como se preparar para ouvir música clássica?

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Ismah
Veterano
# set/15
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pianoid
quem afirma isso? O rei/bispo não ofereciam "vozes", se ofereciam algo era um tema melódico, variado e trabalhado por Bach polifonicamente...

Não sei os termos corretos. Quem afirma isso é um amigo, professor de História da Música da UFEPEL (Universidade Federal de Pelotas - Pelotas/RS)

nichendrix
Veterano
# set/15
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pianoid
Rapaz, tu deve ser um fake do tecnifrente, é o mesmo tipo de retórica torta... kkkkkk

Ismah
Veterano
# set/15
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nichendrix

BINGO! Tava com isso em mente, mas não recordava o nome.

makumbator
Veterano
# set/15
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Ismah

Você está falando da oferenda musical de Bach. Mas essa é apenas uma peça no universo imenso do compositor. Nessa peça Bach pegou o tema tocado na flauta pelo nobre governante da Prússia e criou variaçãos sobre ela. Isso ocorreu uma única vez com Bach. Não é que tinha isso sempre!

Mas na época as composições eram práticas, ou seja, sempre pensando na execução por grupo ou músico específico. Não havia o ideal romântico de escrever uma peça só por escrever e sem poder executar (por falta de instrumentos, por exemplo). Não é como hoje que qualquer um escreve uma sinfonia, mesmo sem acesso a uma orquestra pra tocar. Na época o camarada só escrevia se tinha como tocar ou se fosse uma encomenda paga por outros (e o encomendante só pedia o que podia tocar com seus recursos)

Por exemplo, Vivaldi trabalhou em um orfanato de moças, e lá tinha uma orquestra, então ele escrevia na época muito concerto de cordas, justamente para tocarem lá. Havia nesse mesmo local uma excelente fagotista, pois bem, o resultado é que na época ele escreveu vários concertos pra fagote e cordas, justamente pra usar lá com elas.

Ismah
Veterano
# set/15
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makumbator
Você está falando da oferenda musical de Bach.

O termo "oferecido" está gerando confusão... Apenas foi no sentido de que o compositor teria solicitado quatro vozes, e o contratante pagara por menos... Meio que "to te pagando pra tocar esse evento, aqui tem esses músicos se vira com eles"... Não sei se me fiz entender agora, mas nenhuma relação com alguma obra específica.

makumbator
Veterano
# set/15 · Editado por: makumbator
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Ismah

Certo. Mas no caso de obras encomendadas muitas vezes o compositor nem ficava sabendo se houve a execução ou não, por ser em outra localidade (os concertos de Bradenburgo do Bach ficaram na biblioteca do encomendante sem nem tocarem, mas o compositor foi pago).

Essa questão de ter os músicos ou não é de ordem em geral do staff do nobre, mecenas ou membro do clero responsável pela organização. Em geral não havia músicos de orquestra freelas, então o organizador já sabe do que dispõe em termos de possibilidades musicais. Muitas vezes a encomenda era para grupos estáveis e regulares já estabelecidos (por exemplo, uma orquestra fixa de um nobre tal).

O comum era haver grupos fixos (com nomeações de cargos de músicos) e eventualmente executantes viajantes (em geral os virtuoses e crianças prodígio). Muitas vezes o músico viajante tocava com o grupo fixo local.

O que havia muito é o compositor adaptar para uma formação diferente uma obra já composta, justamente pra se adequar a um grupo diferente (muitas vezes menor do que o previsto na obra original)

Ismah
Veterano
# set/15
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makumbator

É vero. Mas você acredito que acompanhou o que eu quis dizer...

Wuju Wu Yi
Membro Novato
# set/15 · Editado por: Wuju Wu Yi
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Tópico massa. Vou lembrar de vir e ler ele detalhadamente.

Eu penso mais ou menos o seguinte, a música é uma arte de muito fácil compreensão. Creio que um recém nascido possa apreciar magnificamente Bach, Beethoven, Liszt, e cia erudita, assim como Chet Baker, Parker, Coltrane, e cia do jazz, também Choro, tango, e qualquer outro gênero.

Creio que o tal "preparo" que devemos ter, é conseguir ficar em um estado mental onde a sonoridade consiga nos tocar emocionalmente, ou em algum outro âmbito. Creio que a maior parte da música existente tem essa capacidade, tirando casos de dissonância muito exagerada (se a intenção for causar medo, desconforto intencionalmente, ou forte melancolia, um recém nascido não teria essa consciência).

