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Funk, a "música" a serviço do crime

Autor Mensagem
Claudio Natureza
Veterano
# fev/05 · Editado por: Moderador


Depois da criação do funk carioca, um arremedo de música cujas letras fazem apologia ao tráfico e ao sexo "fácil", a criminalidade aumentou consideravelmente aqui no Rio de Janeiro. Até a década de 90, a proximidade entre os jovens de classe média, e mesmo os de classe pobre, com os criminosos que são "donos" dos morros cariocas, se resumia ao contato para a compra de drogas esporádica, o que mudou bastante com a aparição dos bailes funks nas favelas, todos eles dominados pelo tráfico.

a partir de antão, e ecom a projeção que o funk carioca atingiu, ajudado por pessoas como XUXA, os jovens de toda a cidade passaram a frequentar os morros dominados pelo tráfico, onde o consumo de drogas de todo o tipo e o contato com fuzis, soldados do tráfico, etc, se tornou corriqueiro, passando os jovens do "asfalto" a engrossar as fileiras desse exército de criminosos, o que aumentou explosivamente aviolência na cidade.

então eu pergunto, por que não acabam com tais bailes? quem é que está levando grana nessa história?

vejam a reportagem que saiu no O GLOBO de domingo e pensem:

Funk: transtorno até para vizinhos no asfalto


Crescem queixas ao Disque-Denúncia sobre excesso de barulho, tiros, venda de drogas e apologia ao crime

Controlados por traficantes, na contramão de leis e sem fiscalização, os bailes funk em favelas viraram fonte de transtornos para vizinhos não só de morros como do asfalto, desencadeando uma corrida ao Disque-Denúncia. Embora muito pulverizados, os bailes promovidos na Ilha do Governador (Dendê e Barbante) encabeçam as queixas, com 7,3% das 1.925 reclamações feitas em 2004 sobre excesso de barulho, tiros, venda de drogas e apologia ao crime em festas funk. Mas, somando-se os bailes realizados em favelas da região que começa no Estácio, passa pelo Rio Comprido e Santa Teresa e chega à Tijuca, o percentual de queixas chega a 13,7%. Festas em Bangu, especialmente as que acontecem na Vila Kennedy, também estão entre as que causam mais incômodo à vizinhança.
Os bailes que atraem mais público são os da Árvore Seca, no Complexo do Lins, que desbancaram os do Chapéu Mangueira, no Leme. Segundo a inspetora-chefe de investigação da Polinter, Marina Magessi, os bailes da Árvore Seca nos fins de semana reúnem 20 mil pessoas, inclusive da Zona Sul.
— O Lins inteiro escuta. Teve uma época que a polícia reprimiu e o pessoal deu uma parada. Mas voltou tudo de novo. O baile começa sábado à noite. E às 7h, 8h de domingo, ainda tem barulho — reclama um líder comunitário.
Morro do Salgueiro faz
os bailes mais violentos
Interrompido temporariamente desde o carnaval, o baile mais violento do estado, segundo Marina, é o do Morro do Salgueiro, onde, além da feira de drogas, bandidos circulam ostensivamente portando fuzis.
— Muitas vezes, quando acaba a festa, o pessoal desce do morro e faz arrastão em ruas próximas à Praça Saens Peña — conta um morador da Tijuca.
Em dias de baile, o morador tem de usar um artifício para conseguir dormir:
— Boto o rádio fora de sintonia, com chiado, para abafar o som do Salgueiro. Eles fazem “poesias” elogiando a facção criminosa do morro. Sem falar nas bombas que soltam e nos tiros que disparam.
Outro morador da Tijuca, só que próximo ao Turano, se vale de recursos diferentes:
— Para abafar o som da quadra do Turano, coloquei tiras de plástico no ar-condicionado, para fazer barulho, e espuma nas frestas das janelas.
Ele conta o que acontece:
— Por volta das 3h, ouvem-se tiros e fogos. Acho que é um CD. E eles dizem: “galera vamos acordar. É o morro no comando”.
Mais um vizinho do Turano, só que do lado do Rio Comprido, se queixa:
— Além do volume, as músicas atentam contra o pudor. É muito palavrão. Mandam as moças tirar a calcinha. Tenho cinco netos, de 2 a 5 anos, que costumam dormir na minha casa e têm de escutar isso. Valores são jogados fora.
Denúncias de ligação de bailes com roubo de cargas
A capital encabeça, com 73%, as reclamações sobre bailes funk feitas ao Disque-Denúncia. Em segundo lugar fica Caxias, com 8%. E, em terceiro, vem Niterói, com 5%. Monitoramento feito pelo Disque-Denúncia confirmou a ligação entre bailes funk e o roubo de cargas de cerveja e carne. A mercadoria é vendida nas festas a preço baixo.
Moradora da Ladeira dos Tabajaras, uma dona-de-casa lamenta, mas fala pouco sobre os inconvenientes causados pelo baile realizado na quadra da Unidos da Villa Rica:
— Todo mundo tem que ficar calado. O traficante daqui é o cão de brabo.

