Formas de uso da harmonia

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Curly
Veterano
# mai/10
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Fabiano Piano

Companheiro, não entendi seu posicionamento aqui no forum. primeiro vc faz uma série de perguntas como se fosse um leigo querendo esclarecer dúvidas, depois se identifica como formado em música e diz que busca subsídios para sua pesquisa e monografia. Até aí tudo bem, embora na minha opinião fosse mais transparente da sua parte ter se posicionado a que veio desde o início, não acha ?

Agora, refutar com sarcasmo as opiniões que foram postadas aqui com o objetivo de ajudar alguém me parece um tanto pernóstico da sua parte, ainda que do alto do seu imenso cabedal de conhecimentos essas opiniões pareçam um tanto toscas...

Caso vc não tenha percebido, a imensa maioria dos usuários aqui têm menos de 15 anos de idade, pouquíssimos fizeram aula, a maioria é auto-didata e busca aqui alguém disposto a ajudar...

Enfim, foi a impressão que eu fiquei, se estiver errado, como diz música do fuscão preto "que se esclareça por favor", com harmonia funcional ou não...

Fabiano Piano
Veterano
# mai/10
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Talvez grande parte da confusão venha do fato de eu ter estudado Harmonia com base em material americano e eventualmente algum material italiano ou espanhol,

E será que nesses livros eles chamam musica indiana de atonal???!!!!

Harmonia Tonal ou Modal são basicamente usos da escala diatonica.

No tópico anterior.... já na sua resposta:
Ao menos na forma como estudei as escalas maiores e menores, são chamadas escalas diatonicas,

Bem, acho que você entrou em contradição! Até entendi (somente agora) o quis dizer, mas é só tomar cuidado com as palavras, nichendrix... Quando agente quer criticar alguém tem que entender um pouco mais do que o criticado, senão está sujeito a isso!

Primeiro vc disse que eram todos os modos (não me disse que modo, pois tons inteiros (escala de 6 sons), pentatônica etc etc também são modos, então está errado....

Com essa sua segunda explicação, agora sim! Perfeito, de acordo com os teóricos, como eu disse anteriormente (diatônico = de acordo com o tom / tonalidade.... e consequentemente as escalas tonais, lembrando que a menor tem mais de uma possiblidade, e a maior tb).

Talvez grande parte da confusão venha do fato de eu ter estudado Harmonia com base em material americano

Sim, com certeza, Nichendrix. EU também comecei lendo essas coisas, e depois que eu fui descobrindo " a pólvora" tudo começou a ficar mais claro.... nesse ponto eu já suspeitava, observando sua maneira de pensar.... mas temos que pensar que no mundo há muito mais do que o E.U.A (e o Baraka Obama!) como referêncial teórico.... se esses caras fazen o que querem do mundo, imagina na hora de ensinar música! Vira uma piração total! Mas espero que tenha compreendido a diferença da explicação que dei anteriormente (e não tenha tomado como provocação ...... e tenha a humildade de ter tirado boas informações de lá, assim como eu estou tirando aqui do fórum, inclusive com pessoas que entendem muito menos que eu, porém tem uma visão diferente da minha, e isso é que faz somar).

Dessa forma, quando você fala em musica modal, eu entendi o que sempre estudei, como a musica baseada nos modos gregos da escala diatonica e suas respectivas relações hamornicas.

Pode acreditar, nichendrix, mas não são só os modos gregos! Há várias e várias escalas espalhadas pelo mundo todo, colonizados direta ou indiretamente pela Grécia!

mas ao menos lá na America

Também somos americanos, Nichendrix! Por invrível que pareça!

essa definição é considerada bastante controversa

Concordo plenamente com você, e acho uma pena os Estadounidenses (americano é o ..........) se colocarem acima de qualquer teoria, pois embora eu seja muito adimirador da única arte que eles conseguiram fazer, eu discordo totalmente.... ou melhor, o resto do mundo discorda totalmente....

Na verdade, eles não desconhecem isso, mas querem confundir nossa cabeça!!!

não são definidas como musica modal e sim musica folclórica ou tradicional do lugar X.

Cara, muito doido isso! Mas música folclórica é (em alguma parte) modal..... por exemplo, a música nordestina usa aquele famoso modo que você entenderia como mixo#11 ou lidio b7, embora esses nomes dejam dúbios, pois b7 e #11 lembram harmonias, e essa escala era acompanhada por percussão e mal tinha um acorde na viola, quando não era um bordão.... então é melhor chamar mixolidio #4.

