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      Valvulado? Solid State? Analógico? Digital? Homenagem ao Charlie Brown?

      Autor Mensagem
      Bigtransa
      Veterano
      # out/10
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      Vinícius Iron
      Isso é óbvio, mas eu tô falando só de amplificadores.

      Eu tb to falando de amplificadores, o que acontece é que no terreno dos amps pra guitarra o que se discute é o desempenho dos digitais imitando valvulados.....

      nichendrix
      Veterano
      # out/10
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      MMI
      Lembrou de Cocaine "do Clapton".

      Com certeza, o Clapton é peculiar nisso, se pegar os 10 maiores sucessos dele, a maioria é de terceiros.

      Vinícius Iron
      pode ser que exista outro motivo que faça com que as pessoas continuem usando valvulados

      Cara, continuar usando eu não tenho dúvida que vão continuar, mas só quem já tem. Daqui há 10 anos é possível e até provável que todas as fábricas de válvulas já tenham fechado, pois 10 anos atrás ainda haviam em torno de 10 fábricas de válvulas, hoje há apenas 5. Se continuarem fechando nesse ritmo, daqui a 10 anos não haverá mais valvulados para quem não comprou um e um bom estoque de válvulas, pode ter certeza que vai viver a fase do "o sonho acabou".

      MMI
      Veterano
      # out/10
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      nichendrix

      tem certeza que ainda tem 5? Ouvi dizer que não...

      nichendrix
      Veterano
      # out/10
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      MMI

      Ano passado tinha 6, sei que uma das russas fechou de lá pra cá

      MMI
      Veterano
      # out/10
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      nichendrix

      O dono de uma loja na Teodoro me disse que não tem mais fábricas russas. Acabaram. Só China agora.

      Vinícius Iron
      Veterano
      # out/10
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      Desabafo:

      Pessoal, vocês já devem ter percebido que, quando o assunto é simulação e valvulados, eu acabo me tornando uma pessoa extremamente incoveniente e chata. Muito bem, não tenho mais por quê esconder isso, vamos aos fatos:

      O motivo pelo qual eu sou tão rabujento ao assunto simulações e suas vertentes, é que eu penso que as pessoas estão perdendo a sua paixão pela música. Houve épocas em que as pessoas precisaram trabalhar duro, juntar dinheiro que pudessem para dar aquela escalada na música, comprando, aos tempos, equipos melhores e se diferenciando dos outros quanto ao seu timbre. No momento em que lançamos programas que simulem com alta fidelidade os sons, as pessoas simplesmente não tem mais motivo para comprar uma série de amps. Eles simplesmente pegam algo que simula tudo e pronto, tem todos os timbres à sua disposição. É como se essa gama de sons estivessem unidas em lugar-comum, onde todos terão o fácil acesso. Acontecer isso é como se nos fizessem perder o tesão em adquirir e a alegria ao ter adquirido com tanto esforço o nosso equipamento. Não iremos mais nos diferenciar dos outros pelo nosso timbre, pois um mero simulador já nos dará, em casa, o som de qualquer músico. É como se a música estivesse se destinando a um sistema Comunista, onde todos terão todos os mesmos timbres de que têm direito a ter. Em breve, as pessoas trocarão suas guitarras pelas simuladoras e terão o som de quem bem quiserem também. Se essa perfeição for atingida daqui a 10 anos, eu diria que, daqui a 20 anos, essa tecnologia estará a um preço mínimo. O garoto que vai começar a tocar e mal sabe segurar o braço de uma guitarra, vai a uma loja perto de sua casa, compra um desses simuladores de amps + uma guitarra simuladora e ''vualá'' terá todos os timbres mais profissionais que puder adquirir. Reitero o que eu disse: todos os músicos estarão em lugar-comum, não irá mais existir o ''meu'' timbre. Outra coisa, ainda dentro desse assunto de tecnologia, é a quantidade de aparelhagem que nos MASCARAM como músico. Hoje, existem aparelhos em formato de pedalboard, que é conectado a um microfone, que simplesmente MELHORA a tua voz. Tu canta afinado, programa o tom da tua voz para música em que questão e as alturas que deseja alcançar, mesmo que não consiga naturalmente por uma limitação fisiológica. Essa tecnologia irá se aprimorar tanto, que todos que tiverem esse equipo à sua disposição, não terão mais nenhum motivo para aulas de técnica vocal. A voz perfeita estará bem ali na tua frente. Outros exemplos, são aquelas pedaleiras (criadas pelo demônio) com a função de criar bases, riffs, solos, harmonias e suas progressões com o toque de 1 NOTA. Essa tecnologia não está tão aprimorada, mas, com o tempo, será algo sem defeitos.