Podemos facilmente nos impressionar com a grandeza técnica, e de complexidade de certas músicas, estudar isto, e nos tornarmos craques neste tipo de analise. mas não penso que essa é a ponte de ligação para a boa audição musical. A boa audição musical tem a ver com ser tocado pela música, ter sensações positivas com ela.

A boa audição tem haver com sentir a melodia, sentir a interação musical, imergir de tal forma nos sentidos que te faça conjurar emoções, pensamentos, reflexões. Nós temos grande capacidade de atribuir significado as coisas, inclusive aos sons. E o tamanho prazer que sentiremos ouvindo som x ou y, vai depender no nível de profundidade imersiva, e o nível de significado atribuído a certa sonoridade.

Acho que deve-se dividir o que dizer pra alguém que busca aprimorar sua capacidade auditiva, pois isto parte do pressuposto de que há apenas uma forma de ouvir música. Sendo que na música se pode ouvir tanto para sentir e apreciar os sons, como também para analisar esses sons.

Para analisar os sons, a recomendação é a princípio, estudar música, saber diferenciar harmonia, melodia e ritmo, treinar a percepção de cada instrumento e cada parte da música, conhecer o máximo de relações entre as notas quanto for possível, conhecer relações harmônicas, e toda a parte teórica praticamente aplicável da coisa. Conhecer o maior numero das obras de compositores quanto for possível, entre outras coisas.

Para sentir e apreciar o som, afirmo que deve-se esquecer tudo isso. Tudo isso sendo assimilado durante uma audição, sobrecarrega a mente e não da espaço para outras assimilações (pensamentos, emoções, reflexões, apreciação pura).

Para audição de pura apreciação, devemos nos despir de quaisquer conceitos pejorativos que tivermos sobre a música, do contrário ela soara transgressora.

Wuju Wu Yi
Membro Novato
# set/15
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A música não deve ser difícil de ouvir. pelo contrário, deve ser fácil. Se estiver difícil, você está ouvindo errado, com a mentalidade errada.

pianoid
Veterano
# set/15
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Wuju Wu Yi
Creio que um recém nascido possa apreciar magnificamente Bach, Beethoven, Liszt, e cia erudita, assim como Chet Baker, Parker, Coltrane, e cia do jazz, também Choro, tango, e qualquer outro gênero

LOL


boa audição tem haver com sentir a melodia

filhão, melodia é relativamente raro entre mestres de harmonia e contraponto. Bach não é considerado um dos maiores por causa da melodia de Jesus Alegria dos Homens. As melodias de Beethoven, ou motivos melódicos, são em geral curtas, pouco mais que um arpejo, pra permitir todo tipo de variação harmônica. E mesmo melodistas fáceis como Mozart em sua época sofriam crítica por deixar melodia e voz de lado e favor de música pura (instrumental) com foco em harmonia e contraponto.

e é "a ver"

melodia é realmente a única coisa que leigos percebem

pianoid
Veterano
# set/15
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Wuju Wu Yi
música não deve ser difícil de ouvir. pelo contrário, deve ser fácil. Se estiver difícil, você está ouvindo errado, com a mentalidade errada.

sim, você deve estar ouvindo como leigo, sem preparo por educação

Adler3x3
Veterano
# set/15 · Editado por: Adler3x3
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E entra a questão do purismo e as novas tecnologias.

Tem músicos e orquestras que são puristas, isto tentam tocar a música antiga usando instrumentos e técnicas para serem o mais fiéis possíveis ao som que era produzido.
Eles tem a sua importância, e sua existência é necessária para manter certas tradições, e não se perder o conhecimento antigo.

