Linha divisória entre o ruim e o de gente grande

    Autor Mensagem
    Locutus
    Veterano
    # dez/08


    Pessoal
    Olá a todos, minha primeira postagem embora seja leitor do fórum.

    Toco violão há anos, mas me considerando bem fraco. Fiz aulas, toquei bastante em igrejas (grupo de jovens) sempre nas batidas e por cifras (nada contra). Já tive tonantes e também um modelo fora de série que eu nem sabia avaliar direito devido aos poucos conhecimentos.

    Hoje quero retornar aos estudos focando em termos de uma boa execução, algo clássico, com conhecimento de teoria, mas sem ser um concertista, mas também não quero ficar só no be-a-ba.

    Tenho dúvida sobre que violão comprar, pois quero investir algum dinheiro, mas quero ficar longe de instrumentos ruins, mas não quero também nada de luthier... nem muito caro. Gostaria de um modelo com boa construção, escala em ébano :) , confortável de se tocar etc. Como me considero fraco gostaria da ajuda de vocês...

    A) Como sei tocar um pouco, o que observar ao experimentar um instrumento?

    B)Qual a linha que divide um instrumento ruim de um que já é de gente grande?
    Teríamos que falar de um Giannini C3, Author 3 ? Ou nesses exemplos ainda estamos em instrumentos de 2a. categoria? Precisaria ir para Tárrega? Master? C4? (desculpem a limitação das marcas, mas não conheço muitas outras... é só para ilustrar mesmo)

    Obrigado antecipadamente pela ajuda!!

    Locutus
    Veterano
    # dez/08
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    Desculpem

    Acho que deveria ter postado no tópico
    "Tópico sobre como comprar o primeiro violão"
    embora não seja meu primeiro violão...
    Certo?

    Alvaro Henrique
    Veterano
    # dez/08
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    Bem, a linha que divide os violões ruins dos de "gente grande" você já sabe qual é, mas não quer cruzar: um violão de luthier.

    Com uma boa pesquisa, é possível encontrar violões de luthier à venda por R$ 1.500 ou R$ 2.000. Some a isso as facilidades de comprar um violão direto com quem o faz, e não vejo muito motivo pra deixar de comprar um instrumento artesanal, que não desvaloriza como os de fábrica, e gastar R$ 1.000 ou R$ 1.200 num instrumento que, ao sair da loja, ja perdeu metade do preço.

    Instrumentos de fábrica são muito irregulares. Exceto quando falamos de extremos, como um Tonante, é muito difícil afirmar qual modelo e marca é melhor. Tem de testar muito. Preste muita atenção ao avaliar a afinação do violão. Como lojas de música normalmente são barulhentas, o que no ruído da loja parece afinado, no silêncio do seu quarto começa a apresentar problemas.

    ByddU
    Veterano
    # dez/08
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    Alvaro Henrique


    vejo falar tanto nos luthiers, com violões e tals...
    o que tem de tão bom nos instrumentos feito por eles??


    a madeira?? a perfeição?? a beleza?? ou qualquer outra coisa que possa ser...

    Alvaro Henrique
    Veterano
    # dez/08
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    São várias coisas, ByddU.

    O material já é um diferencial grande. Vários violões de fábrica são laminados ou compensados. Tanto o compensado como o laminado são invenções da indústria moveleira, que permitem obter peças de madeira mais fortes e que vibram menos. Não precisa ser gênio pra perceber que é exatamente o oposto do que precisamos num instrumento musical. Mas, como são mais baratos, predominam nos violões de fábrica madeiras laminadas e compensados.

    Mas não basta ser madeira maciça. A madeira tem de ser de boa qualidade. E isso tem um custo. Vários violões de fábrica já são vendidos a um preço que não dá nem pra pagar bons materiais. Por exemplo, veja esse link: http://www.lmii.com/CartTwo/thirdproducts.asp?CategoryName=+Backs+and+ Sides&NameProdHeader=Honduran+Rosewood . É de um site muito famoso entre luthiers do Brasil e de todo o mundo, e vários compram materiais por aí. Essas peças de madeira necessárias para APENAS lateral e fundo custam pouco mais de 200 dólares (hoje, cerca de R$ 500) se forem de melhor qualidade.

    E ainda não adianta ser apenas uma boa peça de madeira. O material precisa ser adequadamente curado e seco pra se tornar violão. Dependendo da peça, isso significa ficar 10 ou 15 anos numa sala climatizada.

    Junte a isso o fato que, na produção artesanal, o luthier pode combinar peças de madeiras que vão formar um bom conjunto. O luthier testa as propriedades acústicas de um tampo, observa os pontos fortes e fracos daquela peça, e já vai escolhendo peças de lateral, fundo, escala, etc. que vão casar melhor com aquela peça. Numa fábrica, muitas vezes não é possível fazer a melhor combinação de partes diferentes, e o instrumento sai um Frankenstein.

    Mas o maior diferencial é que o violão é feito para VOCÊ. É um instrumento que atenderá os seus objetivos musicais, adaptado pras dimensões do seu corpo, e com um nível de individualização que nenhuma fábrica pode oferecer.

    Locutus
    Veterano
    # dez/08
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    Alvaro
    Obrigado pela resposta

    Por favor dê uma olhada no topico do Pardal sobre o primeiro violao. (Deve ser o primeiro da lista do forum de violão) postei a continuação deste assunto...

    Grato

    ByddU
    Veterano
    # dez/08
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    Alvaro Henrique
    Obrigado pela explicação detalhada.

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