Da Zona Sul para a Zona Oeste, um morador Senador Camará, próximo à favela do Rebu, diz que nem escola escapa:
— A festa é na quadra de esportes. Mas, quando chove, os bandidos levam as caixas de som para a Escola municipal Mário Fernandes Pinheiro e fazem o baile lá mesmo.

Os bailes ocorrem sem que a legislação seja cumprida. Os responsáveis precisam solicitar autorização da polícia. Segundo o relações-públicas da PM, coronel Aristeu Leonardo, os pedidos devem ser feitos aos batalhões:
— Normalmente, os bailes se realizam sem que a PM seja informada. Sabem que não serão aprovados e fazem por conta própria. A PM só fica sabendo quando recebe uma denúncia.
O secretário municipal de Governo, João Pedro Figueira, explica que todos os bailes realizados fora de clubes e quadras (estes têm alvará definitivo) precisam requerer alvará provisório à Coordenação de Licenciamento e Fiscalização (órgão da Secretaria de Governo), que só é dado depois de autorização da polícia
— Fora de clubes e quadras, nos último seis meses todos os bailes que foram realizados não tiveram licença da prefeitura.
Autor da legislação que regulamenta os bailes funk como atividade cultural de caráter popular, o deputado Alessandro Calazans alega que essa lei não dispensa os bailes de licença:
— Geralmente, os bailes de favelas não se enquadram como movimento cultural. São patrocinados por traficantes e, às vezes, acontecem nas ruas. Nesse caso, a polícia tem de ir lá e prender todo o mundo.
Quanto a reclamações de barulho, o secretário municipal de Meio Ambiente, Ayrton Xerez, afirma que a secretaria só tem como comprovar denúncias em clubes e quadras:
— Quando o baile acontece dentro de uma favela, a questão é mais de segurança pública do que de poluição sonora. Não temos como mandar um fiscal a um baile como esse, colocando sua vida em risco.


Jornal: O GLOBO

deathmeister
Veterano
# fev/05
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Nao preciso nem ler tudo pra dizer que o funk carioca eh a pior coisa e mais indescente do Brasil fora que as letras sao todas denegrindo a imagem da mulher e ainda tem umas idiota que curtem isso.

JediKnight
Veterano
# fev/05
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elas ficam "atoladinhas"

Alexandre Souza
Veterano
# fev/05
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"O jornalista da TV Globo Tim Lopes morreu, no último dia 2, brutalmente assassinado por traficantes, quando fazia uma reportagem sobre tráfico de drogas e exploração sexual em um baile funk na favela Vila Cruzeiro, subúrbio do Rio de Janeiro.

Gabriela Goulart
"A impressão digital do jornalista", copyright Jornal do Brasil, 16/06/02


izack darck
Veterano
# fev/05
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Funk...não posso deixar de admitir que vcs têm razão.

Claudio Natureza
Veterano
# fev/05
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deathmeister


eu gostaria que todos lessem, pois a questão é muito pior do que ofensas às mulheres, é uma questão de segurança pública.

é preciso denunciar isso e repudiar um ritmo que se presta a tais atrocidades.

Irmao_Caminhoneiro_Shell
Veterano
# fev/05
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E como que é aquela parada do "Já é" que ta todo mundo comentando ???

LOW Fl
Veterano
# fev/05
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Claudio Natureza

Alem da apologia ao crime nos bailes o que me incomoda eh uso da palavra "Funk" para definir os estilo. O que eh tocado no rio nao me remete a nenhum momento a lembranca do que eh o Funk de James Brow, Clinton. Acho que Jorge Ben, Ed Motta, Claudio Zolli, Paula Lima etc tem o espirito e o groove.

Claudio Natureza
Veterano
# fev/05
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Irmao_Caminhoneiro_Shell

"já é" é o mesmo que 'tá certo", OK, é uma giria de favela que os frequentadores de baile funk trouxeram para o asfalto.