Por outro lado temos graças a tecnologia uma infinidade de articulações e timbres, que muito embora a evolução da notação, não tem como deixar registrado em escrita todos os procedimentos.
Pois hoje pode-se fundir um som de um instrumento real com um som de um instrumento virtual ou até determinado sampler de outros instrumentos e até de sons da natureza, e outros imaginários, e num instrumento virtual, existem inúmeras configurações, que exceto se salvo o preset , não se pode especificar num sistema de notação.
Pode-se simplesmente na pauta anotar synth e indicar o preset. e o instrumento mas se não tiver o preset fica impossível reproduzir o som fiel ao original.
E tem presets de instrumentos e presets de efeitos.
Mas na prática com a correria o que acontece é que o músico/compositor vai fazendo certas misturas, que nem ele depois lembra o que fez, e nem ele consegue reproduzir novamente aquele som.
E com o tempo os softwares e sistemas operacionais vão ficando obsoletos, e digamos daqui uns 10 anos vai ter um som feito hoje, que não vai mais ser possível reproduzir mantendo a fidelidade.
Para poder reproduzir novamente fiel ao original tem que ter muita organização e cuidado nas tracks (título e instrumentação, e ter todos os presets bem salvos, nomeados e outros detalhes para no futuro se quiser gravar novamente ter sucesso, mas a obsolescência pode atrapalhar.
Digo obsolescência tecnológica, pois um instrumento real desde que se tenha o projeto bem identificado e registrado no papel e se usando os mesmos materiais se pode construir um instrumento novo mantendo as características dos antigos e um timbre parecido.
Já a obsolescência tecnológica é muito mais difícil de lidar, simplesmente um software numa nova plataforma para de funcionar, e aí a única saída é recorrer as máquinas virtuais, e vai ter que gravar em separado.
E tem presets e instrumentos que se aplicam para tocar ao vivo, e tem outros instrumentos e efeitos que só se aplicam para uso em estúdio.
E assim numa apresentação ao vivo jamais conseguem fazer o mesmo som que fizeram no estúdio, isto aconteceu já com os Beatles, quando a música deles ficou mais sofisticada, com o Álbum do Sargento Pimenta em 1967.
E considerando que os músicos já criam particularidades que só eles sabem, mas não se tem certeza se vão se lembrar para o todo sempre, tem as adições que os técnicos incluem depois quando da mixagem/masterização, pois o técnico para esconder alguns defeitos insere outras batidas, ou faz algumas dobras para realçar mais um instrumento..

E o purismo entra em cena mesmo no rock, por exemplo alguns querem fazer aquele timbre de um solo do Led, que nem o próprio Jimmy consegue nos dias de hoje lembrar tudo e fazer exatamente igual, e assim acontece com outros clássicos de estilos modernos.
O purismo tem vários níveis, não ocorre somente na música clássica.
Edit:
E desta forma uma pessoa que nos anos 60 era contra o purismo, detestava aquelas orquestras que se vestiam e usavam instrumentos de época, hoje tem saudades, e se veste igual aos anos 60 e tenta tocar com instrumentos parecidos para obter os mesmos sons, e de certa forma se tornou um novo purista.
Se alguém novo grava uma música daquela época, ele vem agora dizer que na gravação o timbre da guitarra esta errado, e vem dizer que o músico tem que ser mais caprichoso, podem notar isto aqui no fórum mesmo.
Então tem que saber separar as coisas no seu devido tempo, o ritual adotado por certas orquestras e músicos não é um mal, é o purismo que entra nas pessoas com o passar do tempo, seja no modo de vestir , no corte do cabelo e muito mais, criam e tentam reproduzir um novo ritual, e um ritual por ser repetitivo sempre tem base no passado.

Wuju Wu Yi
Membro Novato
# set/15
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pianoid
filhão, melodia é relativamente raro entre mestres de harmonia e contraponto. Bach não é considerado um dos maiores por causa da melodia de Jesus Alegria dos Homens. As melodias de Beethoven, ou motivos melódicos, são em geral curtas, pouco mais que um arpejo, pra permitir todo tipo de variação harmônica. E mesmo melodistas fáceis como Mozart em sua época sofriam crítica por deixar melodia e voz de lado e favor de música pura (instrumental) com foco em harmonia e contraponto.

e é "a ver"

melodia é realmente a única coisa que leigos percebem


interessante é que não citei harmonia por detalhe. porém não deve deixar sua falha de abstração lhe impedir de compreender o que quis dizer. O que eu quis dizer é que o que importa é a imersão proporcionada pela música, e seu potencial de causar sensações. Bach provavelmente não compunha pra espertinhos ficarem citando a estrutura complexa de suas músicas como valor de verdade (ok, talvez um pouco, todo mundo tem ego), mas sim para tocar as pessoas e causar sensações. O que distingue o som de um enxame de abelhas para uma composição de Bach não é a sensação ao ouvir afinal?

sim, você deve estar ouvindo como leigo, sem preparo por educação

não é necessário preparo musical formal para ser capaz de apreciar música, apenas educar a si mesmo para ter humildade e ser capaz de reconhecer a beleza auditiva.