      Agora, a reflexão: por que um idiota precisaria estudar teoria musical? Não precisa, é tudo estupidez! Eu tenho todos os sistemas inteligentes que fazem a música para mim! E todos saberão disso! Então, eu me pergunto: por que eu deveria me matar a estudar e compôr as minhas próprias músicas? Se eu for gravar um álbum (se ainda existir isso), as pessoas não vão dar a mínima, pois como é que elas vão saber se as músicas foram criadas por mim ou pela inteligência artificial? Não faz diferença, pois o grande povão burro que não quer estudar vão usar métodos eletrônicos! Com o passar do tempo, essas tecnologias irão, cada vez mais, ocupar um lugar-comum maior ainda, e os verdadeira músicos serão esquecidos ou ignorados porque eles simplesmente não fazem diferença!

      Não existirá mais o tesão em adquirir equipamentos (pois, daqui a 20 anos, um kit básico te dará tudo com tamanha perfeição e baixo custo), não existirá mais paixão em fazer música. Tem tecnologias que vêm para bem, outras que vem para mal. Quando algumas pessoas pensam no futuro tecnológico da música, estas o fazem com entusiasmo. Eu posso ser exceção à regra, mas eu brocho, quando eu penso nisso. O conhecimento musical se tornará inútil, em pouco tempo. As pessoas não precisarão mais estudar ou treinar 8 horas por dia. Basta um kit que faz tudo pra ti. Para mim, isso é o fim da mundo na música, e cada vez eu fico mais, mais e mais triste em pensar que, um dia, o músico verdadeiro terá perdido toda a sua essência e vitalidade...

      nichendrix
      Veterano
      # out/10
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      MMI

      Se for, tá na hora de eu desistir de comprar minha 335 e começar a fazer meu estoque, porque se viver a média de idade dos familiares da geração dos meus avós e bisavós, ainda tenho mais 50 anos na estrada hehehehe

      MMI
      Veterano
      # out/10
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      nichendrix

      Que é isso... Temos muita lenha para queimar (tomara!). Meus avôs fumavam mais que uma chaminé e morreram antes da hora por conta disso. Minhas avós morreram com 96 anos, ambas. Se for basear por isso, ainda temos muito tempo! hehehehehe
      Compra sua 335, se faltar eu tenho um montão de válvulas de pré e algumas de power.E a 335 é mais difícil do que as válvulas, então vai de 335. Eu vi umas dessas nascendo na fábrica da Gibson e são lindas mesmo antes de nascer!

      nichendrix
      Veterano
      # out/10
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      MMI

      Cara, na minha familia só tem Highlander... ano passado morreu uma prima do meu avô com 83 anos e ele um dos irmãos dele tavam falando, é a Joselita morreu tão jovem.

      Minha bisavó foi até os 112, meu bisavô até os 101.. haja valvula hehehhehehe

      MMI
      Veterano
      # out/10
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      nichendrix

      Mas nessa época já tem os bisnetos para dar uma bengalada e gritar: Play the Blues!

      shoyoninja
      Veterano
      # out/10
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      Vinícius Iron
      Esse "tesão" em comprar equipamentos é algo irracional, e como tal, não precisa de fundamento lógico para existir. Vide os equipamentos que audiófilos compram, como cabos de áudio "direcionais"...

