Sonata para violone (Contrabaixo e cembalo) - makumbator

    Autor Mensagem
    makumbator
    Veterano
    # abr/14


    Gravei de maneira descompromissada essa pequena sonata do séc XVII, atribuída à Giovanni Lorenzo Lulier (conhecido como Giovaninno del violone).

    Não se tem certeza absoluta da autoria da peça, mas provavelmente foi composta por esse compositor e instrumentista virtuoso e eminente em sua época (inclusive tocou com Corelli). Ele tocava violone e trombone.

    Gravei usando o sistema de temperamento desigual Werckmeister III (o preferido do Bach) e o lá 4 em 415Hz. O cembalo nos movimentos I e III são o “The small Italian” e o movimento II é o registro de alaúde do "Blanchet 1720". Ambos grátis (no formato Sf2). Modernamente ela é tocada com cello ou contrabaixo.

    Para quem se interessar, aqui mais informação sobre o sistema Werckmeister III:
    http://en.wikipedia.org/wiki/Werckmeister_temperament

    Para quem não conhece, logo abaixo vai vídeo de um violone:
    http://www.youtube.com/watch?v=EMcgA5UdhaA

    Tentei dar um ar “rústico” à gravação, usando menos vibrato (mais como ornamento mesmo, como se fazia na época). A gravação também é mais “seca”, pois preferi dar um ar de um ambiente de música câmara, sem muito reverb.

    No cembalo eu tentei seguir a característica do instrumento, que não consegue fazer variações de dinâmica como em um piano. Nele se usa diversos artifícios para simular o forte e o piano (como carregar com mais notas os acordes e dobrar o baixo no forte, e fazer acordes arpejados e linhas mais espaçadas no piano).

    A realização do contínuo é de autoria de Colin Tilney (o original é a linha melódica do solo + linha de baixo e cifras barrocas), mas mudei algumas coisas do que ele fez (principalmente no movimento I, para dar mais a alternância entre forte e piano no acompanhamento).

    I. Allegro
    http://app.box.com/s/na3iirjpctvtkcj8e2wm
    http://www.youtube.com/watch?v=04R_HPB22j4


    II. Adagio
    http://app.box.com/s/n7tmoj0o32kl7qh9dfjy
    http://www.youtube.com/watch?v=NcRGvTfYjyA


    III. Aria
    http://app.box.com/s/3w3qjtpfdcio8xduzp1q
    http://www.youtube.com/watch?v=YpIcaf-9NV4


    partitura e partes (sonata completa):
    http://app.box.com/s/coan963svcyk5mzexu58

    Base cembalo Allegro:
    http://app.box.com/s/oay9k4zyer2udfn7x8ho

    Base cembalo e metrônomo Allegro:
    http://app.box.com/s/vuqsbjh6a334psomh2ms

    Base cembalo Adagio:
    http://app.box.com/s/9x4536vn2f3b0m4jz27c

    Base cembalo e metrônomo Adagio:
    http://app.box.com/s/0bvr7fzttv88pal4wq28

    Base cembalo Aria:
    http://app.box.com/s/vllgyzu4698bbzouhbxa

    Base cembalo e metrônomo Aria:
    http://app.box.com/s/p4u2t4je4qrg3d7k6mlk

    Aqui links do cembalo que usei (rodei no Aria Player, que carrega arquivos sf2. O sistema de afinação e padrão de A4 tambpem foi ajustado no tocador):

    http://sonimusicae.free.fr/petititalien-en.html
    http://sonimusicae.free.fr/blanchet1-en.html

    Valeu!

    d.u.n.h.a.
    Veterano
    # abr/14
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    Foda como sempre!
    Muito bom, meu preferido foi o Aria mas todos tão lindos.
    Gostei muito da vibe criada, atmosfera bem legal mesmo.
    Demais mano, parabéns!

    Lelo Mig
    Membro
    # abr/14
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    makumbator

    Tô num PC sem áudio aqui!...só marcando para voltar depois.

    makumbator
    Veterano
    # abr/14
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    d.u.n.h.a.

    Muito obrigado! Agradeço as palavras. O movimento que prefiro nessa pequena sonata é o primeiro, mas todos são legais de se tocar.

    Lelo Mig

    Opa! Aguardo sua opinião! Valeu!

    Pé de chinelo
    Veterano
    # abr/14
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    makumbator

    Muito agradável de escutar todos os movimentos! parabéns pelo excelente trabalho!

    makumbator
    Veterano
    # abr/14
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    Pé de chinelo

    Obrigado camarada!

    Adler3x3
    Veterano
    # abr/14 · Editado por: Adler3x3
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    post duplo

    Adler3x3
    Veterano
    # abr/14
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    Makumbator
    Gostei da execução do baixo.
    E gostei também do cravo e do registro do alaúde escutados isoladamente.

    Mas na Mix nem tanto, os instrumentos não ficaram no mesmo nível.
    Tá certo que é difícil combinar instrumentos reais com instrumento virtuais.
    Mas continua um belo trabalho com toda a informação e cultura.