Mas o que eu acho curioso, é que tem música tonal folclórico (só ver o nosso folclore, que recebeu influência portuguesa, e a música de lá era tonal). Vendo assim, se eu te entendi bem, acho que esse tal de Powers, Austin Powers está equivocado..... mas quem sou eu para contestar ele! ..... Apenas um americano do sul, e ele é do norte e ganha em dólar!!!!! Fazer o que!!!!




Para a maioria dos livros que estudei, musica modal é a musica que utiliza os modos gregos da escala diatonica que é algo que, como você mesmo ressaltou, vem do final da idade média/renascença em diante.

Desculpe, não foi bem isso que eu quis dizer.... qq coisa releia...

Os modos gregos, como música católica (cantochão) começou no início da idade média, o famoso canto gregoriano. Sim, exatamente com essas escalas, mas vc está no período errado!

O que eu disse foi que o Glareanus foi o cara de deu nome aos burros..... antes só havia dórica, frígia, lídia e mixolídia em dois modos: protus (uma quarta abaixo) e autenticus! E eram diferente de como conhecemos hoje!!!! tipo, aquele "dórico" era frigio! Meio confuso, mas era isso!

Essa cara, que fez estudos da música grega, por algum motivo achou bonito chamar com nomes de eólio, lócrio e jônico e acabar com o tal do protus e autenticus, hipo e hiper e etc etc.....
Ou seja, foi na idade média que deram nome aos burros, mas essas escalas eram usadas não só na idade média, mas antes de cristo!


não obedece os canones desse tipo de musica. Eu realmente me referia ao fato de elas não usarem a escala diatonica

Certíssimo. Não usam os intervalos, nem a afinação da escala diatônica (ou tonal).... eles dividem os semitons em 4 quartos de tom, e dependendo da região da Ìndia, até 12 (posso estar enganado quanto ao número).

Mas o que eu queria que vc me explicasse é o que o cânone tem haver com isso? Eu ainda não entendi.... se poder me explicar eu agradeço.

E engana-se quem pensa que na musica indiana

Ok.... essa você venceu!

Mas ai depende de o que você entende por harmonia (foi uma pergunta desses tópicos).... e ninguém até agora teve essa visão! E eu acho que vc está certíssimo, mas poderia dizer que ela tem harmonia, mas é uma harmonia implícita.

Até pq eles não saem fazendo progressão de acordes..... é um baixo a música toda (os chineses chamavam de OM, o som cósmico) e um baixo vc não pode dizer que tem sobreposição de terças..... mas dessa visão eu gostei.... tirei o chapéu pra vc, tendo em vista que vc leu muitos livros gringos!

Sobre o Atonalismo ser a Anarquia da Musica, eu discordo totalmente, uma vez que embora ele considere todas as notas como equivalente, ele usa o conceito de séries para organizar as notas e assim se construir as relações harmonicas entre elas.

Até concordo, se vc tivesse falando de música serial....

Mas música atonal é uma coisa, e música serial é outra!

Se se todas as notas são equivalentes na música serial (que não é a mesma coisa que a atonal!!!!!!!), então se todos são iguais e não tem aqueles que mandam mais e outros que mandam menos... então adivinha?

Acertou quem respondeu anarquia!

Sobre harmonia funcional ok, sobre cifra ok, lembrando que a cifra do baixo contínuo usado no barroco também era "incompleta". E toda cifragem vai ser, pois deixa a critério do músico, dando caráter de improvisação.


Uma pergunta: Vc estudou na Souza Lima, Nichendrix? Onde vc estudou q eu to muito curioso???


Eu não sei porque você insiste tanto no livro do Almir Chediak

O vcs se referia aos demais membros do fórum.... é só ver meu outro tópico.... por aqui pelo rio, nego quase me bate quando digo que ele não saca tanto de harmonia.... só teve a visão comercial de escrever o primeiro (ou um dos primeiros) livro em português que vende em qualquer esquina!


E como disse antes, quando confundi o que você chama de Harmonia Funcional com o que americano chama de Notação Funcional de Acordes,

Me explica que eu quero entender isso melhor:

notação funcional dos acordes é a mesma coisa que harmonia na música popular aqui no Brasil, ou é a harmonia funcional mesmo (que tem relativo e anti-relativo)?????

Fabiano Piano
Veterano
# mai/10
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Mas antes de contestar alguém, procure se informar um pouco melhor sobre o assunto.