      Ainda que toda a necessidade real de produção de válvulas se esgote, alguém inventará um motivo X ou Y para usá-las. Como já fazem hoje em alguns casos.

      nichendrix
      Veterano
      # out/10
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      MMI
      Pra não ficar mais offtopic que isso, vou postar a resposta lá no piano bar.

      Bog
      Veterano
      # out/10 · Editado por: Bog
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      shoyoninja
      Arriscaria dizer que

      Depois eu digo o que é o que e você vê se acertou. ;)

      nichendrix
      O que existe é uma grande romantização

      Isso aí me lembrou da visão que muitos piás de hoje em dia tem de que a ditadura militar era um negócio que incomodava todo mundo, que todo mundo sofria horrores nas mãos dos milicos malvados. Mas na verdade, a maior parte da população era meio indiferente, e muita gente até hoje defende que "naquele tempo é que era bom". A romantização da imprensa faz parecer que era bem diferente de como era de fato.

      Vinícius Iron

      Sinceramente, eu acho que você se deixou levar um pouco longe demais. Você - provavelmente sem querer- usou uma falácia chamada "declive escorregadio", que consiste em pegar um evento e ir transformando ele em uma bola de neve que na verdade não vai necessariamente ocorrer. Você parte do acesso universal às ferramentas boas e baratas para chegar no fim da criatividade, na música composta mecanicamente. Menos, menos...

      O motivo pelo qual eu sou tão rabujento ao assunto simulações e suas vertentes, é que eu penso que as pessoas estão perdendo a sua paixão pela música.

      Pois é, mas você escreveu uns 20 parágrafos sobre válvulas e umas 2 ou 3 palavras sobre a minha música. Aliás, mesmo antes de ouvir você já estava falando de válvulas. Se eu usasse o seu raciocínio, concluiria que você tem mais amor às válvulas do que à música...

      é como se nos fizessem perder o tesão em adquirir e a alegria ao ter adquirido com tanto esforço o nosso equipamento

      Quando vim para o Japão, o meu nível de esforço para comprar equipamentos diminuiu ridiculamente - meu salário mutiplicou por 3, e os preços foram divididos por 3. Se antes eu precisava juntar 3000 dinheiros para comprar uma Gibson, o que eu conseguia fazer em 30 meses juntando 100 dinheiros por mês; de repente eu só precisava juntar 1000 dinheiros, e economizava 300 por mês, o que quer dizer que os 30 meses de repente viraram menos que 4. Em quase 6 anos, saí de um estado onde eu tinha uma Tonante e uma caixa Frahn para um outro onde eu tenho praticamente um estúdio em casa. A facilidade de comprar coisas aqui não prejudicou em nada meu amor pela música - pelo contrário, eu me divirto muito mais hoje em dia.

      É como se a música estivesse se destinando a um sistema Comunista, onde todos terão todos os mesmos timbres de que têm direito a ter

      E que mal há em se ter mais opções disponíveis? Seguindo o teu raciocínio, a popularização de câmeras digitais deveria ter significado a morte da fotografia como arte.

      Manubio
      Veterano
      # out/10
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      Dreh28

      O que você poderia testar era a POD HD500 com o DT50, um simulador de valvulados ligado em um amp valvulado feito para ser usado com estas simulações, acho que deve ser uma junção ridiculamente boa.

      Abs

      nichendrix
      Veterano
      # out/10
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      Bog
      Isso aí me lembrou da visão que muitos piás de hoje em dia tem de que a ditadura militar era um negócio que incomodava todo mundo, que todo mundo sofria horrores nas mãos dos milicos malvados. Mas na verdade, a maior parte da população era meio indiferente, e muita gente até hoje defende que "naquele tempo é que era bom". A romantização da imprensa faz parecer que era bem diferente de como era de fato.