    Fiquei ansioso para ouvir, estava viajando e vi o tópico.
    Só que não tinha uma conexão boa para escutar, e primeira ação que fiz quando voltei de viagem foi escutar as peças.

    makumbator
    Veterano
    # abr/14
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    Adler3x3

    Gostei da execução do baixo.
    E gostei também do cravo e do registro do alaúde escutados isoladamente.


    Opa! Legal sua presença aqui! Agradeço!

    Mas na Mix nem tanto, os instrumentos não ficaram no mesmo nível.

    Uma parte disso talvez seja a questão de ausência de variação de dinâmica no cravo. Eu poderia fazer ele atuar como um piano (através da manipulação dos velocities), mas preferi deixar como no real mesmo, em que o efeito de eco (muito comum no barroco, principalmente no séc XVII) fica um pouco prejudicado no cravo, pois o solista faz a variação, mas o acompanhamento não (pelo menos não em dinâmica mesmo, e sim com as manhas que os cravistas sempre fizeram para amenizar o problema) . Esse efeito de eco aparece no primeiro movimento.

    Outro ponto é a questão do contrabaixo como solista, que como é um instrumento muito grave fica difícil fazer ele "aparecer" sem passar do ponto de volume. Com o contrabaixo solando com arco fica muito aquela coisa de não querer que ele suma (pela própria natureza do instrumento de ficar mais atrás devido à tessitura) com o receio de colocar volume demais (para compensar isso) e soar artificial (pois ao vivo, na música de câmara ele não se sobrepõe tão facilmente sobre uma base).

    Como sempre aprecio bastante suas colocações sobre esses assuntos, pois é o ouvido de alguém de fora, e que aprecia a questão de equilíbrio e "cola" da mix

    Adler3x3
    Veterano
    # abr/14
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    Makumbator

    Makumbator escreveu:
    Outro ponto é a questão do contrabaixo como solista, que como é um instrumento muito grave fica difícil fazer ele "aparecer" sem passar do ponto de volume.

    Sim, já percebi isto usando instrumentos virtuais.
    O Baixo esta se sobresaindo.
    Existe uma tênue linha entre o som aparecer e sumir, considerando que um dos instrumentos não é real (cravo) fica mais difícil ainda.
    Mas no geral gostei, pois os dois instrumentos principais utilizados são os meus favoritos, o baixo o cravo e o cello também.
    Gostaria até de tentar sem compromisso de tempo fazer experiências e testes pois escrever e falar é fácil, difícil é fazer.
    E neste trabalho você inovou dentro do fórum, pois esta utilizando uma afinação diferente, e dever ter dado um bom trabalho aqui também.
    Outro dia assisti a um recital composto por um cravista e um violoncelista, acho que até já comentei aqui no fórum.
    O violoncelista tocava baseado numa partitura, e o cravista que fazia o acompanhamento improvisava, e soou maravilhosamente bem.
    E de certa forma que não sei explicar ele conseguia fazer uma certa dinâmica, principalmente nos arpejos, mas conseguia na força também um certo efeito.
    Para minha audição o Cravo é meio hipnótico.

    Jabijirous
    Veterano
    # abr/14
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    Selo Makumbator de qualidade , muito bom!

    Por ser uma peça barroca, a escrita das dinâmicas está na partitura original?

    makumbator
    Veterano
    # abr/14
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    Jabijirous

    Selo Makumbator de qualidade , muito bom!

    Hsahsah! Valeu!

    Por ser uma peça barroca, a escrita das dinâmicas está na partitura original?

    Não! nenhuma delas está na original. Apesar daqueles ecos do primeiro movimento serem bem óbvios de serem feitos em forte e depois piano. Mas realmente no original ela é totalmente limpa de indicação de dinâmica.

    Adler3x3
    Existe uma tênue linha entre o som aparecer e sumir

    Exatamente! E no contrabaixo solando isso é até mais difícil que nos demais instrumentos. Inclusive isso ocorre ao vivo mesmo, usando só instrumento real. Uma das coisas mais fodas de um baixo conseguir fazer é se sobrepor sobre uma orquestra (por exemplo) em um concerto.

    Já solei ao vivo com orquestra de cordas (que é bem menor que uma orquestra sinfônica) e foi difícil equilibrar no som. Apesar que na ocasião eu considerar que tive sucesso, não foi fácil, e precisei da colaboração dos outros músicos para que realmente fizessem tudo um pouco mais piano.

    Outro dia assisti a um recital composto por um cravista e um violoncelista, acho que até já comentei aqui no fórum.
    O violoncelista tocava baseado numa partitura, e o cravista que fazia o acompanhamento improvisava, e soou maravilhosamente bem.


    E de certa forma que não sei explicar ele conseguia fazer uma certa dinâmica, principalmente nos arpejos, mas conseguia na força também um certo efeito.
    Para minha audição o Cravo é meio hipnótico.


    Ah sim! E mesmo o cravo sendo limitado em dinâmica com as manhas se consegue simular bem e se ajustar a outro solista quando o acompanhador é realmente bom. Tem gente que alega que também tem um pouco de psicoacústica envolvida, e que ao vivo, vendo os músicos e suas reações corporais isso fica ainda mais efetivo.

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