Acho que o mesmo vale para você...



Ok, eu já entendi que foi diferença de Brasileiros para Estadounidenses....

realmente pensamos muito diferentes, mas eu gostei de saber sobre a sua visão! É diferente da minha, mas não quer dizer que uma ou outra esteja certa!

Só continuo discordando totalmente da sua visão sobre música modal....

humildemente falando, vc poderia procurar alguma leitura sobre o assunto....

Aqui no rio tem alguma tese sobre o assunto..... Aquele livro do Mário de Andrade é uma boa leitura pra vc, se é que vc se interessa por isso...

é que essa visão de americano de música modal é muito doida, e não tem muito fundamento! Eles misturam tonal com modal, com atonal e comem com farinha....

Por um lado é legal, mas ai vc aprende aquele monte de coisas, e na hora q vc chega no estúdio e quer usar, o produtor vira pra vc e fala: "Cara, toca só o que está escrito"!

Mesmo vale pra quem faz o arranjo.... e na minha opinião,com esse ensino deles, o aluno não consegue separar as coisas.

Obs: To falando isso pq eu comecei a estudar assim, mas não fui tão a fundo quanto o Nichendrix.

Obrigado.

Fabiano Piano
Veterano
# mai/10
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Companheiro, não entendi seu posicionamento aqui no forum. primeiro vc faz uma série de perguntas como se fosse um leigo querendo esclarecer dúvidas, depois se identifica como formado em música e diz que busca subsídios para sua pesquisa e monografia. Até aí tudo bem, embora na minha opinião fosse mais transparente da sua parte ter se posicionado a que veio desde o início, não acha ?

Prezado Curly....

Quando te ligam do telemarketing querendo fazer uma pesquisa ou quando te param na rua, vc responde a essas pesquisas?

Vc acha mesmo que antes que eu não me identifiquei.... eu tinha tentado anteriormente, mas NINGUÉM me respondeu, quando lia que era uma pesquisa!!!! dai mudei de nick...

E eu não perguntei como se fosse um leigo.... em nenhum momento "ah, eu não sei absolutamente nada.... me ajuda ai"..... eu só faço perguntas para instigar debates, e não para ter respostas como lê a página tal do livro tal....

ISSO NÃO GERA CONHECIMENTO!!!! SÓ A DISCUSSÃO!

Quem tá acostumado com informações prontas na tv, nos outdoors, tudo mastigado não quer se dá ao trabalho disso, infelizmente, e é dificil para alguns entender isso.

Agora, refutar com sarcasmo as opiniões que foram postadas aqui

Desculpe, não foi minha intenção..... eu só queria acrescentar uma opinião a do Nichendrix.... que aliás me ajudou bastante, e foi citado na monografia....
Mas infelizmente, quanto a vc, eu não lembro de ter lido nenhuma resposta ---- infelizmente..... vc podia ter contribuido, e ai sim ao invés de só tomar as dores no Nichendrix e me criticar, podia ter acrescentado com bastante coisa!!!!....
que aliás, esse sim tem todo o direito de me chamar de sarcástico!!!! Mas não o fez, e respondeu tudo de uma maneira q gostei bastante!

aqui com o objetivo de ajudar alguém me parece um tanto pernóstico da sua parte, ainda que do alto do seu imenso cabedal de conhecimentos essas opiniões pareçam um tanto toscas...

Nossa! Só faltou o nome do poeta!
Mas vc primeiro poderia se informar um pouquinho melhor! Mas.... enfim!.... Vc deve ter muito referêncial teórico para achar isso tosco!

Caso vc não tenha percebido, a imensa maioria dos usuários aqui têm menos de 15 anos de idade,

Eu até achava isso, mas o nível da galera é bom.... to vendo que essa maioria não é absoluta!
E não menosprese quem tem menos de 15 anos, pois tenho alguns (poucos) alunos que dão um banho de harmonia em qualquer adulto, hein!


Bem, quem quiser contriburi POSITIVAMENTE com qualquer desses tópicos fique à vontade.... afinal, ninguém apontou um revolver na cabeça de ninguém para responder as perguntas.

Fabiano Piano
Veterano
# mai/10
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Agora, refutar com sarcasmo as opiniões que foram postadas aqui com o objetivo de ajudar alguém me parece um tanto pernóstico da sua parte, ainda que do alto do seu imenso cabedal de conhecimentos essas opiniões pareçam um tanto toscas...

Caraca ai.....

Genial isso, cara!!!!