      Isso é muito engraçado, porque a família do meu pai por exemplo que tem um perfil mais disciplinador e rígido, adorava a ditadura, até hoje tem tio mais velho ou tio-avô que diz que naqueles tempos que era bom, que não tinha uma criminalidade tão alta, que tinha emprego sobrando pra todo mundo, e tralalalalala

      Isso em geral era o motivo pela qual não dava pra juntar meu avô por parte de pai e o de mãe que era contra a ditadura, porque achava que se o Juscelino tivesse voltado pra presidência o Brasil teria se tornado o país do futuro.

      Imagina as brigas homéricas dos dois... heheheh... e isso foi até meu avô paterno morrer... ou seja foi umas 3 décadas de discussões.

      Parecia até a briga analógico x digital ou válvulas x simuladores.

      Vinícius Iron
      É como se essa gama de sons estivessem unidas em lugar-comum, onde todos terão o fácil acesso.

      Cara, sei não, acho que você as vezes faz uma confusão de conceitos danada e também faz uma grande romantização de outros tempos e de certas preferências pessoais suas.

      Eu nem vou discutir o post todo porque hoje já modelei tanto processo pra automação que to com dor no pulso.

      Mas esse "comunismo" de opções não significa a morte da música.

      Um exemplo simples é o caso do Pete Townsend, Jimi Hendrix, Eric Clapton e George Harrison.

      Por uma parte dos anos 60 e 70 o equipamento deles era virtualmente o mesmo. Stratocasters, Marshall JTM45, Marshall Plexi, Fender Dual Showman Reverb, Dalas Arbiter Fuzz Face, Univox Uni-Vibe, Echoplex Delay e Wah Wah Vox.

      Dá pra imaginar 4 guitarristas tão diferentes quanto esses?

      Eles viviam num comunismo de equipamentos eram amigos e não raro até tocavam juntos com equipamentos que virtualmente não diferia um do outro.

      O segredo do som deles não estava o equipamento, estava na cabeça deles, é isso que faz o músico, não o equipamento ou algum programa de computador. Se o negócio for só executar, hoje nem precisa mais de músico, vai em qualquer shopping center e tem um piano sendo tocado por um modulo eletronico que controla os martelos do piano e faz tudo igual a um humano, com variações de dinâmica, de velocidade, do que for... mas pede pra ele compor algo pra ver se sai alguma coisa?

      Logo a tecnologia tende a ser uma aliada e não um limitador, é só ver o tanto que alguns músicos como Les Paul, Beatles e Hendrix tiveram que gastar pra criar tecnologias novas porque não conseguiam tirar o som que queriam da tecnologia que tinham, a maioria dos caras daquela época hoje usam muita tecnologia pra o som deles.

      É só ver o caso do próprio Jimmy Page, que foi um dos pioneiros das guitarras "robot", inclusive usava a primeira versão desse tipo de tecnologia desenvolvida para guitarras, isso 20 anos atrás. Foi um dos pioneiros no uso de racks digitais da Eventide e a usar os módulos controladores da Rocktron e do Bob Bradshaw.

      Isso não deixou ele menos criativo. O mesmo vale pra músicos de hoje, é só ver o tanto de diversidade que existe entre o Vai Lacraia e "toda atoladinha" aos Steve Lukater e Steve Vai da vida.

      Bog
      E que mal há em se ter mais opções disponíveis? Seguindo o teu raciocínio, a popularização de câmeras digitais deveria ter significado a morte da fotografia como arte.

      Isso que eu penso. Hoje qualquer mané que entra numa papelaria com pouco mais de 10 reais tem acesso a uma variedade de tintas com cores, texturas e qualidade que Leonardo da Vinci de Caravaggio nem sequer sonhavam que existiria, ferramentas que eles tentaram imaginar, mas não tinham tecnologia nem pra fazer. Até o pelo de marta, que eles usavam era bem pior, pq era do bicho pego no mato, hoje tem marta que é criada pra ter o pelo mais macio que o natural pra dar pinceis melhores.

