Dar um brilho no som

    Autor Mensagem
    MABsound
    Veterano
    # set/10


    É uma boa matéria, saber nunca é demais!



    Dar um brilho no som é essencial
    Os sons médios são aqueles compreendidos entre 200 a 1KHz (os médios graves), 1KHz a 2KHz (médios
    "médios") e os médios agudos (de 2KHz até 5KHz). Os sons agudos são os de aproximadamente 5KHz
    para cima. Esses valores não são rígidos, podendo variar de autor para autor, mas isso não nos importa.
    O nosso interesse são os sons de 2KHz para cima, ou seja, os médios-agudos e agudos. Estes são os
    sons responsáveis por uma palavra difícil, tanto para escrever quanto para falar: "inteligibi lidade". Mas
    essa palavra é importantíssima para a qualidade do som.
    Inteligibilidade quer dizer "clareza e definição". Dela vem o termo inteligível, que quer dizer "o que é bem
    compreendido", "o que é fácil de entender". São os sons médio-agudos e agudos os grandes
    responsáveis pela inteligibilidade, ou seja, pelos ouvintes conseguirem entender o que está sendo falado,
    cantado, tocado. E também é o responsável pelo sentido de direção do som (saber de onde o som está
    vindo).
    Claro que nenhum leigo (alguém da igreja que não seja músico ou cantor ou operador de som) vai dizer
    que o som está sem "inteligibilidade". Eles vão dizer que o som está "como som de lata" (excesso de
    médios) ou "sem corpo" (falta de médios); "sem brilho" (falta de agudos) ou "muito brilho" (excesso de
    agudos), ou talvez de outra forma (alguns são bem claros: "não estou entendendo nada").
    Independentemente da forma que reclamarem, com certeza
    vão
    reclamar, pois são esses sons que os
    farão entender ou não a mensagem.
    Faça você mesmo o teste em casa. Pegue um CD cantado. Coloque no aparelho de som, qualquer um
    que tenha pelo menos equalização de agudos e graves. Toque a música normalmente para se ter uma
    referência. Agora, toque novamente, mas coloque a equalização assim: os agudos no máximo e os
    graves no mínimo. Você continuará conseguindo entender o que o artista canta. Agora, coloque os
    agudos no mínimo e os graves no máximo. Será muito mais difícil entender o que está sendo cantado.
    Esse teste funciona também para vozes masculinas. Isso acontece por causa dos harmônicos, ondas
    sonoras que são múltiplas das fundamentais. Uma voz masculina do tipo baixo "começa" em 100Hz, mas
    chega a 5KHz com os harmônicos (um tenor chega a 8KHz, alguns até mais). Já uma voz feminina do
    tipo soprano pode chegar a 12KHz ou até mais, com os harmônicos.
    Até quem não entende absolutamente nada de som sabe que os médios e agudos são importantes para a
    inteligibilidade. O exemplo acontece todos os dias, quando passam na porta das nossas casas vários
    veículos, anunciando diversos produtos:
    - Olha o gás, "olhogáiz"
    - Água mineral, apenas 5 reais.
    - "Olha a pamonha, bem quentinha e gostosa".
    Os veículos invariavelmente são equipados com uma corneta. Lembram um megafone, desses que se vê
    mais em filmes que na vida real. Mas porque as cornetas? Porque elas reproduzem os sons médios
    (principalmente) e agudos. O som pode não ter "peso" (grave), ter som de "taquara rachada" (por causa
    do excesso de médios), mas permitem entender exatamente o que está sendo dito, o que está sendo
    falado. Se em vez de uma corneta usassem um woofer (alto-falante de graves e médios-graves) de 15",
    ninguém conseguiria entender nada.
    Uma outra característica dos sons agudos é a sua direcionalidade. Os sons são espalhados em uma só
    direção. Sons entre 2KHz e 4KHz se espalham em ângulos menores que 180º. Sons entre 5KHz e 10KHz
    se espalham com ângulos menores, entre 100º e 70º, e sons acima disso se espalham em ângulos muito
    restritos, às vezes 60º, 40º. Quanto mais próximo de 20kHz, menos o som se "espalha", ou mais
    direcional o som é.
    Nesses veículos, a direcionalidade do som é utilizada para sabermos se o veículo está se aproximando
    ou se afastando, e até mesmo a posição relativa. Está na rua abaixo, está na rua acima, etc. Já os sons
    graves são omnidirecionais, não dá para precisar de onde vem e para onde vão. O máximo que
    percebemos é a aproximação e o afastamento por causa do volume aumentando ou diminuindo. Outros
    bons exemplos são os alarmes. O som é médio-agudo porque precisamos saber a direção, saber qual é a
    casa ou o veículo onde o alarme disparou. Não existem alarmes com woofers.
    Aproveitando o assunto dos alarmes, já notou como as sirenes utilizadas são pequenas? Essa é outra
    característica dos sons médios e agudos. Não há a necessidade de falantes grandes. Quanto menor o
    alto-falante, menos graves ele "falará". São falantes pequenos e baratos também. Mesmo um bom driver
    titânio custa menos que um woofer "pesadão". Os exemplos de pequenos falantes de médios e médio-
    agudos são milhares, pois toda a nossa vida é pontuada por pequenos disposi tivos onde existem
    pequenos alto-falantes reproduzindo algumas frequências médias e agudas.