Muito bom!

clap clap clap

makumbator
Veterano
# mai/10
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Fabiano Piano
Mas o que eu queria que vc me explicasse é o que o cânone tem haver com isso? Eu ainda não entendi.... se poder me explicar eu agradeço.


Não quero me meter na discussão de vcs(que estou acompanhando de longe), mas me parece óbvio que o nichendrix não usou nessa frase o cânone enquanto forma musical, e sim o significado mais "comum" da palavra, que é o de arcabouço ou conjunto de conhecimento, práticas, regras etc...

http://pt.wiktionary.org/wiki/c%C3%A2none

Reescrevendo a frase dele, ficaria assim:

"olhe a musica, árabe, indiana, ou chinesa, todas usam escalas que não são baseadas em intervalos diatonicos e como tal a harmonia também não obedece às regras desse tipo de musica."

Dogs2
Veterano
# mai/10
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refutar com sarcasmo as opiniões que foram postadas

Fabiano Piano
Caraca ai.....
Genial isso, cara!!!!
Muito bom!
clap clap clap



E eu ainda tentei levar a sério esse tópico...

nichendrix
Veterano
# mai/10 · Editado por: nichendrix
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Fabiano Piano

Cara, eu discordo que os americanos queiram subverter a musica, até porque se você for na inglaterra teoria e ensinada de maneira similar (até porque é da Inglaterra que saiu boa parte do pensamento americano no ensino de musica).

O que eu vejo é que enquanto eles (britânicos e americanos) tem um enfoque mais voltado pra prática do que para a teoria, eles tendem a adotar termos que possam ter uma facil assimilação no uso prático.

Sobre o Powers, bom, ele é considerado um dos maiores musicologos do século XX e tem um trabalho muito influente não só nos estados unidos, quanto fora dele também. Ele (e vários outros teóricos) não defende que o que você define como musica modal, deva ser chamado de musica modal, pois essa definição de musica modal (a que você descreveu anteriormente), não retrata de forma precisa a realidade dessas musicas étnicas. Em alguns caso chamar de modo a organização das notas em escala nessas musicas, é correto, em outras não. Ao menos na visão deles.

O trabalho do Powers é muito influenciado pela musica indiana, já que ele foi um dos maiores pesquisadores ocidentais desse tipo de musica. E como disse ele é considerado um dos maiores estudiosos do mundo do conceito de modo.

Infelizmente nunca consegui ler um livro dele inteiro, porque sempre quem tem, termina me disponibilizando por pouco tempo, mas pude ler uma parte do Tonal Structures in Early Music, e também o estudo dele sobre a definição do conceito de modo que tem no The Grove Dictionary of Music and Musicians (um dos dicionários de musica de todos os tempos.

Usando a conceituação de modo da corrente defendida pelo Powers e outros autores que seguem a mesma linha, modo seria mesmo os modos gregos das escalas maiores e menores (portanto diatonicos), e não uma referência direta aos modos gregos primitivos (dos tempos de Pitagoras) e muito menos uma referência à musica etnica como um todo. Todavia, ele mesmo expande essa idéia para virtualmente qualquer sistema onde uma escala possa ter seus intervalos recombinados de forma semelhante aos modos gregos da escala diatônica, uma vez que o conceito de modo que eles defendem, exige pelo menos uma escala considerada padrão, e a partir daí recombinar os intervalos dela de outra forma, que seria o conceito de modo, recombinação dos intervalos de uma escala de forma a gerar novas escalas dela derivada.

Como eu falei esses teóricos vêm a definição de escalas diatonicas (e seus modos), como todas as escalas que usem a sequência de 5 tons e 2 semitons, encontrados nas escalas diatonicas maior e menor.

Essa visão não vai de encontro a sua visão dos mesmos tópicos, até porque ela não é de hoje, já que os princiapais teóricos ingleses (como é possível ver no o Grove Dictionary) já defendiam uma posição similar desde o século XIX.

A visão que você apresentou, é a visão que aparece no Die Musik in Geschichte und Gegenwart, que é uma enciclopédia de musica alemã, que tem o mesmo respaldo do Grove Dictionary, já que são as duas maiores enciclopédias de musica do mundo. Na verdade cada um defende uma vertente do pensamento teórico em musica. Embora nos dois estejam presentes as duas visões, todavia até onde eu sei, fica bem claro qual é a "preferida" de cada um dos compendios.