      Agora tu não vê muitos Rafaeis, Leonardos, Michelangellos, Caravagios por aí, em compensação vê cada vez mais pessoas pintando e virando artistas no seu próprio mérito, da sua própria forma, não são gênios, mas são artistas, em maior número são os que nem artistas são, mas por brincarem de fazer arte, aprendem a ter uma visão mais critica e profunda da arte.

      No geral é muito mais positivo que negativo artisticamente.

      Bog
      Veterano
      # out/10
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      Vinícius Iron

      A propósito, você tem 20 anos mesmo? Pergunto porque você parece falar com um certo saudosismo, como se fosse de uma época anterior à Internet, aos Pods e coisas do tipo...

      Vinícius Iron
      Veterano
      # out/10
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      (Acordando...)

      Bog
      nichendrix

      Sim, eu posso ter ido um pouco longe demais com o todo o meu discurso, hehe. A questão dos valvulados é a que tende a acabar e, então, entraremos em uma nova era de simulações, em que tudo terá um fácil acesso para um maior número de pessoas e com uma alta qualidade. Tudo bem até aí... mas eu tentei abordar um outro tipo de questão, no texto, pra tentar dizer que os músicos se tornarão menos músicos, com o tempo. Eu posso já ter viajado demais a partir daí, mas fatos como essas pedaleiras que arrumam a tua voz e outras que criam músicas pra ti, na minha opinião, estão ferindo a identidade do real músico. Com esse tipo de tecnologia se aprimorando cada vez mais e aparecendo mais no mercado, as pessoas irão ter menos vontade de estudar música. Pegar um livro de teoria e estudar a formação de acordes, progressões, campo harmônico e harmonia em geral já vai ter virado coisa da idade da pedra e uma total perda de tempo (nao para todos, é claro). Para quê alguém iria querer estudar canto? Basta comprar uma pedaleira que deixa a tua voz 'bonitinha' e fim de papo, é uma opção mais viável e ninguém mais se matar a treinar algo tão difícil, que é a técnica vocal, entendem?

      Isso realmente me preocupa porque eu nunca quis e nunca vou querer ver o dia em que as pessoas vão perder a vontade de estudar. Músicos como Hendrix, Page, Brian May, Van Halen, Steve Ray Vaughan (e muito mais) se acabaram nos estudos para nos deixar aquelas maravilhosas composições a que temos acesso, hoje, e pelas quais temos muita influência em nossas próprias criações. Algo parece me dizer que os próximos músicos serão bons músicos graças a tecnologia, e não a seu próprio suor.

      Eu devo estar sendo chato pra caramba e vocês já não devem mais estar me aguentando, hehehehe.

      Pois é, mas você escreveu uns 20 parágrafos sobre válvulas e umas 2 ou 3 palavras sobre a minha música. Aliás, mesmo antes de ouvir você já estava falando de válvulas. Se eu usasse o seu raciocínio, concluiria que você tem mais amor às válvulas do que à música...

      Aí eu te peço desculpas de novo, cara... foi falta de educação minha mesmo ir tocando discussão adentro, acima da tua composição.

      Me falem se eu estiver sendo muito chato aqui, hahaha (sim, já estou sendo :P)

      Valeu!

      Bog
      Veterano
      # out/10 · Editado por: Bog
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      (post loooongo abaixo)

      Vinícius Iron
      pra tentar dizer que os músicos se tornarão menos músicos, com o tempo

      Não acho. É como imaginar que o império do Photoshop tornaria todas as mulheres barangas. =P

