Die Kunst der Fuge Veterano |
# out/12
Fota
O Tarantino que trouxe a cerveja de bacon para o Brasil
Ele já provou mais de 1500 cervejas, hoje é um empreendedor cervejeiro e traz para o Brasil os rótulos mais contemporâneos e exóticos que encontra pelo mundo
Xarope de panqueca e bacon combinam? Se a mistura já parece inusitada, imagine tudo isso sendo utilizado na receita de uma cerveja. Ela vem em uma garrafa rosa de 750ml com simpáticos porquinhos desenhados no rótulo. “Uma criação única”, segundo os produtores. A iguaria pode ser encontrada no Brasil e o responsável por isso, só para deixar a história mais exótica, se chama Tarantino.
Ele não é o cineasta, mas é um beer hunter, ou caçador de cervejas. Viaja pelo menos seis vezes ao ano, três para os Estados Unidos e três para a Europa, em busca das cervejas mais inusitadas ou como ele diz “extremas”. Gilberto Tarantino tem 49 anos, trabalhou na importadora do pai até 2001, depois disso fez sociedade com o irmão para importar relógios Swatch e hoje, é um empreendedor cervejeiro.
“Um cliente queria importar insumos para cerveja. Eu fui à feira Brasil Brau para conversar com fornecedores e entrei em contato com a associação de cervejeiros norte-americanos. Para minha surpresa nenhuma empresa brasileira importava cerveja de lá até o momento”, conta Tarantino.
Assim meio ao acaso, ele descobriu um nicho inexplorado no mercado de cervejas e resolveu fundar sua própria importadora em 2009. Sua estratégia foi buscar produtos diferentes e contemporâneos que a maioria dos importadores não trazia para o Brasil. “Como eu não entendia nada do assunto, contratei o Cássio Piccolo, proprietário do FrangÓ [bar especializado em degustações de cervejas nacionais e internacionais]
e fomos para os Estados Unidos”, diz.
Eles voltaram com três contratos fechados: a Anderson Valley da Califórnia, a Flying Dog do estado de Maryland e a Rogue do Oregon (a produtora da cerveja de bacon). Mas, não foi fácil captar cervejarias com interesse em exportação já que “o mercado interno americano consome boa parte de sua produção e as cervejarias são muito rigorosas na conservação e transporte do produto”, diz. Por isso, desde setembro Tarantino se associou à Multifoods, tradicional importadora de carnes, para formar a Tarantino Multibeer.
A Multifoods possui um sistema de refrigeração próprio que possibilita o transporte, a armazenagem e a distribuição das cervejas refrigeradas. Quanto mais tempo em baixas temperaturas, melhor o sabor e o aroma na hora do consumo. “Ouso dizer que somos a única empresa no Brasil que tem condição de ter toda a cadeia refrigerada”, diz Tarantino. “E os norte-americanos prezam muito por isso”.
Com a nova sociedade, a distribuição dos produtos também é mais eficaz e o preço final do produto diminui. Tarantino espera um crescimento de 100% no mês de novembro, em comparação com o ano passado. “Importamos de 8 a 10 contêineres mensalmente, nosso desafio é terminar esse ano com pelo menos 120 contêineres”, diz.
Além disso, a importadora já começou a contatar as principais redes de mercado para aumentar seus pontos de distribuição. “Estamos em empórios, bares, restaurantes, lojas especializadas e alguns supermercados, mas queremos ir para os grandes como Carrefour, WalMart e Pão de Açúcar”, diz Tarantino.
Mercado em expansão
As cervejas sofisticadas e mais caras deixaram de ser para poucos devido ao aumento da renda do brasileiro e a melhora na distribuição dos produtos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, as importações de cervejas especiais bateram recordes: saltaram de 22,1 milhões de litros em 2010 para 44,4 milhões de litros em 2011. “A cerveja artesanal entrou no gosto do brasileiro”, diz Tarantino. Em receita, a expansão foi de 118%, atingindo US$ 40,6 milhões (cerca de R$ 70 milhões).
Apesar de o aumento no número de consumidores, as cervejas que Tarantino importa ainda se destinam a um público específico. “Nosso consumidor não é o Homer Simpson, não é o barrigudo que bebe muita cerveja. Ele bebe pouca, mas de qualidade”, diz Tarantino. Segundo o importador, suas mercadorias agradam principalmente aos jovens entre 20 e 25 anos que já trabalham e querem algo diferente. “Por isso, eu busco as mais modernas cervejarias do mundo”, diz.
O trabalho de Tarantino é como uma curadoria. Ele avalia o gosto, o aroma, a cor e até o rótulo dos produtos. “Tem cervejas que pela embalagem você já sabe que não são boas”, diz. A mais vendida na importadora é a Punk IPA da cervejaria escocesa Brewdog. “Ela tem aroma frutado. Esse é meu truque se tem mulher na mesa, elas perguntam ‘mas isso é mesmo cerveja?’”.
Para conseguir escolher as melhores marcas, ele frequenta as principais feiras de cerveja do Brasil e do mundo, pesquisa muito na internet e claro, degusta. “Posso te dizer que já provei mais de 1500 cervejas, algumas delas nunca mais vou tomar porque não gostei, e outras porque nunca mais vou conseguir encontrar”, diz.
Entre tantas que já provou, Tarantino não esquece as duas mais exóticas. “A campeã é a de bacon. Ela tem gosto de bacon mesmo, foi feita para dividir com os amigos, porque ninguém consegue tomar uma garrafa”. A iguaria é produzida pela cervejaria norte-americana Rogue e leva também o xarope de bordo, ou maple syrup, tradicionalmente utilizado como cobertura de donuts e panquecas.
A outra cerveja que impressiona é a The end of History da Brewdog. Ela é a mais extrema com 55% de teor alcoólico. “O que choca é a receita muito balanceada”, diz Tarantino. Foram produzidos apenas 12 exemplares, as embalagens eram esquilos e arminhos empalhados e “recheados” com a bebida.
Negócios futuros
Tarantino é um apaixonado por cerveja e não deixa de fazer planos. Ele pretende realizar uma parceria com a Brewdog, que é a sua marca preferida de cervejas, e abrir um bar em São Paulo. “O conceito seria parecido com o da cafeteria Starbucks, você não tem muita opção de comida, é um lugar para beber”, diz. James Watt, um dos donos da Brewdog, já veio ao Brasil para fazer a prospecção de lugares, mas ainda não aprovou nenhum. “Ou ele achava estreito demais, ou pequeno demais, nós ainda estamos vendo isso”.
Além disso, Tarantino também planeja uma viagem pela Amazônia para produzir cerveja dentro de um barco. “Eu tive essa ideia quando vi o cruzeiro literário Navegar é preciso. Pretendemos reunir alguns cervejeiros importantes e com ingredientes que encontrarmos no caminho, produzir receitas na hora”. Entre os convidados está norte-americano Sam Calagione, dono da cervejaria Dogfish Head e estrela da série Brewed do Discovery Channel.
Fonte
Dissertem.
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