Sobre a musica indiana, ninguém disse que ela é atonal, já que ela é microtonal, e as divisões em geral vão de 4 a 9 divisões em um tom, eu nunca ouvi falar de 12 divisões, mas eu estou longe de ser grande conhecedor do assunto.

Na musica indiana e chinesa, a harmonia não é apenas implicita, embora em geral seja, há sim instrumentos que podem ser usados para fazer acordes, por exemplo o Koto, o Guzheng, o Bulbul Tarang, o Gottuvadhyam, e a própria Cítara (tanto arabe quanto indiana), podem ser usados para fazer a harmonia nesses tipos de musicas, mas nem sempre é da forma como entendemos a harmonia, e não raro é possível fazer alguns acordes ou pelo menos intervalos de 2 notas para auxiliar na harmonização das musicas.

Todavia a forma mais comum de se ver harmonia nessas musicas é a superposição de melodias, que juntas, formam uma harmonia.

Sobre a musica atonal e as séries, na verdade eu não falava do serialismo, eu falava da primeira vertente atonal que foi o dodecafonismo do Schoenberg, que usava o conceito de tone rows ou referencial set ou série, pra compor o os acordes, hexachordal levels e por aí vai.

Notação Funcional de Acordes (um nome que hoje é pouco usado em detrimento da forma abreviada Chord Notation ou Notação de Acordes) nada mais é do que o que nós chamamos de cifra.

Sobre a musica nordestina, eu não sei se você algum dia parou pra dar uma olhada por aqui como é tocada a musica tradicional, mas sempre que tem um instrumento harmônico (em 99% dos casos, a viola caipira ou o violão dinâmico), há e sempre houve o uso de acordes, aliás o acorde é a definição básica das afinações abertas que se usa na viola nordestina, já que existem afinações específicas para musicas em tonalidades maiores e musicas em tonalidades menores, e a habilidade de um violeiro muitas vezes é medida pela capacidade de tocar acordes maiores com afinação em acorde menor menor ou acordes menores com afinação em acorde maior. E a principal forma de dedilhado usa indicador e polegar, com o polegar marcando o baixo e o indicador marcando o ritmo no acorde, eventualmente aparece uns "ninjas" tocando com polegar, indicador e médio, que praticamente faz chord-melody na viola.

Enfim, observar violeiros tocando é um passatempo meu, privilégios de morar na cidade que tem o maior encontro/festival de violeiros do Brasil e conseqüentemente do mundo.

E não, eu nunca estudei no Sousa Lima, na verdade fora o meus 3 primeiros anos de saxofone (dos 8 aos 11 anos), eu não freqüentei escolas de musica, sempre estudei com professores particulares e algumas vezes pego uma coisa ou outra por conta própria.

nichendrix
Veterano
# mai/10
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makumbator

Eu tinha esquecido de responder essa, mas você entendeu direitinho o que eu quis dizer e explicou em menos palavras do que eu explicaria... hehehehehhehe

nichendrix
Veterano
# mai/10 · Editado por: nichendrix
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Fabiano Piano

Só complementando, o que a linha de pensamento da qual o Powers é um dos teóricos, é que o conceito de modo, foi mudando através dos tempos.

O primeiro conceito, se encaixa bem no que seria os modos da grécia antiga e afins, uma sequencia de intervalos (escala) arranjados e usados para um tipo especifico de musica, situação, e muitas vezes até para um tipo específico de instrumento. Depois veio a noção de modos do inicio da idade média e usada no canto gregoriano (que você descreveu anteriormente) e por fim o que eles entendem como a definição de modo atual, que seriam uma série de escalas (modos) derivados de outra escala, conseqüentemente que usem rearranjos da mesma sequencia de intervalos e da qual o exemplo mais clássico são os modos gregos das escalas diatonica maior e diatonica menor.

Por esse motivo eles refutam a idéia de chamar musica etnica de modal, uma vez que embora ela possam usar modos na acepção moderna (bem, nem tão moderna, já que começou a ser pensada dessa forma em meados do século XIX), elas não necessariamente são feitas em cima de modos de uma escala qualquer, muitas vezes usam apenas uma escala e nada mais.

Embora isso se enquadre na definição mais primitiva de modo, ela não seria precisa se pensarmos em modos como são na musica contemporânea. Por isso eles preferem usar uma definição que dentro dessa vertente anglo-americana de pensamento, é mais precisa do que a definição usada na vertente germanica.

