""O Equalizador tá mexendo sozinho""(Artigo)

    Autor Mensagem
    ricolb
    Veterano
    # nov/10


    Achei o texto abaixo interessante, ainda mais pra quem como eu está tentando "melhorar" uma "voz anasalada".
    Se alguém tiver mais dicas vamos contribuir!

    "O equalizador tá mexendo sozinho." por Enrico de Paoli

    Então, estamos mixando uma bela música e claro que a maioria de nós tende a fazer o que a gente aprendeu com alguém. Ou o que simplesmente estamos acostumados a fazer. Novamente estou falando do fantasma chamado paradigma, que nos persegue.

    Quem viveu a transição do estúdio analógico para o digital sabe que, há não muito tempo, mesas com automação eram artigo de muito luxo. Como tudo no universo analógico, pra funcionar, tem de haver os componentes físicos. A automação das mesas limitava-se a faders e mutes através de deslizantes motorizados ou VCAs (voltage controlled amplifiers). E como tudo real, não era nada barato. Então, naquela época, engenheiros podiam memorizar nos computadores da mesa apenas o volume e on/off de cada canal. Isso inevitavelmente criou um hábito, que se transformou no paradigma da mixagem estática, ou bem limitada.

    Ficamos aproximadamente duas horas equalizando o som do bumbo. esse tempo todo, porque o timbre que se encaixaria na música toda nunca chega. Na intro, o baixo não toca, e o bumbo é tocado bem leve. Quando chega o refrão, chutes à pênalti são disparados contra o pedalzinho e, claro, o som é outro. A nova geração dos engenheiros tem uma alternativa pra isso: o sound replacer. Simples, não? Joga fora aquele timbre que o engenheiro de gravação ficou horas meticulosas captando e substitui por algo usado em várias músicas da última novela. Pelo simples hábito, naturalmente sem culpados, de que automação é para volumes.

    Iniciantes tendem a perguntar "qual o jeito certo de fazer algo". E, muitas vezes, o tal "jeito certo" só é assim porque antigamente era o único jeito. Bem-vindos à era digital. A mixagem no computador onde temos automação total, de qualquer coisa. Ora, mas pra que eu quero automação num equalizador do bumbo? Simples. Porque assim você pode compensar aquela falta de médias altas quando o baterista tocou fraquinho na introdução e segurar essas mesmas médias altas e talvez somar um grave quando ele quase furou a pele no refrão. Muito bem, estamos falando de um bumbo que precisa de duas equalizações durante a música. Mas e se o problema for na voz ?

    A voz não pode ser substituída por um sample. Pode ser que, na introdução o cantor tenha emitido com menos pressão e, ainda tímido, virava um pouco o rosto do microfone, para tentar ler a letra da música. Acontece que, se ele virar o rosto do mic, perdem-se agudos e médias altas. Porém, se ele se afastar do mic, perdem-se graves. Pois bem, hoje devemos considerar um sistema de gravação em computador como um ferramenta onde quase tudo é configurável, automatizável e possível. Portanto, podemos abrir um plug-in de equalização de seis bandas e habilitar a automação para o ganho de todas elas. Vamos a rápidos exemplos de como isso pode ser útil:

    Aquele bolo de grave em algumas sílabas pode ser facilmente resolvido com a banda de equalização setada entre 125 e 250 Hz. Essas freqüências só precisam ser atenuadas nos momentos em que esse grave incomodar. Aquela voz encaixotada, anasalada, pode ser resolvida com freqüências entre 400 e 500 Hz, nos momentos da mix em que se fizer necessário. Bem, chegou o refrão e a cantora sobe uma ou duas oitavas pra emocionar, a voz perde então todo o corpo e fica totalmente estridente, ferindo os ouvidos... Não tem problema. Justo nessa hora podemos conter por volta dos 3500 Hz e adicionar entre 160 e 250 Hz para sustentar o corpo. E aquele sibilado que continua incomodando em um ou dois momentos da música, mesmo depois que você ficou horas regulando o de-esser ? Nesses momentos, você automa uma banda do EQ setada para 6-7 kHz (tipo assobio), 9-10 kHz (ssssssssss) ou 11-12 kHz (fffffffff)

    Um bom hábito pode ser timbrar a voz o máximo possível com o processamento necessário e então inserir um novo EQ no track apenas para automação. Não há motivos para timbres de voz inconstantes durante a música. Temos equalizadores à vontade... Eles mexem sozinhos.