      Eu trabalho com computação. Tive na faculdade um professor que era contra essa coisa de "user-friendly", porque para ele isso "vulgarizava" tudo, já que qualquer zé mané poderia fazer sites, bancos de dados e outras coisas do tipo, sem contar a criação de sistemas inteiros usando certas ferramentas que automatizam metade do trabalho. Daqui a pouco, não haveria mais informatas de verdade, tudo seria feito automaticamente, com um mínimo de esforço do próprio usuário - o resultado seria meio porco, não muito eficiente, mas como seria mais fácil de fazer, ninguém mais sujaria as mãos. Mais de 10 anos depois, não foi isso o que aconteceu. As tais ferramentas existem, são usadas em larga escala, e qualquer moleque de 10 anos de idade sai vendendo seus aplicativos para iPhone, coisa que nem se imaginava na época. Isso é ruim? Não. Aplicativos felizes feitos por moleques de 10 anos convivem com coisas como um carro automático que foi de Roma até Shanghai (chegou esta semana!). Existe espaço para todos. Muita coisa tosca veio, mas também veio muita coisa antes inimaginável, em grande parte porque essa facilidade toda gerou mais interesse por aprofundamento por parte de alguns ex-usuários que quiseram ir além. A facilidade de uso e programação não matou a computação - na verdade, a computação está mais viva do que nunca.

      O mesmo vale para o exemplo da fotografia que eu dei antes. Hoje em dia, qualquer um pode sair por aí tirando zilhões de fotos, com câmeras automáticas, que ajustam foco, abertura do diafragma, e tudo mais. Isso matou por acaso a fotografia? Não. Conheço na verdade gente que se aprofundou no assunto exatamente por ter começado a fuçar nas configurações obscuras da câmera - que o sujeito tinha comprado para usar só no automático.

      E lembre-se, estamos falando apenas de FERRAMENTAS. Sério, não vejo em que facilitar o acesso às FERRAMENTAS vai matar a música. Não estoamos falando de guitarras que tocam sozinhas, pelamordedeus, estamos falando simplesmente de timbres!!!

      Aí eu te peço desculpas de novo, cara... foi falta de educação minha mesmo ir tocando discussão adentro, acima da tua composição.

      Não precisa pedir desculpas, porque a discussão era o ponto mesmo. Só fiz o comentário para tentar fazer você enxergar que você mesmo está se preocupando mais com a ferramenta do que com a obra, mais com "de onde veio o som" do que com "o som".

      Mas vem cá: você acha então que a facilidade toda que eu tive para obter timbres tornou a minha musiquinha ruim, é isso? Você acredita que por eu ter acesso a um Amplitube obtido por vias [cof-cof] "alternativas", eu tive prejudicadas a minha criatividade e a minha capacidade de me expressar? Usando as suas próprias palavras, você acredita que por eu ter usado um mero simulador, que me deu, em casa, o som de qualquer músico, eu estou em lugar-comum, que não existe o ''meu'' timbre e que eu não tenho paixão em fazer música? Pergunto porque foi exatamente o que você disse.

      No mais, quanto à técnica: não confunda técnica com música. Assim como a teoria musical, a técnica apurada tem sua importância, é incontestável. Mas o que mais importa não é nem o equipamento de onde saiu a música, nem a técnica, e nem a teoria, e sim A MÚSICA, o que ela expressa, o que ela passa, o que o artista quis dizer. Equipamento, técnica e teoria são apenas os meios pelos quais ele faz isso - com melhores equipamentos, mais técnica e mais conhecimento teórico, pode-se fazer mais, pode-se fazer melhor, mas no fim das contas, o resultado final é o que vale. E diga-se de passagem, minha técnica é extremamente pobre, e meu conhecimento teórico é mínimo. Como músico amador, me dou o direito de ser assim. Me preocupo em ficar sempre melhorando é no trabalho, e música não é o meu trabalho, simples assim.

      Enfim, deixa eu ver se entendi: você acredita que é ruim um mundo onde amadores como eu têm acesso a timbres diversos e podem fazer em casa suas musiquinhas, apesar da completa falta de técnica e de conhecimento teórico? Porque o primeiro post do tópico mostra que este mundo não é um futuro apocalíptico: este mundo JÁ EXISTE.

      MauricioBahia
      Moderador
      # out/10 · Editado por: MauricioBahia
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      Os "Equipófilos" ouvem as músicas com os olhos.

      Konrad
      Veterano
      # out/10
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      MauricioBahia
      Os "Equipófilos" ouvem as músicas com os olhos.

      Sinestesia grau 43.

      Só para os iniciados.