Fabiano Piano
Veterano
# mai/10
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Não quero me meter na discussão de vcs(que estou acompanhando de longe),

Imagina! Pelo contrário, isso aqui não é um ringue de boxe, e sim um fórum. Todos podem e devem opinar.

Só que eu prefiro que seja críticas construtivas, como a sua. Infelizmente tem pessoas que opinam negativamente, e trazem energias ruins.

Eu não tinha entendido desse modo, agora começa a ficar mais claro que ele não quis dizer cânone no sentido literal da palavra (2 ou mais melodias repetidas como um "eco").

Obrigado pela contribuição e sinta-se a vontade para opinar. Você citou uma coisa muito importante no meu outro tópico que me fez rever de uma outra forma.

Obrigado e parabéns.

Fabiano Piano
Veterano
# mai/10
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Só complementando, o que a linha de pensamento da qual o Powers é um dos teóricos, é que o conceito de modo, foi mudando através dos tempos.

Cara, isso me interessa muito.
Se vc poder me dar o nome completo desse autor, de preferência com alguma indicação de algum livro dele que esteja diretamente relacionado com esse assunto que estamos debatendo, fico muito grato. Quero entender melhor essa outra visão (muito doida, diga-se de passagem) desses caras, que realmente embora não concorde, preciso ver o outro lado da moeda. Poderia me ajudar com alguma bibliografia, ou até de outro autor na mesma linha de raciocinio?

ela não seria precisa se pensarmos em modos como são na musica contemporânea.

Bem, nesse caso, até onde eu sei, não são modos, e sim, séries (se for serial).

Por esse motivo eles refutam a idéia de chamar musica etnica de modal, uma vez que embora ela possam usar modos na acepção moderna

Cara, isso eu não consigo engolir ainda!

1º - modernamente, usamos os modos de maneira TOTLAMENTE DIFERENTE do que era usado nas músicas étnicas, onde não havia uma harmonia elaborada em cima dessas escalas, por sucessões de 3ªs sobrepostas. Essas músicas étnicas, baseavam na prosódia, e não havia uma hamonia explícita (havia implícita, conforme obserbou, porém não havia uma progressão de acordes com funções) nessa música, o que diferencia totalmente de uma música de Miles Davis por exemplo, onde há uma harmonia modal baseada em uma sucessão de acordes de 3ªs sobrepostas baseada nessa escala.

2º- Se a música étnica, segundo esses autores, não pode ser chamada de modal, então como ela vai ser chamada???!!!!????
Tem algum nome? Porque simplesmente "música folclórica" (como vc disse anteriormente) não diz nada sobre ela, a não ser que ela bem do folclore: agora se esse folclore vem de influência grega ou da europa da idade média ou dos índios, não dá pra adivinhar e é muito amplo.

Queria saber mais sobre a visão desses autores.

Sei que aprendeu desse modo, não sei se vc conseguiu me compreender e entender pq isso ainda não entra na minha cabeça de jeito nenhum!

Obrigado.

Fabiano Piano
Veterano
# mai/10
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E eu ainda tentei levar a sério esse tópico...

Tem um fórum de poesia:

http://www.sobresites.com/poesia/forum/

E também tem esse outro de filosofia:

http://www.consciencia.org/forum/index.php


Não fica triste não. Derrepente lá eles te compreendem melhor.

Só cuidado, que antes de eles te analisarem, procuram ver se você tem algum embasamento teórico, coisa que faltou por aqui.
mais ou menos quando uma criança fica chorando que não tem mais o que argumentar.

Boa sorte e disponha.

Penta_Blues
Moderador
# mai/10
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Boa noite!!!
OK. A discussão já tem argumentos suficientes para se encerrar.
Vamos observar o que a regra diz:
Regras do Fórum Cifra Club
2. Respondendo tópicos
2.2. Procure postar apenas respostas que possam enriquecer a discussão. Desvirtuamentos de tópicos não são aceitos.
Valeu!!!

nichendrix
Veterano
# mai/10 · Editado por: nichendrix
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Fabiano Piano

Cara, eu não sei se posso ajudar muito, pois não é minha área, a musica pra mim é só um hobbie muito caro... hehehehe

Mas o nome do cara é Harold Powers, dele eu li tanto a entrada sobre ele, quanto o artigo dele sobre a definição de modos no The New Grove Dictionary of Music and Musicians, eu não sei se esse artigo permanece na versão atual do dicionário que saiu em 2001, mas não deve ser difícil achar em bibliotecas de universidades maiores.