    FONTE:
    AUDIO MÚSICA&TECNOLOGIA

    kiki
    Moderador
    # nov/10
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    Muito legal!

    é legal essa visão de que os paradigmas mudaram, isso tá afetando todas as áreas em que o computador entrou (e onde não entrou?).

    eu particularmente sou tão novato no assunto de gravação e equalização que o que mais me esclareceu foi o finalzinho, com as dicas de faixas de Eq mais gerais
    =p

    ricolb
    Veterano
    # nov/10
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    kiki

    eu particularmente sou tão novato no assunto de gravação e equalização que o que mais me esclareceu foi o finalzinho, com as dicas de faixas de Eq mais gerais

    É verdade! No final das contas isso é o que realmente interessa: "Saber onde mecher e o efeito que cada alteração causa" ABÇS!

    Minow
    Veterano
    # nov/10
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    Achei legal o texto, mas vou falar como EU faço.

    No caso tenho mexido muito com video porque é meu trabalho, então o que faço de equalização é pra consertar captações ruins, tirar pops e sibilâncias.
    Não tenho o menor saco pra fazer automações de parâmetros DENTRO de plugins. Minhas automações de plugins são ON e OFF.
    A primeira coisa que eu faço é duplicar a(s) trilha de voz, a cópia eu escondo e deixo inativa, como "backup".
    Dependendo da trilha, de esser é necessário, mas deixo ele muito leve, pra não cortar nada do que não for sibilância, apesar de deixar sobrar muita coisa que incomoda. Esse resto eu tiro na mão, processando só fragmentos muito pequenos e já deixando na pista.
    Pops, tiro tudo na mão.
    Só deixo pendurado equalizadores estáticos (alguns ligam e desligam), compressores/limiters e só.
    Reverb eu faço automação de auxiliar. Só.

    Claro que mexer em automação de plugins é muito bonito na teoria, mas quando você tem prazo e precisa fazer rápido sem fazer trabalho porco, mete a mão logo e destrói a pista.

    ricolb
    Veterano
    # nov/10
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    Minow
    Que bom que vc curtiu o texto e ainda compartilhou um pouco da sua experiência.

    Andei gravando e mixando umas músicas aqui, outras ali, pouca coisa... ...todas vozes masculinas e boas, aí eis que surge uma voz feminina e ainda por cima "anasalada".

    Tá difícil trabalhar ela por isso pesquisei e achei este artigo. Vou seguir as dicas e espero que me ajude.

    Trabalhar com as vozes masculinas não foi tão difícil, mas esta está sendo. Quando acho as frequências mais problemáticas(anasaladas) geralmente por volta dos 630 Hz, no caso dela e atenuo, a voz dela perde muito peso e sustaine. Quando enfatizo frequências graves diminui a "nitidez" do canto, perde o brilho. Frequências mais altas parecem que pioram o anasalado.

    Talvez eu tenha que experimentar mais, dosar mais o uso dos equalizadores.

    Será que o fato de eu não usar um mic condenser pode estar atrapalhando tanto assim na captação das vozes?

    O que eu tenho aqui por enquanto é o AKG D3700m. Quando melhorar vou procurar obter un condenser, sugestões?!

    Minow
    Veterano
    # nov/10
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    ricolb
    Não conheço o modelo específico do seu mic, mas esse negócio de que TEM que usar condensador para a voz é bobeira. O fato é que tem microfones que funcionam melhor com certos tipos de voz, tanto dinâmicos como condensers. Pra saber, só experimentando mesmo.

    ricolb
    Veterano
    # mai/11
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    Salve Galera! Aproveitando o tópico, trago mais uma dica de site:
    BENVESCO.COM

    Muitos artigos, dicas e informações sobre mixagem, masterização, equalização, plugins, etc.
    O contra é que está todo em "English, de novo". É só entrar e garimpar! ABÇS!

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