      ABATANGERINA
      Veterano
      # out/10
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      Bog
      cara, acho q tú tá exagerando um pouco na discussão. é óbvio q todo mundo hoje usa simuladores para gravar. ponto. e é óbvio q isso deixa o som num "lugar comum", no sentido q todos têm acesso as msms simulações. se isso é ruim ou bom? não sei....
      vou te dar um exemplo do q estou tentando dizer: outro dia estava ouvindo "velha roupa colorida" com a elis regina interpretando. prestei muita atenção nos "defeitos" da gravação e consecução, e na "fraca" distorção do amp microfonada "porcamente". o fato é q ouvir aquele som é uma viagem, parece q vc consegue ver os músicos com seus equipos e a elis intepretando. e o troço é uma gravação de estúdio!!! o resultado é q os álbuns ficaram bem diferentes uns dos outros.
      e isso está cada vez + raro hoje em dia. as gravações, na maioria das vezes, seguem um padrão "perfeito" demais, chega a incomodar. os simuladores atuais chegam ao ponto de "consertar" o que o fabricante do simulador considera um defeito do amp original.
      é ÓBVIO, q o produtor pode, com os recursos q têm nas mãos, não esconder ou não mascarar o q seriam defeitos (ou msm simulá-los), e deixar a coisa com uma cara + natural, humana. mas não é isso q acontece 99% das vezes.

      e vou deixar claro uma coisa: sou 100% A FAVOR DE SIMULADORES PARA GRAVAÇÃO!! tenho várias pedaleiras, programas e até uma batera eletrônica da roland em casa.

      outra coisa: a experiência de TOCAR o valvulado e analógico, como já foi até escrito nesse tópico é outra coisa, não dá pra comparar. msm não sendo isso de forma alguma prático, a bosta da válvula do meu préamp msm acabou de torrar.
      sei q o caminho da simulação não têm volta, e não acho necessariamente ruim. todo mundo hoje em dia vive em aptos pequenos, se vc ligar um valvulado vai ser apedrejado pelos vizinhos!!! então tu pega tua pedaleira ou programa, bota um fone de ouvido e tá tudo resolvido. isso de forma alguma é ruim.
      acho q já falei demais, fui!!!

      De Ros
      Veterano
      # out/10
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      Bog
      nichendrix

      Excelentes posts, devidamente positivados!

      nichendrix
      Veterano
      # out/10
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      Vinícius Iron

      Cara, não tem essa de ser chato, seus argumentos são válidos.

      O que eu vejo é que você se concentra muito em algumas partes da música e do ser músico e as vezes esquece o todo. Não é algo incomum em quem toca, especialmente quem toca guitarra, que é o fato de ser muito mais fácil se concentrar nas partes do que no todo. Isso ocorre porque nenhum outro instrumentos tem tantos elos na cadeia entre o "tocador" e o som final.

      Tanto que é um dos poucos instrumentos onde há esse preciosismo quanto ao instrumentos. Na maioria dos outros instrumentos, isso só vai até o ponto onde você consegue um instrumento de boa ou ótima qualidade, onde o resto é associado ao gosto. Um violino por exemplo, pode ser feito com caixa de abeto, poplar e afins, mas depois que você tem um ótimo violino, do que ele é feito é questão de gosto.

      Boa parte desses outros instrumentos abraça as novas tecnologias mais facilmente, e muitas vezes com muita paixão (vide tecladistas).

      Então eu não acho você e seus posts chatos, eu acho é que em algum momento você passou a dar tanta importância a algumas partes da música, que esqueceu o todo, mas isso é normal, depois muda... hehehehhehehe

      Bog
      Tive na faculdade um professor que era contra essa coisa de "user-friendly", porque para ele isso "vulgarizava" tudo, já que qualquer zé mané poderia fazer sites, bancos de dados e outras coisas do tipo, sem contar a criação de sistemas inteiros usando certas ferramentas que automatizam metade do trabalho.