Não é a capacidade de saber identificar contrapontos e complexas cadências harmônicas que faz um bom ouvinte, e sim a capacidade de sentir a sensação que eles trazem.

Adler3x3
Veterano
# set/15 · Editado por: Adler3x3
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Pianoid/ Wuju

melodia é realmente a única coisa que leigos percebem

Pode não ser exatamente assim.
Por outro lado podemos considerar que a boa harmonia é aquela que combina com a melodia.
Uma harmonia bem feita é sutil, a pessoa nem percebe e é envolvida por ela.
Se a harmonia quase não é percebida, mas existe e a pessoa consegue sentir certas nuances é sinal de que o trabalho esta bem feito.
E a harmonia como o próprio termo sugere , gera uma sensação de conforto, isto é a verdadeira harmonia em todos os sentidos.

Edit:
Recentemente foi divulgado um estudo de que o baixo é o instrumento que os leigos mais observam na harmonia.
Foi divulgado um estudo nesta semana ou semana passada sobre a influência do baixo, não concordo totalmente com o artigo, que infelizmente não tenho o link para postar aqui.
Mas não deixa de ser um estudo interessante.

Wuju Wu Yi
Membro Novato
# set/15 · Editado por: Wuju Wu Yi
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Adler3x3

bem interessante suas colocações. realmente uma sonoridade agradável provem de uma boa harmonia entre todos os fatores musicais. isso é análise musical.

apesar disso não penso que é necessário capacidade de identificação dos elementos musicais para ser capaz de apreciar a música.

é o mesmo que dizer que um leigo musical é incapaz de apreciar música erudita em sua plenitude. acho evidente ser uma afirmação incoerente e facilmente refutável por simples observação.

Wuju Wu Yi
Membro Novato
# set/15
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Recentemente foi divulgado um estudo de que o baixo é o instrumento que os leigos mais observam na harmonia.

a não ser que sejam ouvintes de metal. hehehe

Adler3x3
Veterano
# set/15 · Editado por: Adler3x3
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Encontrei um link sobre este estudo do baixo.
Não exatamente o que tinha lido antes que era mais completo, mas a referência ao estudo é a mesma.

https://explorersound.wordpress.com/2015/06/08/cientistas-sugerem-que- o-baixista-e-o-membro-mais-importante-da-banda/

Edit:
Outro artigo sobre o baixo, outra demonstração que não tem nada a haver com o estudo recente:

http://www.deepbeep.com.br/blog/bass-a-forca-do-som-de-baixas-frequenc ias/

assistam o vídeo e escutem os exemplos.


Isto tudo pode indicar que quando vamos compor ou arranjar uma música devemos dar um especial cuidado aos graves.
As vezes fazemos algo em que esquecemos completamente os graves, e isto pode ser um erro?!?!...

Parece que o ouvido humano se adapta melhor aos sons graves do que aos médios e agudos.
Claro tem que ter equilíbrio, mas parece em teoria que os graves é que os ouvintes mais prestam a atenção.
E assim se você quer compor ou arranjar algo tem que dedicar especial atenção a este fato.
E isto em teoria parece aplicável a qualquer estilo musical do clássico ao popular.
É óbvio que existem estilos musicais que são baseados nos sons mais agudos, mas isto seria um caso a parte.
E outro ponto interessante é que os graves são mais difíceis de equalizar e de deixar com uma presença confortável, e com clareza.
Não é fácil deixar um instrumento com som grave com clareza.
Se você busca a clareza de repente na aplicação dos efeitos se perde peso, se você exagera nos graves, fica uma sujeira no áudio, e o som fica sonso, então ter que ir ouvindo e ouvindo e observando o comportamento das ondas de áudio até encontrar o timbre certo.
Atualmente estou fazendo uma música, na introdução uso dois violões, tocando na parte mais aguda, e dá ficando bom, mas ainda não consegui desenvolver a parte mais grave, e não to sabendo que instrumento usar, acho que a saída vai ser utilizar um violoncelo, mas estou com dificuldades para encontrar a articulação correta, que parece que vai ter que ser uma combinação de sons longos e curtos.

O que acham?