    Por último, outra característica interessante dos médios e agudos é que são sons facilmente absorvíveis.
    Qualquer roupa ou tecido (cortinas, etc) ou espumas e esse tipo de som é bastante atenuado.
    Agora que já sabemos a importância desses sons, é necessário observar alguns problemas sérios que
    acontecem nas igrejas.
    O primeiro é a "queima" dos tweeters ou drivers (alto-falantes de médios e agudos). Eles param de
    funcionar devido a algum problema (em geral, por excesso de potência). Os alto-falantes de agudos, por
    causa do seu pequeno tamanho, são muito mais sensíveis que os woofers quanto à excesso de potência.
    Um "tiro", "estalo" e uma microfonia mais forte podem levá-los a queimar. Isso não é raro de acontecer.
    O termo é queimar, mas não há perigo de fogo nem fumaça. Existe uma peça dentro dos alto-falantes
    chamada bobina. Um fio enrolado várias vezes como se fosse um pequeno túnel. Quando existe um
    excesso de potência, a bobina esquenta demais e se rompe, como se fosse um fusível. Não há fogo.
    Apesar do falante queimado, a caixa de som continua funcionando pelo woofer, com seus sons graves e
    médio-graves. O público (os membros da igreja) continua achando que está tudo funcionando, mas
    começam a acontecer reclamações diversas, de que não dá para entender o que está sendo dito, que o
    som está embolado, que está faltando "brilho", que o som está ruim, etc.
    Se existir uma caixa de som assim durante um culto, haverá reclamação de falta de "brilho", som
    embolado, por parte das pessoas que sentam naquela região. A reação natural do operador de som é
    acrescentar agudos na equalização da mesa de som. Se outras pessoas passarem a reclamar que "tem
    brilho demais" (pessoas de uma região do templo reclamando de falta e pessoas de outra região do
    templo reclamando de excesso de agudos), é sinal com certeza de algum falante de agudo queimado.
    Um teste fácil de ser realizado (com a igreja vazia, sem ninguém): peça para alguém tocar teclado, lá
    pelas últimas notas da direita (as notas mais agudas). Equalize o canal da mesa de som tirando todos os
    graves e todos os médios e coloque os agudos no máximo. Enquanto a pessoa toca, vá caixa por caixa
    do templo. Escute, preste atenção, compare todas. As que estiverem com falante de agudo queimado
    serão facilmente identificadas. Aliás, esse teste é tão simples que deveria ser realizado periodicamente, e
    não somente quando houver reclamações.
    O segundo problema é a posição das caixas de som em relação ao público. Já que os agudos são
    facilmente absorvidos e muito direcionais, a influência do posicionamento será muito importante para o
    sucesso (ou insucesso da reunião).
    A regra é simples: quem conseguir visualizar o alto-falante de agudos o escutará. Quem não conseguir
    ver, não conseguirá escutar. Essa regra explica porque colocamos alto-falantes no alto (sistema fly, line-
    array, clusters ou mesmo simples caixas penduradas nas paredes), acima das nossas cabeças, e
    inclinadas em direção ao público. Isso tudo para que os médios e os agudos percorram um caminho livre
    da caixa de som até os nossos ouvidos.
    A posição errada das caixas de som pode estragar um evento. Um erro comum é colocar as caixas de
    som no chão. Nessa situação, o alto-falante de agudo fica abaixo ou no máximo no nível do ouvido de
    uma pessoa sentada. Resultado: quem está próximo às caixas, escuta bem, mas funciona como um
    absorvedor de som. Logo, quem está longe, perde inteligibilidade. Um simples e barato pedestal para
    caixa de som (entre 70,00 e 150,00 reais) melhora muito o som. Na falta de um pedestal, improvise com
    uma cadeira, uma mesa, um suporte qualquer.
    Outro erro é caixa acústica instalada de "cabeça para baixo". E caixa de som tem cabeça? Tem sim, é o
    lado dos falantes de médios e agudos. Estes precisam ficar para cima. É o mesmo erro que o anterior.
    Acontece muito com quem não entende absolutamente nada. E tem muita igreja assim, pode acreditar.
    Isso faz diferença mesmo com a caixa pendurada na parede, em posição mais alta.
    Por último, todas as regras acima valem para o operador de som também. Ele, mais que todos, precisa
    ouvir bem o som que ele está "fazendo". Sentar de preferência no meio do público, ou pelo menos que
    tenha disponível para seu uso uma caixa de som (para ouvir os médios-agudos), caixa esta que deve ser
    IGUAL E COM O MES MO SO M QUE O PA, que o público está ouvindo. Em inúmeras igrejas eu vi (e
    continuo vendo) o operador situado em posição totalmente inadequada, sem sequer uma caixa de som
    para sua referência. Até posições em que o equipamento ficava atrás do altar ou palco da igreja, em uma
    posição em que mal se vê o que está acontecendo, e pior ainda se escuta, já encontrei. Deus tenha
    misericórdia do seu povo em uma igreja dessas.
    Por isso que, em igrejas com um mínimo de preocupação com sonorização, o operador está no situado
    no meio do público (melhor posição possível, mas em geral exige concepção desde a construção da
    igreja) ou lá atrás, no final da igreja (posição razoável, sofre um pouco com as reverberações da parede
    final, mas é mais fácil de implementar em lugares já construídos). Tudo isso para que a mensagem Divina
    seja transmitida da melhor forma possível, bem assimilada, para que aconteça o que todos desejamos:
    Salvação!

    Edson Caetano
    Veterano
    # set/10
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    MABsound
    Os créditos são de quem??

    MABsound
    Veterano
    # set/10
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    creditos para: Fernando A. B. Pinheiro

    Osvaldojr
    Veterano
    # out/10
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    muito bom seu tópico. Mas acho que do ponto de vista do ouvinte, se ele não estiver em um ambiente com uma razoavel acustica de nada valerá a fonte do som estar bem regulada com os agudos se a sala está pecando pela acustica....é todo um conjunto de fatores....por exemplo, se vc estiver ouvindo musica com uma caixa sem twiter....

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