Eu também li uma parte de um livro chamado Tonal Structures in Early Music: Criticism & Analysis of Early Music, onde o Harold Powers escreve um artigo chamado From Psalmody to Tonality. Esse livro é uma coletânea de artigos de vários autores a respeito da musica feita da idade média pra trás. Um artigo legal desse livro é Internal and External Views of the Modes do Frans Wiering.

Embora eu não tenha lido os outros livros dele, eu tive um professor que tem (ou pelo menos tinha na época), outros 3 publicações em que ele é autor ou um dos autores, são elas:

* The Background of the South Indian Rāga-System (esse é bem antigo, se não me engano é dos anos 60);

* Studies in Music History: Essays for Oliver Strunk (também é um livro de artigos e o Powers foi editor desse livro do Oliver Strunk e é coautor de alguns dos artigos do livro);

* Puccini's Turandot: The End of the Great Tradition (ele é co-autor com o William Ashbrook).

Provavelmente deve existir mais coisas dele, mas como disse, a musica pra mim é um hobbie, então meu conhecimento nem de longe é tão vasto como o seu ou o dos meus professores.

Alguns autores que sempre vejo citados nos trabalhos que li sobre essa linha de pensamento em musicologia (que não nego foram poucos, pois como disse, é um hobbie), são: Oliver Strunk, Cristle Judd, Nicolas Meeùs, Donald Street, John Vincent, Frans Wiering, Anatol Vieru, Andrew Barker, André Barbera, Louis W. G Barton, Liane Curtis, Carl Dahlhaus, Thomas J. Mathiesen, Reginald Pepy Winnington-Ingram, William Smyth Rockstro, Claude V. Palisca.

A maioria desses autores é mais contemporâneo, coisa dos anos 60 pra cá, mas como disse a linha de pensamento pode ser traçada até pelo menos o século XIX. Eu não li a maioria deles, deles eu ou li os trabalhos deles que estão inslusos ou são citados ou no New Groove Dictionary ou no Tonal Structures in Early Music: Criticism & Analysis of Early Music.

Como eles chamam musica étnica?

Bem eles preferem adotar o nome original da musica, por exemplo, o Raga indiano é apenas o Raga Indiano e por aí vai, alguns parecem classificar elas de acordo com o tipo de musica que a cultura faz, coisa como Musica Microtonal (que engloba indiana, arabe e outros tipos de musicas ou de culturas que usem esse tipo de musica). Enfim, a impressão que me dá é que não existe uma tentativa de encontrar uma classificação generalista para enquadrar esse tipo de musica, embora eu possa estar enganado, por não conhecer tão profundamente o assunto.

Como disse, eles aceitam que ao longo da história da humanidade houve pelo menos 3 definições de modo e que o termo musica modal deve ser usado apenas para musica feita segundo a definição moderna de modos, visto que a musica étnica por essa definição pode ser modal ou não, inclusive muitas são tonais, outras microtonais e em nenhum momento usam modos dentro desse conceito "atual".

Não sei se fui de muita ajuda, mas acho que dá pra começar a procurar algo a partir daí, mas como disse, longe de ser um especialista, eu sou só um musico amador que gosta de gastar um bocado de tempo e até um bom dinheiro com a musica.

Fabiano Piano
Veterano
# mai/10
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Boa noite!!!
OK. A discussão já tem argumentos suficientes para se encerrar.
Vamos observar o que a regra diz:
Regras do Fórum Cifra Club
2. Respondendo tópicos
2.2. Procure postar apenas respostas que possam enriquecer a discussão. Desvirtuamentos de tópicos não são aceitos.
Valeu!!!


Cara, depois dessa fiquei extremamente decepcionado com o fórum. E olha que eu vira e volto uso para tirar dúvidas de áudio.

Enquanto essa mentalidade reinar, o Brasil vai ser esse país de m.. que sempre foi.

Eu sempre vejo tópicos aqui de adolescente perguntando se prefere o fresno ou o gun´s roses, se a guitarra prata é mais bonita que a preta, e agora que surge um assunto interessante, eu sou obrigado a ler isso! PARAAAAA!

Vc nunca ouviu falar que estamos na era da incerteza? E que só a discussão gera o conhecimento?
QUE RIDÍCULO SEUS COMENTÁRIOS.

Depois dessa, vc pode até me expulsar da comunidade, eu não sabia que o site tinha essa mentalidade capitalista!

