
      # 15/ago/18 23:33 · Editado por: singinglife
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      Breno A. | je_lais

      Não é minha área mas já vi essa pergunta subindo e descendo aqui. Como ninguém respondeu, e tenho um professor de composição da universidade em casa, acho que posso ajudá-los.
      Aprender a compor sozinho estilo Prokofiev e cia, impossível, impossível não é, mas.. dá virar um bom médico estudando por conta própria? É mais ou menos por aí.
      O que a universidade (ou um professor) na área de composição faz é dar acesso, digamos assim, de forma organizada, a um conhecimento razoavelmente didático sobre como funciona e é estruturada a base da música, técnicas de composição e ajudar o desenvolvimento do processo de composição de cada aluno.
      Sobre estilos, é possível dominar vários estilos musicais se tiver tempo e dedicação para estudá-los, mas qual o escopo disso? Nem mesmo grandes compositores como Beethoven e Wagner se dedicaram à multiplicidade de estilos comuns em suas épocas.. o primeiro se concentrou na música instrumental, o outro em óperas ("obra de arte total", como ele chamava).
      E que estilos são esses? Gêneros musicais como samba ou frevo têm muitas variantes, como samba-chula, samba de roda, samba de partido alto, etc. Ou está se referindo ao estilo Clássico, renascentista veneziano, francês do início do século XX, vanguardista dos anos 1960, etc? Isso se falando apenas de Música Ocidental... Ainda tem a música oriental, da África central e setentrional, Índia.... Será que existe no mundo alguém capaz de compor bem em todos esses estilos, tenha feito ou não uma graduação em música?
      Enfim, é importante também destacar que:
      - mesmo com a universidade, a experiência, a musicalidade e aptidão musical de cada pessoa, unido a muita dedicação e muito estudo, são indispensáveis para se chegar em um ponto de se compor com maestria.
      - sem a universidade, além de ter que se virar pra estudar aquilo que já está didaticamente organizado em um curso de composição, é preciso ter muita sensibilidade para perceber as próprias deficiências sem uma ajuda externa.

      Jabijirous
      Veterano
      # 17/ago/18 13:48
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      singinglife
      Como ninguém respondeu, e tenho um professor de composição da universidade em casa, acho que posso ajudá-los.

      Maneiro, quem é esse prof?

      Breno A.
      Membro Novato
      # 22/ago/18 16:12
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      singinglife

      Inicialmente, obrigado pela resposta. Deu pra organizar uns pensamentos aqui.

      O que esqueci de explicitar é que gostaria de trabalhar com trilhas sonaras. Enfim. Pensando melhor, graças a sua resposta, acho que vou tentar compor estilos mais simples, não música erudita em si, e deixar pra ver se realmente quero seguir na área mais pra frente, vendo que faculdade é algo quase essencial e não sei ainda se terei o tempo ou a motivação necessária para enfrentar mais quatro anos de facul, ainda mais que já estou inserido em um universo completamente diferente e que provavelmente me dará um retorno maior.
      Por enquanto vou deixar música só como hobbie mesmo.

      E que estilos são esses?
      Nesse caso estava pensando que talvez a faculdade iria mostrar um caminho genérico, que poderia ser utilizado em qualquer gênero obviamente após uma análise do estilo. Assim, um compositor poderia ser contratado para compor sertanejo universitário ou compor uma trilha sonora no estilo de Hans Zimmer por exemplo. Fui claro?

      singinglife
      Membro Novato
      # 22/ago/18 20:14 · Editado por: singinglife
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      É o meu digníssimo, Jabijirous, mas ele não tem perfil aqui.

      As áreas de música e computação conversam mais do que vc imagina, Breno A.. Mas realmente é necessário tempo para se dedicar tanto a uma como a outra. Te digo isso pq tenho graduação nas duas áreas e foram cursos que fiz em momentos bem diferentes.. realmente não dá pra fazer bem os dois ao mesmo tempo - um sempre vai ficar meio de lado.. possivelmente, será o de música, pq é mais longo (o meu durou 6 anos), mais puxado e o retorno (qdo há) é bem a longo prazo.

      A universidade vai te dar os caminhos a partir da base. Harmonia, por exemplo, vc vai pegar a partir do básico que é condução de vozes.. fazendo uma analogia com computação, esse básico seria começar por álgebra booleana, depois lógica de programação, aí programação algorítmica, só depois de um bom tempo, incluindo as áreas de banco de dados, estrutura de dados, sistema operacional, projetos, redes, etc, é que poderá programar/modelar bem projetos de alto de nível, não é por aí?