Adler3x3
Veterano
# set/15 · Editado por: Adler3x3
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As vezes você tem um arranjo para órgão de igreja.
Você tem a partitura para as duas mãos.
E vai sequenciando, conforme o arranjo para este estilo a melodia esta oculta dentro da harmonia.
Certo stop do órgão faz esta função, e tem que descobrir qual o melhor stop que realiza esta função.
Estava fazendo uma edição de midi e estudo sobre um quarteto de cordas do Pleyel, primeiro obtive uma arquivo midi para órgão.
Depois fui atrás da partitura original.
E fui editando e editando, e não ficava legal.
O quarteto de uma bela partitura, mas mesmo editando corretamente e usando bons instrumentos virtuais não ficava legal.
De repente não sei exatamente como fiz consegui isolar a melodia que estava oculta no arranjo. (foi meio por tentativa e erro, mas considerando um pouco de teoria musical)
E mudei uma oitava para baixo o solo, para usar um violoncelo junto com a harmonia do órgão.
E wow ficou show, dando para perceber a beleza da melodia, que no arranjo original para órgão por não saber o stop correto não conseguia acertar.
Ou a melodia tinha que ser tocada por alguma das mãos, mas não como constava no midi original.
Isto comprova que uma boa harmonia pode trazer dentro de si uma excelente melodia, o que na aparência parece somente ser harmonia, tem na verdade uma melodia, mas que por força do uso de determinado instrumento como o órgão fica oculta, e fica parecendo que é somente uma sequencia de acordes.

Então isto quer dizer que muitos compositores fazem complexas harmonias, que não é tão fácil de identificar a melodia, a harmonia dá uma sensação de melodia, mas não é um simples solo, é o conjunto que gera esta sensação, e parece que é possível isolar a melodia nestes casos.

nichendrix
Veterano
# set/15 · Editado por: nichendrix
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Adler3x3
E a harmonia como o próprio termo sugere , gera uma sensação de conforto, isto é a verdadeira harmonia em todos os sentidos.

A não ser que você goste de acordes dissonantes, onde o desconforto faz parte do negócio.

Eu discordo que a pessoas não percebem a harmonia, elas percebem, só não é tão fácil de colocar em palavras, mas a harmonia é responsável pelo contexto em que a melodia vai ser inserida. Comparando com uma pintura é como a paisagem de fundo para uma pintura de um ser humano, uma coisa influência muito a outra e talvez o exemplo mais clássico é a Mona Lisa do da Vinci, o famoso sorriso dela não existe na pintura, é uma ilusão de ótica criada pelo fundo, já que o fundo do lado esquerdo leva o olho a focar numa direção e o do lado direito na direção contrária, isso provoca a ilusão de que ela estaria sorrindo.

A mesma coisa acontece com a música, as melodias são a figura de frente, mas o que está acontecendo só faz sentido quando você bota aquilo num contexto. Acho que alguém que mostrou isso diversas vezes vou o famigerado Reginaldo Rossi, que várias vezes admitida e descaradamente usava melodias de Bach, Mozart e Beethoven em seus bregas, mas como a harmonia era outra, o ritmo em que a harmonia se apresentava era outro, você basicamente não conseguia notar que eram a mesma melodia a menos que você parasse para solfejar só a melodia. Se só a melodia fosse notada, ficaria fácil de identificar a semelhança entre as melodias e não é algo tão automático assim.

Sem contar que uma melodia altamente confortável em uma harmonia cheia de dissonâncias vão necessariamente gerar o tal tensão, se a pessoa não notasse a harmonia, ela não sentiria essa tensão.

Adler3x3
Veterano
# set/15 · Editado por: Adler3x3
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nichendrix

Sim concordo.
O conforto e o desconforto são duas faces da mesma moeda, a tensão e mais..., de acordo com as intenções do compositor.
Como estamos nos aprofundando mais no tema, as vezes não sabemos nos expressar da forma correta, e usamos até algumas palavras que vem na nossa mente, mas que não são as certas para tentar explicar algo, que sentimos mas não sabemos expressar, ou por falta de conhecimento de todos os termos da teoria musical, ou por não simplesmente não ser possível explicar certos sentidos e inserts que ocorrem na nossa mente, pois não existe no vernáculo a palavra certa para explicar aquelas impressões, ou não somos tão letrados o suficiente.
Tem certas palavras que para poder explicar melhor temos que recorrer a outros idiomas, pois não fazem parte da nossa língua.
As vezes na nossa mente é gerada uma ideia que é correta, mas quando nos expressamos por fala ou por escrito não conseguimos traduzir o que se passou de verdade na mente., e no texto ou fala a ideia fica parecendo falsa e plenamente refutável, mas isto não altera a verdade que permanece na mente.
Por isto que ocorrem muitas confusões numa interlocução, as duas pessoas podem ter a mesma ideia, e concordam entre si neste nível,mas quando se expressam externamente parecem antagônicos, estão concordando e discordando entre si ao mesmo tempo, no nível interno concordam, mas no nível externo discordam. (só concordariam entre si plenamente se os dois fossem capazes de ler a mente do outro, mas sabemos que isto é impossível para a maioria das pessoas).
E as vezes tratamos o tema superficialmente enquanto o outro aprofunda.