Irmao_Caminhoneiro_Shell
Veterano
# fev/05
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Claudio Natureza

não mas parece que no fantastico falo que o cara vai la e fala pra mina "ja é", e se ela responde alguma coisa é so pega a mina e comer

Claudio Natureza
Veterano
# fev/05
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Irmao_Caminhoneiro_Shell

com o tempo o termo passou a ser usado pra tudo, tipo, e sai? vamos trepar? agora é "ai mina, já é?

TrasTTe
Veterano
# fev/05
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Claudio Natureza

Infelizmente o tráfico é a "carreira" que traz melhores perspectiva para muitos jovens das favelas. Quem se dá bem nessa "profissão" ganha dinheiro para comprar roupa de marca, casa, carro, enfim, se sentir parte da nossa sociedade de consumo.

O tráfico traz a perspectiva de ser alguém

As letras que fazem apologia ao crime exaltam isso....

é preciso denunciar isso e repudiar um ritmo que se presta a tais atrocidades.


Obviamente concordo com o que tu falou, mas acredito que acabar com os bailes funk não é solução.

é preciso ir na raiz...

o que precisamos é de projetos sociais eficientes que possam dar ao jovem uma perspectiva melhor do que o mundo do crime.
Um futuro honesto.
Tenho certeza que o tráfico diminuiria e MUITO.

Irmao_Caminhoneiro_Shell
Veterano
# fev/05
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Claudio Natureza
Parece que sim, eu nao vi a materia mas tavam comentando aqui no trampo, que o cara vai e fala:

CAra: Já É ?
Mina: Já ééééé

Ai ele saem e vao trepar, mesmo sem se conhecer e tal

marcioazzarini
Veterano
# fev/05
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Eu acho o cúmulo chamarem o "Batidão Carioca" de Funk... Dá até vergonha de falar que sou fã de Funk, mas do verdadeiro, da década de 70.

No release de minha banda tinha uma citação de alguns estilos que a gente toca, inclusive FUnk. Sempre que alguém ia comprar um show, na hora de ler, falava a frese:

- "Mas vocês não vão tocar Bonde do Tigrão, né?" com ar de assustado...

Aí tiramos o Funk, e a Disco e colocamos simplesmente Black Music.

Claudio Natureza
Veterano
# fev/05
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Irmao_Caminhoneiro_Shell

cara, só se for lá na favela, pois aqui no asfalto não chegou a esse ponto não...rsrsr

Claudio Natureza
Veterano
# fev/05
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realmente, aquelas músicas não são funk, e sim um tal de Miami Bass.

funk é George Clinton, James Brow, Banda Black Rio, etc..

TrasTTe
Veterano
# fev/05 · Editado por: TrasTTe
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pois a questão é muito pior do que ofensas às mulheres

mas vamos combinar que isso tb é foda...

quando eu vejo as patis (pelo menos as Gaúchas) todas se rebolando com um baita sorrisão na cara ao som de musicas que falam:

"vem quebrando vagabunda
vô gozá na tua garganta
esporrea na tua cara
esfrega minha benga mole nos teus óinho"

poxa! perco todo o respeito pela infeliz na hora!!!

anos e anos de luta para conseguir mais espaço no mercado de trabalho, salários justos, avanços na igualdade de direitos e respeito no mundo intelectual/acadêmico escorrendo pelo ralo....

TrasTTe
Veterano
# fev/05
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pra essas mulher só uma bela surra-de-pau-mole

TrasTTe
Veterano
# fev/05
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heheh

Claudio Natureza
Veterano
# fev/05
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TrasTTe

cara, muito pior é os traficantes acertarem dois tiros de fuzil na sua casa e vc ver um monte de gente do asfalto subir o morro pra pagar pau pros traficantes no baile.

LeandroP
Moderador
# fev/05
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Claudio Natureza

E essa bosta veio parar aqui em Sampa..... tá dominado, tá tudo dominado!

Claudio Natureza
Veterano
# fev/05
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LeandroPanucci

é o começo do fim..

JediKnight
Veterano
# fev/05
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graças a Deus não conheço essa faceta de sp ... haha mas outro dia um amigo me chamou pra escutar um pancadão na LOV.E haha Dj Marlboro

TrasTTe
Veterano
# fev/05
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Claudio Natureza

cara, muito pior é os traficantes acertarem dois tiros de fuzil na sua casa e vc ver um monte de gente do asfalto subir o morro pra pagar pau pros traficantes no baile.


Com certeza! deve dár vontade de esfolar um muleque desses e mandar fazer algo que preste...