      Cara, eu sou meio doido com isso. Quando comecei a usar ERPs, bem no começo, era tudo programado em Clipper, Pascal, Basic, Assembly e afins, então o usuário era obrigado a saber um bocado de programação. Isso era muito bom e muito ruim, bom porque em geral dava mais liberdade ao usuário de resolver problemas, mas ruim porque dava um trabalho dos inferno.

      Lembro das minhas tardes de sabado tentando jogar tumba e pitfall no MSX ou no 286, mas era obrigado a literalmente escrever o código fonte inteiro antes de jogar, ainda hoje tenho dezenas de livros com códigos fontes de aplicativos diversos (inclusive jogos).

      Hoje há menos liberdade na hora de resolver problemas, mas em compensação a facilidade e praticidade... hehehhehehe

      Engraçado que aqui em BH, como consultor de BPM, parte do meu trabalho passa por desenvolver sistemas BPMS e BP Platforms, que automatizam muito das atividades rotineiras das empresas, no tempo que estou nisso, eu ainda não tive que digitar uma única linha de código fonte, eu faço o modelo dos processos, escolho os que precisam ou devem ser automatizados, jogo no software e pronto.

      É tudo muito simples e intuitivo e posso me concentrar no meu trabalho, que é melhorar os processos de negócios dos clientes, automação é apenas uma parte dessa melhoria.

      Agora isso também faz com que eu me interesse muito por TI, uma vez que não preciso mais ficar horas e mais horas decorando e digitando códigos fonte, eu posso também ficar pensando mais tempo em novas formas e melhores formas de usá-la para fazer o que faço ainda melhor. Agora tenho estudado muito em como usar esses sistemas, integrados com BI, para criar repositórios de informação inteligentes. Algo que não seria possível se eu tivesse que aprender a fazer tudo no braço.

      Konrad
      Veterano
      # out/10
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      nichendrix
      Um exemplo simples é o caso do Pete Townsend, Jimi Hendrix, Eric Clapton e George Harrison.

      Por uma parte dos anos 60 e 70 o equipamento deles era virtualmente o mesmo. Stratocasters, Marshall JTM45, Marshall Plexi, Fender Dual Showman Reverb, Dalas Arbiter Fuzz Face, Univox Uni-Vibe, Echoplex Delay e Wah Wah Vox.


      Eu ainda punha o Beck nessa lista para extrapolar e acabar com a discussão de vez.

      Vinícius Iron

      Teu romantismo está esbarrando no preconceito. Ou vice-versa. Hheheh

      MauricioBahia
      Moderador
      # out/10
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      Fato:
      Misturar valvulado com digital é que nem tomar leite com manga: morre.

      nichendrix
      Veterano
      # out/10
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      Bog

      Coisas que esse lugar comum que é a tecnologia disponível para todos... uma loirinha francesa brincando de tocar Hendrix do jeito que o negão brincaria se tivesse vivo... hehehhe



      ABATANGERINA
      Veterano
      # out/10
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      alguém acha q isso aí em cima têm algo a ver com hendrix? tenham dó!! é essa "perfeição" q é o problema das simulações?


      nichendrix
      Veterano
      # out/10
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      ABATANGERINA

      Hendrix não é som vintage rapaz, Hendrix é vanguarda, Hendrix é o não ter medo de experiementar o novo. Foi isso que ele fez em vida, provavelmente é isso que estaria fazendo hoje em dia, logo hoje em dia ele estaria mais pra loirinha do que pra ele 40 anos antes. Afinal qual outro guitarrista lançou só 4 albuns de estúdio e se reinventou em todos eles?

      Vinícius Iron
      Veterano
      # out/10
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      nichendrix

      Cara, que bizarro... eu tava olhando no Youtube esse mesmo vídeo da guria tocando Hendrix, no exato momento em que tu postou aqui, e eu nem tinha entrado no tópico! O.o

      nichendrix
      Veterano
      # out/10
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      Vinícius Iron

      I'm a Voodoo Child... Lord, I'm a Voodoo Child... tan tum tantan tum tan....

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