pianoid
Veterano
# set/15
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Adler3x3
existem inúmeras configurações, que exceto se salvo o preset , não se pode especificar num sistema de notação
obsolescência tecnológica é muito mais difícil de lidar, simplesmente um software numa nova plataforma para de funcionar, e aí a única saída é recorrer as máquinas virtuais

a notação pra música eletrônica não deveria ser a mesma de música acústica, simples assim. Também não deveria ser um software, deveria ser um protocolo de comunicação como MIDI, só que com mais recursos. MIDI tá aí há várias décadas, já sobreviveu a PCs de 16-bits e foi usado por todo tipo de software. Como html, é algo que não depende de software específico para ser entendido.

o purismo entra em cena mesmo no rock, por exemplo alguns querem fazer aquele timbre de um solo do Led

isso não se chama purismo, se chama repertório. O repertório moderno não se encontra em pautas, se encontra nos registros em áudio históricos. Jazzistas devem ficar pra morrer, mas o repertório clássico com todos os solos improvisados na gravação serão replicados nota a nota por músicos no futuro, mesma coisa para riffs ou licks. Ninguém quer improvisar em cima de uma progressão harmônica ou tema, a maioria quer mesmo é tocar como Mozart ou Eric Clapton tocavam... e isso se encontra nos registros que nos legaram


E desta forma uma pessoa que nos anos 60 era contra o purismo, detestava aquelas orquestras que se vestiam e usavam instrumentos de época, hoje tem saudades, e se veste igual aos anos 60 e tenta tocar com instrumentos parecidos para obter os mesmos sons, e de certa forma se tornou um novo purista.

sem dúvida. Aconteceu com barrocos, clássicos, românticos e jazzistas e está ocorrendo com roqueiros e bluesmen. Vocês são história, babe kkkk


Adler3x3
estudo de que o baixo é o instrumento que os leigos mais observam na harmonia

só ouvem rock/pop, que só tem guitarra e voz na melodia e baixo é o único instrumento de sustentação harmônica kkkk pesquisa meio óbvia


uma boa harmonia pode trazer dentro de si uma excelente melodia, o que na aparência parece somente ser harmonia, tem na verdade uma melodia, mas que por força do uso de determinado instrumento como o órgão fica oculta, e fica parecendo que é somente uma sequencia de acordes.

essa é a própria definição de polifonia. Acordes no barroco eram praticamente só um resultado acidental de ter várias melodias (vozes) soando em paralelo, simultaneamente. Leigos não percebem cada uma das linhas melódicas, apenas ouvem uma sequência de acordes, ou uma muralha indistinta de som...


Wuju Wu Yi
a capacidade de sentir a sensação que eles trazem

mas que rapaz sensível

o mundo sensível não é nada comparado ao mundo inteligível

abs

Ismah
Veterano
# set/15
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pianoid
só ouvem rock/pop, que só tem guitarra e voz na melodia e baixo é o único instrumento de sustentação harmônica kkkk pesquisa meio óbvia

John Lord mandou um abraço. Mas vou deixar uma imagem falando por si...

Pink Floyd

pianoid
Veterano
# set/15
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falei na geral, né amigão? Todo mundo sabe que rock é basicamente, baixo, bateria, guitarra e voz. Um tecladista, gaitista ou saxofonista ocasional não muda isso...

nichendrix
Veterano
# set/15
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Bach, Paganini e Vivaldi se contorcem nas tumbas com algumas coisas escritas aqui... kkkkkkkk

pianoid
Veterano
# set/15
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nichendrix
Bach, Paganini e Vivaldi

o que levaria 2 mestres barrocos e 1 romântico a se contorcerem na tumba?