Claudio Natureza
Veterano
# fev/05 · Editado por: Claudio Natureza
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TrasTTe


Essa proximidade com o crime fez muito mal a galera mais nova aqui do Rio, além de ter feito a fama dos safados, fazendo que muita gente do asfalto se espelhasse neles.

um serviço relevante do Funk.

Harvey
Veterano
# fev/05
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Não acho que devamos culpar a música pelo que está acontecendo. Eu não curto funk carioca, pra dizer a verdade, detesto... mas, dizer que o funk é culpado pela banalização da violência é usar o mesmo argumento do jabor e de outros tantos jornalistas para as causas da morte do dimebag... esse argumento foi duramente criticado aqui e com razão, por isso não vejo sentido usá-lo novamente, só pq, desta vez, o estilo musical em questão é odiado pela grande maioria aqui do fórum...

as letras falam baixarias, sim. é verdade. mas velhas virgens tb fala, eu gosto bastante e não conheço problemas envolvendo shows deles....

a grande culpada de tudo isso, talvez, seja a cultura do povo brasileiro... aqui, quem rouba é esperto. quem segue as regras é careta, idiota. infelizmente, pensamos assim. o brasileiro é atraído para o crime. parece sentir orgulho ao dizer que é amigo de traficante e assemelhados... e isso não é de hoje, por isso o argumento de que é o baile funk o responsável, não cola... essa simpatia pelo crime, cresce.. uma vez era esperto enrolar um amigo, ganhar uma grana às custas da ignorância de outro... hoje isso é banal, pra não dizer que é exigido pra que uma pessoa seja considerada "esperta". pra se ter "respeito", tem de ir pra coisas mais pesadas, como o crime organizado, e tal...

solução? bem, isso eu não sei. é complicado mudar a cultura de um país. fomos moldados dessa maneira durante 500 anos.. isso parece já fazer parte dos genes de um brasileiro... o fato é que impedir um baile funk é apenas uma atitude imediatista e inócua.. não resolve.. o brasileiro tem de aprender a discernir o certo do errado, em primeiro lugar..

LeandroP
Moderador
# fev/05
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Harvey

A culpa não é da música, mas a música está sendo usada pro recrutamento e dispersão das idéias... é isso que está sendo discutido.... e que aliás... funk é outra coisa... até o nome eles roubaram....

Claudio Natureza
Veterano
# fev/05 · Editado por: Claudio Natureza
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Harvey

entendo a sua posição de repudiar o uso da música como "motivo" para a violência, mas, a questão que eu expus aqui eu presencio há anos e realmente o tal "funk carioca" atrai sim os jovens para um mundo onde o criminoso é o herói, e , inclusive, existem os cds de funk conhecidos como proibidões, que só falam em usi, g3, fao (tipos de armamentos) CV, ADA, TERCEIRO COMANDO (facções criminosas), putaria, esse tipo decoisa, e a existência de bailes nas favelas onde os criminosos desfilam impunemente com seus fuzis e motos e carros roubados é um fato.

não esqueça que o jovem adolescente ainda está formando seus valores, e um ritmo que se presta a divulgar um modo de vida onde a criminalidade é quem manda, deve ser repudiado.

Harvey
Veterano
# fev/05
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LeandroPanucci
pois é.. mas a maioria aqui tá descendo lenha no funk, ou no fato do estilo "funk" ser algo totalmente diferente do tipo de música que é tocada nesses bailes.. acho que a discussão deveria tomar outro rumo.. não se deveria discutir o estilo musical mas o pq está acontecendo..

que o funk está sendo usado para atrair as pessoas, não há duvida. pelo fato de ser uma música fácil, bastante difundida e associada ao sexo... mas o que quero dizer, e posso ter sido mal interpretado pq escrevo muito mal, é que o funk é apenas um meio. não a causa. se impedirem o funk, será outro estilo músical que chame a atenção da galera... isso não vai parar.. como atitude imediatista deveria se impedir a realização de qualquer reunião (baile) que não seja autorizado.. mas, aí eu penso na nossa polícia mal armada e que não pode atirar em ninguém em função dos "direitos humanos" e nos fuzis que os traficantes usam e penso: acho complicado disso acontecer...

Harvey
Veterano
# fev/05
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Claudio Natureza
concordo contigo, cara.. mas acho que não é só a música.. hoje, temos jogos, filmes, internet onde a violência se torna algo corriqueiro.. isso também influencia.. claro, que para o pessoal de menor renda, a música continua sendo o principal atrativo... mas ainda acho que essa atração pelo crime faz parte da cultura brasileira, mas não nego que foi acentuada pela propagação da violência na mídia..

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