      Nesse caso estava pensando que talvez a faculdade iria mostrar um caminho genérico, que poderia ser utilizado em qualquer gênero obviamente após uma análise do estilo. Assim, um compositor poderia ser contratado para compor sertanejo universitário ou compor uma trilha sonora no estilo de Hans Zimmer por exemplo. Fui claro?
      O objetivo é esse mas a universidade é só o começo. Saindo de uma boa graduação em composição e regência, se vc se dedicar de verdade ao curso, vc sairia no primeiro ponto de partida para, ao longo da vida, conseguir chegar a compor alto nível - padrão Hans Zimmer; muita dedicação para se chegar aí.

      Só complementando.. meu digníssimo pediu aqui para te dizer, que para te dar uma noção entre a distância que há entre a natureza de ter uma carreira compondo trilha nível Hans Zimmer e ter uma carreira no sertanejo, seria talvez a distância que há na carreira de alguém desenvolvendo um sistema operacional em baixo nível/assembly e de um programador front-end trabalhando com java script.

      Jabijirous
      Veterano
      # 22/ago/18 23:00
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      singinglife

      Mas gente, pq tanto mistério no nome do tal professor?

      singinglife
      Membro Novato
      # 23/ago/18 12:18
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      É um direito dele, né Jabijirous?

      Breno A.
      Membro Novato
      # 23/ago/18 23:50
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      singinglife

      Hahaha. Gostei muito de suas analogias com a computação.

      Te digo isso pq tenho graduação nas duas áreas e foram cursos que fiz em momentos bem diferentes.. realmente não dá pra fazer bem os dois ao mesmo tempo - um sempre vai ficar meio de lado..
      Entendo. Uma pena.

      Só complementando.. meu digníssimo pediu aqui para te dizer, que para te dar uma noção entre a distância que há entre a natureza de ter uma carreira compondo trilha nível Hans Zimmer e ter uma carreira no sertanejo, seria talvez a distância que há na carreira de alguém desenvolvendo um sistema operacional em baixo nível/assembly e de um programador front-end trabalhando com java script.
      Achei essa passagem genial. Realmente, tenho vários colegas na faculdade que programam em alto nível há anos, mas duvido que qualquer um deles seja capaz de aprender Assembly ou a desenvolver um compilador sozinho.
      Gostaria de dizer que não sou muito fã de sertanejo, citei o estilo apenas para fazer uma comparação, mas acredito que a analogia que deu serve para a maior parte do gêneros dentro da música popular, não? Tirando, é claro, um ou outro estilo mais complexo.
      Vendo por esse ângulo percebo que faculdade é realmente mais do que essencial para aprender música erudita...

      Novamente, obrigado por responder!

      singinglife
      Membro Novato
      # 24/ago/18 15:15 · Editado por: singinglife
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      Maravilha, Breno A., é isso aí. Você captou 100% :)
      Qualquer dúvida manda um alô, abs.

      Ken Himura
      Veterano
      # 13/set/18 00:53
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      Breno A.
      Enfim, minha pergunta é se realmente vale a pena passar por todo esse esforço para aprender música
      Isso somente você quem pode responder. Suas motivações, sua resiliência de aguentar um curso bem puxado e longo, sua capacidade de trabalhar pra se sustentar e ter que estudar, por exemplo, contraponto em alto nível etc. Tudo isso tem que ser pensado.

      Sou apaixonado por composição mas não sei se gostaria de trabalhar integralmente com isso, faria faculdade mais por satisfação própria e entrarei de cabeça na área só se acabar me encontrando lá dentro mais do que no curso atual. Vale a pena fazer faculdade na minha situação?
      Composição e/ou Regência não são cursos universitários que eu indicaria a hobbystas. É muita aporrinhação pra quem não tem intenção de viver isso plenamente. É tipo fazer medicina ou astronomia por hobby.

      Já pensou em procurar aulas com um compositor ao invés de entrar na faculdade?

      Posso aprender a compor música erudita sozinho?
      Pode. Você pode aprender praticamente tudo de toda habilidade sozinha - compor, tocar um instrumento (seja em estilo erudito ou popular), pintar como os mestres do passado, jogar xadrez, lutar etc. O grande problema é: qualidade da informação que você tem à disposição e como você vai perceber seus erros, para aprender com eles. É nisso que um bom professor faz diferença.

      Mas, como qualquer outra habilidade intelectual, compor é fruto da reflexão e da experiência prática - pra isso, você estuda técnicas, dispositivos, recursos etc.

      Um graduando no curso é capaz de compor qualquer tipo de música, independente do gênero, com maestria?
      Deveria, no caso ideal. Mas não é o que vai acontecer na média, em lugar nenhum do mundo. Outra coisa ideal que eu não vejo ser muito seguida é compor bastante - o ideal é você compor pelo menos 1 peça séria por mês.

      Mas é fogo... família, contas a pagar, compromissos... eu mesmo, esse ano ainda não terminei uma única composição. Toda vez que eu tenho uma folga maior de tempo e penso em usar pra compor, fico doente ou acontece alguma merda séria pra resolver comigo ou familiares. É difícil se dedicar, e vejo muitos colegas com problemas semelhantes.

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