Ismah
Veterano
# set/15
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pianoid
Todo mundo sabe que rock é basicamente, baixo, bateria, guitarra e voz

Não o que eu, e alguns outros escutamos ao menos... E não to falando de bandas de Metal Sinfônico! Começaria por Gentle Giant...

Adler3x3
Veterano
# set/15 · Editado por: Adler3x3
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O que esta em questão não é tanto o contrabaixo moderno
A forma como o resultado do estudo foi divulgado pela imprensa destacou o baixo, mas parece que o estudo se relaciona mais ao comportamento dos sons graves.

E sim a utilização de timbres mais graves, que me parecem ser mais difíceis de usar na prática, e no meu caso pessoal me parecem mais difíceis de gravar e mixar

Mesmo numa simples peça só com um violão, uma parte de baixo (do violão) bem trabalhada parece que atrai mais o ouvinte, do que uma peça com mais médios e agudos, obviamente temos que procurar um equilíbrio.
O mesmo para o teclado e outros instrumentos que possibilitam tocar ao mesmo tempo os baixos, a harmonia e o solos.
Na guitarra também pode-se buscar uma sonoridade mais agradável.
E isto é aplicável a todos os estilos, e na música clássica por exemplo o Bassoon e a Tuba podem ter um efeito mais atrativo.
O Chorinho por exemplo tem os solos de flauta e o cavaquinho e outros instrumentos, mas sem o baixo do violão o estilo se perde.

Então a minha pergunta fica na mesma até que ponto é verdade que os sons mais graves realmente atraem os ouvintes?
Conforme parecem indicar estes estudos.

makumbator
Veterano
# set/15
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Adler3x3
Então a minha pergunta fica na mesma até que ponto é verdade que os sons mais graves realmente atraem os ouvintes?

Na música moderna acho que isso é bastante verdade. O uso de graves e sub graves na música eletrônica é essencial. Mas é verdade também que na música erudita também se caminhou para abraçar mais graves que antes. Um exemplo simples disso é a requisição em compositores pós românticos por contrabaixos de 5 cordas (ou de 4 com extensores, ou ainda de 4 com afinação dropada na corda mais grave), o uso de contrafagotes, tubas contrabaixo e sub contrabaixo, percussões graves, etc...

Adler3x3
Veterano
# set/15 · Editado por: Adler3x3
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Makumbator

Bem dito.
E tem até o violão com mais cordas, e se não me engano o baixo de 5 cordas.
E considerando a história Wagner também pediu a construção de metais mais fortes para os graves.

E outro exemplo são os sons isocrônicos e binaurais que tem batidas mais graves, justamente para afetar os hemisférios cerebrais, onde ser criam rampas de frequências de som geralmente mais baixas.
E os sons médios e mais agudos são considerados pano de fundo só para embelezar um pouco.
Agora estou começando a entender melhor e parece que realmente é verdade que o nosso cérebro e mais afetado pelos sons mais graves.

E deixo outra pergunta?
O que parece ser mais fácil de fazer e tocar uma melodia com agudos ou uma melodia com graves, sem esquecer dos médios, mas por enquanto vamos ficar nesta polaridade de graves e agudos.
Ou não tem nada a haver, depende da habilidade do compositor?
E o bom músico tem que saber interpretar.

Você que toca o contrabaixo clássico, toca baixo, mas também toca melodias, um instrumento que tem uma extensão bem legal.
Qual a sua opinião?

makumbator
Veterano
# set/15
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Adler3x3
O que parece ser mais fácil de fazer e tocar uma melodia com agudos ou uma melodia com graves

Não sei se seria mais difícil de fazer, o que é natural é a dificuldade humana pra identificar bem os sons no sub grave (a partir de certo ponto é difícil diferenciar a afinação exata entre duas notas muito graves). Obviamente um monte de melodias em contraponto no sub é algo fácil de embolar.

depende da habilidade do compositor?

Ah sim, o uso inteligente dessa difícil região é algo que um bom compositor consegue dar conta.

Você que toca o contrabaixo clássico, toca baixo, mas também toca melodias, um instrumento que tem uma extensão bem legal.

Uma coisa engraçada no contrabaixo acústico tocado com arco à maneira clássica é que em recitais é valorizado o agudo do instrumento. Os concertos, sonatas, suítes e demais peças escritas para ele solar sempre vão no agudo do instrumento (e que não é a melhor região dele na minha opinião). Chega a ser cômico pegar um instrumento bem grave e ficar tocando só no agudíssimo dele (que é o médio de outros instrumentos).

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