Se vc não sabe interpretar informações, estão sendo discutidas as informações dos tópicos. Cada um vem aqui e contribui da maneira que pode (infelizmente nem todos positivamente, mas se tratando de Brasil, até que eu estava me surpreendendo)!

É uma pena colocar alguém com essa mentalidade pra ser moderador de alguma coisa, sem qualquer embasamento teórico e nível intelectulal! ISSO É UMA VERGONHA!

Fico indignado quando vejo alguém com esse tipo de conhecimento. Só em pensar que são essas pessoas que estão administrando alguma coisa e que serão os futuros adminstradores dá vontade de jogar tudo pra cima.

Valeu, penta blues. Corta ai esse tópico.
Aproveita e corta todo o tipo de discussão que vai gerar o conhecimento também. Exatamente como fizeram na sua escola, que tinha sempre uma resposta decorada para quem descobriu o Brasil, e na hora de tentar um vestibular descente fica reclamando que não passou e fica pagando R$900,00 pra uma Estácio da vida!

Pode deixar que isso será incluso na minha monografia, e ao menos no meio acadêmico, esse fórum ficara isento de qualquer prestígio acadêmico que posssa ter. Aliás, essa mesma monografia irá pra ABEM desse ano (se for aprovada) e como metodologia eu farei questão de queimar a administração desse FÓRUM.

Já vi um monte de tópicos com palavrões baratos sem o menor sentido, e vc vem querer derrubar meu tópico! Muito obrigado pela liberdade, penta_blues. Continue decorando suas pentatônicas ignorantes e as usando cegamente, ok!

Fabiano Piano
Veterano
# mai/10
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Outra coisa:

Pega suas regras e..... já sabe, né?

Curly
Veterano
# mai/10
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Fabiano Piano
Outra coisa:

Pega suas regras e..... já sabe, né?


Caraca ai.....

Genial isso, cara!!!!

Muito bom!

clap clap clap

Fabiano Piano
Veterano
# mai/10
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Ok, Nichendrix.

Obrigado pela ajuda e parabéns pelas respostas e pela sua busca pelo conhecimento, coisa que muitos que deveriam ter não o fazem.

Assim que tiver um tempo, vou fazer a leitura disso que interessa diretamente para o meu mestrado. Valeus pelas dicas e desculpe a nossa falte desincronia e entendimento de base teórica. Isso deixa qq estudante dois, o uso dessas termonilogias.

Se quiser, anote meu e-mail pra agente trocar uma idéia, já que os militares autoritários desse tópico vai fechar, porque o AI5 tá comendo solto. Eu tenho alguns poucos materiais em PDF dessa linha de raciocínio diferente da sua, que eu acho que seria bom vc ler pra ficar com uma visão mais ampla. Acho que seria um boa troca de informações.

metodologiadamusica@yahoo.com.br

Quem quiser ver a monografia (quando ficar pronta - até julho, vai ter uma lista com programas de computador que pode ser útil) me manda um e-mail. Eu ia postar o link aqui, mas tem muita gente ignorante e com pensamentos negativos por aqui.

Quem quiser discutir qualquer outro assunto ou tirar dúvidas sobre livros, etc, pode me perguntar.

afinal, aprendemos dialogando, mas tem gente que gosta de se afundar em um mar de ignorância.

Encerro minha parte por aqui. Quem quiser, pode mandar e-mail.

Ps: Mente vazia é um prato feito pro diabo! O coisa ruim adora que vcs sigam as regras! Continuem seguindo à risca as regras desse fórum, bando de perdedores!

Fabiano Piano
Veterano
# mai/10
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Irei sentir saudades do Curly. O cara é rápido...

Mal acabei de postar e ele já respondeu. Ele deve ser ocupadão!

Bjs Curly. Se cuida.

Ps: Gostou do fórum de filosofia que te indiquei?

Penta_Blues
Moderador
# mai/10
· votar


Boa tarde!!!

Fabiano Piano
Primeiro: Fóruns de poesia ou de filosofia pouco ou nada têm a ver com harmonia, até onde eu sei
Segundo: Pra quem se acha "muito esclarecido" escrever Derrepente (sic) ou vestibular "descente" (sic) é um "pecado" que não se deve cometer. Pelo menos isso não ficaria bem na sua "monografia", mas se vc já a remeteu e não há chance de corrigir, reze mesmo para ela ser aprovada, e assim sendo, reze mais ainda para o "meio acadêmico" que aprovar autores de seu "nível", pois mostrará exatamente o "Brasil" que vc tanto critica...
Valeu!!!

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